Pastorais
CARNIS LEVALE

28 de fevereiro de 2019

Apesar do carnaval fazer parte da cultura nacional, vários historiadores afirmam que esta festa se originou 500 antes de Cristo. Existem dois ritos babilônicos que, possivelmente, deram origem ao carnaval. O primeiro, chamado de Saceias, eram festividades onde um prisioneiro assumia a posição de rei e usufruía de todas as benesses da realeza. Em seguida, o prisioneiro era chicoteado e enforcado. O outro rito acontecia no templo do deus mesopotâmico Marduk. O rei abria mão do seu poder para ser surrado diante da estátua de Marduk e, após essa submissão e humilhação, ele retornava ao trono. Qual a relação do carnaval com estas festas antigas? De acordo com Tales dos Santos Pinto, possivelmente, a subversão dos papéis sociais.

Existem também associações do carnaval com as orgias de origem greco-romanas marcadas pela embriaguez e a entrega aos prazeres carnais. Em Roma haviam festas que ocorriam no mês das divindades infernais. Em seguida ocorriam os períodos de purificação. A partir do século VIII, a igreja Católica Romana criou a quaresma e estabeleceu que estas festas deveriam acontecer antes de um período de rigorosa disciplina religiosa. A história do carnaval no Brasil começou entre os escravos no período colonial.

A expressão em latim, carnis levale, significa “retirar a carne” e se refere ao início da quaresma. Neste período, após o carnaval e antes da páscoa, os católicos romanos não ingerem carne e se recolhem em oração e penitências. Este ritual é uma referência aos 40 dias de Jesus no deserto.

Os blocos de rua na atualidade refletem os elementos que estão na origem do carnaval antigo. A subversão social, as orgias e a quebra de qualquer princípio moral são explorados ao máximo. Não há limites, não há regras, não há bom senso! A depredação dos espaços públicos, a poluição sonora e o lixo nas ruas simbolizam a canalização da desordem da alma para o caos coletivo. Estes elementos estão na essência da festa mais popular do Brasil.

O carnaval, desde antiguidade até os dias atuais, é geneticamente uma festividade pagã. No entanto, é surpreendente a quantidade de pessoas de maneira geral estarrecidas com o grau de desordem e perversidade dos blocos carnavalescos. As manifestações contrárias se avolumam nos diversos meios de comunicação.

Em nome da “cultura”, alguns cristãos identificam como natural a participação numa festa que enfatiza a subversão social, a embriaguez, as orgias e os prazeres da carne. A mensagem bíblica é direta e esclarecedora acerca deste assunto. O Salmo 1.1 diz: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.”

O apóstolo Paulo escreve sobre a intensa luta da carne contra o Espírito: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” Diante deste intenso conflito espiritual, como participar de festividades pagãs que estimulam ao máximo os desenfreados desejos da carne sem se contaminar? O temor a Deus nos distancia da possibilidade do pecado. O amor a Cristo nos conduz para mais perto dele através de uma vida que abandona as obras da carne e busca o fruto do Espírito, que é a fonte de amor, alegria e paz.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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MONTE ALTO, ENTENDENDO NOSSA AGE

1 de fevereiro de 2019

Em alguns prédios, principalmente públicos, existe uma cerimônia, antes de se iniciar uma construção, onde se lança uma pedra fundamental. A pedra fundamental tem origem nos povos Celtas, quando o historiador grego Hecateu de Mileto escreveu sobre as características deste povo no Século VI a.C.

Hoje estamos reunidos em Assembléia Geral Extraordinária (AGE) dos membros civilmente capazes da Igreja Presbiteriana da Gávea. Segundo a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, a decisão para compra ou venda de um imóvel só pode ser realizada por uma AGE, quando convocada pelo Conselho da Igreja, obedecendo os trâmites constitucionais.

Vamos decidir se a Igreja Presbiteriana da Gávea deve comprar um terreno de 360 metros quadrados na cidade de Arraial do Cabo, no bairro de Monte Alto, para no futuro próximo quando a Igreja Presbiteriana em Monte Alto for organizada, receber de nossa Igreja esta doação definitiva.

No segundo semestre do ano passado, nosso Conselho iniciou a parceria com outras igrejas presbiterianas, tendo como objetivo plantar uma igreja em Monte Alto. Escolhemos o plantador, um pastor que fez nossos cursos de treinamento para plantação de igrejas, formado no Seminário Presbiteriano no Rio de Janeiro. Na ocasião, Pb Wilson, Pb Antônio Claúdio, Pb Sérgio Rosa e eu viajamos até Arraial do Cabo e conhecemos o lugar do projeto e nos reunimos com a liderança da Igreja Presbiteriana de Arraial do Cabo. Viajei aos EUA e apresentei o projeto para as nossas Igrejas parceiras, Good News Presbyterian Church e Covenant Presbyterian Church. Estas duas Igrejas aprovaram o projeto e estão conosco para um investimento de 4 anos. A Igreja Presbiteriana de Jaconé, igreja filha da Gávea, também participará do projeto. Obedecemos assim, a grande missão que Jesus Cristo confiou a Igreja: “ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19).

No segundo semestre de 2018, quando visitamos um novo loteamento ao lado da atual sede da Congregação, percebemos que este lugar seria o ideal para a nova igreja. Oramos neste loteamento, mas na ocasião, a forma de pagamento que nos foi ofertada estava acima de nossas condições de compra.

Neste mês de janeiro, recebemos um telefonema da empresa responsável pelo loteamento em Monte Alto, informando que aquele lote onde demonstramos interesse não havia sido vendido, mesmo tendo o loteamento quase todo já sido negociado e ofereceram excelentes condições de pagamento. O Conselho convocou esta AGE 15 dias atrás e na oportunidade mostrou em slides toda esta negociação com valores e forma de pagamento detalhada para toda a Igreja. Hoje é o momento para decidir, mas antes de lançar a pedra fundamental, façamos uma oração fundamental, este é o passo mais importante, vamos pedir sabedoria para nossa AGE.

Que Deus nos abençoe!
Rev. Leonardo Sahium



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Dons a serviço do Reino

18 de janeiro de 2019

Uma das grandes preocupações dos cristãos é descobrir o próprio dom espiritual. A Bíblia apresenta orientações sobre a busca pelos dons e também expõe listas com alguns deles. A igreja de Corinto estava dividida e um dos elementos que provocava a ruptura dos relacionamentos eram os dons espirituais. Os crentes utilizavam os dons concedidos por Deus para se sobreporem uns aos outros. Eles eram capazes de transformar dádivas dos céus em instrumentos para ferir o próximo.

Ao tratar do tema em 1 Coríntios 12, o apóstolo Paulo ensina que os dons são diferentes, mas o Espírito é o mesmo (1 Co 12.4). Desta forma, os que estão envolvidos no trabalho do Senhor precisam convergir em direção à unidade. Todos estão servindo ao mesmo Senhor e a glória deve ser exclusivamente dele (1 Co 12.5), afinal, a capacitação para o trabalho também vem dele (1 Co 12.6).

Deus é soberano e distribui os dons como lhe apraz (1 Co 12.11). O exemplo do corpo humano é utilizado para mostrar que cada membro tem a sua importância para o bom funcionamento do todo. Assim também acontece com o povo de Deus, quando cada membro exerce o seu dom, a igreja funciona com eficiência e qualidade. Paulo termina o capítulo 12 com a seguinte instrução: “Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons. Passo a mostrar para vocês um caminho ainda mais excelente” (1 Co 12.31).

No capítulo seguinte da primeira epístola aos coríntios, o apóstolo escreve acerca do amor como o principal dom para a existência e o funcionamento da igreja. Qualquer sabedoria, disciplina espiritual ou obra realizada para Deus desprovida de amor, não tem valor. Por outro lado, somente o amor abnegado, incondicional e sincero pode produzir obras que glorificam a Deus. O amor é fruto do Espírito e o seu desenvolvimento depende da prática dos exercícios espirituais. A leitura bíblica e a oração irão produzir corações, verdadeiramente, amorosos.

Crentes cheios de amor se envolvem no serviço do Reino. É possível trabalhar na igreja sem amor verdadeiro, mas é impossível amar a Deus e não se envolver na sua obra. Paulo escreve a igreja em Éfeso: “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Ef 2.10). O envolvimento com a obra do Senhor confirma a salvação dos santos.

Alguns podem argumentar que ainda não descobriram os seus dons e, por isso, têm dificuldade de se envolver nos ministérios ou departamentos da igreja. É possível que a ordem do raciocínio esteja equivocada. Ame a Deus e se disponha para o serviço: “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de coração, como ao Senhor, e não aos homens” (Cl 3.23). Talvez, a dificuldade de identificar o dom decorra da indisposição em servir. O dom é concedido pelo Espírito aos que se sentem incapazes, mas estão dispostos a servir e, por isso, respondem ao chamado do Senhor firme e alegremente com um: eis-me-aqui!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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NÃO SEJA INOCENTE

11 de janeiro de 2019

Um inocente, segundo a definição do dicionário, é uma “pessoa sem malícia, ingênua”. É uma pessoa que não percebe as armadilhas ao seu redor, ele é simples e se comporta com fraqueza.

O mundo está mudando muito rápido e de maneira constante, dinâmica, ou seja, o mundo não está indo em uma direção certa, ele apenas muda. Não existe uma rota, um objetivo final nas propostas deste universo repleto de informações, ele apenas caminha rápido em direções diversas e de maneira constante.

Vivemos em um mundo onde as transformações sociais são multiformes. O autor de Os Guinness define esta pluralização como “o processo por meio do qual o numero de opções na esfera privada da sociedade moderna se multiplica rapidamente em todas as esferas, em especial, na esfera da visão de mundo.” (The Gravidigger File, IntervrVasity Press, 1983, p.92)

Segundo D. A. Carson, um dos maiores teólogos contemporâneos, o impacto do pluralismo transformou nossa maneira de ver o mundo, e este fundamento empírico quando incentivado, gera um relativismo existencial.

Em nossa sociedade do Século XXI existe uma nova armadilha, que vai daquilo que Stephen Carter chama de “cultura da descrença” até os relacionamentos individualistas deste mundo líquido moderno, que foram bem descritos pelo grande sociólogo Zygmunt Bauman.

Segundo Os Guinness: “chegamos ao estágio da pluralização em que a escolha não é apenas um estado das coisas, é um estado da mente. A escolha se torna um valor em si mesmo, até mesmo uma prioridade. Ser moderno é ser viciado na escolha, na mudança. A mudança se torna a própria essência da vida”.

Jesus Cristo nos alertou para estas armadilhas deste mundo astuto. Jesus disse: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim” João 15.18

Não devemos ser inocentes, sem perceber o quanto a nossa cultura moderna, tem incentivado a supervalorização do individualismo, o dogma da escolha como essência da vida e do relativismo na cultura da descrença.

O tempo todo, somos bombardeados através da mídia, das músicas e da literatura, por conceitos contrários aos alicerces de nossa fé.

O que fazer? Observe tudo, com atenção, perceba se o que está sendo ensinado, dito, cantado e espalhado pelos veículos de comunicação estão te conduzindo para mais perto de Jesus Cristo, sua Igreja, Sua Palavra e vida em santidade. Se não, jogue fora, afinal, Jesus avisou: “o mundo vos odeia”.

Mas o próprio Cristo orou por nós em João 17.15, pedindo ao Pai para que não nos tirasse do mundo, mas que nos guardasse do mal. Afinal o mundo é nosso campo missionário, as pessoas que ainda não conhecem a Cristo precisam de nossa palavra, abraço, amor, para levar até elas a mensagem de salvação. Este é o grande propósito de nossas vidas!

Que Deus nos abençoe!
Rev. Leonardo Sahium



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AMADURECIMENTO SAUDÁVEL

3 de janeiro de 2019

As etapas do processo de desenvolvimento humano sinalizam que os ciclos abrem e fecham provocando sensações de rupturas. A infância termina para a chegada da adolescência que, por sua vez, se encerra para o início da juventude e assim por diante. O desacordo da idade cronológica com a etapa psicológica correspondente pode prejudicar a formação do indivíduo.

Neil Postman (professor da Universidade de Nova York) escreveu em 1982 o livro: O desaparecimento da infância. Ele já abordava o surgimento do adulto-criança e da criança-adulta. De acordo com Postman, “a tecnologia tem uma linguagem que infantiliza os adultos e ´adultiza` as crianças”. O estudo parece prenunciar um tempo em que as crianças seriam estimuladas a ter autonomia e os jovens-adultos não conseguiriam romper o ciclo de dependência dos pais.

O sábio Salomão diz em Eclesiastes 3.1 que “há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu”. As fases precisam ser vivenciadas de acordo com o propósito específico do momento. A criança, por exemplo, usufruir de atividades, brincadeiras e programas que dialogam com a idade. Os propósitos das demais fases devem estar em sintonia com a idade.

Ao falar sobre o desenvolvimento saudável da espiritualidade a partir do amor, o apóstolo Paulo escreve: “Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.” I Co 13.11. Este texto mostra que o progresso espiritual também ocorre por etapas progressivas.
Ao abordar sobre a imaturidade espiritual dos seus leitores, o autor de Hebreus também escreve: “13 Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal.” Hb 5.13-14.

Diante de uma dúvida de Felipe, Jesus mostra que a espiritualidade dele estava em descompasso com o tempo de convivência com o Mestre: “Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido?” Jo 14.8. Isso acontece em diversas situações na relação Jesus com os apóstolos.

O desenvolvimento espiritual depende de rupturas com os ciclos anteriores. A maturidade cristã não está relacionada com o tempo de igreja. É necessário progredir no amor a Deus sobre todas as coisas e no amor a todas as coisas de acordo com a vontade de Deus. O progresso acontece à medida que o conhecimento de Deus aumenta. Este conhecimento progride através de constantes exercícios espirituais que ajudam os cristãos a discernir entre o bem e o mal. O discernimento é um importante sinal da maturidade cristã. Que 2019 seja um ano de progresso, crescimento e amadurecimento da fé através da piedade e da devoção sincera.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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QUE VENHA 2019!

27 de dezembro de 2018

Se há uma coisa que todos nós necessitamos é a capacidade de olharmos para trás e, a despeito das dificuldades vividas, glorificarmos a Deus por tudo que passamos. Estamos quase adentrando o novo ano e com toda a certeza todos nós vivemos momentos desafiadores em 2018. A habilidade de olharmos para trás e percebermos a mão de Deus é uma virtude do alto. Com toda certeza a maravilhosa graça nos sustentou. Eu quero crer que você é capaz de olhar para 2018 e dizer: Ebenézer! Até aqui nos ajudou o Senhor.

A diferença marcante entre o cristão e não-cristão é que o cristão sabe que é em Deus que vivemos, nos movemos e existimos. Esta convicção é a mesma que nos encoraja a enfrentar o futuro. Segundo as pesquisas recentes, nós brasileiros estamos mais otimistas quanto a 2019, porém é fato que nenhum de nós sabe o que virá. E não necessitamos dos artifícios mundanos que tenta inutilmente prever eventos que virão. Nossa vida é vivida debaixo da Providência de Deus. Venha o que vier, estaremos prontos! Aconteça o que acontecer nos sabemos no fundo da alma que todas as coisas hão de cooperar para o bem daqueles que amam a Deus. Até porque nenhum fio de nossa cabeça cai sem o consentimento do Pai Celestial! Estamos prontos para os novos desafios!!

Desejos para o novo ano? Sim. Primeiramente que amemos a Deus sobre todas as coisas. Que amemos ao próximo como a nos mesmos. Que perdoemos mais vezes do que em 2018. Que sejamos mais humildes e promovamos a conciliação. Que tenhamos mais compaixão que em 2018. Que tenhamos mais paciência com aqueles que divergem de nós. Que invistamos mais tempo e recursos no reino de Deus. Que tenhamos mais CRISTO na alma e menos EU.

Feliz 2019!!!

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



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DEUS PROMETE E CUMPRE

12 de dezembro de 2018

Quando se lê a genealogia de Jesus no capítulo 1 do evangelho de Mateus (não deixe de ler) alguém poderia ter alguma dúvida sobre que mensagem poderíamos extrair de uma lista de nomes apresentados de forma sequencial. O texto começa de seguinte forma: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Abraão gerou Isaque…”. Esta perícope, que vai do verso 1 ao 17, termina dizendo: “De sorte que todas as gerações , desde Abraão até Davi… desde Davi… até Cristo,…” Em geral, os comentaristas bíblicos explicam que esta conexão de gerações é feita pelo evangelista Mateus pois ele escreveu para um público judaico com o propósito de apresentar Jesus de Nazaré como o tão esperado Messias, e o legítimo rei de Israel descendente do grande rei Davi. Por outro lado, gostaria que olhássemos por um outro ângulo já que também fica evidente uma conexão que remonta a Abraão, conforme os versos 1, 2 e 17.

Quando lemos este texto nas entrelinhas com a lente do texto de Genesis 12:3, onde Deus diz a Abraão “em ti serão benditas todas as famílias da terra”, podemos tirar como mensagem do texto de Mateus que a vinda de Jesus é o cumprimento dessa promessa feita a Abraão, com quem Deus fez um pacto. O pacto de ser o Deus de sua descendência (Gn17:7). Um pacto de Graça que alcança todas as famílias descendentes espirituais de Abraão, pois todos aqueles que creem em Cristo (seu descendente) como Messias são filhos de Abraão, conforme o apóstolo Paulo explicou na sua carta aos romanos (Rm 9:6-13), são o Israel espiritual de Deus, a família de Deus.

O tempo do Advento é um momento apropriado para nos alegrarmos com o cumprimento deste Pacto de Graça que Deus fez conosco e com nossas famílias. Cristo, o Messias esperado, vem para nos trazer redenção, salvação, libertação do império das trevas, libertação do pecado, vida abundante e paz. Devemos neste tempo especial (e em todo o tempo na verdade) experimentar e viver uma alegria contagiante, que é fruto da convicção que temos sobre o amor de Deus para conosco. Ele nos amou desde a fundação do mundo, e a prova do Seu amor está no fato de que Ele se fez gente e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade. E vimos a sua glória, glória como a do unigênito do Pai (Jo 1:14).

Celebre o Natal de Emanuel, Deus conosco. Entregue-se a Ele de coração e viva uma vida plena e cheia de esperança.

Deus lhe abençoe.
Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



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Aumenta-nos a fé

31 de outubro de 2018

A fé é um atributo inerente ao ser humano. É preciso ter fé até para estabelecer os argumentos que se propõem a negar a fé. O ateu, por exemplo, precisa estabelecer um conjunto de doutrinas (não racionais) para firmar os seus postulados. O católico romano, o kardecista, o budista, o mulçumano, o protestante, enfim, qualquer grupo religioso possui um conjunto de dogmas que requer como resposta a fé. Existe também a possibilidade de ter fé na própria fé, ou seja, uma crença de que a fé é poderosa em si mesma.

Diante de tantos conceitos e religiões que exigem uma resposta diferente de fé, o que a Bíblia ensina acerca da fé verdadeira? João Calvino afirma nas Institutas que a fé precisa se fundamentar na Palavra de Deus. Ele escreve o seguinte: “Se a fé se desvia da Palavra, já não é mais fé, mas uma credulidade incerta e um erro flutuante. A fé verdadeira é aquela que ouve a Palavra de Deus e descansa em sua promessa”. Calvino ainda diz que a Palavra é como um espelho no qual a fé deve contemplar Deus.

A verdadeira fé está fundamentada na obra salvífica de Cristo e a sua revelação aos corações dos homens acontece através do Espírito Santo: “e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” Ef 3.17-19.

A partir do momento em que o indivíduo crê em Jesus como seu Senhor e Salvador, inicia-se um processo de busca pela maturidade cristã. A compreensão e a percepção da ação divina na vida do crente dependem do estágio da sua fé. Os atributos divinos como bondade, misericórdia, amor, graça e perdão serão percebidos e experimentados à medida que os crentes desenvolvem a confiança em Deus. O aumento da fé produzirá segurança na tempestade, consolo na tribulação, serenidade nos momentos difíceis e, principalmente, a intensa percepção da presença de Deus.

Ao ensinar os discípulos acerca do perdão, Jesus diz que eles deveriam perdoar 490 vezes por dia, ou seja, o tempo todo. Neste momento, os discípulos rogam a Jesus: “aumenta-nos a fé” (Lc 17.5). Diante da realidade e dos desafios constantes, a oração dos salvos precisa ser: Senhor, aumenta a nossa fé!

As disciplinas espirituais são fundamentais para o desenvolvimento da fé. O crescimento e a maturidade cristã germinam no terreno da devoção. A meditação na Palavra de Deus e a oração constante são instrumentos para a produção de uma fé saudável e piedosa. Quanto mais perto de Deus, maior será a confiança, a segurança e a paz. Que a fé verdadeira se desenvolva nos corações de todos aqueles que buscam ao Senhor!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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UM CENTÍMETRO

Aquilo que Deus constrói, nada pode destruir! Aquele que Deus levanta, ninguém poderá derrubar! Quando Deus assume uma causa, seja ela qual for, nada poderá abalar os seus fundamentos! A soberania de Deus é absoluta! Descansar no SENHOR é um ato de fé, mas é também um princípio básico na vida de cada cristão. Porque Deus criou todas as coisas, nós podemos descansar nEle. Abraham Kuyper (1837-1920) escreveu a famosa citação: “Nem um único espaço de nosso mundo mental pode ser hermeticamente selado em relação ao restante, e não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano em tudo, não clame: é meu!”

Hoje celebramos os 51 anos da Igreja Presbiteriana da Gávea. Nem um centímetro sequer foi alcançado e realizado, ao longo destes anos, sem que ficasse evidente a graça de Deus.

Passamos por vários momentos: de alegria, tristeza, insegurança ou tremenda paz. Mas em todos eles, a presença soberana de Deus sempre se revelou. Deus abriu portas, indicou o caminho e criou as condições para que nossa igreja alcançasse os corações de centenas e até milhares de pessoas. Alguns vieram desde criança para esta igreja, outros chegaram na adolescência, outros vieram acompanhando amigos ou parentes. Alguns simplesmente passaram na calçada, entraram e foram impactados pelo poder transformador da graça de Deus.

Nossa Gávea nunca parou, sempre caminhou firme realizando a missão de Deus. Fidelidade, compromisso e simpatia são palavras geralmente usadas por quem conhece nossa história e ação como igreja.

Destes bancos saíram jovens para o seminário e hoje temos vários pastores, missionárias e missionários que estão servindo a Deus . Por aqui passaram grandes pregadores e a edificação na Palavra continua sendo uma das marcas desta Igreja que planta Igrejas saudáveis!

Por isso, hoje, é um dia especial de celebração, pois, nos lembramos do imenso privilégio que Deus nos dá de fazermos parte desta linda história. Sim, estamos construindo esta igreja juntos!

Agora é tempo de agradecer por tantos anos de bênçãos!

“Bem-aventurado o povo que conhece os vivas de júbilo, que anda, ó SENHOR, na luz da tua presença”( Salmo 89.15)
Deus seja louvado! Parabéns I. P. Gávea!

Rev Leonardo Sahium



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BUSQUE O EQUILÍBRIO

20 de outubro de 2018

Queridos irmãos, não consigo deixar de falar sobre as eleições no Brasil,
que estão transformando os brasileiros. Não me recordo de um momento tão
tenso e intenso marcado por discussões tão acirradas sobre política, economia,
etc. Me parece que não existe um ambiente sequer onde essa discussão não
esteja presente; seja em família, entre amigos, na rua, nas praias, nos campos, nos bares, esquinas e redes sociais. Em particular, nesse novo instrumento de
comunicação, as redes sociais, a coisa está tomando uma proporção impressionante. Mas infelizmente ela está vindo acompanhada de exageros.
Tomados por muita emoção, sentimentos legítimos, e até ponderações razoáveis,
as pessoas tem extrapolado limites no relacionamento virtual. Tem escrito coisas bárbaras, ofendido umas às outras, propagado fake-news sem qualquer crítica, e etc. No Facebook, infelizmente, vejo vários irmãos passando do limite, e se engajando em embates verborrágicos que tem causado muito dano. Nos grupos de WhatsApp, vemos brigas entre familiares e amigos que sempre conviveram bem. Vamos com calma!!

Em tempos assim, nossa palavra pastoral aos irmãos é fundamentada nos
conselhos do apóstolo Pedro que nos diz na sua 1ª epístola: “Pois quem quer
amar a vida e ver dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios
falem dolosamente; aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e
empenhe-se por alcançá-la.” (1Pe 3: 10-11)
Irmãos, nós como cristãos somos chamados à temperança, a buscarmos ser pacificadores, a termos a palavra certa a seu tempo, e com o tempero do amor de Cristo. Se nos deixamos tomar pelas emoções e sentimentos que tem
permeado todo esse momento eleitoral, vamos seguramente nos machucar. Precisamos ser mais criteriosos. Não dar continuidade a discussões que
passaram para o campo da ofensa. Não escrever coisas que depois vão nos trazer vergonha e arrependimento. Elas ficam lá, registradas, pra qualquer um ver e depois nos confrontar. Precisamos colocar em prática os frutos do Espírito Santo que o apóstolo Paulo nos apresenta na epístola aos Gálatas, em destaque, paz, longanimidade, mansidão e domínio próprio.

Que nossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para sabermos como devemos responder a cada um. (Cl 4:6)
Que Deus nos ajude.

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



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