Pastorais
CARNIS LEVALE

28 de fevereiro de 2019

Apesar do carnaval fazer parte da cultura nacional, vários historiadores afirmam que esta festa se originou 500 antes de Cristo. Existem dois ritos babilônicos que, possivelmente, deram origem ao carnaval. O primeiro, chamado de Saceias, eram festividades onde um prisioneiro assumia a posição de rei e usufruía de todas as benesses da realeza. Em seguida, o prisioneiro era chicoteado e enforcado. O outro rito acontecia no templo do deus mesopotâmico Marduk. O rei abria mão do seu poder para ser surrado diante da estátua de Marduk e, após essa submissão e humilhação, ele retornava ao trono. Qual a relação do carnaval com estas festas antigas? De acordo com Tales dos Santos Pinto, possivelmente, a subversão dos papéis sociais.

Existem também associações do carnaval com as orgias de origem greco-romanas marcadas pela embriaguez e a entrega aos prazeres carnais. Em Roma haviam festas que ocorriam no mês das divindades infernais. Em seguida ocorriam os períodos de purificação. A partir do século VIII, a igreja Católica Romana criou a quaresma e estabeleceu que estas festas deveriam acontecer antes de um período de rigorosa disciplina religiosa. A história do carnaval no Brasil começou entre os escravos no período colonial.

A expressão em latim, carnis levale, significa “retirar a carne” e se refere ao início da quaresma. Neste período, após o carnaval e antes da páscoa, os católicos romanos não ingerem carne e se recolhem em oração e penitências. Este ritual é uma referência aos 40 dias de Jesus no deserto.

Os blocos de rua na atualidade refletem os elementos que estão na origem do carnaval antigo. A subversão social, as orgias e a quebra de qualquer princípio moral são explorados ao máximo. Não há limites, não há regras, não há bom senso! A depredação dos espaços públicos, a poluição sonora e o lixo nas ruas simbolizam a canalização da desordem da alma para o caos coletivo. Estes elementos estão na essência da festa mais popular do Brasil.

O carnaval, desde antiguidade até os dias atuais, é geneticamente uma festividade pagã. No entanto, é surpreendente a quantidade de pessoas de maneira geral estarrecidas com o grau de desordem e perversidade dos blocos carnavalescos. As manifestações contrárias se avolumam nos diversos meios de comunicação.

Em nome da “cultura”, alguns cristãos identificam como natural a participação numa festa que enfatiza a subversão social, a embriaguez, as orgias e os prazeres da carne. A mensagem bíblica é direta e esclarecedora acerca deste assunto. O Salmo 1.1 diz: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.”

O apóstolo Paulo escreve sobre a intensa luta da carne contra o Espírito: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” Diante deste intenso conflito espiritual, como participar de festividades pagãs que estimulam ao máximo os desenfreados desejos da carne sem se contaminar? O temor a Deus nos distancia da possibilidade do pecado. O amor a Cristo nos conduz para mais perto dele através de uma vida que abandona as obras da carne e busca o fruto do Espírito, que é a fonte de amor, alegria e paz.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

Share