Pastorais
É MUITO PARA A RAZÃO

27 de abril de 2017

Ao se atentar para os inúmeros aspectos da vida, é possível perceber quantas maravilhas fogem da possibilidade de explicação. A começar pela capacidade cognitiva de observação. Nenhum outro ser na terra é capaz de compreender a si mesmo e ao universo de maneira tão elaborada e minuciosa.

Os batimentos cardíacos sinalizam que a vida pulsa. O sono possui o poder de assentar os conteúdos de um dia intenso e produzir o renovo para as novas batalhas. A alma silenciosa insiste na convicção de que existe um sentido além e especial. No entanto, muitos relutam na tentativa de reduzir tudo às explicações lógicas. Como limitar o amor às regras da razão? Como explicar a irracionalidade da razão? O homem é complexo demais para ser desvendado por ele mesmo. Elaborado demais para condensar-se aos limites da lógica.

Quando a observação extrapola para os elementos externos do corpo e da alma, a perplexidade diante do mistério não diminui. As flores, as estações, os rios, os animais, os mares e todos os demais elementos da natureza revelam as incontáveis variedades com suas singularidades. Estes elementos rejeitam com veemência qualquer teoria que lhes atribua o acaso como pai. Como podem os mais inteligentes da criação chegar a tal conclusão? Que desejo incontrolável de reduzir a grandeza do universo ao tamanho de um cérebro deteriorável!

Ao olhar para os céus, o homem é nocauteado pela infinita imensidão e também pelas incalculáveis estrelas que estão sistematicamente organizadas e posicionadas por meio de um ajuste de altíssima precisão. Que explosão é esta capaz de deixar o universo tão ordeiro, sincrônico e belo? Quanta produção intelectual para tentar iludir elementos tão básicos do entendimento, como bom senso, por exemplo! Quanto esforço para não admitir a existência de um Criador!

O corpo, a alma, o planeta e o universo sinalizam a todo o momento e a todos os homens que há um Deus. Por isso, o apóstolo Paulo afirma que todos se tornam indesculpáveis diante dele: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” Rm 1.20.

A criação evoca a existência de um Ser com uma supra inteligência, capaz de decifrar todos os seus enigmas e mistérios. Um Deus que conhece e governa o objeto criado. O rei Davi, estupefato diante das obras de Deus, escreve: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139.14). Os que reconhecem este Deus somam ao salmista em gratidão e adoração diante de tantas maravilhas estampadas dentro e fora de cada um.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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PÁSCOA É UM CONVITE PARA O DESCANSO DA ALMA

13 de abril de 2017

O desenvolvimento tecnológico dos últimos 20 anos proporcionou uma profunda transformação no comportamento das pessoas. Adultos, jovens e crianças experimentam uma intensa e singular comunicação virtual capaz de reconfigurar completamente as interações sociais. Ao observar o mundo real, a agitada vida metropolitana em nada pode ser comparada ao pacato contexto das gerações anteriores. A dinâmica familiar também se submete a alterações significativas na sua formatação. Pode-se afirmar que em nenhuma outra época aconteceram tantas frentes de mudanças numa velocidade tão acelerada.

Apesar de muitos benefícios e conquistas da atualidade, percebe-se facilmente que o aparente desenvolvimento propõe também um esvaziamento do significado humano, uma implosão na saúde das relações, potencializa o culto ao prazer, coroa o individualismo e enobrece qualquer pensamento que exclui Cristo e os seus princípios. É a era da pós-verdade, do pós-cristianismo e da desconstrução de todos os elementos que apontam para o transcendente. O homem é o normatizador das suas próprias regras e senhor das suas decisões. O problema é que não há alinhamento nos discursos e as contradições ideológicas e filosóficas expõem a limitação humana para produzir solução aos seus próprios dilemas.

Neste cenário de turbulência, inquietude e insegurança, o evangelho de Cristo se apresenta de maneira doce e suave. Independente das ênfases contextuais, dos pensamentos vigentes e das tendências culturais, a mensagem salvadora é a solução para os que buscam paz, liberdade e vida. A Bíblia é um livro que ultrapassa gerações e supera as críticas e os ataques daqueles que não se conformam com um ensinamento tão poderoso, resistente e absoluto. As Sagradas Escrituras revelam todo o cuidado de Deus para promover a retirada do povo de Israel da escravidão no Egito. Este processo prefigurava a vinda de Cristo, sua morte e ressurreição para libertar os homens do pecado e da sua mortal consequência. A Páscoa é o convite para depositar a confiança no Deus que é libertador, guia e sustentador.

A tecnologia muda os hábitos das pessoas, os valores culturais recebem novas embalagens e a dinâmica social se transforma, no entanto; somente a verdade de Cristo celebrada na Páscoa é capaz de promover o verdadeiro descanso para a alma. A Páscoa revela a amorosa história da redenção divina e por isso precisa ser celebrada com alegria e devoção. Esta festa informa que o escravo foi liberto, o perdido foi encontrado e o morto foi ressuscitado por meio da obra salvífica de Cristo.
Feliz Páscoa!
Rev Alexandre Rodrigues Sena



VIRTUDES NECESSÁRIAS

31 de março de 2017

Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação,
na oração, perseverantes; Rm 12:12

Alegria, paciência e perseverança. O apóstolo Paulo sintetizou com precisão a dinâmica da vida cristã. Um cristão não vive a plenitude do evangelho se não buscar e experimentar essas virtudes.

Quanto pensamos em alegria nos lembramos que a Bíblia nos ensina que a nossa alegria não depende das circunstâncias. Ela é baseada em algo maior, mais amplo: na perspectiva de que Deus sempre cuida de nós em cada situação. De que nossa redenção está assegurada, pois o Pai nos conduziu às mãos do Filho, de onde nada nem ninguém pode nos arrebatar. De que o Pai enviou o Espírito Santo para autenticar nossa filiação e herança, e garantir como um penhor a nossa salvação. Jesus nos ensinou que a presença dele em nossas vidas traria alegria ao coração e que esta alegria ninguém poderia tirar (Jo 16:22).

Quando pensamos em paciência nos vem o contexto: tribulação. Queridos não há cristianismo sem tribulação. Jesus mesmo nos alertou: “no mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo eu venci o mundo”. (Jo 16:33) A vida cristã é vivida nos embates: luta contra o pecado, luta contra a opressão, luta contra o poder das trevas. Não é uma agenda fácil. Não se engane, se um cristão não está enfrentando uma dessas frentes há algo de errado com seu cristianismo. Ou ele não entendeu o que é pecado, ou ignora o próximo, ou não acredita que o inimigo anda em derredor como leão que ruge buscando alguém para devorar. Precisamos ter paciência em todos esses enfrentamentos. Destaco a paciência conosco mesmo na luta contra o pecado. Não somos perfeitos, mas somos chamados a ter o caráter de Cristo. É uma jornada espiritual que subimos de degrau em degrau. Leva tempo.

Quando pensamos em perseverança na oração lembramos que Deus nos ouve e nos atende (Sl 66:19). Mas isso acontece no tempo Dele, não no nosso. Aquela famosa palavra grega – kairos – diz tudo. O tempo é de Deus. Não podemos desistir de nossas buscas por não ouvirmos o SIM/NÃO/ESPERE de Deus. Ele promete que nos responderá. Jesus nos ensinou “pedi e dar-se-vos-á… pois todo o que pede recebe”. Devemos continuar buscando a face do Senhor em oração, procurando saber Sua vontade pra nós.

Deus te abençoe.
Rev Antonio Alvim Dusi Filho



A CENTRALIDADE DE CRISTO

Um dos grandes desafios é valorizar o essencial e colocar o supérfluo e periférico no devido lugar. Quantos conflitos, desgastes e perdas de tempo por discórdias que não mereciam tanta atenção. É preciso cuidar para não submeter os nobres sentimentos às questões banais da vida.

O povo de Israel foi formado pelo próprio Deus para receber seu filho Jesus Cristo, o único capaz de trazer salvação aos corações dos homens. Os judeus orientados pelo Senhor se organizaram por séculos para esse grande advento. As leis civis, cerimoniais e morais, os reis, sacerdotes e profetas e toda a estrutura de culto e sacrifícios no templo de Jerusalém apontavam para a chegada do Messias.

Os sacerdotes, escribas e fariseus se atentavam aos sinais que poderiam identificar a chegada do Salvador. Estudavam meticulosamente a lei, cumpriam as tradições e se alimentavam da esperança de um governo justo, reto, eterno e que os libertaria da opressão romana. O Antigo Testamento estava repleto desta promessa e a certeza da fidelidade de Deus assegurava que no tempo oportuno, Ele iria trazer salvação e libertação.

Desde o início do seu ministério até o último suspiro na cruz, Jesus enfrentou a oposição daqueles que mais tinham condições de identifica-lo como o Messias Salvador. Os líderes religiosos judeus foram implacáveis com Ele e o conhecimento adquirido para deduzir que a esperança dos povos havia chegado foi usado para condena-lo à morte. A multidão que o ovacionou na entrada triunfal aclamando-o como rei, alguns dias depois estava eufórica para vê-lo ensanguentado na cruz. O apóstolo João escreve que Ele veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11).

Os olhos estavam tão vidrados com a religião que não conseguiram enxergar aquele que era o sentido principal de toda crença. No entanto, tudo estava sob o controle daquele que cumpre os seus planos. Era propósito divino todo sofrimento, morte e ressurreição de Cristo. No entanto, a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana e as consequências de cada um pelos seus atos.

A atenção daqueles que seguem a Jesus deve estar redobrada para que os aspectos que estão ao redor da caminhada cristã não assumam a esfera central e impeça os olhos da fé de se manterem fixos em Cristo. Ele é o Salvador e Senhor da igreja, por isso, a verdadeira piedade precisa ser construída de acordo com a instrução do apóstolo Paulo: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” Rm 11:36.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



Mulheres de Deus

15 de março de 2017

Queridos irmãos, é grande a frequência com que ouço pessoas dizendo “fulano de tal é um grande homem de Deus”, “beltrano é um tremendo obreiro”, ou “siclano é muito operoso no Senhor”. Às vezes fica uma sensação, ou mesmo impressão, de que as mulheres passam anônimas e despercebidas no Reino de Deus. Eu gostaria de usar esta pastoral, tendo em vista o momento da comemoração do dia internacional da mulher, para enaltecer o valor e o trabalho da mulher cristã no Reino. Quando olhamos os exemplos Bíblicos, especialmente os evangelhos, o relato de Lucas em Atos e as cartas de Paulo, encontramos tantas mulheres que tiveram grande relevância no período de surgimento da igreja que é impossível imaginarmos o sucesso do projeto de Deus sem a atuação importantíssima das mulheres. Isso sem comentarmos as grandes heroínas na história de Israel no Antigo Testamento.

Durante seu ministério, Jesus deu muita importância e valor às mulheres. Elas o acompanhavam, o assistiam (Mt 27:55,56), o sustentavam até com suas posses (Lc 8:2,3). Em Atos 18:2,3 vemos a importância de Priscila como cooperadora no ministério de Paulo e como ela e seu marido se arriscaram por Paulo (Rm 16:3), além de sustentar a igreja em sua própria casa (1Co 16:19). Nas cartas Paulinas vemos várias mulheres que marcaram a história da igreja nascente: nas saudações finais da carta aos Romanos vemos menções a Febe que serviu (diaconia) à igreja em Cencréia (Rm 16:1), Maria que muito trabalhou, Júnias notável no serviço, Trifena, Trifosa e Pérside trabalhadoras no Senhor (Rm 16:12); nas saudações finais da carta aos Filipenses vemos Evódia e Síntique que se esforçaram pelo evangelho (Fp 4:2) ; na carta aos Colossenses, Paulo saúda a Ninfa que hospedava uma igreja em sua casa (Cl 4:15); na 2ª carta a Timóteo, Paulo faz menção a sua mãe Eunice e sua avó Loide como detentoras de uma fé exemplar.

São muitos os exemplos, irmãos, e, portanto gostaria de exortar as nossas irmãs em Cristo a não esmorecerem, não desistirem, seguirem firmes nos seus propósitos, no seu serviço do Senhor, sendo exemplares como esposas, mães, donas de casa, profissionais em sua área, missionárias, executivas, empresárias, servas incansáveis que honram a Cristo com sua fé, com seu trabalho, com sua dedicação à família, a igreja, ao próximo, e ao Reino. Queridas, vocês são VALOROZÍSSIMAS!!! Nunca se esqueçam disso. Agradecemos a Deus por termos vocês cooperando conosco na IP Gávea.

Soli Deo Gloria.
Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



O JUIZ QUE DISPENSA DELAÇÕES

3 de março de 2017

Todos os envolvidos no esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato negaram a participação nos crimes em que são acusados. Eles verbalizam em uníssono a inocência! O acesso à verdade é obtido através de intensas negociações que irão promover algum benefício ao incriminado.

Esta operação traz à tona apenas os retalhos da desordem de um país que chancelou o engano e a trapaça não apenas culturalmente aceitáveis, mas até mesmo elogiáveis. Esta expertise perversa não se restringe aos brasileiros e também não é uma característica restrita aos dias atuais. O engano começou na tentação no Éden e percorreu toda a história humana.

O profeta Jeremias escreve sobre essa inclinação pecaminosa: “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?” (Jr 17.9). Deus é capaz! O coração traiçoeiro não escapa aos olhos de Deus. “Eu sou o Senhor que sonda o coração e examina a mente, para recompensar a cada um de acordo com a sua conduta, de acordo com as suas obras” (Jr 17.10).

Deus sonda os corações e não deixa impune o que pratica o mal. Por isso, o profeta Jeremias continua: “O homem que obtém riquezas por meios injustos é como a perdiz que choca os ovos que não pôs. Quando a metade da sua vida tiver passado, elas o abandonarão, e, no final, ele se revelará um tolo.” (Jr 17.11). O profeta Isaías escreve: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo doce e do doce, amargo.”(Is 5.20).

A recente operação policial que visa desmantelar as grandes movimentações de recursos ilícitos do governo acende uma fagulha de esperança na terra das maracutaias. As prisões de empresários e políticos impressionam a todos aqueles que estão acostumados a ver somente os menos favorecidos superlotando as penitenciárias.

No entanto, a mensagem bíblica para os milhares de corruptos que conseguem escapar da débil e precária justiça humana é que Deus não necessita de delações para acessar os crimes que tão habilmente escondem. Ele sonda os corações, esquadrinha os pensamentos e conhece as intenções. Diante do seu tribunal as mazelas são expostas e tratadas com divina justiça.

Este mesmo Deus também oferece perdão ao arrependido, salvação ao que confessar seu filho Jesus Cristo como Senhor e esperança aos encarcerados pelo pecado. Somente Ele é capaz de transformar o coração enganoso em um terreno fértil para a verdade e a justiça.
Rev. Alexandre Rodrigues Sena



UMA FÉ SÓLIDA

“Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois.
Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados;
antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós.”
(1 Pedro 3.14-15)

O apostolo Pedro escreve esta carta para os cristãos que estavam sendo perseguidos em todo império, já que Nero havia espalhado uma notícia falsa, dizendo que os cristãos haviam colocado fogo em Roma. Esta perseguição se tornou cada vez maior, e no meio deste ambiente hostil, o Espírito Santo inspirou o apóstolo Pedro para trazer uma palavra de conforto e segurança.

Hoje, em pleno Século XXI, ainda estamos debaixo de diferentes perseguições no mundo todo. Existem países que proíbem o cristianismo, perseguem e matam pastores, missionários e membros das igrejas que confessam a Jesus Cristo como Senhor e Salvador de suas almas. Em outros países, a perseguição é mais camuflada, tendo nas autoridades que dirigem as instituições governamentais, o seu elemento mais forte. Igrejas são perseguidas através dos poderes constituídos na nação. No Brasil, como na maioria dos países onde ainda existe liberdade para se pregar o evangelho, a perseguição assume uma roupagem mais camuflada, onde a “cristofobia” é muito evidente para qualquer olhar mais critico na sociedade, mas que jamais é admitida pela esmagadora maioria dos veículos de comunicação.

A história do cristianismo foi sempre assim, marcada pela desinformação promovida pelo Estado, já em seus primeiros anos com Nero, e com as perseguições de maneiras diferentes, em lugares diferentes, ao longo dos anos.

Quando nos identificamos como uma Igreja Protestante Reformada, estabelecemos um padrão de vida cristã que resgata a beleza daquilo que Pedro chamou “a razão da esperança que há em vós”. Pedro diz que o cristão tem que estar preparado para “responder todo aquele que pedir a razão de nossa esperança”. Observe que nossa fé não se esconde por detrás de um misticismo ignorante, vazio de significado e pobre de conteúdo. Devemos estar prontos para explicar que nossa fé tem razão de ser, que nosso Deus se revelou de maneira inteligível aos seus filhos e filhas. Esta é uma das mais ricas heranças de nossa fé cristã! Podemos explicar porque cremos, como cremos e porque vivemos com esta fé maravilhosa que Deus nos deu por Sua imensa graça e misericórdia.

Celebremos nossa fé sólida que emana da Palavra de Deus e traz segurança aos nossos corações. Testemunhemos nossas experiências espirituais de conformidade com a Palavra de Deus. Nosso Senhor está presente e nós podemos falar com Ele em oração, e Ele nos responde tirando de nosso coração todo medo, colocando a alegria de Sua presença em nossas vidas. Deus seja louvado!

Que Deus nos abençoe!
Rev. Leonardo Sahium



O LIVRO DA VIDA

17 de fevereiro de 2017

Queridos irmãos, penso ser uma infeliz constatação o fato de que nosso mundo atual está cada vez mais parecido com um mundo onde impera a morte, do que com um mundo onde reina a vida. Sem entrar no mérito das razões, as estatísticas da morte são cruéis: apenas para falar do nosso contexto, no Brasil dos nossos dias, morrem por ano cerca de 60 mil pessoas assassinadas, mais de 45 mil em acidentes de trânsito, e mais de 300 mil mortes por doenças cardiovasculares, respiratórias ou diabetes. Em meio a essa sociedade onde a morte e a injustiça nos assolam, e onde padecemos com um profundo sentimento de abandono e desesperança, se faz necessária uma reflexão a respeito daquele mundo onde reina a vida e a justiça. Saiba que pela Providência do Deus, a História caminha de forma inexorável para este mundo de vida plena e justiça. Esta é a promessa das Escrituras Sagradas.

Por volta de 597 A.C. o profeta Daniel já nos prevenira em seu livro escrevendo a respeito dos últimos dias: “Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro. Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno.” Dn 12:1,2

Cerca de 700 anos mais tarde, o apóstolo João em seu exílio na ilha de Patmos registrou no livro do Apocalipse: “O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” Ap 3:5

Não quero, irmãos, falar dos horrores pelos quais este mundo passa ou ainda passará, mas sim da promessa do mundo do porvir, um futuro de paz, sem dor e sem aflição. Minha palavra, irmãos, é no sentido de nos lembrarmos de que há um Livro e este aponta para um mundo futuro onde reinará a vida. É o Livro da Vida onde o nome daqueles que foram eleitos antes da fundação do mundo pela vontade soberana de Deus, e que tiveram suas vidas lavadas e remidas pelo sangue do Cordeiro estão inscritos. Que verdade maravilhosa! Não podemos perdê-la de vista! Se você entregou sua vida a Cristo, se arrependeu de seus pecados, seu nome está lá. Creia nisto e viva o hoje na paz de Jesus!

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



A CURA PARA UMA GERAÇÃO QUE PADECE

13 de fevereiro de 2017

As inúmeras transformações na sociedade têm produzido um perceptível adoecimento nos indivíduos e isso afeta profundamente as relações interpessoais. Já são 30 milhões de brasileiros portadores da síndrome de Burnout. São pessoas que desejam apenas corresponder às exigências de uma época que humaniza máquinas e maquiniza homens. Os medicamentos para combater a ansiedade, o estresse e a depressão aquecem a indústria farmacêutica. Emocionalmente, muitos desta geração estão hipersensíveis e intolerantes a qualquer pensamento que contrarie os posicionamentos pessoais.

A produção científica quanto ao comportamento humano ajuda a entender as novas configurações, mas se apresenta ineficiente no apontamento de soluções. O desprezo pela verdade, a repulsa aos valores absolutos, o ataque à deidade e o enfraquecimento dos postulados morais promoveram um vazio de significado humano. A impressão é que o homem se agoniza na sua humanidade, se desespera diante do próprio tédio e assiste o seu gradual padecimento.

Para aplacar a tormenta, a mente de muitos precisa ser alimentada por um turbilhão de links externos e entretida o tempo todo com qualquer coisa. O objetivo central é impedir que os pensamentos provoquem pavorosos questionamentos acerca de uma existência alicerçada no supérfluo, banal, inconsistente e inútil. Esse discurso poderia ser catalogado como pessimista e fatalista se o atordoamento social não estivesse tão visível e patente.

É nesta busca por soluções que promovem cada vez mais complicações que o ser humano se depara com a sua ineficiência e incapacidade. Qualquer tentativa de progresso, desenvolvimento e avanço que ignora os princípios de Deus, por mais sofisticada e robusta que seja, conduzirá ao caos pessoal e comunitário. Por isso, é tempo de semear a Palavra libertadora aos corações embrutecidos dos dias atuais. É neste deserto árido que Deus revela o seu poderoso amor. Ele é capaz de reconfigurar as almas danificadas pelos inúmeros conceitos e valores que regeram escolhas desastrosas.

O Senhor é o bom pastor e Ele pode tratar de cada uma das feridas dos homens e mulheres desta geração (Sl 23). Ele é Deus de restauração (I Pe 5.10 ), cura (Mt 19.2), libertação (Jo 8.32) e salvação (Jo 3.16). A proposta dEle é uma nova e abundante vida (Ef 4.24; Jo 10.10). Somente a busca constante e sincera pelo Senhor produzirá a paz para viver neste contexto que, assim como o mar revolto, se agita de um lado para o outro. Se Jesus está no barco, os tripulantes devem se sentir seguros, pois Ele é o único que pode acalmar a tempestade, afinal, até o vento e o mar lhes obedecem (Mc 4.41).

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



CRUZ X CONFISSÃO POSITIVA

28 de janeiro de 2017

Queridos irmãos, em nossos dias a teologia da prosperidade tem atrapalhado muitos cristãos. É decepção atrás de decepção. O curioso é que não é um movimento tão novo quanto parece. Na realidade nasceu na cabeça de um americano do Séc. XIX (1867), Essek Willian Kenyon, que chegou a ser pastor batista, metodista e pentecostal, e que adotara algumas ideias de seitas cristão-metafísicas americanas voltadas ao poder da mente, a inexistência de doenças nos crentes, e ao poder do pensamento positivo. No Séc. XX estas ideias foram propagadas por seu discípulo Kenneth Haggin que sofrera várias enfermidades quando jovem, que havia vivenciado a pobreza, mas que aos 16 anos disse ter recebido uma revelação quando lia Mc 11.23,24 (a fé capaz de lançar montes ao mar), entendendo que tudo se pode obter de Deus desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário. Isto é a essência da “Confissão Positiva” que é à base da teologia da prosperidade. Segundo esta visão, basta que o cristão assuma sua autoridade espiritual e reivindique as bênçãos espirituais por estar liberto da maldição da lei. Segundo ela também, os crentes não tem que experimentar mais a pobreza, a doença, o sofrimento, e tem direitos adquiridos de terem bens, carro novo, casa nova, vida de luxo, etc. É obvio que esta não pode ser uma a interpretação correta da palavra de Jesus.
Sabemos que em outros textos Jesus nos prometeu algo bem diferente. Se quiséssemos segui-lo deveríamos antes tomar nossa cruz. Se quiséssemos segui-lo deveríamos estar cientes de que seríamos perseguidos em Seu nome. Deveríamos estar cientes de que no mundo teríamos aflições. Deveríamos estar cientes de que o mundo nos odiaria. Não se trata, irmãos, de sermos pessimistas quanto ao evangelho, mas sim honestos com a perspectiva do real convite de Cristo: dar-se pelo outro. Ele nos capacitou para termos fé, e fé tamanha como aquela que seria até capaz de mover montes. Mas isto é linguagem figurada. Ele nos deu fé para crermos no Seu poder libertador, curador e redentor. Fé para crer que Ele seria o provedor de tudo o que necessitamos e de que em Suas mãos estaríamos seguros. Cuidado, irmãos, com as expectativas equivocadas que criamos a respeito de nossa relação com Cristo. A frustração é filha direta da expectativa. Jesus nos prometeu vida plena Nele, mas lembre-se, através da cruz. Sem cruz não há cristianismo.
Que ao invés de coisas materiais possamos ter ecoando no coração aquele hino que diz: “Sim, na Cruz, Sim, na Cruz, Sempre me Glorio, e por fim descansarei calmo além do rio”.
Que Deus nos ajude.
Rev. Antonio Alvim Dusi Filho