Pastorais
EM MEIO AS LAMENTAÇÕES

27 de maio de 2017

“Lembra-te, SENHOR, do que tem acontecido conosco; olha e vê a nossa desgraça.” Lamentações 5.1 (NVI)

As antigas tradições judaicas atribuem a Jeremias a autoria do livro de Lamentações na Bíblia. Este não é o único livro da Bíblia que contem reclamações e lamentos, pois, outros livros da Bíblia, transmitem para nós que o lamento fazia parte da vida cotidiana daquele povo. A verdade é que muitos Salmos são poemas de lamento e todos os livros proféticos também contem partes de lamento. No entanto é o único que consiste somente em lamentações.

Era uma época muito difícil para a nação de Israel, e assim como o Brasil, não se percebia uma luz no fim do túnel. Ao concluir seu livro de lamento, Jeremias se revela muito parecido com um cristão normal. Ele nos mostra que tudo ao seu redor está contaminado. Ele começa a descrever o caos. Ele perdeu a sua herança (V.2), o pai morreu e a mãe ficou viúva (v.3), os itens mais básicos para sua sobrevivência estão escassos, afinal, ele diz no versículo 4: “temos que comprar água que bebemos; nossa lenha, só conseguimos pagando”. Jeremias fala de perseguição (v.5) a necessidade de olhar para um inimigo e esperar em sua misericórdia (v.6). As referencias do ensino e cuidado da família não existem (v.7). A lógica social foi destruída (v.8) e até o alimento é difícil (v.9). A saúde já não está vigorosa (v.10) e a vida em família está destruída (v.10), com idosos desrespeitados, jovens e meninos estão cansados (12,13). Jeremias está muito triste e seu lamento é algo tocante, pois, até os lideres estão calados e distantes (v.14).

O resultado de um caos enorme como o que Jeremias acabou de descrever é que: “dos nossos corações fugiu a alegria;” (v.15), o coração está desfalecido (v.17). A solução deste coração tão triste em meio às lamentações é dialogar com Deus através da oração. Jeremias aponta para todos nós o caminho. A primeira coisa que ele faz é declarar sua fé na pessoa de Deus. Jeremias nos ensina a olhar para o caráter de Deus em meio às crises. Ele diz: “Tu, SENHOR, reinas para sempre; teu trono permanece de geração em geração” (v.19). Logo depois ele dirige suas perguntas para Deus: por que motivo? Qual a razão? Por quanto tempo? Jeremias faz as mesmas perguntas que qualquer um de nós faria.

Ao concluir seu livro, o profeta deixa uma petição: Restaura-nos para ti, SENHOR” (v.21).

Vivemos tempos difíceis no Brasil e como família estamos aguardando o que irá acontecer em nossa nação, pois, assim como na época de Jeremias a corrupção tomou conta de todas as esferas da sociedade. Portanto, devemos aprender com o profeta e olhar para o caráter de Deus, confiar em Sua misericórdia e pedir “restaura-nos para ti, SENHOR”. Não podemos permitir que os tempos difíceis sejam como densas nuvens impedindo nossa visão e não nos deixando contemplar a presença de Deus.

Deus está no controle! Ele nos ama e nos restaurará!
Que Deus nos abençoe!
Rev. Leonardo Sahium

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A CASA SOBRE A ROCHA

18 de maio de 2017

Nenhum núcleo de interação social é mais importante do que a família. Os vínculos estabelecidos neste ambiente são profundos e determinantes para o desenvolvimento do indivíduo. Os filhos recebem dos pais uma bagagem de valores e crenças essencial para formação da personalidade. A ideia de amor, afeto, limite, respeito, empatia, solidariedade, disciplina, organização, relacionamento e tantos outros aspectos são desenvolvidos e vivenciados, primeiramente, na família.

Após a segunda guerra mundial, muitas famílias experimentaram inúmeras e profundas transformações decorrentes das revoluções industrial, feminina e tecnológica. A migração para os grandes centros urbanos e o acesso aos inúmeros bens de consumo também influenciaram esta nova dinâmica familiar. Tantas mudanças despertam os estudiosos a uma busca investigativa para compreender este momento histórico e suas alterações.

O cenário atual é regido por pressupostos relativistas que sustentam uma tendência de questionar, contrapor e confrontar qualquer pensamento tradicional ou religioso que se apresenta como princípio verdadeiro e normativo. A regra é não ter regras, a verdade é utópica e a felicidade inacessível. Cada um estabelece e segue as próprias escolhas para as relações conjugais e para o cuidado com os filhos. É uma ênfase antropocêntrica que entende as configurações atuais como parte de conquistas e progressos sociais.

O perigo está na convicção cega de um avanço que na verdade conduz ao caos. O caminho equivocado não pode conduzir ao destino correto. Por isso, mais uma vez a Palavra de Deus se apresenta como rocha firme, porto seguro e sustentáculo para as famílias. Os princípios divinos funcionam para todos os povos, culturas e classes sociais. A Bíblia não se submete às tendências do momento, pois seus valores são eternos e capazes de traspassar as eras. A compreensão do amor de Deus através da obra sacrificial de Cristo aponta com precisão a direção para que as famílias encontrem o amor, a paz e a alegria. Jesus Cristo é o acesso para a saúde familiar!

Diante de uma busca por prevalência, Jesus propõe a humilhação (Mateus 5.3). Num contexto que visa o fortalecimento do “eu”, Jesus revela que maior é o que serve (Lucas 22.26). Numa sociedade sem referências de amor, afeto, solidariedade, respeito e empatia, Jesus se apresenta como o mestre a ser seguido (João 15.8-14). Nos lares onde Cristo é o Senhor, cada membro cumpre o seu papel de servo, exercendo o amor de uns para com os outros. No entanto, é importante ressaltar que Ele foi alvo da hostilidade deste mundo e o seu fim foi numa cruz. Mas foi exatamente o sacrifício no calvário e a ressurreição do Senhor Jesus que possibilitou a todo aquele que nele crê a oportunidade de experimentar a verdadeira alegria no convívio familiar.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



A ROTA SEGURA

12 de maio de 2017

Queridos irmãos, nunca houve em nossa história tanta dependência da tecnologia como temos experimentado nestes últimos anos. Em especial, a tecnologia de localização, o GPS, passou a fazer parte do nosso dia-a-dia. Nossos smart-phones (celulares) estão continuamente registrando e acompanhando nossos passos com razoável precisão sobre nossa localização. Já perceberam quantos de nós dependemos de aplicativos como Waze ou Google Maps para nos deslocarmos pela cidade ou em viagem? Para ir de um local a outro queremos saber o melhor caminho, ou o caminho mais rápido para nosso destino. Ocorre que não há garantias nestas ferramentas de que estamos seguindo por rotas mais corretas ou mais seguras. Infelizmente muitos já tiveram suas vidas ceifadas ou marcadas por confiarem “cegamente” na tecnologia desses aplicativos e deixaram que ela os conduzisse a seu destino sem usar critérios mais humanos, como a capacidade de observar e discernir o nosso entorno, e a partir disso tomar uma ação.

Quando olhamos a partir de uma perspectiva mais ampla, não há tal tipo de aplicativo que nos ajude a decidir e a tomar caminhos na estrada da vida. Por vezes achamos que estamos à mercê de nossas próprias decisões, sem um mapa, sem alguém para nos dar a direção. No entanto, o Dono da Estrada nos assegura que, quando confiamos no Seu direcionamento, nossos caminhos serão de paz e de bênçãos. Jesus, o Bom Pastor, o Dono do Caminho, nos diz: “Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor.” (Jo 10:16) É preciso entender primeiramente que Jesus não faz acepção de pessoas. Ele está dizendo que judeus e gentios (era assim que a humanidade era definida na perspectiva judaica) formam um único rebanho. Nós, gentios, somos as ovelhas do outro aprisco. Vejam: Jesus nos diz que convém nos conduzir e que nós ouviremos Sua voz. Irmãos, que privilégio! Jesus vai nos guiar na estrada da vida. Não teremos que confiar em coisas ou pessoas que falham. Jesus não falha, meus irmãos! Ele é perfeito! Sua palavra é perfeita! Sua direção é perfeita! Sua rota é segura! Ele nos conduzirá em segurança!

O que falta então em nossas vidas, meus irmãos? Falta confiar! Falta “mergulharmos de cabeça” no relacionamento com Jesus. Falta seguirmos o que diz o salmista: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará!” (Sl 37:5)

Deus te abençoe!
Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



APRENDA A VENCER OS OBSTÁCULOS

5 de maio de 2017

“Eis que um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico, procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de pequena estatura. Então correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo, porque ali havia de passar. Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa” Lucas 19.2-5

Às vezes você sai de casa e tudo conspira contra o seu dia! Se você vai de ônibus, ele atrasa; se chove, você está sem guarda-chuva; se faz sol, você estava com roupa de frio. O carro estraga, o trânsito engarrafa, você não consegue um taxi e assim por diante. Não são poucas as vezes em que estamos na fila errada, a outra sempre anda mais rápido. Na escola, os professores nem sempre facilitam a compreensão, nem sempre estão bem humorados, principalmente quando o assunto é prazo para a entrega dos trabalhos.
Sua vida profissional às vezes anda mais devagar do que aquilo que você desejava e nos relacionamentos nem sempre você se sente valorizado ou correspondido. Enfim, os obstáculos para uma vida perfeita, ou pelo menos, mais tranquila, são inúmeros!
Zaqueu sabia o que era obstáculo, pois, mesmo sendo um homem rico, ele tinha um problema que dinheiro algum poderia resolver. Sua baixa estatura, sempre foi para ele um problema. Sabemos que isto não é algo que acontece da noite para o dia, pois ele já nasceu e “cresceu” enfrentando as dificuldades naturais que sua condição lhe impunha. Agora, em um momento tão especial, Zaqueu mais uma vez enfrentava sua frustração, afinal, Jesus Cristo estava ali sendo visto por todos, contemplado e admirado pelas pessoas. Zaqueu queria muito ver a Cristo, mas havia o obstáculo de sua baixa estatura. Mas ele era um homem que aprendeu a vencer os obstáculos. Como disse Richard de Vos “Persistência é a teimosia com um propósito”. Zaqueu encontrou uma árvore pequena, mas que era suficiente para vencer o obstáculo e ver a Jesus Cristo no meio daquela multidão.
Qual é o obstáculo que tem impedido você de ver a Jesus Cristo agindo em sua vida? A multidão? Os problemas? O medo da opinião e de crítica de outras pessoas?
Deus tem esparramado árvores ao longo do seu caminho, são sicômoros da graça. Quando você reconhece estes momentos especiais é tempo de subir e contemplar a Cristo. Existe o sicômoro da oração, da leitura da Bíblia, da comunhão com a Igreja, da vida que deseja andar segundo o propósito de Deus!
Perceba o resultado na vida de Zaqueu, ele foi maior do que o esperado, pois, Jesus Cristo viu aquele homem que venceu o obstáculo e foi se hospedar em sua casa. Deus sempre abençoa aquele que supera qualquer obstáculo por desejar Sua comunhão!
Que Deus nos abençoe!
Rev. Leonardo Sahium



É MUITO PARA A RAZÃO

27 de abril de 2017

Ao se atentar para os inúmeros aspectos da vida, é possível perceber quantas maravilhas fogem da possibilidade de explicação. A começar pela capacidade cognitiva de observação. Nenhum outro ser na terra é capaz de compreender a si mesmo e ao universo de maneira tão elaborada e minuciosa.

Os batimentos cardíacos sinalizam que a vida pulsa. O sono possui o poder de assentar os conteúdos de um dia intenso e produzir o renovo para as novas batalhas. A alma silenciosa insiste na convicção de que existe um sentido além e especial. No entanto, muitos relutam na tentativa de reduzir tudo às explicações lógicas. Como limitar o amor às regras da razão? Como explicar a irracionalidade da razão? O homem é complexo demais para ser desvendado por ele mesmo. Elaborado demais para condensar-se aos limites da lógica.

Quando a observação extrapola para os elementos externos do corpo e da alma, a perplexidade diante do mistério não diminui. As flores, as estações, os rios, os animais, os mares e todos os demais elementos da natureza revelam as incontáveis variedades com suas singularidades. Estes elementos rejeitam com veemência qualquer teoria que lhes atribua o acaso como pai. Como podem os mais inteligentes da criação chegar a tal conclusão? Que desejo incontrolável de reduzir a grandeza do universo ao tamanho de um cérebro deteriorável!

Ao olhar para os céus, o homem é nocauteado pela infinita imensidão e também pelas incalculáveis estrelas que estão sistematicamente organizadas e posicionadas por meio de um ajuste de altíssima precisão. Que explosão é esta capaz de deixar o universo tão ordeiro, sincrônico e belo? Quanta produção intelectual para tentar iludir elementos tão básicos do entendimento, como bom senso, por exemplo! Quanto esforço para não admitir a existência de um Criador!

O corpo, a alma, o planeta e o universo sinalizam a todo o momento e a todos os homens que há um Deus. Por isso, o apóstolo Paulo afirma que todos se tornam indesculpáveis diante dele: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” Rm 1.20.

A criação evoca a existência de um Ser com uma supra inteligência, capaz de decifrar todos os seus enigmas e mistérios. Um Deus que conhece e governa o objeto criado. O rei Davi, estupefato diante das obras de Deus, escreve: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139.14). Os que reconhecem este Deus somam ao salmista em gratidão e adoração diante de tantas maravilhas estampadas dentro e fora de cada um.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



PÁSCOA É UM CONVITE PARA O DESCANSO DA ALMA

13 de abril de 2017

O desenvolvimento tecnológico dos últimos 20 anos proporcionou uma profunda transformação no comportamento das pessoas. Adultos, jovens e crianças experimentam uma intensa e singular comunicação virtual capaz de reconfigurar completamente as interações sociais. Ao observar o mundo real, a agitada vida metropolitana em nada pode ser comparada ao pacato contexto das gerações anteriores. A dinâmica familiar também se submete a alterações significativas na sua formatação. Pode-se afirmar que em nenhuma outra época aconteceram tantas frentes de mudanças numa velocidade tão acelerada.

Apesar de muitos benefícios e conquistas da atualidade, percebe-se facilmente que o aparente desenvolvimento propõe também um esvaziamento do significado humano, uma implosão na saúde das relações, potencializa o culto ao prazer, coroa o individualismo e enobrece qualquer pensamento que exclui Cristo e os seus princípios. É a era da pós-verdade, do pós-cristianismo e da desconstrução de todos os elementos que apontam para o transcendente. O homem é o normatizador das suas próprias regras e senhor das suas decisões. O problema é que não há alinhamento nos discursos e as contradições ideológicas e filosóficas expõem a limitação humana para produzir solução aos seus próprios dilemas.

Neste cenário de turbulência, inquietude e insegurança, o evangelho de Cristo se apresenta de maneira doce e suave. Independente das ênfases contextuais, dos pensamentos vigentes e das tendências culturais, a mensagem salvadora é a solução para os que buscam paz, liberdade e vida. A Bíblia é um livro que ultrapassa gerações e supera as críticas e os ataques daqueles que não se conformam com um ensinamento tão poderoso, resistente e absoluto. As Sagradas Escrituras revelam todo o cuidado de Deus para promover a retirada do povo de Israel da escravidão no Egito. Este processo prefigurava a vinda de Cristo, sua morte e ressurreição para libertar os homens do pecado e da sua mortal consequência. A Páscoa é o convite para depositar a confiança no Deus que é libertador, guia e sustentador.

A tecnologia muda os hábitos das pessoas, os valores culturais recebem novas embalagens e a dinâmica social se transforma, no entanto; somente a verdade de Cristo celebrada na Páscoa é capaz de promover o verdadeiro descanso para a alma. A Páscoa revela a amorosa história da redenção divina e por isso precisa ser celebrada com alegria e devoção. Esta festa informa que o escravo foi liberto, o perdido foi encontrado e o morto foi ressuscitado por meio da obra salvífica de Cristo.
Feliz Páscoa!
Rev Alexandre Rodrigues Sena



VIRTUDES NECESSÁRIAS

31 de março de 2017

Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação,
na oração, perseverantes; Rm 12:12

Alegria, paciência e perseverança. O apóstolo Paulo sintetizou com precisão a dinâmica da vida cristã. Um cristão não vive a plenitude do evangelho se não buscar e experimentar essas virtudes.

Quanto pensamos em alegria nos lembramos que a Bíblia nos ensina que a nossa alegria não depende das circunstâncias. Ela é baseada em algo maior, mais amplo: na perspectiva de que Deus sempre cuida de nós em cada situação. De que nossa redenção está assegurada, pois o Pai nos conduziu às mãos do Filho, de onde nada nem ninguém pode nos arrebatar. De que o Pai enviou o Espírito Santo para autenticar nossa filiação e herança, e garantir como um penhor a nossa salvação. Jesus nos ensinou que a presença dele em nossas vidas traria alegria ao coração e que esta alegria ninguém poderia tirar (Jo 16:22).

Quando pensamos em paciência nos vem o contexto: tribulação. Queridos não há cristianismo sem tribulação. Jesus mesmo nos alertou: “no mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo eu venci o mundo”. (Jo 16:33) A vida cristã é vivida nos embates: luta contra o pecado, luta contra a opressão, luta contra o poder das trevas. Não é uma agenda fácil. Não se engane, se um cristão não está enfrentando uma dessas frentes há algo de errado com seu cristianismo. Ou ele não entendeu o que é pecado, ou ignora o próximo, ou não acredita que o inimigo anda em derredor como leão que ruge buscando alguém para devorar. Precisamos ter paciência em todos esses enfrentamentos. Destaco a paciência conosco mesmo na luta contra o pecado. Não somos perfeitos, mas somos chamados a ter o caráter de Cristo. É uma jornada espiritual que subimos de degrau em degrau. Leva tempo.

Quando pensamos em perseverança na oração lembramos que Deus nos ouve e nos atende (Sl 66:19). Mas isso acontece no tempo Dele, não no nosso. Aquela famosa palavra grega – kairos – diz tudo. O tempo é de Deus. Não podemos desistir de nossas buscas por não ouvirmos o SIM/NÃO/ESPERE de Deus. Ele promete que nos responderá. Jesus nos ensinou “pedi e dar-se-vos-á… pois todo o que pede recebe”. Devemos continuar buscando a face do Senhor em oração, procurando saber Sua vontade pra nós.

Deus te abençoe.
Rev Antonio Alvim Dusi Filho



A CENTRALIDADE DE CRISTO

Um dos grandes desafios é valorizar o essencial e colocar o supérfluo e periférico no devido lugar. Quantos conflitos, desgastes e perdas de tempo por discórdias que não mereciam tanta atenção. É preciso cuidar para não submeter os nobres sentimentos às questões banais da vida.

O povo de Israel foi formado pelo próprio Deus para receber seu filho Jesus Cristo, o único capaz de trazer salvação aos corações dos homens. Os judeus orientados pelo Senhor se organizaram por séculos para esse grande advento. As leis civis, cerimoniais e morais, os reis, sacerdotes e profetas e toda a estrutura de culto e sacrifícios no templo de Jerusalém apontavam para a chegada do Messias.

Os sacerdotes, escribas e fariseus se atentavam aos sinais que poderiam identificar a chegada do Salvador. Estudavam meticulosamente a lei, cumpriam as tradições e se alimentavam da esperança de um governo justo, reto, eterno e que os libertaria da opressão romana. O Antigo Testamento estava repleto desta promessa e a certeza da fidelidade de Deus assegurava que no tempo oportuno, Ele iria trazer salvação e libertação.

Desde o início do seu ministério até o último suspiro na cruz, Jesus enfrentou a oposição daqueles que mais tinham condições de identifica-lo como o Messias Salvador. Os líderes religiosos judeus foram implacáveis com Ele e o conhecimento adquirido para deduzir que a esperança dos povos havia chegado foi usado para condena-lo à morte. A multidão que o ovacionou na entrada triunfal aclamando-o como rei, alguns dias depois estava eufórica para vê-lo ensanguentado na cruz. O apóstolo João escreve que Ele veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11).

Os olhos estavam tão vidrados com a religião que não conseguiram enxergar aquele que era o sentido principal de toda crença. No entanto, tudo estava sob o controle daquele que cumpre os seus planos. Era propósito divino todo sofrimento, morte e ressurreição de Cristo. No entanto, a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana e as consequências de cada um pelos seus atos.

A atenção daqueles que seguem a Jesus deve estar redobrada para que os aspectos que estão ao redor da caminhada cristã não assumam a esfera central e impeça os olhos da fé de se manterem fixos em Cristo. Ele é o Salvador e Senhor da igreja, por isso, a verdadeira piedade precisa ser construída de acordo com a instrução do apóstolo Paulo: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” Rm 11:36.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



Mulheres de Deus

15 de março de 2017

Queridos irmãos, é grande a frequência com que ouço pessoas dizendo “fulano de tal é um grande homem de Deus”, “beltrano é um tremendo obreiro”, ou “siclano é muito operoso no Senhor”. Às vezes fica uma sensação, ou mesmo impressão, de que as mulheres passam anônimas e despercebidas no Reino de Deus. Eu gostaria de usar esta pastoral, tendo em vista o momento da comemoração do dia internacional da mulher, para enaltecer o valor e o trabalho da mulher cristã no Reino. Quando olhamos os exemplos Bíblicos, especialmente os evangelhos, o relato de Lucas em Atos e as cartas de Paulo, encontramos tantas mulheres que tiveram grande relevância no período de surgimento da igreja que é impossível imaginarmos o sucesso do projeto de Deus sem a atuação importantíssima das mulheres. Isso sem comentarmos as grandes heroínas na história de Israel no Antigo Testamento.

Durante seu ministério, Jesus deu muita importância e valor às mulheres. Elas o acompanhavam, o assistiam (Mt 27:55,56), o sustentavam até com suas posses (Lc 8:2,3). Em Atos 18:2,3 vemos a importância de Priscila como cooperadora no ministério de Paulo e como ela e seu marido se arriscaram por Paulo (Rm 16:3), além de sustentar a igreja em sua própria casa (1Co 16:19). Nas cartas Paulinas vemos várias mulheres que marcaram a história da igreja nascente: nas saudações finais da carta aos Romanos vemos menções a Febe que serviu (diaconia) à igreja em Cencréia (Rm 16:1), Maria que muito trabalhou, Júnias notável no serviço, Trifena, Trifosa e Pérside trabalhadoras no Senhor (Rm 16:12); nas saudações finais da carta aos Filipenses vemos Evódia e Síntique que se esforçaram pelo evangelho (Fp 4:2) ; na carta aos Colossenses, Paulo saúda a Ninfa que hospedava uma igreja em sua casa (Cl 4:15); na 2ª carta a Timóteo, Paulo faz menção a sua mãe Eunice e sua avó Loide como detentoras de uma fé exemplar.

São muitos os exemplos, irmãos, e, portanto gostaria de exortar as nossas irmãs em Cristo a não esmorecerem, não desistirem, seguirem firmes nos seus propósitos, no seu serviço do Senhor, sendo exemplares como esposas, mães, donas de casa, profissionais em sua área, missionárias, executivas, empresárias, servas incansáveis que honram a Cristo com sua fé, com seu trabalho, com sua dedicação à família, a igreja, ao próximo, e ao Reino. Queridas, vocês são VALOROZÍSSIMAS!!! Nunca se esqueçam disso. Agradecemos a Deus por termos vocês cooperando conosco na IP Gávea.

Soli Deo Gloria.
Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



O JUIZ QUE DISPENSA DELAÇÕES

3 de março de 2017

Todos os envolvidos no esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato negaram a participação nos crimes em que são acusados. Eles verbalizam em uníssono a inocência! O acesso à verdade é obtido através de intensas negociações que irão promover algum benefício ao incriminado.

Esta operação traz à tona apenas os retalhos da desordem de um país que chancelou o engano e a trapaça não apenas culturalmente aceitáveis, mas até mesmo elogiáveis. Esta expertise perversa não se restringe aos brasileiros e também não é uma característica restrita aos dias atuais. O engano começou na tentação no Éden e percorreu toda a história humana.

O profeta Jeremias escreve sobre essa inclinação pecaminosa: “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?” (Jr 17.9). Deus é capaz! O coração traiçoeiro não escapa aos olhos de Deus. “Eu sou o Senhor que sonda o coração e examina a mente, para recompensar a cada um de acordo com a sua conduta, de acordo com as suas obras” (Jr 17.10).

Deus sonda os corações e não deixa impune o que pratica o mal. Por isso, o profeta Jeremias continua: “O homem que obtém riquezas por meios injustos é como a perdiz que choca os ovos que não pôs. Quando a metade da sua vida tiver passado, elas o abandonarão, e, no final, ele se revelará um tolo.” (Jr 17.11). O profeta Isaías escreve: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo doce e do doce, amargo.”(Is 5.20).

A recente operação policial que visa desmantelar as grandes movimentações de recursos ilícitos do governo acende uma fagulha de esperança na terra das maracutaias. As prisões de empresários e políticos impressionam a todos aqueles que estão acostumados a ver somente os menos favorecidos superlotando as penitenciárias.

No entanto, a mensagem bíblica para os milhares de corruptos que conseguem escapar da débil e precária justiça humana é que Deus não necessita de delações para acessar os crimes que tão habilmente escondem. Ele sonda os corações, esquadrinha os pensamentos e conhece as intenções. Diante do seu tribunal as mazelas são expostas e tratadas com divina justiça.

Este mesmo Deus também oferece perdão ao arrependido, salvação ao que confessar seu filho Jesus Cristo como Senhor e esperança aos encarcerados pelo pecado. Somente Ele é capaz de transformar o coração enganoso em um terreno fértil para a verdade e a justiça.
Rev. Alexandre Rodrigues Sena