Em 1 de dezembro de 2017 | Pastorais

A criação em Gênesis expressa o cuidado de Deus em produzir uma obra excelente em todos os detalhes. Tudo foi projetado para ser pleno majestoso e perfeito. A criação do homem e da mulher foi o ápice da obra divina, afinal, Deus os fez à sua imagem e semelhança (Gn 1.27). O projeto de Deus era vincular-se ao homem através de um relacionamento nutrido pelo amor e pela vida. O próprio Senhor era a fonte do amor e bastava aos primeiros pais se nutrirem desta relação com fidelidade irrestrita.

O amor não se estabelece no campo da obrigatoriedade. O amor verdadeiro se desenvolve apenas quando há a liberdade para não amar. Por isso, Deus coloca a árvore do conhecimento do bem e do mal no meio do jardim, afinal, os primeiros pais tinham a opção e a liberdade de romper com o Criador a qualquer momento. Adão e Eva comem do fruto, rejeitam o amor, ignoram a vida e, como consequência, a morte se torna uma realidade para toda a descendência. Eles decidem deixar de obedecer e optam por um caminho sem Deus.

Esta é a explicação bíblica para todos os desajustes morais, sociais, econômicos, políticos e pessoais que afetam a humanidade. A dor, o sofrimento, o vazio existencial, a falta de sentido, a angústia e tantos outros males decorrem do rompimento do homem para com Deus. O caos se instaurou e cabe ao homem tentar minimizar a própria tragédia por meio de entretenimentos, sonhos, projetos e bens que produzem uma pseudo sensação de sentido. A história caminha para um final absolutamente trágico e humanamente irreversível.

No entanto, Deus manifesta a sua graça e misericórdia nas primeiras páginas da Bíblia. A promessa do salvador ocorre em Gênesis 3.15, quando Deus diz que o descendente da mulher viria para esmagar a cabeça da serpente. O Antigo Testamento relata detalhadamente o projeto divino para a chegada do Messias. Adão e Eva ouviram do próprio Deus que, apesar da desobediência, a salvação iria alcançar os filhos de Deus e conduzi-los para a vida eterna. Este processo ocorreria através do nascimento, morte e ressurreição do filho de Deus.

A mensagem do natal já existia antes do nascimento virginal de Cristo. Na verdade, desde os primórdios da humanidade há a expectativa pela vinda do salvador. A esperança pela chegada do Deus forte, maravilhoso conselheiro, pai da eternidade e príncipe da paz ardia em cada um dos corações daqueles que pertenciam ao povo de Deus. O sinal era que o descendente da mulher iria nascer de uma virgem e o seu nome seria Emanuel, ou seja, Deus conosco.

Todos os que ouviram e creram na poderosa mensagem do descendente da mulher que esmagou a cabeça da serpente através da sua morte e ressurreição celebram no natal a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas e da esperança sobre o desespero. É um tempo de festa, afinal, nasceu aquele que concede vida eterna aos seus discípulos.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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