Pastorais
GUILHERME FAREL E OS 500 ANOS DA REFORMA

9 de agosto de 2017

Guilherme Farel (1489-1565) foi um dos fundadores da Igreja Reformada na Suíça. Ele se tornou pastor em Genebra no ano de 1532 e o impacto do seu ministério foi capaz de produzir um estado teocrático. As transformações sociais ocorridas em Genebra decorriam das experiências que as pessoas tinham com a exposição bíblica. À medida que a mensagem do evangelho era anunciada e as pessoas se curvavam ao senhorio de Cristo, o impacto na vida comunitária era evidenciado.

O reformador João Calvino se deslocava de Ferrara para Estrasburgo e em decorrência de uma guerra ele teve que mudar a rota e passar por Genebra. O historiador Justo Gonzalez informa que Calvino não pretendia permanecer por muitos dias em Genebra, no entanto, alguém avisou Farel que o autor das Institutas estava na cidade. Eles se encontraram e através de uma série de argumentos, Farel tentou persuadir Calvino a ajuda-lo com o progresso do evangelho em Genebra. Calvino o escutou atentamente, mas disse que precisava concluir alguns estudos e por isso não tinha condições de ajuda-lo nos trabalhos em Genebra.

O historiador Justo Gonzalez também informa que Farel após esgotar toda a sua argumentação para a permanência de Calvino, ele apela ao Senhor de ambos e com voz estridente diz para o jovem teólogo: “Deus amaldiçoe teu descanso e a tranquilidade que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda”. Diante desta imprecação, Calvino escreve o seguinte: “essas palavras me espantaram e me quebrantaram e desisti da viagem que tinha pretendido”. Esta circunstância inaugura o trabalho de João Calvino como reformador em Genebra.

Calvino, aproximadamente, quinze anos mais jovem do que Farel, inicia como colaborador nos trabalhos da igreja em Genebra, no entanto, sua habilidade teológica, seu conhecimento e zelo pela Reforma contribuem para que assuma a liderança. À medida que os princípios reformados se instalavam através da liderança destes pastores, Calvino insistia que os impenitentes deveriam ser excluídos da igreja. Farel, por outro lado, acolheu uma postura menos rigorosa e emparelhada com os interesses da burguesia da cidade. Calvino segue para Estrasburgo e Farel permanece em Genebra.

Apesar de algumas perspectivas diferentes, principalmente sobre a eucaristia, Farel e Calvino foram instrumentos de Deus para testemunhar que a fé em Cristo transforma completamente uma sociedade. Por isso a importância de anunciar o evangelho, plantar igrejas e expor a Palavra, afinal, este é o caminho para uma sociedade justa.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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JOÃO CALVINO E OS 500 ANOS DA REFORMA

2 de agosto de 2017

Deus tem um propósito para nossas vidas e toda nossa história de vida vai se desenrolando dentro deste projeto divino. João Calvino nasceu na França em 10 de julho de 1509. Quando Lutero escreveu suas 95 teses, Calvino era uma criança de apenas 8 anos de idade. A Reforma já avançava pela Europa, trazendo grandes mudanças e João Calvino crescia nos ambientes acadêmicos, estudando direito. No entanto, em todo o processo de formação acadêmica deste jovem, havia a boa mão de Deus preparando este homem para que se tornasse “o Teólogo da Reforma”. Aos 23 anos, Calvino concluiu seu doutorado em direito, mas seus estudos na teologia foram além, afinal, ele se converte nesta época e a teologia agora é sua grande paixão.

Todo o seu amor pelos estudos é agora dirigido para a Palavra de Deus e ele começa a escrever e pregar. A sua grande obra são as Institutas da Religião Cristã. Calvino nunca se encontrou pessoalmente com Martinho Lutero, mas sua contribuição chegou ao conhecimento do reformador alemão.

Quando João Calvino aceitou o convite de seu amigo, Guilherme Farell, para ser o pregador da igreja na cidade de Genebra, não havia presença protestante relevante naquela comunidade. A cidade era conhecida como um dos centros urbanos mais sujos de todo o continente. João Calvino chega e inicia o seu ministério de pregador com ênfase na exposição da Palavra de Deus, e assim, as pessoas da cidade começaram a mudar. Mas tudo aconteceu debaixo de muita luta e crítica a Calvino, culminando com sua expulsão da cidade. Afinal, ele era acusado de querer transformar tudo e todos, desejando sempre organizar cada detalhe, para que não apenas a igreja, mas a cidade fosse transformada para a glória de Deus.

Depois de quase três anos em Estrasburgo, Calvino é convidado para retornar para o pastorado da Igreja em Genebra. Seu retorno marca um novo momento de desenvolvimento de sua teologia e influência na cidade. Genebra cresce, transforma e se solidifica como o berço da teologia reformada mundial. Calvino ensina sua igreja, dá conselhos valiosos aos líderes políticos da cidade e investe em missões. O Rio de Janeiro recebe 1555 missionários enviados pelo próprio Calvino para que uma igreja reformada fosse plantada em nossa cidade. Infelizmente, estes missionários foram expulsos do Rio de Janeiro, mas deixaram seu exemplo de amor a Deus.

João Calvino morreu em Genebra em 27 de maio de 1564, deixando inúmeros livros escritos e um legado que até hoje é reconhecido e valorizado por todos aqueles que amam o estudo da Palavra de Deus.

Neste ano de celebração dos 500 anos da Reforma Protestante devemos agradecer a Deus por testemunhos como o de Calvino que nos fazem crer que Deus pode usar pessoas comuns para transformar cidades para glória de nosso Senhor.

Que Deus nos abençoe.
Rev. Leonardo Sahium



SOLA FIDE – Justificados pela Fé – Martinho Lutero (1483-1546)

28 de julho de 2017

Lutero foi um monge agostiniano alemão, que diante da crise moral da Igreja Católica Apostólica Romana, levantou-se para promover uma reforma religiosa. Nascido em 1483, em Eisleben na Saxônia, foi muito jovem cursar a Universidade de Magdeburgo onde estudou Humanas. Iniciou seus estudos de Teologia no monastério agostiniano local. Posteriormente, frequentou a Universidade de Erfurt onde conviveu com frades agostinianos que discutiam com frequência o tema do perdão de pecados e justificação. Lutero, após muito meditar na verdade da “Justificação pela fé somente”, e confortado pelo testemunho interior do Espírito Santo, entendeu esta doutrina que tantas vezes fora afirmada nos textos do apóstolo Paulo.

Em 1508, já Doutor em Teologia pela Universidade de Wittenberg, tornou-se professor de estudos bíblicos, e passou a compartilhar com outros acadêmicos e alunos sua posição quanto à justificação pela fé. Sua devoção ao estudo da Bíblia consolidava em seu coração o princípio do Sola Spriptura (Somente a Escritura). O contexto eclesiástico da época de Lutero era marcado por um período de trevas espirituais. A igreja da idade média (Católica Romana) valorizava tradições, superstições variadas e a venda de indulgências como forma de se obter o perdão de Cristo. A igreja havia aprisionado o evangelho em um complexo sistema de sacerdotes e sacramentos. Era fortemente constituída de conventos e monastérios, e tinha em grande parte do seu clero um baixo padrão de vida espiritual e moral. A venda de indulgências era usada para sustentar o alto padrão de vida do papado em Roma, além de financiar a construção da Basílica de São Pedro.

Lutero, incomodado com tudo isso, em 31 de Outubro de 1517 publicou suas 95 teses contra vários temas sustentados pela igreja, afirmando a justificação pela fé somente e rejeitando o absurdo da venda de indulgências. Também levantou-se contra a infalibilidade do Papa. Afixou este documento no templo contíguo ao castelo de Wittenberg e assim iniciou um tempo de grandes mudanças, porém marcado por perseguição pessoal por parte da alta cúpula da Igreja Romana. Lutero contou com o apoio de vários nobres e acadêmicos. Foi baseado nesta verdade, justificação pela fé, que Lutero enfrentou corajosamente toda uma estrutura eclesiástica corrompida, tendo seu maior embate em 1521 na Assembléia de Worms, onde defendeu sua posição perante o imperador e todos os Estados da Alemanha. Lutero manteve-se firme na verdade das Escrituras, produzindo estudos e artigos, e por conta disso foi condenado ao isolamento pelo Papa de então. Viveu até os 63 anos.

Coragem e firmeza na fé em Cristo marcaram a vida deste reformador. Que ela nos inspire ao testemunho de nossa fé em meio a uma sociedade tão distante de Deus.

Soli Deo Gloria.

Rev. Antônio Alvim Dusi Filho



500 ANOS DA REFORMA – FOGO E MARTÍRIO DE JOÃO HUSS

16 de julho de 2017

Neste ano de comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante, ao revisitarmos a história, podemos constatar o quanto custou a busca por um cristianismo puro e coerente – o sangue de muitos mártires. O real contexto da palavra do apóstolo Paulo aos Filipenses quando disse: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). O contexto do testemunho da fé levado às últimas consequências. João Huss (ou Jan Hus) foi um dos pré-reformadores que viveram este contexto.

Huss, nascido em 1370 numa família de camponeses, foi ordenado sacerdote em 1401, e logo avançou nos estudos obtendo mestrado e doutorado pela Universidade de Praga, onde posteriormente tornou-se reitor. Impactado pelas idéias de Wycliff (da Inglaterra), Huss levantou-se na Capela de Belém em Praga (então região da Boêmia, hoje República Tcheca), requerendo uma reforma na igreja. Ele combateu a venda de indulgências (influenciando Lutero 100 anos mais tarde), defendeu que Cristo era o cabeça da igreja e não o Papa, e que todos os convertidos eram membros da igreja, e não apenas o clero. O princípio da Sola Scriptura (Somente a Escritura) ardia no coração de Huss que dizia: “desejo me apegar, crer, e afirmar tudo o que estiver nela contido, enquanto houver fôlego em mim”.

Em 1412, como herege, Huss foi excomungado pelo Papa João XXIII. Em sua defesa, dizia Huss: “Não, eu nunca preguei qualquer doutrina de tendência para o mal, e o que ensinei com os meus lábios agora selo com o meu sangue.” Em Novembro de 1414 Huss compareceu, sob a promessa de proteção e salvo-conduto, perante o Conselho de Constança para expor suas idéias, porém nunca foi ouvido. Ficou encarcerado por meses ali, até que em 6 de Julho de 1415 foi levado à fogueira como herege. Enquanto as chamas o engoliam, ouviam-no recitando os Salmos e orando “Senhor Jesus, é por ti que eu pacientemente suporto esta morte cruel. Oro para que tenhas misericórdia dos meus inimigos”.

O movimento dos Hussitas (de João Huss) impactou profundamente os Boêmios em Praga, os quais recusaram-se a se submeter ao Sacro Império Romano, bem como à Igreja em Roma. Desses nasceu o movimento dos Irmãos Unidos (Unitas Fratum) que posteriormente fundou o movimento dos Irmãos Morávios, que vieram a ser usados por Deus na conversão de John e Charles Wesley.

Irmãos, a fé em Cristo pode nos levar a passar pelo martírio. Que diante de tantos exemplos de reformadores estejamos prontos a sofrer pelo evangelho, como bem disse o apóstolo João: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2:10) Que Deus nos ajude.
Rev. Antônio Alvim Dusi Filho



500 ANOS DA REFORMA – WYCLIFF, O PRIMEIRO REFORMADOR

7 de julho de 2017

Este ano celebramos os 500 anos da Reforma Protestante. Neste espaço iremos pensar alguns aspectos deste evento que mudou a história da humanidade. Cada artigo irá abordar um aspecto. Hoje vamos pensar no processo histórico desta Reforma e o que isto nos ensina sobre a ação de Deus.

Nenhuma história nasce do nada, os fatos históricos são o resultado de um processo, muitas vezes planejado e executado com muito cuidado e esmero. Outras vezes a história é resultado de um processo que deu errado, outras vertentes surgiram pelo caminho e as pessoas foram consertando e realizando algo durante a caminhada. Mas em todo tempo, percebemos o governo soberano de Deus.

John Wycliff (1330-1384) pode ser chamado de o primeiro reformador. Ele viveu no final do Século XIV, portanto, bem antes de Lutero. Em 1371, Wycliff deixa a Universidade de Oxford, lugar onde era famoso por sua lógica e erudição. Em seus estudos bíblicos, Wycliff desenvolveu um importante caminho teológico sobre a doutrina do senhorio de Cristo e também sobre a Santa Ceia. Em 1380, o reitor da Universidade de Oxford convocou uma assembléia para discutir os ensinos de Wycliff. Foi por inspiração de Wycliff que a Bíblia foi traduzida para o inglês (1384), logo depois da sua morte (GONZALEZ, 1986).

Os humanistas seculares tinham o lema ad fontes, “de volta às fontes”, ou seja, as obras da antiguidade clássica greco-romana. Os reformadores fizeram o mesmo com a Bíblia, a fonte por excelência da tradição cristã, o registro da ação providencial redentora de Deus na vida do mundo. Desde o início, homens como Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio e João Calvino afirmaram o princípio da autoridade suprema das escrituras em matéria de fé e prática (Sola Scriptura), e passaram a reavaliar toda sua herança religiosa à luz desse critério. (MATOS, 2005).

Wycliff combateu a autoridade do Papa, deu importância a Bíblia como a Palavra de Deus que deveria ser lida pelo povo, criticou a doutrina Católica Romana sobre Santa Ceia, oração aos mortos, culto com imagens, e também criticou o celibato. Desta forma ele entra para a história da Igreja como primeiro reformador.

Concluímos, portanto, que nossa história está repleta de pessoas que enfrentaram grandes lutas e desafios para defender o que hoje acreditamos com muita facilidade. O amor a Palavra de Deus como Escritura Sagrada que está acima de qualquer autoridade humana, este é o grande legado de Wycliff para todos nós hoje. Olhar para aquilo que foi defendido, muitas vezes, com o custo da própria vida, nos faz pensar o quanto estamos de fato defendendo nossa fé cristã com o mesmo amor e motivação.

Que Deus nos abençoe para que possamos no futuro deixar uma história de amor a Palavra de Deus revelada.

Deus nos abençoe!

Rev. Leonardo Sahium



O CORPO EM SERVIÇO

28 de junho de 2017

O progresso de qualquer instituição depende do compromisso e da busca pela excelência das pessoas que estão comprometidas com o projeto em comum. Uma equipe de cirurgiões, uma orquestra musical ou um time de futebol alcançam a precisão quando cada integrante percebe com clareza a sua função e procura desempenha-la com eficiência.

O chamado de Deus para fazer parte do seu povo implica em uma postura de serviço. Quando Jesus veio ao mundo ele deixou claro que o servir uns aos outros é uma marca dos seus discípulos (Mt 23.11). Ele é o único Senhor da igreja e todas as obras realizadas precisam ser para a sua glória (I Co 10.31). As práticas dos seguidores de Cristo agradarão a Ele se estiverem de acordo com os postulados estabelecidos.

Muitos líderes religiosos na época de Cristo eram marcados por uma agenda repleta de compromissos pessoais e sociais. No entanto, o objetivo principal era a autopromoção (Mt 23.13-29). As obras são eficazes quando o foco é a glória de Deus e, para isso, é necessário o tratamento do Espírito Santo nos corações. A submissão ao Espírito de Deus por meio da meditação na Palavra e da vida de oração produzirá os frutos que alegrarão a Deus.

O apóstolo Paulo ensina que cada crente precisa descobrir o seu papel e a sua função na igreja. A saúde eclesiástica depende do compromisso dos membros. Por isso, o apóstolo usa a figura de um corpo para exemplificar a importância e a singularidade de cada membro (I Co 12.27). Uma parte está conectada a outra e o funcionamento adequado depende do comprometimento de todos. A agilidade, a fluência e a eficiência da igreja dependem do compromisso daqueles que foram inseridos no Corpo através do sangue de Cristo.

A saúde da igreja da Gávea nos últimos 50 anos resulta do envolvimento de homens e mulheres que entenderam a importância do serviço e se envolveram com o Reino de Deus para impactar o bairro, a cidade, o país e partes do mundo. Esta história precisa continuar e os que compõem o rol de membros são responsáveis pela execução do serviço que o Espírito Santo separou para cada um. Descubra a sua função no corpo, e sirva com alegria e gratidão ao Senhor da igreja.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



COMO ANDA A SUA FÉ?

25 de junho de 2017

Você já deve ter ouvido aquela música do famoso Gilberto Gil que diz “Andá com fé eu vou; que a fé não costuma faiá”. Pois é, eu tenho a mania de, quando ouço uma música, analisá-la e tentar dialogar com ela ou com seu autor. No caso dessa em particular eu fico sempre tentado a perguntar: vem cá, Gil, diga aí! Andar com fé em quê? Como assim essa fé não costuma falhar? Não preciso de muitas respostas neste caso, pois a própria música esclarece, ainda que de forma vazia, ou até meio surreal, que a tal fé “tá na mulher, tá na cobra coral, num pedaço de pão, na maré, na lâmina do punhal, na luz, na escuridão…” Eu gosto do Gil, mas é curioso observarmos como a arte, refém de uma cosmovisão sem Deus, totalmente desconectada do Eterno, fruto de uma relação rompida no Eden, expressa a essência de uma sociedade que virou as costas para o Criador. “Não há Deus”, diz o insensato em seu coração. (Sl 14:1). As pessoas não sabem em quê ou em quem depositar a sua fé. A música é muito clara. Hoje, se perguntarmos nas ruas sobre a importância de termos fé, ouviremos respostas como: “é importante andar com fé em nós mesmos”, “o importante é ter fé em alguma coisa, não importa no quê”, “sim, é fundamental crermos no sobrenatural, nos orixás, nos espíritos de luz”, “claro que precisamos ter fé, ter pensamento positivo”, “temos que acreditar no cara lá de cima”, “eu sempre acendo uma vela para o meu santo”.

Nossa cosmovisão cristã nos traz outra perspectiva sobre fé. “Somente a Fé” (Sola Fide) é um dos princípios basilares exaltados pela Reforma Protestante há 500 anos atrás. Esta Fé tem uma origem e é direcionada a uma pessoa. Não é fé no vazio, nas coisas ou na ciência. É Fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Redentor. Somos salvos pela Fé, e pela Fé somente (Ef 2: 8). Nossa redenção não provém de esforços pessoais ou mérito próprio. É a Fé no sacrifício substitutivo (vicário) de Cristo que nos faz homens e mulheres reconciliados com Deus (Rm 5: 10). É Fé nos méritos de Cristo que tomou nosso lugar na cruz. Fé que nos faz entender que somos totalmente depravados antes de sermos alcançados pelo Evangelho (Rm 3: 23); que nossa condição era a de “mortos em delitos e pecados” (Ef 2: 1). Fé que o próprio Deus imputa em nossos corações porque Ele mesmo nos amou antes da fundação do mundo, e nos escolheu nEle para sermos seus filhos (Ef 1: 4). A Fé nos remete a Cruz onde nossos pecados foram expurgados! A Fé nos aponta para a eternidade!

Em nosso culto a Deus cantamos “Eu vou seguir com fé, com meu Deus eu vou para a Rocha mais alta que eu”. Esta é a Fé que nos move além, Fé em Deus. Seguimos os passos de Abraão, o pai da Fé. Somos filhos de Abraão, filhos da promessa. Abraão depositou sua Fé em Deus que é Rocha e Refúgio. Abraão creu que seria bênção para todas as famílias da terra, e isto lhe foi imputado para justiça (Gl 3: 6). Pela Fé experimentamos a Justiça de Deus. Somos declarados como justos diante dEle (Gl 2: 16).

Meus irmãos, que possamos andar em Fé, na verdadeira Fé que não falha.

Deus nos abençoe.
Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



Nosso Amigo

18 de junho de 2017

As amizades podem ser duradouras ou passageiras. Existem os amigos da infância, aqueles que nos acompanharam nas primeiras travessuras e aventuras. Os amigos dos passeios de bicicleta, dos jogos em casa e dependendo do lugar onde você nasceu e época, os amigos que brincavam na rua. Algum tempo atrás os amigos davam apelidos uns aos outros, não existia a ditadura do “politicamente correto” ou o foco social no “bullying”. Os amigos eram chamados de “quatro olhos”, “manco”, “vareta”, “cabeleira” e por aí vai… verdade! Ninguém ficava constrangido, a única regra era; “não fique irritado com o apelido, senão ele vai te acompanhar por toda vida”.

Os anos passam e na adolescência os amigos conversam baixo, trocam fotos, guardam segredos e iniciam os primeiros casos amorosos mais sérios. Um bom amigo ou uma boa amiga é aquele que ajuda fielmente a descoberta deste novo universo. Com a mocidade, as amizades começam a ganhar contornos profissionais, os assuntos às vezes se tornam mais densos, e entre uma diversão e outra a vida mostra seu ritmo, imprime a velocidade que distancia os amigos e em muitos casos para sempre.

Quando nos tornamos adultos de fato, descobrimos a beleza das amizades simples, e também, a tristeza das falsas amizades. Mas a maturidade nos dá independência social e financeira. Podemos planejar viagens, jantares e passeios incríveis com nossos amigos. Alguns têm a sorte de encontrar na esposa ou no marido aquele amor-amigo.

Entre um compromisso e outro é sempre bom ter momentos de pausas. A vida necessita de pausas! Nestas horas vale uma reflexão sobre as amizades ao longo da vida. Os números não são grandes, afinal, bons amigos são raros. Mas é maravilhoso quando olhamos para nossa história e percebemos que foram muitos os dias felizes com os amigos, familiares, vizinhos, pessoas queridas que entraram e saíram, mas que sempre foram música em nossa vida.

Mas existe um amigo, o nosso amigo, que nunca nos abandona ou nos desaponta. Este sempre esteve, ainda está e sempre estará ao nosso lado. Jesus Cristo, amigo verdadeiro. Ele chegou e se apresentou com palavras doces dizendo: “já não vos chamo servos…. mas tenho-vos chamado amigos” (João 15.15)

Não desprezemos este amigo, pelo contrário, vamos conversar com ele todos os dias, relembrar as histórias onde ele nos salvou, abriu portas e guardou nossos segredos. Vamos nos lembrar de que nos valoriza, acredita em nós e sabe do nosso tremendo potencial. Jesus Cristo é amigo verdadeiro!

Que Deus nos abençoe!
Rev. Leonardo Sahium



JUBILEU DE OURO DA SAFGÁVEA

9 de junho de 2017

A década de 60 foi decisiva para inúmeras conquistas sociais das mulheres. Um período de questionamentos e busca pela igualdade de direitos. O uso de anticoncepcionais, a inserção no mercado de trabalho, o ingresso na universidade e outras conquistas demarcaram uma mudança de paradigma quanto ao papel e significado feminino.

Enquanto a sociedade experimentava estas transformações, algumas mulheres estavam envolvidas e concentradas na missão de espalhar o amor de Cristo. A Sociedade Auxiliadora Feminina da Igreja Presbiteriana da Gávea, alimentada pela Palavra, arraigada na oração e com uma incansável disposição empenhava-se para o crescimento e a organização da igreja.

As primeiras reuniões aconteceram nos lares e foram marcadas pela comunhão, pela intercessão e também pelas inúmeras ideias para promoção do Reino de Deus e crescimento da igreja. Os projetos estabelecidos na gênese do departamento ainda são executados por estas incansáveis discípulas de Jesus.

O chá-bazar, o desfile, as oficinas de costura e o baratilho são algumas das atividades utilizadas como ferramentas para a interação, a evangelização e a assistência social. A excelência é uma marca inquestionável e facilmente identificada. O cuidado com os detalhes revela as digitais do amor em tudo o que foi e está sendo executado pelas irmãs.

A estabilidade de uma igreja está relacionada com a sua dependência de Deus. A oração e a meditação na Palavra sustentam o povo do Senhor no caminho da saúde espiritual. Nos últimos 50 anos, as irmãs da SAFGávea se reúnem, semanalmente, para colocar vidas, famílias, igrejas e também a sociedade diante do trono de Deus. Elas são incansáveis no ministério da intercessão.

O Senhor Jesus disse que os seus discípulos seriam conhecidos pelos frutos, afinal, a boa árvore produz bons frutos (Mt 7.15,16). Os frutos destes 50 anos de serviço a Deus não podem ser contabilizados nesta terra. No entanto, o Supremo Pastor conhece o zelo e a dedicação de cada uma das irmãs durante este tempo.

O jubileu de ouro da SAFGávea é celebrado com profunda gratidão a Deus. A oração é para que permaneçam firmes como uma escola de piedade, elevando a igreja ao Senhor. Uma sociedade interna sempre pronta para o serviço de Deus. Que Deus as capacite para que sejam verdadeiras auxiliadoras, irrepreensíveis na conduta, incansáveis na luta, firmes da fé e vitoriosas em Jesus.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



GENTILEZA GERA GENTILEZA

3 de junho de 2017

Já dizia o poeta “profeta” José Datrino, uma personalidade urbana carioca que deixou vários “escritos” pela cidade. Infelizmente nossa sociedade tem ido de mal a pior e parece que “deletou” esta palavra do vocabulário. Quando olhamos ao redor, percebemos o quão truculentas as relações humanas tem se tornado. Pessoas batendo boca em caixa de supermercado por causa de lugar numa fila, discutindo no trânsito por conta de uma fechada, partindo para a agressão física por causa de uma diferença no futebol. Irmãos, para onde estamos caminhando? Até nós, cristãos professos, nos envolvemos em circunstâncias que depois acabam por nos causar vergonha. Como somos frágeis diante das provocações.

Na carta de Paulo aos Filipenses somos exortados pelo apóstolo a termos uma atitude contrária ao modo “normal” como as pessoas reagem ao serem provocadas: “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.” (Fp 4:5)

Esta palavra traduzida por “moderação” pode nos passar uma ideia simplista de equilíbrio, mas um exame mais acurado de seu uso nas Escrituras nos traz uma perspectiva que vai um pouco além. Se olharmos essas ocorrências (At 24:4; 1 Tm 3:3; Tt 3:2; Tg 3:17; 1Pe 2:8) encontramos algumas outras traduções como clemência, cordialidade, gentileza, indulgencia. Segundo o comentarista Ralph Martin, a melhor tradução para este caso de Fp 4:5 seria a palavra “benignidade”. No contexto aqui, a palavra traz a noção de um espírito pronto para abrir mão da retaliação quando somos ameaçados ou provocados por causa de nossa fé. É uma exortação para que não fiquemos demasiadamente preocupados com nossos próprios interesses diante das hostilidades de uma sociedade sem Deus. Nossa moderação é nossa disposição amável e honesta para com as outras pessoas a despeito de suas faltas. Uma disposição confiada no fato de que o Senhor está perto e virá defender nossas causas. O verso é uma chamada à paciência. João Calvino comenta o verso dizendo que esta palavra denota a atitude de suportar de forma calma, com estabilidade emocional, todas as adversidades, não se deixando incomodar por injúrias e nem de se importunar pelas tribulações que batem à porta.

Que exortação difícil, irmãos! Gostando ou não, somos chamados a uma vida de equilíbrio que passa por esta atitude de exercitarmos a paciência um para com o outro. Da próxima vez que fecharem você no transito ou lhe injuriarem por qualquer razão, lembre-se: Calma! Perto está o Senhor!

Que Deus nos ajude!
Rev Antonio Alvim Dusi Filho