Pastorais
O QUE A VIDA TEM DE MELHOR

19 de Fevereiro de 2018

Terminar o dia e ter a sensação de que as horas não foram suficientes para cumprir tudo o que era importante. Por vezes, os pensamentos caminham em direção ao turbilhão de coisas que estão pelo caminho para serem realizadas. Quantas tentativas de por a casa em ordem? Quantos inícios de ano marcados por uma disciplina de fôlego curto? Uma verdadeira impotência para transformar os dominadores hábitos que estão profundamente enraizados. Parece que a vontade está escravizada e destinada a fluir pelo seu caminho rotineiro e natural. Qualquer mudança exigirá um consumo de energia não disponível no momento. Tudo parece trilhar por uma permanente mesmice com pequenas variações!

Já faz tempo que a sociedade reclama da falta de tempo! No entanto, após a criação de diversos canais de comunicação virtual, percebe-se que havia estoque de tempo armazenado em algum lugar. Nas redes sociais, muitos encontram espaço na agenda diária para perguntar e responder, curtir e compartilhar, elogiar e criticar, defender e atacar. Um mundo sedutor e atraente que envolve por horas os mesmos que não conseguem estabelecer tempo para as prioridades. O desperdício da vida pode acontecer não somente através do investimento nas frivolidades virtuais, mas também nas inúmeras fontes estéreis da existência humana.

O livro de Eclesiastes trata acerca do perigo de uma vida tão vazia e efêmera como uma bolha de sabão. O rei Salomão usa a palavra vaidade para expressar esta condição: “Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol”. A jornada humana pode ser estabelecida como um constante investimento em coisas infrutíferas e sem valor. No seu livro, Não jogue a sua vida fora, John Piper escreve que em algum momento as pessoas terão que responder se a vida realmente valeu à pena.

A Palavra de Deus oferece todos os princípios necessários para uma vida útil, produtiva, abençoada e com propósito. No próprio livro de Eclesiastes, Salomão ensina que o temor e a obediência ao Senhor formam a base de todo o processo (Ec 12.13). Jesus ensina que a obediência precisa ser desenvolvida como resposta ao amor a Deus sobre todas as coisas (Mc 12.33). Não é possível amar, temer e obedecer sem conhecer. Desta forma, para conhece-Lo, é necessário construir um relacionamento íntimo através da meditação na Palavra e da oração. A execução destas disciplinas espirituais exige tempo de uma geração tão habituada e envolvida às distrações do universo virtual e real.

A conexão íntima com Deus através dos exercícios espirituais exige uma desconexão do barulho ensurdecedor que tem como objetivo enfraquecer este relacionamento. Por isso, o próprio Senhor Jesus ensinou: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.6). Transforme os seus hábitos, desconecte-se, priorize os exercícios espirituais e usufrua do que a vida tem de melhor que é a companhia do próprio Deus!
Rev. Alexandre Rodrigues Sena



Os Foliões e a Alegria

7 de Fevereiro de 2018

Há muitos anos, numa terra bem distante, nascia o primeiro Folião! Obra perfeita do Autor de todas as Alegrias. Vivia o Folião cheio de satisfação na alma, pois a Alegria do Autor permeava sua vida e todas as obras de arte criadas. O Folião passeava pelas avenidas, ruas e becos festejando todos os dias. Ele e sua companheira, a Foliã, viviam uma vida plena de Alegrias. A Alegria deles era desfrutar de tudo o que o Autor lhes proporcionava. Gozavam de uma vida vibrante e contagiante.

Num dia comum, durante um dos seus passeios pela Festa da Alegria, ouviram uma voz suave e doce vinda de um beco escuro. Esta voz os chamava para uma conversa. Ao se aproximarem do beco, um tanto quanto reticentes, tudo o que conseguiam vislumbrar em meio à escuridão eram dois olhos brilhantes e firmes, que os cativaram de imediato. A doce voz lhes propunha uma nova experiência de alegria, uma folia, nunca antes vivida. Uma folia que lhes faria tão criativos e plenos como o Autor. A despeito de todos os avisos dados pelo Autor para que não se entregassem à outras folias, eles entusiasmados e curiosos, decidiram ouvir o conselho daquela voz agradável. Experimentaram a tal folia proposta pelos olhos brilhantes. Desde este momento em diante, o Folião e a Foliã, cheios daquela nova folia, não mais experimentavam as alegrias da Festa da Alegria. Andavam errantes, de avenidas em avenidas, de becos em becos, insaciáveis, procurando cada vez mais outras folias que lhes pudessem preencher o vazio da alma. A intimidade com essa nova folia era tal que tornou-se a roupa oficial dos Foliões. Essa folia, porém nada tinha da Alegria do Autor, e causara um sentimento de solidão, uma ruptura completa no relacionamento entre o Autor e os Foliões. Os Foliões não mais ouviam a voz do Autor.

Desde essa época, multidões inumeráveis de Foliões, parentes daqueles primeiros, têm andado desesperadamente à procura de uma folia que lhes possa preencher a existência. Se entregam de corpo e alma à folia do álcool e das drogas, do sexo e da lascívia, do dinheiro e do prazer, ouvindo em cada beco, em cada rua por onde passam os aplausos daquele cujos olhos brilham a cada nova folia proposta.

Numa bela manhã, após vários dias de festa da folia, o Autor decidiu visitar os Foliões. Apresentou-se entre eles como um Folião igual a todos os demais, mas vestido de uma Alegria que desde o princípio jamais se vira em qualquer das festas. Uma Alegria que só se testemunhara na Festa da Alegria. Uma Alegria que inexplicavelmente trazia uma sensação de plenitude e reconciliação. O Autor, vestido de Alegria, caminhou por avenidas, ruas e becos, chamando de volta aqueles Foliões para que se vestissem novamente da Alegria que Ele trazia. Muitos ouviram a voz do Autor, e se vestiram daquela verdadeira Alegria. Nunca mais se sentiram sós, vazios e sem paz.

Que você seja um desses que se vestiu da Alegria de Cristo, o Autor.

Deus te abençoe.

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



Quando Jesus observa…

4 de Fevereiro de 2018

“E, quando entrou em Jerusalém, no templo, tendo observado tudo, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze.” (Marcos 11.11)

Alguém observou Jesus observando! O dia havia sido cheio de fortes emoções, Jesus havia designado dois de seus discípulos, para que entrassem na aldeia de Betfagé e buscassem um jumentinho para Ele. Jesus deu instruções detalhadas, precisas de como, onde e quem estaria na aldeia. Eles foram e encontraram tudo conforme Jesus havia orientado. A cidade de Jerusalém estava animada com a chegada de Jesus, para muitos, aquela entrada triunfal, representava o início de um novo tempo político. Assim como hoje as carreatas políticas de vitória chamam atenção dos que passam perto do movimento, a entrada de Jesus significava um novo momento. Havia canto e gritos de alegria; “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o reino que vem, o reino de Davi, nosso pai! Hosana, nas maiores alturas!”( Marcos 11.9,10).
Neste contexto de festa, gritos de alegria e desfile pelas ruas o texto termina de uma forma diferente. Não encontramos Jesus discursando! Jesus entra em Jerusalém, vai ao templo e observa tudo.
Existe neste gesto de Jesus Cristo um ensino. Observar não significa fugir da realidade, muito pelo contrário, é o envolvimento pleno naquilo que está em questão, do assunto em pauta, da direção a seguir, dos sonhos a realizar, do coração que sente, pulsa, pensa e repensa! Só observa quem descobriu o valor da serenidade, da contemplação, da reflexão e sobriedade!
Jesus observou! Ele estava digerindo tudo o que acontecera naquele dia e refletia sobre o que viria acontecer.
Mas, alguém observou Jesus no momento exato em que Ele estava observando tudo. Na visão desta pessoa, provavelmente Pedro, esta atitude de Jesus também se tornaria uma prática em sua própria vida. Cristo é o modelo, tudo o que Ele diz, ensina, tudo o que Ele faz, importa!
Precisamos aprender a observar! Assim como Jesus Cristo, ao final de um dia cheio de emoções, devemos parar e observar. O templo foi o lugar escolhido por Jesus, e com certeza existe algo muito importante nesta escolha.
Neste mundo cheio de conexões e informações, parar e observar é algo que muitos simplesmente não conseguem. Mas nós devemos olhar para o exemplo de Jesus, de quem observou Jesus, e seguir o modelo. Faça isso hoje mesmo! Observe, contemple, aproveite o momento e fale com Deus. A serenidade pode ser alcançada pelo ato de observar e ela nos faz muito bem!

Que Deus nos abençoe!
Rev Leonardo Sahium



VOCE É UM BOM OUVINTE?

22 de Janeiro de 2018

Recentemente estive conversando com executivos de uma importante empresa multinacional e me surpreendi com uma afirmação feita por eles a respeito da dificuldade de encontrarem um determinado tipo de profissional: pessoas que saibam ouvir. Diziam eles que a esmagadora maioria das pessoas entrevistadas não eram bons ouvintes. Invariavelmente tinham sempre muito a dizer e pouca capacidade de ouvir. O que é curioso é que isso parece representar uma atitude comum a muitos de nós, pois sempre temos algo a dizer, e raramente a paciência e o tempo para ouvir. Até porque vivemos numa sociedade barulhenta, ruidosa, de muitas vozes, onde muitas vezes, por questões de sobrevivência, somos levados a falar muito para nos mantermos na liderança de uma discussão, nos protegermos, ou mesmo criarmos uma blindagem ao nosso redor de modo a não mostrarmos quem realmente somos em nossos relacionamentos.

A habilidade de ouvir é algo tão importante em nossas vidas que a Epístola de Tiago nos exorta a sermos praticantes da palavra de Deus estando prontos a ouvir. Diz o texto: “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tg 1:19). Não é novidade irmãos que um dos grandes problemas da humanidade é a comunicação, e portanto uma boa parte dos problemas está no lado de quem ouve. Ouvimos mal. Ouvimos o que queremos ouvir, pois não estamos muitas vezes interessados em o quê o outro tem a dizer. Numa comunicação eficaz, o emissor consegue transmitir através de um canal de comunicação um conteúdo de forma que o receptor o receba clara e integralmente. Falhamos na comunicação quando somos maus receptores. Ouvir exige disciplina, atenção, empatia, interesse. O problema é que nossa recepção se efetiva com uso de filtros – nossas opiniões, conceitos, preconceitos e até de vez em quando antipatia pelo emissor.

Queridos irmãos precisamos orar pedindo ao Senhor esta capacidade de ouvir. Nossos filhos precisam de pais que tenhamos ouvidos interessados. Nossos cônjuges precisam que tenhamos ouvidos atentos. Nossos familiares e amigos precisam de nossa empatia no ouvir. Ouvir bem define muito a qualidade dos nossos relacionamentos.

Sintamo-nos desafiados a ser bons ouvintes em 2018. Que Deus nos ajude.

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



O DESAFIO DOS SEGUIDORES DE CRISTO PARA 2018

5 de Janeiro de 2018

O ano começa e a expectativa de dias melhores aquece os cumprimentos nos diversos núcleos de relacionamentos. Todos desejam um 2018 com saúde, paz, estabilidade, sucesso e tantos outros adjetivos positivos que expressam a esperança de uma realidade superior para o novo ciclo.

Os céticos e incrédulos depositam a confiança no acaso, na sorte e no pensamento positivo. Eles não possuem qualquer garantia ou segurança de que 2018 será melhor do que 2017. Os seguidores de Cristo precisam checar se a expectativa dos seus corações por dias melhores não está fundamentada nestes pressupostos instáveis, inseguros e enganosos.

O amanhã é um mistério que foge do controle humano. A Bíblia faz referência quanto à incerteza que todos devem ter a respeito do futuro: “Ouçam agora, vocês que dizem: ‘Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro’. Vocês nem sabem o que acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa” (Tg 4.13,14). Ninguém pode controlar e domar a imprevisibilidade das situações ainda não acessadas.

Por outro lado, a Escritura também enfatiza a importância do planejamento: “Ao homem pertencem os planos do coração, mas do Senhor vem a resposta da língua” (Pv 16.1). O mistério futuro não justifica a ausência de organização e falta de elaboração de projetos. É natural estabelecer alvos, estratégias, metas e propósitos para o amanhã. O livro de Provérbios ensina que existe um governo divino e superior aos nossos planos pessoais. A vontade de Deus prevalece em relação aos desejos e projetos individuais.

A felicidade para 2018 consiste em buscar e compreender a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2). Às vezes, os caminhos estabelecidos pelo Senhor para manifestar a sua vontade assustam, incomodam e promovem dor e sofrimento. Estes elementos são utilizados para provar e moldar os cristãos. O propósito de Deus é tornar cada filho semelhante a Jesus Cristo: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se, mas esvaziou a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante a homens” (Fp. 2.5-7).

A alegria para o ano que se inicia não está estruturada nas variáveis e imprevisíveis circunstâncias, mas sim na busca pela vontade de Deus. Ele estabelece o seu querer e os seus servos apenas respondem positiva e alegremente. A fé confiante em um Deus amoroso, santo, justo e bondoso produzirá descanso, paz, conforto e disposição para prosseguir com organização e planejamento, sem jamais esquecer que a doce e bondosa vontade divina irá prevalecer.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



TUDO ISSO ACONTECEU

21 de dezembro de 2017

“Durante a I Guerra Mundial uma situação inesperada ocorreu durante o natal de 1914. Entre as trincheiras onde estavam combatendo soldados ingleses e alemães, localizadas na região de Ypres, na Bélgica, ocorreu uma trégua não oficial decretada pelos próprios soldados.

Soldados alemães decoraram suas trincheiras com motivos natalinos, entoaram cantigas alemãs utilizadas para celebrar a data e passaram a comemorar com os soldados ingleses. Durante seis dias houve um cessar-fogo.” (Tales dos Santos, artigo “uma trégua de Natal na I Guerra Mundial”)

A confraternização foi tão maravilhosa, que os exércitos desde esta data, começaram a se preocupar com este “espírito natalino”, por ocasião da celebração do dia 25 de dezembro, como data para celebrar o nascimento de Jesus Cristo.

O evangelista Mateus ao descrever o nascimento de Jesus Cristo usa a seguinte expressão: “Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer Deus conosco).” (Mt 1.22,23)

Quando olhamos a história da humanidade percebemos o quanto este dia especial, o nascimento de Jesus Cristo, é descrito como algo único. Antes de Jesus Cristo nascer os profetas falavam deste dia com grande expectativa, fé, esperança, amor e alegria. Na ocasião do nascimento de Jesus Cristo o sobrenatural invadiu a vida natural de famílias inteiras. Deus transformou lares inteiros, com anúncios angelicais que proporcionaram uma revolução na vida de homens e mulheres comuns.

O anjo Gabriel anuncia a Zacarias que ele e sua esposa Isabel terão um filho, João Batista, que irá profeticamente preparar o caminho para a vinda de Cristo (Lc. 1.8-23). O mesmo anjo Gabriel anuncia a Maria que ela conceberá de maneira sobrenatural, e dará à luz ao menino Jesus Cristo (Lc 1.26-27). José é direcionado em cada um de seus passos, pelo anuncio de um anjo do Senhor.

Tudo isso aconteceu por causa do nascimento de Jesus Cristo! Natal é tempo de celebração, amor, paz, esperança, gratidão, generosidade, perdão, bondade, longanimidade, mansidão e todos os sentimentos mais belos e puros que brotam neste tempo especial. Jesus Cristo nasceu, Deus se fez carne e habitou entre nós, a humanidade nunca mais foi a mesma!

Faça acontecer neste natal! A mensagem de Cristo pode fazer com que toda guerra pare, não apenas por alguns dias, mas que seja declarada a paz de Cristo. Anuncie que Jesus Cristo, também mudou a sua vida para melhor, e celebre o fato de que pela fé, através da graça de Deus, Ele também se faz presente em sua vida.

Feliz Natal! Que Deus nos abençoe!

Rev. Leonardo Sahium.



A mensagem do natal para Adão e Eva

1 de dezembro de 2017

A criação em Gênesis expressa o cuidado de Deus em produzir uma obra excelente em todos os detalhes. Tudo foi projetado para ser pleno majestoso e perfeito. A criação do homem e da mulher foi o ápice da obra divina, afinal, Deus os fez à sua imagem e semelhança (Gn 1.27). O projeto de Deus era vincular-se ao homem através de um relacionamento nutrido pelo amor e pela vida. O próprio Senhor era a fonte do amor e bastava aos primeiros pais se nutrirem desta relação com fidelidade irrestrita.

O amor não se estabelece no campo da obrigatoriedade. O amor verdadeiro se desenvolve apenas quando há a liberdade para não amar. Por isso, Deus coloca a árvore do conhecimento do bem e do mal no meio do jardim, afinal, os primeiros pais tinham a opção e a liberdade de romper com o Criador a qualquer momento. Adão e Eva comem do fruto, rejeitam o amor, ignoram a vida e, como consequência, a morte se torna uma realidade para toda a descendência. Eles decidem deixar de obedecer e optam por um caminho sem Deus.

Esta é a explicação bíblica para todos os desajustes morais, sociais, econômicos, políticos e pessoais que afetam a humanidade. A dor, o sofrimento, o vazio existencial, a falta de sentido, a angústia e tantos outros males decorrem do rompimento do homem para com Deus. O caos se instaurou e cabe ao homem tentar minimizar a própria tragédia por meio de entretenimentos, sonhos, projetos e bens que produzem uma pseudo sensação de sentido. A história caminha para um final absolutamente trágico e humanamente irreversível.

No entanto, Deus manifesta a sua graça e misericórdia nas primeiras páginas da Bíblia. A promessa do salvador ocorre em Gênesis 3.15, quando Deus diz que o descendente da mulher viria para esmagar a cabeça da serpente. O Antigo Testamento relata detalhadamente o projeto divino para a chegada do Messias. Adão e Eva ouviram do próprio Deus que, apesar da desobediência, a salvação iria alcançar os filhos de Deus e conduzi-los para a vida eterna. Este processo ocorreria através do nascimento, morte e ressurreição do filho de Deus.

A mensagem do natal já existia antes do nascimento virginal de Cristo. Na verdade, desde os primórdios da humanidade há a expectativa pela vinda do salvador. A esperança pela chegada do Deus forte, maravilhoso conselheiro, pai da eternidade e príncipe da paz ardia em cada um dos corações daqueles que pertenciam ao povo de Deus. O sinal era que o descendente da mulher iria nascer de uma virgem e o seu nome seria Emanuel, ou seja, Deus conosco.

Todos os que ouviram e creram na poderosa mensagem do descendente da mulher que esmagou a cabeça da serpente através da sua morte e ressurreição celebram no natal a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas e da esperança sobre o desespero. É um tempo de festa, afinal, nasceu aquele que concede vida eterna aos seus discípulos.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



A História de Hadassa

23 de novembro de 2017

Você já assistiu o filme “300 de Esparta”? O filme se passa no 5º Século a. C, mais precisamente entre os anos de 486 a 465 , quando reinou o imperador da Pérsia chamado Assuero, também conhecido por Xerxes I (ou Artaxerxes para os gregos). Filho de Dario I, Xerxes I guerreou contra os gregos em vingança à seu pai que perdera a Batalha de Maratona em 490 a.C. . Xerxes I comandou uma invasão épica à Grécia. Travou batalha sangrenta onde foi memorável a resistência dos atenienses e espartanos, retratada no filme. Mas Xerxes I foi também imperador sobre os judeus que viviam em seu reino, os quais haviam sido deportados de Israel para a Babilônia (agora Reino da Pérsia) ao longo de vários anos. As Escrituras nos contam a história desta relação.

Conta-nos o relato que certo dia Assuero, um déspota sentimental e impulsivo, durante um riquíssimo banquete que ele mesmo promovera, sob a influência do álcool e num ímpeto de vaidade, decidiu expor as belezas de sua esposa a todos os seus convivas. Surpreendentemente, a rainha Vasti recusou a submeter-se ao delírio do marido, o que levou Assuero, aconselhado pelos sábios e mestres da lei, a destituí-la da posição. É neste contexto, e na competição por uma substituta da rainha, que surge a judia Hadassa. Filha adotiva de Mordecai (na verdade também sua prima mais nova), Hadassa, também chamada por seu nome persa Ester, subiu ao trono e tornou-se rainha.

A história se desenrola numa trama mirabolante (vale a pena ler o livro de Ester), e nela surge um inimigo mortal do povo judeu, Hamã, o príncipe militar. Este, por soberba e vaidade, decide exterminar o povo hebreu da face do império persa. Hamã empreendeu toda uma estratégia para convencer Assuero de tal propósito. Mas pela soberania e providência divina, a rainha Ester, motivada por seu padrasto, e por um povo de joelhos e em jejum, intercedeu junto ao imperador, livrando o povo judeu do extermínio. O grande ponto da história é a Providência de Deus associada à ação do homem. Ester era a pessoa certa no lugar certo. O texto bíblico nos diz nos lábios de Mordecai: “quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” (Es 4:14).

Queridos, tudo na vida serve a um propósito maior. Não há acaso. Como temos dito repetidas vezes, Deus rege a história. Creio que nosso senso de realização pessoal e felicidade só é alcançado plenamente quando nos fazemos a pergunta: “Quem sabe se para esta conjuntura Deus me colocou na família que tenho, no trabalho que desempenho, no grupo do qual faço parte, na igreja onde sirvo?” A vida é cheia de curvas e retas, altos e baixos, mas tudo serve aos propósitos do Soberano Senhor, dono da História e Senhor da vida. Nem sempre a manifestação de Deus fica tão evidente em nossas histórias. No livro de Ester, por exemplo, não há uma menção sequer do nome de Deus. Mas Ele regia cada evento com graça e misericórdia infinitos. Você já chegou a esta conclusão em sua própria história de vida?
Que Deus nos ajude a discernir seu plano com a sabedoria que Ele mesmo nos concede do alto.

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



DEUS TEM UMA ALIANÇA COM VOCÊ!

17 de novembro de 2017

“Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós”
Lucas 22.20

Deus tem uma aliança com cada cristão. Pense, que grande privilégio, saber que o Senhor do universo olha para sua vida de maneira especial! Existem duas palavras para “novo” em grego; “Neós” e “Kainós”. A palavra “Neós” é usada para explicar algo que acabou de nascer, de ser criado, de vir a existência. A palavra “Kainós” é usada para algo que foi renovado, melhorado, como explica o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento: “Kainós denota aquilo que é novo quanto a qualidade, em comparação com aquilo que existia até agora, aquilo que é melhor do que o antigo, enquanto ‘neós’ se emprega temporalmente para aquilo que não existia antes, e que acabara de aparecer”. (DITNT, p.1402)

Deus sempre tratou Seu povo como o povo da aliança. Uma aliança que Ele mesmo estabeleceu e cuidou ao longo de toda a história. Como diz Palmer Robertson: “Estas alianças sucessivas feitas com Noé, Abraão, Moisés e Davi estendem-se ao longo de todo o Período do Velho Testamento. A promessa referente à nova aliança, dada durante o tempo em que Israel estava à beira de ser lançado fora da terra, acha seu cumprimento nos dias de Jesus Cristo e estende-se até a consumação de todas as coisas (Jr 31.31ss; Ez 37.26ss; cf com Lc 22.20; 2 Co 3.6; Hb 8.8ss; 9.15; 10.15-18; 12.24) (O.P.Robertson, p.19).

O propósito especial desta aliança é estabelecer uma unidade entre Deus e o Seu povo. “Uma aliança fala de unidade. Pela aliança de Deus com Seu povo, Ele pretende atingir unidade”(O.P.R, p.263)

Quando Jesus fala que o Seu sangue é o sangue da “nova”(Kainós) aliança com Seu povo, Ele não está criando algo totalmente novo, mas está reafirmando a “antiga” aliança firmada no Velho Testamento e ao mesmo tempo trazendo um significado de que aquela aliança antiga foi agora “melhorada” ou “definitivamente cumprida” com uma qualidade maior, já que o agente da aliança é o próprio Messias que derramou o Seu sangue para perdão dos pecados daqueles que fazem parte desta aliança. “Jesus dá a entender que Sua morte iminente está para substituir os sacrifícios da Lei Antiga” e “a Ceia do Senhor, apresentada assim, indica e inaugura uma redenção efetuada pela morte de Cristo como um sacrifício” (Leon Morris p.288).

Quando você estiver enfrentando tempos difíceis ou desfrutando de tempos de paz, saiba que Deus tem uma aliança com você e que debaixo de Seu amor você sempre experimentará alegria, paz e a certeza do cuidado e das bênçãos de Deus sobre sua vida! Deus tem uma aliança com você!

Que Deus te abençoe!

Rev. Leonardo Sahium



O PREÇO DO DISCIPULADO

10 de novembro de 2017

Nos últimos 40 anos, a igreja evangélica se espalhou por todo território nacional. As denominações se multiplicam a cada posicionamento discordante de um líder ou em decorrência de disputas pelo poder. A verdade é que em nome de Deus muitos grupos surgem para alimentar seus próprios interesses e caprichos. Querem uma igreja centrada na satisfação do indivíduo como se estivessem tratando com clientes.

O risco da igreja se tornar antropocêntrica é iminente e sedutor. A utilização da satisfação pessoal para avaliar os elementos do culto e estabelecer escala de valores religiosos pode encontrar raízes na idolatria do coração. Muitas vezes, é mais fácil, cômodo e confortável definir a qualidade de uma igreja pelo nível de conforto que ela produz ao indivíduo e sua família.

O evangelho não se submete a esta plataforma comercial de busca pela plena satisfação do consumidor. As estruturas do cristianismo não se sustentam sobre as bases de uma religiosidade que causa coceira aos ouvidos, massageia o ego e infla a vontade humana. Os verdadeiros discípulos de Cristo não se acomodam confortavelmente a este formato. Pelo contrário, eles entendem que a verdadeira fé cristã é um convite para destronar o eu e elevar Cristo como Senhor absoluto do coração.

O discípulo de Cristo é convidado para o desconforto espiritual, pois está em constante conflito com a própria vontade e precisa reajustar todas as áreas para viver segundo os princípios de Deus. Jesus ensinou que este reposicionamento de valores pode promover alguns aborrecimentos: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” Lc 14.26.

O discipulado envolve agradar e amar a Cristo sobre todas as coisas e pessoas. Esta atitude pode aborrecer não apenas os que estão ao redor, mas também ao próprio indivíduo. O estabelecimento da vontade soberana de Cristo produz tanto inquietações pessoais como também nas interações. Conforme afirmou Pedro e os demais apóstolos, “antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” At 5.21.

O discipulado deve produzir uma vívida consciência de que tudo pertence ao Senhor Jesus. Ele é o proprietário da igreja e todos estão submetidos à sua soberana vontade: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” Lc 14.33. Uma igreja saudável é composta por discípulos submetidos a Cristo e não por indivíduos que farejam o melhor lugar para satisfazer os seus anseios pessoais.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena