Pastorais
QUANDO UMA MÃE CONVERSOU COM JESUS

12 de maio de 2019

Em Marcos 7.24-30, encontramos uma mulher se aproximando de Jesus Cristo, cheia de sofrimento, expectativa e fé. O texto nos conta que ela foi rogar pela libertação espiritual de sua filhinha, que estava possessa de um espírito maligno. Ao saber que o ministério de Jesus era repleto de poder, ela o procurou. Ela se aproximou de Cristo e rogou que Ele expelisse de sua filha o demônio. Marcos nos diz que esta mulher era grega, de origem sírio-fenícia. “Ela não tinha credenciais religiosas, culturais nem morais para se aproximar de um rabi judeu… ela era gentia pagã… era considerada de todos os modos uma pessoa impura e, portanto, não qualificada para se aproximar de qualquer judeu devoto, quem dirá um rabi. Mas ela não se importa com isso.” (Tim Keller – A Cruz do Rei, pag. 108)

O diálogo entre Jesus e esta mãe é muito interessante. “Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom tomar o pão dos filhos e lança-lo aos cachorrinhos” (Mc 7.27). Keller destaca neste momento, que Jesus não está insultando aquela mãe, está apenas falando por parábolas, e ela percebe isso, pois, responde da mesma forma. Diz o texto que a mãe responde: “Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças.” (v.28)

A fé desta mãe ficou evidente e Jesus então afirma: “Por causa desta palavra, podes ir; o demônio já saiu de tua filha.” (v.29) Que palavra cheia de poder tem o Senhor Jesus, afinal, Ele não precisou ir ao encontro da menina que sofria, mesmo longe de Seus olhos, Ele cura, liberta e transforma vidas! A mãe retorna para casa e encontra sua filhinha totalmente livre da possessão demoníaca!

Tim Keller afirma: “Existem os covardes, as pessoas comuns, os heróis e os pais.” Não importa a situação o amor de mãe supera qualquer dificuldade, encara qualquer perigo, assume qualquer risco, para ver seus filhos ou filhas, desfrutando de uma vida cheia de segurança, alegria e paz.

Mas para que este projeto de vida seja algo real, uma mãe precisa manter o canal do diálogo espiritual aberto para sempre falar com Jesus Cristo através da oração, ouvindo-o pelas páginas de Sua Palavra Sagrada. É preciso ensinar os filhos o caminho em que devem andar, ter o compromisso de educá-los na Igreja, como um exemplo inequívoco de firmeza e fé, serviço e comunhão, alegria e participação na vida cristã com outras famílias da fé.
Quando esta mãe conversou com Cristo sua vida mudou radicalmente, do lar perturbado, da subserviência às forças espirituais do mal, para uma vida cheia de paz e alegria como um lar transformado pelo poder das Palavras de Jesus.

Parabéns a todas as mães de nossa amada Igreja Presbiteriana da Gávea!

Que Deus abençoe a todos!

Rev. Leonardo Sahium



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É FUNDAMENTAL CUMPRIR A MISSÃO

5 de maio de 2019

Um dos grandes personagens do Antigo Testamento foi Moisés. A importância de sua vida, que ecoa através dos tempos, transcende até mesmo a fé judaico-cristã. Moisés foi O líder! Foi escolhido por Deus para conduzir o povo de Israel em sua jornada até Canaã. Depois de viver 40 anos na casa do Faraó do Egito, deixou tudo para trás e fugiu para o deserto como consequência de uma infeliz experiência de homicídio, quando assassinou um egípcio (At 7:23-24). Passou outros 40 anos como peregrino na terra de Midiã. E foi aos 80 anos que Moisés recebeu o grande projeto de sua vida, diante de um arbusto em chamas que não se consumia. Deus, Javé, o comissionou como o grande libertador de Israel (Ex 3:1-10). Moisés tentou esquivar-se da missão, alegando algum tipo de gagueira, ou até mesmo incompetência. A tarefa não foi fácil, irmãos: estima-se que cerca de dois milhões de pessoas saíram do Egito sob sua liderança.

Gostaria de pensar nesta rápida reflexão sobre as dificuldades enfrentadas por Moisés. Passar quarenta anos no deserto liderando um povo de dura cerviz, teimoso, incrédulo, em condições extremas, sejam climáticas ou humanitárias, atravessando guerras de toda sorte, deve ter sido muito ruim. Mas creio que talvez o mais difícil de tudo tenha sido viver os 40 anos nesta missão sabendo desde o início que ele mesmo não entraria na terra prometida. Tente “calçar as sandálias” de Moisés por um momento. Imagine empenhar sua vida, energia e recursos em um projeto do qual você não experimentaria o resultado final. Deus fez Moisés subir ao monte Nebo e contemplar à distância, do alto dos seus 120 anos (Dt 34:4-7) a terra que o Senhor prometera a Abraão, Isaque e Jacó. Contemplou, porém não desfrutou. Mas mesmo assim Moisés cumpriu sua missão, pois sabia quem o havia chamado. No fim de sua missão declarou: “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto.” (Dt 32:4)

Guardadas as devidas proporções, todos nós vivenciamos várias missões ao longo da vida. Deus tem nos chamado a servi-lo neste mundo, sem garantias de que experimentaremos o resultado final dos nossos esforços e propósitos. As missões são diversas: abraçar uma profissão; construir uma família; plantar uma igreja; fundar uma empresa; gastar-se em favor do próximo. E nem sempre desfrutaremos ou veremos o resultado final. Devemos, a exemplo de Moisés, realizar nossa missão sem esmorecer, com os olhos firmados naquele que nos chamou, Cristo, sem esperar dele a recompensa de desfrutarmos do resultado final. Que venha do Senhor a porção que Ele tem para cada um de nós. Não desanime! Avante!

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



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CAMINHADA SEGURA

27 de abril de 2019

Um dos grandes desafios da infância é aprender a andar. É necessário um amadurecimento do sistema nervoso da cabeça aos pés. A sustentação dos músculos e a coordenação motora são fundamentais para o sucesso. Os pais criam vários mecanismos e se enchem de expectativas para ver os filhos dando os primeiros passos. Na verdade, é uma conquista de toda família.

O equilíbrio do corpo humano sobre os pés é fruto de uma sofisticada engenharia divina. A arte de andar exige uma base de sustentação apropriada. É importante um apoio firme, amplo e seguro.
À medida que o ser humano se desenvolve, percebe que equilibrar o mundo interior também é muito complexo. É preciso ordenar as emoções, os afetos, as vontades, os desejos, os projetos, as conquistas, as frustrações, as angústias, as indignações, os lutos e as lutas. Na verdade, existe um turbilhão de coisas que fervilham no vulcão da alma e precisam se equilibrar minimamente para a sobrevivência.

As interações familiares e sociais funcionam como reguladores que ajudam a moldar o comportamento desde os primeiros dias de vida. Cada pessoa tem a sua personalidade, mas o ambiente sociocultural contribui muito para a formação. Nesta direção, muitos desequilíbrios decorrem tanto do desajuste pessoal como coletivo.
O relativismo encontrou um terreno fértil para disseminar que uma vida equilibrada se estabelece a partir do culto à própria vontade. Não importa o que o outro diz, afinal, cada um tem a sua própria verdade e a individualidade é sagrada. Cada um segue o seu caminho, cria as suas regras e busca o que promove prazer. O resultado desta proposta está exposto na sociedade Ocidental.

A dificuldade para definir limites e manter as regras implodiu princípios básicos que ajustam a convivência comunitária. A opção pela relativização da verdade produziu incontáveis “micro verdades” que se colidem e produzem a desordem, o desequilíbrio e o caos. O excesso de caminhos produz confusão, desfoca o alvo e gera desequilíbrio na jornada.

Por isso, Jesus não se apresenta como uma possibilidade. Ele não se coloca como uma opção entre muitas. Jesus é o caminho, a verdade e a vida e ninguém chega ao Pai por outra via (Jo 14.6). Somente Deus pode produzir equilíbrio e ordem no mundo interior. Ele é a rocha que produz firmeza, o pastor que guia na direção certa, o sustento que protege das quedas.

A natureza humana não está estruturada para uma caminhada independente. O apoio em fundamentos frágeis produz, inevitavelmente, a queda. Somente Deus concede o sustento necessário para uma jornada segura e estável, conforme escreveu o profeta Habacuque: “O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar em lugares altos.” (Hc 3.19).

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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A CRUZ COMO MENSAGEM

18 de abril de 2019

“Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” 1 Coríntios 2.2

Somos a sociedade da informação, do conhecimento, a verdadeira “aldeia global”, onde a notícia do que aconteceu do outro lado do mundo, chega de maneira rápida e eficiente e muitas vezes afeta nosso dia a dia. Desde criança somos incentivados a descobrir e aprender, ler e assimilar informações. O grande segredo neste mundo repleto de informações é descobrir o que é realmente relevante para as nossas vidas. Quais as informações serão decisivas nas minhas escolhas atuais e futuras? Em resposta a esta pergunta surgiram os “curadores das informações”. Estes “curadores” são os que escolhem o que deve ser relevante ou não para nossas decisões.

O apóstolo Paulo neste texto, nos mostra como é importante decidir a relevância daquilo que escolhemos como mensagem para nossas vidas. Ele tinha um vasto conhecimento das coisas deste mundo, dominava vários idiomas e podia citar pensadores e seus escritos da época. No entanto, Paulo, afirma de maneira clara, que a prioridade de sua mensagem era Jesus Cristo e este crucificado.

Um dos maiores teólogos do Século XX foi o Rev. Dr. John Stott. Em seu livro, “A Cruz de Cristo” ele escreve: “pregar o evangelho é proclamar a cruz”. Parece uma citação óbvia, mas infelizmente não é, afinal, vivemos uma época onde a cruz tem sido esquecida. Muitos não sabem o que ela significa, não percebem a importância de se levar a mensagem de que Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia, garantindo a nossa ressurreição.

Na cruz a rebeldia e ódio do ser humano ficaram muito evidentes. O pecador odeia Deus, não aceita a pessoa do Criador e deseja ardentemente mata-lo. O que aconteceu historicamente na cruz de Cristo é repetido cotidianamente em milhões de lares pelo mundo. Deus está excluído da mesa da comunhão, Suas palavras não são ouvidas, Sua dor é ignorada, a cruz é esquecida e portanto, novamente o ser humano opta pelos valores deste mundo e não por uma comunhão com Deus.

Mas Cristo venceu a morte, e a cruz está vazia assim como o túmulo. A cruz não é um fim em si mesmo, mas é o início de uma vida eterna, garantida na ressurreição para que todo aquele que crê em Jesus Cristo como senhor e salvador, possa ser ressuscitado no último dia para viver eternamente com Deus.

A cruz como mensagem é a nossa missão! Jesus Cristo está vivo! Aleluia!

Feliz Páscoa!
Rev. Leonardo Sahium



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O ACASO VAI ME PROTEGER ENQUANTO EU ANDAR DISTRAÍDO?

4 de abril de 2019

Não sei se você percebeu, mas esta pergunta vem de um famoso refrão da música dos Titãs, que eu, particularmente, acho muito boa. Ocorre que a afirmação do autor nos leva a uma importante reflexão: o acaso existe? Ou melhor, será que o acaso tem este poder de conspirar a nosso favor? Ou até mesmo nos proteger? Ou nos prejudicar? Será que alguns eventos em nossa vida ocorrem fortuitamente? Devemos admitir que muitos dos eventos, senão uma maioria deles, são fruto de causa e efeito, resultam de nossas escolhas e ações. Por exemplo, normalmente, se dormimos pouco, tendemos a sentir uma maior fadiga ao trabalhar no dia seguinte; se não cuidamos bem dos nossos dentes, tendemos a desenvolver cáries; e assim por diante. Mas quantas são aquelas vezes em que nos vemos diante de certas situações sobre as quais somos tentados a pensar que foi puro acaso?

A Bíblia nos ensina que Deus criou todas as coisas, quer visíveis ou invisíveis, e estabeleceu leis que regem a criação. O profeta Isaías nos fala que o Senhor criou os céus e os estendeu, formou a terra e tudo quanto produz; dá fôlego de vida ao povo que nela está e o espírito aos que andam nela. (Is 42:5). Deus faz sair seu exército de estrelas todas bem contadas às quais chama pelo nome. (Is 40:26) Salomão também afirma que o Senhor fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.(Pv 16:4) Irmãos, Deus tem uma relação ativa com sua criação. Ele não é um ser impessoal que deu partida no motor do cosmos e saiu para fazer outras coisas, como querem crer alguns. Deus criou e está envolvido com Sua criação. Age na história e de maneira pessoal na vida de cada um de nós. Ele se revelou nas Escrituras como o Emanuel, que quer dizer Deus Conosco. Ele planejou a minha e a sua história e nos concedeu a livre agência para que fossemos instrumentos da realização de Sua vontade. Quando Jesus conversou com seus discípulos sobre o cuidado de Deus e o temor das coisas da vida, disse que o Pai regia suas vidas ao ponto de saber o número dos fios de cabelos de cada cabeça. (Lc 12:7) Não precisavam ter medo de nada, pois o Pai cuidava deles.

Irmãos, é Deus quem nos protege. Os Salmos de Davi nos mostram como Deus tem sido o nosso refúgio e proteção no dia da angústia (Sl 59:16), como Ele tem nos guardado debaixo de Suas asas e nos livrado do laço do passarinheiro (Sl 91: 1-3). Nada nos ocorre que não esteja no plano maior do Pai. Nós não conhecemos os seus planos, pois não temos como esquadrinhar o Seu entendimento. Devemos seguir nossas vidas no dia-a-dia confiando que nada é por acaso. Deus age soberanamente em nossa história conforme o conselho de Sua vontade. (Ef 1:11)

Não dê crédito ao acaso. Ele simplesmente não existe. Quando você andar distraído, não tema, o Senhor é contigo por onde quer que você for.

Deus lhe abençoe.

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



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AUTORIDADE

29 de março de 2019

O Brasil vive um momento muito singular de sua história, afinal, temos vários líderes presos, condenados e outros sendo investigados. Pessoas que exerceram um papel importante em nossa história recente, autoridades dos mais diversos setores, estão agora sob suspeita de práticas ilícitas, alguns com culpabilidade já comprovada, deixando a nação assustada com o volume de recursos desviados, o enorme prejuízo social resultante destes desvios de dinheiro público, que poderiam salvar milhares de vidas e transformar nossa nação. A crise de autoridade atingiu em cheio todos os poderes da nação e gerou um enorme descrédito perante o povo. É óbvio que não estamos sozinhos, outros lugares no mundo vivem dilemas parecidos.

O problema é que esta crise de ausência de autoridade pode atingir os corações com uma síndrome de desespero institucional e a decisão de se viver sem governo algum, ou seja, podemos cair na pior forma de vida social que é o descontrole por ineficiência do Estado.

Um dos perigos deste momento de descrédito em relação à autoridade é de começarmos a pensar que não existe ninguém sério em cargos importantes em nossa nação. Não podemos generalizar, pois, ainda existem bons funcionários públicos, pessoas corretas, éticas e muitos são nossos irmãos de fé. Outro problema é começarmos a transferir a crise de autoridade para o mundo espiritual. O desrespeito à autoridade de Deus é um grave pecado. Deus é santo, perfeito, soberano e imutável! Ele não pode ser comparado com qualquer autoridade na história da humanidade, muito menos aos que usaram seus cargos em benefício próprio e prejuízo à nação. Deus é o todo-poderoso!

Portanto, se por um lado estamos tristes com os vários escândalos envolvendo muitas pessoas de autoridade no Brasil, por outro lado, devemos agradecer a Deus pelos que são honestos e acima de tudo porque estamos sob o governo divino.

Deus é o nosso Rei, Ele sabe todas as coisas, Ele pode todas as coisas, e Ele conhece nossa vida! Deus abençoa seus filhos e filhas quando são submissos à Sua autoridade em amor, e sempre gratos por tudo o que Ele tem nos dado.
Lembre-se quando ouvir notícias sobre a crise de autoridade, que nós estamos seguros no Deus que é justo e soberano. Deus um dia lembrou o Seu povo, quando eles estavam atravessando um tempo difícil: “Eu sou o SENHOR, o vosso Santo, o Criador de Israel, o vosso Rei.” (Isaías 43.15)
Que Deus nos abençoe!

Rev. Leonardo Sahium



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CARNIS LEVALE

28 de fevereiro de 2019

Apesar do carnaval fazer parte da cultura nacional, vários historiadores afirmam que esta festa se originou 500 antes de Cristo. Existem dois ritos babilônicos que, possivelmente, deram origem ao carnaval. O primeiro, chamado de Saceias, eram festividades onde um prisioneiro assumia a posição de rei e usufruía de todas as benesses da realeza. Em seguida, o prisioneiro era chicoteado e enforcado. O outro rito acontecia no templo do deus mesopotâmico Marduk. O rei abria mão do seu poder para ser surrado diante da estátua de Marduk e, após essa submissão e humilhação, ele retornava ao trono. Qual a relação do carnaval com estas festas antigas? De acordo com Tales dos Santos Pinto, possivelmente, a subversão dos papéis sociais.

Existem também associações do carnaval com as orgias de origem greco-romanas marcadas pela embriaguez e a entrega aos prazeres carnais. Em Roma haviam festas que ocorriam no mês das divindades infernais. Em seguida ocorriam os períodos de purificação. A partir do século VIII, a igreja Católica Romana criou a quaresma e estabeleceu que estas festas deveriam acontecer antes de um período de rigorosa disciplina religiosa. A história do carnaval no Brasil começou entre os escravos no período colonial.

A expressão em latim, carnis levale, significa “retirar a carne” e se refere ao início da quaresma. Neste período, após o carnaval e antes da páscoa, os católicos romanos não ingerem carne e se recolhem em oração e penitências. Este ritual é uma referência aos 40 dias de Jesus no deserto.

Os blocos de rua na atualidade refletem os elementos que estão na origem do carnaval antigo. A subversão social, as orgias e a quebra de qualquer princípio moral são explorados ao máximo. Não há limites, não há regras, não há bom senso! A depredação dos espaços públicos, a poluição sonora e o lixo nas ruas simbolizam a canalização da desordem da alma para o caos coletivo. Estes elementos estão na essência da festa mais popular do Brasil.

O carnaval, desde antiguidade até os dias atuais, é geneticamente uma festividade pagã. No entanto, é surpreendente a quantidade de pessoas de maneira geral estarrecidas com o grau de desordem e perversidade dos blocos carnavalescos. As manifestações contrárias se avolumam nos diversos meios de comunicação.

Em nome da “cultura”, alguns cristãos identificam como natural a participação numa festa que enfatiza a subversão social, a embriaguez, as orgias e os prazeres da carne. A mensagem bíblica é direta e esclarecedora acerca deste assunto. O Salmo 1.1 diz: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.”

O apóstolo Paulo escreve sobre a intensa luta da carne contra o Espírito: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” Diante deste intenso conflito espiritual, como participar de festividades pagãs que estimulam ao máximo os desenfreados desejos da carne sem se contaminar? O temor a Deus nos distancia da possibilidade do pecado. O amor a Cristo nos conduz para mais perto dele através de uma vida que abandona as obras da carne e busca o fruto do Espírito, que é a fonte de amor, alegria e paz.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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MONTE ALTO, ENTENDENDO NOSSA AGE

1 de fevereiro de 2019

Em alguns prédios, principalmente públicos, existe uma cerimônia, antes de se iniciar uma construção, onde se lança uma pedra fundamental. A pedra fundamental tem origem nos povos Celtas, quando o historiador grego Hecateu de Mileto escreveu sobre as características deste povo no Século VI a.C.

Hoje estamos reunidos em Assembléia Geral Extraordinária (AGE) dos membros civilmente capazes da Igreja Presbiteriana da Gávea. Segundo a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, a decisão para compra ou venda de um imóvel só pode ser realizada por uma AGE, quando convocada pelo Conselho da Igreja, obedecendo os trâmites constitucionais.

Vamos decidir se a Igreja Presbiteriana da Gávea deve comprar um terreno de 360 metros quadrados na cidade de Arraial do Cabo, no bairro de Monte Alto, para no futuro próximo quando a Igreja Presbiteriana em Monte Alto for organizada, receber de nossa Igreja esta doação definitiva.

No segundo semestre do ano passado, nosso Conselho iniciou a parceria com outras igrejas presbiterianas, tendo como objetivo plantar uma igreja em Monte Alto. Escolhemos o plantador, um pastor que fez nossos cursos de treinamento para plantação de igrejas, formado no Seminário Presbiteriano no Rio de Janeiro. Na ocasião, Pb Wilson, Pb Antônio Claúdio, Pb Sérgio Rosa e eu viajamos até Arraial do Cabo e conhecemos o lugar do projeto e nos reunimos com a liderança da Igreja Presbiteriana de Arraial do Cabo. Viajei aos EUA e apresentei o projeto para as nossas Igrejas parceiras, Good News Presbyterian Church e Covenant Presbyterian Church. Estas duas Igrejas aprovaram o projeto e estão conosco para um investimento de 4 anos. A Igreja Presbiteriana de Jaconé, igreja filha da Gávea, também participará do projeto. Obedecemos assim, a grande missão que Jesus Cristo confiou a Igreja: “ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19).

No segundo semestre de 2018, quando visitamos um novo loteamento ao lado da atual sede da Congregação, percebemos que este lugar seria o ideal para a nova igreja. Oramos neste loteamento, mas na ocasião, a forma de pagamento que nos foi ofertada estava acima de nossas condições de compra.

Neste mês de janeiro, recebemos um telefonema da empresa responsável pelo loteamento em Monte Alto, informando que aquele lote onde demonstramos interesse não havia sido vendido, mesmo tendo o loteamento quase todo já sido negociado e ofereceram excelentes condições de pagamento. O Conselho convocou esta AGE 15 dias atrás e na oportunidade mostrou em slides toda esta negociação com valores e forma de pagamento detalhada para toda a Igreja. Hoje é o momento para decidir, mas antes de lançar a pedra fundamental, façamos uma oração fundamental, este é o passo mais importante, vamos pedir sabedoria para nossa AGE.

Que Deus nos abençoe!
Rev. Leonardo Sahium



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Dons a serviço do Reino

18 de janeiro de 2019

Uma das grandes preocupações dos cristãos é descobrir o próprio dom espiritual. A Bíblia apresenta orientações sobre a busca pelos dons e também expõe listas com alguns deles. A igreja de Corinto estava dividida e um dos elementos que provocava a ruptura dos relacionamentos eram os dons espirituais. Os crentes utilizavam os dons concedidos por Deus para se sobreporem uns aos outros. Eles eram capazes de transformar dádivas dos céus em instrumentos para ferir o próximo.

Ao tratar do tema em 1 Coríntios 12, o apóstolo Paulo ensina que os dons são diferentes, mas o Espírito é o mesmo (1 Co 12.4). Desta forma, os que estão envolvidos no trabalho do Senhor precisam convergir em direção à unidade. Todos estão servindo ao mesmo Senhor e a glória deve ser exclusivamente dele (1 Co 12.5), afinal, a capacitação para o trabalho também vem dele (1 Co 12.6).

Deus é soberano e distribui os dons como lhe apraz (1 Co 12.11). O exemplo do corpo humano é utilizado para mostrar que cada membro tem a sua importância para o bom funcionamento do todo. Assim também acontece com o povo de Deus, quando cada membro exerce o seu dom, a igreja funciona com eficiência e qualidade. Paulo termina o capítulo 12 com a seguinte instrução: “Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons. Passo a mostrar para vocês um caminho ainda mais excelente” (1 Co 12.31).

No capítulo seguinte da primeira epístola aos coríntios, o apóstolo escreve acerca do amor como o principal dom para a existência e o funcionamento da igreja. Qualquer sabedoria, disciplina espiritual ou obra realizada para Deus desprovida de amor, não tem valor. Por outro lado, somente o amor abnegado, incondicional e sincero pode produzir obras que glorificam a Deus. O amor é fruto do Espírito e o seu desenvolvimento depende da prática dos exercícios espirituais. A leitura bíblica e a oração irão produzir corações, verdadeiramente, amorosos.

Crentes cheios de amor se envolvem no serviço do Reino. É possível trabalhar na igreja sem amor verdadeiro, mas é impossível amar a Deus e não se envolver na sua obra. Paulo escreve a igreja em Éfeso: “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Ef 2.10). O envolvimento com a obra do Senhor confirma a salvação dos santos.

Alguns podem argumentar que ainda não descobriram os seus dons e, por isso, têm dificuldade de se envolver nos ministérios ou departamentos da igreja. É possível que a ordem do raciocínio esteja equivocada. Ame a Deus e se disponha para o serviço: “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de coração, como ao Senhor, e não aos homens” (Cl 3.23). Talvez, a dificuldade de identificar o dom decorra da indisposição em servir. O dom é concedido pelo Espírito aos que se sentem incapazes, mas estão dispostos a servir e, por isso, respondem ao chamado do Senhor firme e alegremente com um: eis-me-aqui!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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NÃO SEJA INOCENTE

11 de janeiro de 2019

Um inocente, segundo a definição do dicionário, é uma “pessoa sem malícia, ingênua”. É uma pessoa que não percebe as armadilhas ao seu redor, ele é simples e se comporta com fraqueza.

O mundo está mudando muito rápido e de maneira constante, dinâmica, ou seja, o mundo não está indo em uma direção certa, ele apenas muda. Não existe uma rota, um objetivo final nas propostas deste universo repleto de informações, ele apenas caminha rápido em direções diversas e de maneira constante.

Vivemos em um mundo onde as transformações sociais são multiformes. O autor de Os Guinness define esta pluralização como “o processo por meio do qual o numero de opções na esfera privada da sociedade moderna se multiplica rapidamente em todas as esferas, em especial, na esfera da visão de mundo.” (The Gravidigger File, IntervrVasity Press, 1983, p.92)

Segundo D. A. Carson, um dos maiores teólogos contemporâneos, o impacto do pluralismo transformou nossa maneira de ver o mundo, e este fundamento empírico quando incentivado, gera um relativismo existencial.

Em nossa sociedade do Século XXI existe uma nova armadilha, que vai daquilo que Stephen Carter chama de “cultura da descrença” até os relacionamentos individualistas deste mundo líquido moderno, que foram bem descritos pelo grande sociólogo Zygmunt Bauman.

Segundo Os Guinness: “chegamos ao estágio da pluralização em que a escolha não é apenas um estado das coisas, é um estado da mente. A escolha se torna um valor em si mesmo, até mesmo uma prioridade. Ser moderno é ser viciado na escolha, na mudança. A mudança se torna a própria essência da vida”.

Jesus Cristo nos alertou para estas armadilhas deste mundo astuto. Jesus disse: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim” João 15.18

Não devemos ser inocentes, sem perceber o quanto a nossa cultura moderna, tem incentivado a supervalorização do individualismo, o dogma da escolha como essência da vida e do relativismo na cultura da descrença.

O tempo todo, somos bombardeados através da mídia, das músicas e da literatura, por conceitos contrários aos alicerces de nossa fé.

O que fazer? Observe tudo, com atenção, perceba se o que está sendo ensinado, dito, cantado e espalhado pelos veículos de comunicação estão te conduzindo para mais perto de Jesus Cristo, sua Igreja, Sua Palavra e vida em santidade. Se não, jogue fora, afinal, Jesus avisou: “o mundo vos odeia”.

Mas o próprio Cristo orou por nós em João 17.15, pedindo ao Pai para que não nos tirasse do mundo, mas que nos guardasse do mal. Afinal o mundo é nosso campo missionário, as pessoas que ainda não conhecem a Cristo precisam de nossa palavra, abraço, amor, para levar até elas a mensagem de salvação. Este é o grande propósito de nossas vidas!

Que Deus nos abençoe!
Rev. Leonardo Sahium



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