Em 31 de março de 2017 | Pastorais

Um dos grandes desafios é valorizar o essencial e colocar o supérfluo e periférico no devido lugar. Quantos conflitos, desgastes e perdas de tempo por discórdias que não mereciam tanta atenção. É preciso cuidar para não submeter os nobres sentimentos às questões banais da vida.

O povo de Israel foi formado pelo próprio Deus para receber seu filho Jesus Cristo, o único capaz de trazer salvação aos corações dos homens. Os judeus orientados pelo Senhor se organizaram por séculos para esse grande advento. As leis civis, cerimoniais e morais, os reis, sacerdotes e profetas e toda a estrutura de culto e sacrifícios no templo de Jerusalém apontavam para a chegada do Messias.

Os sacerdotes, escribas e fariseus se atentavam aos sinais que poderiam identificar a chegada do Salvador. Estudavam meticulosamente a lei, cumpriam as tradições e se alimentavam da esperança de um governo justo, reto, eterno e que os libertaria da opressão romana. O Antigo Testamento estava repleto desta promessa e a certeza da fidelidade de Deus assegurava que no tempo oportuno, Ele iria trazer salvação e libertação.

Desde o início do seu ministério até o último suspiro na cruz, Jesus enfrentou a oposição daqueles que mais tinham condições de identifica-lo como o Messias Salvador. Os líderes religiosos judeus foram implacáveis com Ele e o conhecimento adquirido para deduzir que a esperança dos povos havia chegado foi usado para condena-lo à morte. A multidão que o ovacionou na entrada triunfal aclamando-o como rei, alguns dias depois estava eufórica para vê-lo ensanguentado na cruz. O apóstolo João escreve que Ele veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11).

Os olhos estavam tão vidrados com a religião que não conseguiram enxergar aquele que era o sentido principal de toda crença. No entanto, tudo estava sob o controle daquele que cumpre os seus planos. Era propósito divino todo sofrimento, morte e ressurreição de Cristo. No entanto, a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana e as consequências de cada um pelos seus atos.

A atenção daqueles que seguem a Jesus deve estar redobrada para que os aspectos que estão ao redor da caminhada cristã não assumam a esfera central e impeça os olhos da fé de se manterem fixos em Cristo. Ele é o Salvador e Senhor da igreja, por isso, a verdadeira piedade precisa ser construída de acordo com a instrução do apóstolo Paulo: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” Rm 11:36.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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