Em 13 de fevereiro de 2017 | Pastorais

As inúmeras transformações na sociedade têm produzido um perceptível adoecimento nos indivíduos e isso afeta profundamente as relações interpessoais. Já são 30 milhões de brasileiros portadores da síndrome de Burnout. São pessoas que desejam apenas corresponder às exigências de uma época que humaniza máquinas e maquiniza homens. Os medicamentos para combater a ansiedade, o estresse e a depressão aquecem a indústria farmacêutica. Emocionalmente, muitos desta geração estão hipersensíveis e intolerantes a qualquer pensamento que contrarie os posicionamentos pessoais.

A produção científica quanto ao comportamento humano ajuda a entender as novas configurações, mas se apresenta ineficiente no apontamento de soluções. O desprezo pela verdade, a repulsa aos valores absolutos, o ataque à deidade e o enfraquecimento dos postulados morais promoveram um vazio de significado humano. A impressão é que o homem se agoniza na sua humanidade, se desespera diante do próprio tédio e assiste o seu gradual padecimento.

Para aplacar a tormenta, a mente de muitos precisa ser alimentada por um turbilhão de links externos e entretida o tempo todo com qualquer coisa. O objetivo central é impedir que os pensamentos provoquem pavorosos questionamentos acerca de uma existência alicerçada no supérfluo, banal, inconsistente e inútil. Esse discurso poderia ser catalogado como pessimista e fatalista se o atordoamento social não estivesse tão visível e patente.

É nesta busca por soluções que promovem cada vez mais complicações que o ser humano se depara com a sua ineficiência e incapacidade. Qualquer tentativa de progresso, desenvolvimento e avanço que ignora os princípios de Deus, por mais sofisticada e robusta que seja, conduzirá ao caos pessoal e comunitário. Por isso, é tempo de semear a Palavra libertadora aos corações embrutecidos dos dias atuais. É neste deserto árido que Deus revela o seu poderoso amor. Ele é capaz de reconfigurar as almas danificadas pelos inúmeros conceitos e valores que regeram escolhas desastrosas.

O Senhor é o bom pastor e Ele pode tratar de cada uma das feridas dos homens e mulheres desta geração (Sl 23). Ele é Deus de restauração (I Pe 5.10 ), cura (Mt 19.2), libertação (Jo 8.32) e salvação (Jo 3.16). A proposta dEle é uma nova e abundante vida (Ef 4.24; Jo 10.10). Somente a busca constante e sincera pelo Senhor produzirá a paz para viver neste contexto que, assim como o mar revolto, se agita de um lado para o outro. Se Jesus está no barco, os tripulantes devem se sentir seguros, pois Ele é o único que pode acalmar a tempestade, afinal, até o vento e o mar lhes obedecem (Mc 4.41).

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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