Em 7 de julho de 2017 | Pastorais

Este ano celebramos os 500 anos da Reforma Protestante. Neste espaço iremos pensar alguns aspectos deste evento que mudou a história da humanidade. Cada artigo irá abordar um aspecto. Hoje vamos pensar no processo histórico desta Reforma e o que isto nos ensina sobre a ação de Deus.

Nenhuma história nasce do nada, os fatos históricos são o resultado de um processo, muitas vezes planejado e executado com muito cuidado e esmero. Outras vezes a história é resultado de um processo que deu errado, outras vertentes surgiram pelo caminho e as pessoas foram consertando e realizando algo durante a caminhada. Mas em todo tempo, percebemos o governo soberano de Deus.

John Wycliff (1330-1384) pode ser chamado de o primeiro reformador. Ele viveu no final do Século XIV, portanto, bem antes de Lutero. Em 1371, Wycliff deixa a Universidade de Oxford, lugar onde era famoso por sua lógica e erudição. Em seus estudos bíblicos, Wycliff desenvolveu um importante caminho teológico sobre a doutrina do senhorio de Cristo e também sobre a Santa Ceia. Em 1380, o reitor da Universidade de Oxford convocou uma assembléia para discutir os ensinos de Wycliff. Foi por inspiração de Wycliff que a Bíblia foi traduzida para o inglês (1384), logo depois da sua morte (GONZALEZ, 1986).

Os humanistas seculares tinham o lema ad fontes, “de volta às fontes”, ou seja, as obras da antiguidade clássica greco-romana. Os reformadores fizeram o mesmo com a Bíblia, a fonte por excelência da tradição cristã, o registro da ação providencial redentora de Deus na vida do mundo. Desde o início, homens como Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio e João Calvino afirmaram o princípio da autoridade suprema das escrituras em matéria de fé e prática (Sola Scriptura), e passaram a reavaliar toda sua herança religiosa à luz desse critério. (MATOS, 2005).

Wycliff combateu a autoridade do Papa, deu importância a Bíblia como a Palavra de Deus que deveria ser lida pelo povo, criticou a doutrina Católica Romana sobre Santa Ceia, oração aos mortos, culto com imagens, e também criticou o celibato. Desta forma ele entra para a história da Igreja como primeiro reformador.

Concluímos, portanto, que nossa história está repleta de pessoas que enfrentaram grandes lutas e desafios para defender o que hoje acreditamos com muita facilidade. O amor a Palavra de Deus como Escritura Sagrada que está acima de qualquer autoridade humana, este é o grande legado de Wycliff para todos nós hoje. Olhar para aquilo que foi defendido, muitas vezes, com o custo da própria vida, nos faz pensar o quanto estamos de fato defendendo nossa fé cristã com o mesmo amor e motivação.

Que Deus nos abençoe para que possamos no futuro deixar uma história de amor a Palavra de Deus revelada.

Deus nos abençoe!

Rev. Leonardo Sahium

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