Pastorais
AMIGO PARA TODA A VIDA

26 de abril de 2018

Uma característica marcante na infância é a capacidade de estabelecer relacionamentos com outras crianças desconhecidas. No clube, no hotel ou no playground, as amizades são consolidadas rapidamente. Muitos pais se incomodam quando os filhos são tímidos para construir estas interações e, por isso, até insistem dizendo: “vai brincar com o seu amiguinho, filho!”.

Na adolescência, a situação inverte! Os grupos ou “tribos” se estabelecem e quem está de fora não entra e os que estão dentro não saem. As amizades são caracterizadas por afinidades e a influência mútua é marcante neste período. Os vínculos são profundos e, quando quebrados, produzem traumas e ressentimentos por vezes irreparáveis.

À medida que o tempo passa, a construção da amizade se torna algo mais elaborado, calculado e consistente. Não visa apenas os objetivos lúdicos da infância e também não possui o pacto de cumplicidade a qualquer custo da adolescência. As experiências, os gostos e os valores de cada pessoa vão delineando os critérios para o estabelecimento de vínculos que irão culminar em amizades.

Uma amizade saudável exige empatia, confiança, sinceridade e lealdade. O prazer da companhia, a alegria dos encontros e o acolhimento nas adversidades são alguns dos ingredientes indispensáveis para temperar o convívio entre amigos. Estes relacionamentos produzem saúde, cura e alívio na jornada.

O autor de Provérbios ressalta as características de uma amizade. Ele diz que é uma relação regada por amor: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” (Pv 17.17). O encontro entre amigos produz alegria: “O olhar de amigo alegra ao coração” (Pv 15.30). Muitas vezes, a amizade produz vínculos mais profundos do que aqueles construídos nas relações familiares: “O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão” (Pv 18.24). Por último, as palavras de um amigo são doces ao paladar da alma: “Como o óleo e o perfume alegram o coração, assim, o amigo encontra doçura no conselho cordial” (Pv 27.9).

Quem são os seus amigos? Qual foi a última vez que vocês se encontraram? O quanto você tem investido nesta relação criada por Deus para o seu bem-estar? Se os seus relacionamentos amigáveis estão empoeirados pelo desuso ou tomados pelo mofo em alguma gaveta, é hora de recoloca-los em funcionamento. O desejo de Deus é que você caminhe lado a lado com aqueles que são responsáveis por inúmeros momentos de risos e alegria, mas também estão presentes para dividir os fardos. Talvez seja a hora de marcar um café, programar uma caminhada na praia ou agendar um almoço para celebrar na companhia de um amigo para toda a vida.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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