Em 16 de julho de 2017 | Pastorais

Neste ano de comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante, ao revisitarmos a história, podemos constatar o quanto custou a busca por um cristianismo puro e coerente – o sangue de muitos mártires. O real contexto da palavra do apóstolo Paulo aos Filipenses quando disse: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). O contexto do testemunho da fé levado às últimas consequências. João Huss (ou Jan Hus) foi um dos pré-reformadores que viveram este contexto.

Huss, nascido em 1370 numa família de camponeses, foi ordenado sacerdote em 1401, e logo avançou nos estudos obtendo mestrado e doutorado pela Universidade de Praga, onde posteriormente tornou-se reitor. Impactado pelas idéias de Wycliff (da Inglaterra), Huss levantou-se na Capela de Belém em Praga (então região da Boêmia, hoje República Tcheca), requerendo uma reforma na igreja. Ele combateu a venda de indulgências (influenciando Lutero 100 anos mais tarde), defendeu que Cristo era o cabeça da igreja e não o Papa, e que todos os convertidos eram membros da igreja, e não apenas o clero. O princípio da Sola Scriptura (Somente a Escritura) ardia no coração de Huss que dizia: “desejo me apegar, crer, e afirmar tudo o que estiver nela contido, enquanto houver fôlego em mim”.

Em 1412, como herege, Huss foi excomungado pelo Papa João XXIII. Em sua defesa, dizia Huss: “Não, eu nunca preguei qualquer doutrina de tendência para o mal, e o que ensinei com os meus lábios agora selo com o meu sangue.” Em Novembro de 1414 Huss compareceu, sob a promessa de proteção e salvo-conduto, perante o Conselho de Constança para expor suas idéias, porém nunca foi ouvido. Ficou encarcerado por meses ali, até que em 6 de Julho de 1415 foi levado à fogueira como herege. Enquanto as chamas o engoliam, ouviam-no recitando os Salmos e orando “Senhor Jesus, é por ti que eu pacientemente suporto esta morte cruel. Oro para que tenhas misericórdia dos meus inimigos”.

O movimento dos Hussitas (de João Huss) impactou profundamente os Boêmios em Praga, os quais recusaram-se a se submeter ao Sacro Império Romano, bem como à Igreja em Roma. Desses nasceu o movimento dos Irmãos Unidos (Unitas Fratum) que posteriormente fundou o movimento dos Irmãos Morávios, que vieram a ser usados por Deus na conversão de John e Charles Wesley.

Irmãos, a fé em Cristo pode nos levar a passar pelo martírio. Que diante de tantos exemplos de reformadores estejamos prontos a sofrer pelo evangelho, como bem disse o apóstolo João: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2:10) Que Deus nos ajude.
Rev. Antônio Alvim Dusi Filho

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