Pastorais
PERSEVERANÇA NOS HÁBITOS ESPIRITUAIS

13 de outubro de 2019

O dicionário Michaelis define o hábito como uma inclinação por alguma ação ou disposição de agir constantemente de certo modo, adquirida pela frequente repetição de um ato. O filósofo William James Durant escreveu: “Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.” De acordo com Aristóteles, a virtude é uma arte obtida com o treinamento e o hábito. Nós somos aquilo que fazemos repetidas vezes. A virtude, então, não é um ato, mas um hábito. Para David Hume, o hábito é o grande guia da vida humana.

O hábito é capaz de modular o pensamento, a ação e a vontade do indivíduo. O cultivo de hábitos ruins pode produzir incontáveis prejuízos para a saúde física, emocional e espiritual. Por outro lado, os bons hábitos são capazes de promover a longevidade, o bem-estar e tantos outros benefícios ao longo da vida. É importante ressaltar que alguns hábitos prejudiciais podem atingir a categoria de vícios e a vontade já não os domina mais.

Os hábitos são adquiridos através das preferências pessoais, dos relacionamentos familiares e também das relações nos diversos grupos de convivência. As crenças e os valores de um determinado contexto sociocultural são importantes para o estabelecimento dos hábitos. Para muitos, o ritmo frenético, a agenda transbordante, as incontáveis opções de entretenimento, as metas a serem atingidas, as interações virtuais e a overdose de informações se tornaram hábitos incontroláveis.

Os exercícios espirituais não se tornam naturalmente habituais, afinal, o coração humano tem uma resistência implacável para desenvolver a intimidade com Deus. Por outro lado, mesmo quando alguns hábitos religiosos são implantados, corre-se o risco de utiliza-los como fonte de orgulho e arrogância. Jesus repreendeu esta atitude em muitos líderes religiosos no seu tempo: “E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.” (Mt 6.5).

O desenvolvimento de hábitos espirituais saudáveis depende da submissão aos princípios da Palavra de Deus. A Bíblia estabelece regras para os exercícios que devem se tornar rotina na vida do cristão. A perseverança é essencial no processo. Os deveres espirituais não podem ser estabelecidos aleatoriamente, sem critérios ou de acordo com a intuição. É necessário sistematização, disciplina e persistência para que se tornem um hábito regular, prazeroso e progressivo.

O livro de Atos apresenta algumas áreas que exigem perseverança para que se tornem hábitos consolidados: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” At 2.42. A meditação na Palavra, a participação nos cultos públicos e a vida de oração são elementos essenciais para o cuidado com a alma. A prática regular destas atividades é o caminho para o crescimento e desenvolvimento da maturidade na fé. Por isso, identifique o tempo dedicado para estes compromissos que devem se tornar habituais e assim, promover a alegria, a segurança, a direção e a paz que vem de Deus.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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