Pastorais
CAMINHADA SEGURA

27 de abril de 2019

Um dos grandes desafios da infância é aprender a andar. É necessário um amadurecimento do sistema nervoso da cabeça aos pés. A sustentação dos músculos e a coordenação motora são fundamentais para o sucesso. Os pais criam vários mecanismos e se enchem de expectativas para ver os filhos dando os primeiros passos. Na verdade, é uma conquista de toda família.

O equilíbrio do corpo humano sobre os pés é fruto de uma sofisticada engenharia divina. A arte de andar exige uma base de sustentação apropriada. É importante um apoio firme, amplo e seguro.
À medida que o ser humano se desenvolve, percebe que equilibrar o mundo interior também é muito complexo. É preciso ordenar as emoções, os afetos, as vontades, os desejos, os projetos, as conquistas, as frustrações, as angústias, as indignações, os lutos e as lutas. Na verdade, existe um turbilhão de coisas que fervilham no vulcão da alma e precisam se equilibrar minimamente para a sobrevivência.

As interações familiares e sociais funcionam como reguladores que ajudam a moldar o comportamento desde os primeiros dias de vida. Cada pessoa tem a sua personalidade, mas o ambiente sociocultural contribui muito para a formação. Nesta direção, muitos desequilíbrios decorrem tanto do desajuste pessoal como coletivo.
O relativismo encontrou um terreno fértil para disseminar que uma vida equilibrada se estabelece a partir do culto à própria vontade. Não importa o que o outro diz, afinal, cada um tem a sua própria verdade e a individualidade é sagrada. Cada um segue o seu caminho, cria as suas regras e busca o que promove prazer. O resultado desta proposta está exposto na sociedade Ocidental.

A dificuldade para definir limites e manter as regras implodiu princípios básicos que ajustam a convivência comunitária. A opção pela relativização da verdade produziu incontáveis “micro verdades” que se colidem e produzem a desordem, o desequilíbrio e o caos. O excesso de caminhos produz confusão, desfoca o alvo e gera desequilíbrio na jornada.

Por isso, Jesus não se apresenta como uma possibilidade. Ele não se coloca como uma opção entre muitas. Jesus é o caminho, a verdade e a vida e ninguém chega ao Pai por outra via (Jo 14.6). Somente Deus pode produzir equilíbrio e ordem no mundo interior. Ele é a rocha que produz firmeza, o pastor que guia na direção certa, o sustento que protege das quedas.

A natureza humana não está estruturada para uma caminhada independente. O apoio em fundamentos frágeis produz, inevitavelmente, a queda. Somente Deus concede o sustento necessário para uma jornada segura e estável, conforme escreveu o profeta Habacuque: “O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar em lugares altos.” (Hc 3.19).

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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