Pastorais
A LUTA QUE VALE A PENA

20 de julho de 2019

O descolamento entre a teoria e a prática é uma dificuldade real e universal. Os meios de comunicação virtual se tornaram vitrines para expor pensamentos, propostas, opiniões e frases de efeito, muitas vezes, oriundas de mentes aquecidas e atitudes congeladas. O risco de um blá, blá, blá infinito, infrutífero e sem propósito é iminente. Mudanças profundas não acontecem apenas com discursos veementes, recheados de fragmentos da verdade, mas desvinculados de ações mensuráveis, reais e concretas.

O engajamento virtual em batalhas políticas e ideológicas pode até produzir alguma sensação de bem-estar e contribuição pública, mas é muito pouco diante daquilo que a igreja foi comissionada a realizar. As grandes lutas acontecem em outra dimensão. Os verdadeiros inimigos não estão no partido oposto ou no grupo com cosmovisão diferente.

A Bíblia ensina que os seguidores de Cristo foram chamados para viver o evangelho e cumprir a missão estabelecida. A dispersão apaixonada em direção a temas periféricos pode “roubar” o coração do cristão. É preciso temer o envolvimento caloroso com objetivos e pautas que não ocuparam o eixo central do ministério de Cristo. A igreja precisa cumprir os compromissos que o Senhor estabeleceu na agenda e é importante ressaltar que tem muito trabalho e pouca gente disposta a executá-lo (Lucas 10.2).

Jesus disse que Ele é a videira verdadeira e os seus discípulos são os ramos e esta conexão deveria produzir muitos frutos. É a produção intensa dos ramos que glorifica o Pai e confirma a ligação do discípulo com o Senhor (João 15.5,8). Este texto direciona aqueles que estão dispostos a viver o evangelho com inteireza e focados no essencial diante de tantas distrações.

O apóstolo João ensina que Deus é amor (I João 4.8). O envio de Jesus está respaldado no amor do Pai (João 3.16). Jesus amou ao ponto de dar a vida em favor dos seus amigos (João 15.13). O próprio Jesus disse que o resumo dos mandamentos era amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Marcos 12.33). Se a videira ama, não resta outro caminho para os ramos. (João 15.12).

Deus não estabelece um amor desregrado e desregulado como o proposto nos dias atuais. A Bíblia ensina que o acesso ao verdadeiro amor é possível somente através da fé em Jesus Cristo. A partir deste encontro, o Espírito Santo produz o amor que vem de Deus nos corações dos salvos. Este amor se desenvolve por meio da devoção constante e progressiva. O resultado é a obediência aos mandamentos de Deus. Este processo conduz os discípulos a amar da mesma forma e as mesmas coisas que Jesus amava.

O amor que vem de Deus é coerente, pois a fé e as obras caminham lado a lado (Tiago 2.18). O amor que vem de Deus ensina a amar os inimigos e a orar pelos perseguidores (Mateus 5.44). O amor que vem de Deus produz obediência na proclamação do evangelho (Mateus 28.19). O amor que vem de Deus evita falatórios inúteis e profanos (2 Timóteo 2.16). O amor que vem de Deus conduz o povo a desejar Deus acima de todas as coisas. Esse amor transborda no coração e aquece a alma. É o amor de Deus que erradia luz nas trevas e enche de esperança a terra. Por esse amor as batalhas valem à pena!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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