Pastorais
THEODORO DE BEZA – UM ESCRITOR FAMOSO A SERVIÇO DA REFORMA PROTESTANTE

2 de setembro de 2017

Theodoro Beza foi um teólogo protestante francês que desempenhou um papel importante no início da Reforma Protestante. Foi discípulo de João Calvino e o sucedeu na liderança da Igreja em Genebra. Theodoro nasceu em 24 de junho de 1519 em Vézelay, Borgonha, França. Ele era filho de Pierre de Beza e Burderot Marie, ambos da baixa nobreza. Sua mãe, uma mulher inteligente e caridosa, teve sete filhos, dos quais Theodoro foi o último. Ainda criança, com a morte de sua mãe, foi levado a Paris por seu tio Nicolas de Besze. Ali ele foi educado pelas mentes mais brilhantes da cidade. Aos 9 anos foi levado por seu tio à Orléans para estudar com Melchior Wolmar, um eminente erudito em grego, que também foi professor de Calvino e que mais tarde se juntaria ao movimento da reforma. Wolmar trouxe Beza para sua própria família onde ele ficou 7 anos. Theodoro almejava a carreira de direito, e com esse fim começou seus estudos na Universidade de Orléans e obteve sua graduação em 1539, aos 20 anos. Retornando a Paris, voltou sua atenção para o estudo da literatura e para o romance. Em 1544, casou-se com Claudine Denosse. Com o passar dos anos, começou a alcançar um nível alto da fama com um celebrado trabalho de poesia (Juvenilia), e já era considerado como o melhor escritor de poesia latina do seu tempo.

Em 1548, Beza foi trazido à conversão através de uma grave doença durante a qual teve bastante tempo para refletir sobre os caminhos inescrutáveis da providência e lembrar da fiel instrução de seu antigo tutor, Melchior Wolmar. Humilhado e castigado, ele se recuperou de sua doença como um protestante firme, que resolveu entregar a sua vida à propagação do Evangelho. Convertidos a Cristo, ele e sua esposa resolveram deixar o círculo literário de Paris para se dedicarem à causa da Reforma Protestante.

Ao chegarem em Genebra foram bem-recebidos pelo reformador João Calvino. Beza tornou-se professor de teologia na academia que Calvino havia fundado, a qual se tornou uma das mais importantes escolas em toda a Europa calvinista. Ele foi pastor da igreja de Genebra de 1559 a 1605, retirando-se apenas quando sua idade avançada o forçou a fazê-lo. De 1564 a 1580, Beza serviu como moderador do concílio de pastores após a morte de Calvino. Quando Calvino faleceu em 1564, Beza pregou o sermão no funeral e logo depois escreveu uma biografia de seu mentor e querido amigo. Beza dedicou-se à publicação da Bíblia em grego, tendo publicado em vida 9 edições do Novo Testamento, das quais as de 1588 e 1589 foram usadas pelos tradutores da versão King James da Bíblia. Beza faleceu em 23 de outubro de 1605, aos oitenta e seis anos.

“Onde não há a Palavra de Deus, mas apenas a palavra do homem, seja em quem for, não há fé ali, mas apenas um sonho ou uma opinião que não pode deixar de nos enganar.” Theodoro de Beza
(Adaptado – Fonte: site “Voltemos ao Evangelho”)



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ULRICH ZWINGLIO E OS 500 ANOS DA REFORMA

23 de agosto de 2017

Após as 95 teses de Lutero fixadas na capela Wittenberg, a Reforma Protestante se espalhou da Alemanha para diversos países da Europa. Os valores e princípios fundamentados nas Sagradas Escrituras aqueceram milhares de corações que estavam adaptados a uma religiosidade fria e vazia. A salvação pela graça, independente de qualquer boa obra humana para ser adquirida, produzia alento e esperança àqueles que já estavam exaustos de uma espiritualidade que impunha um jugo baseado na meritocracia.

Ulrich Zwinglio foi um dos responsáveis pela propagação da Palavra de Deus na suíça. Ele nasceu em 1484 no cantão suíço de Sankt Gallen, era filho de um juiz e fazendeiro da cidade. Zwinglio se formou em artes pela Universidade de Basileia e em seguida se tornou pároco de Glarus. Em 1516, ele se mudou para a cidade de Einsiendeln, onde teve a oportunidade de ler todo o Novo Testamento em latim. A partir desta experiência, Zwinglio se tornou um expositor bíblico e escreveu: “Dirigido pela Palavra e pelo Espírito de Deus, vi a necessidade de deixar de lado todos os ensinamentos humanos e aprender a doutrina de Deus diretamente de sua Palavra”.

Em 1º de janeiro de 1518, Zwinglio foi reconhecido na Catedral de Zurique como o sacerdote do povo. O papa Adriano VI, então, o proíbe de pregar e exige que o consistório de Zurique o condene como herege. No entanto, com o apoio do Conselho de Zurique, Zwinglio propôs as suas teses enfatizando a supremacia de Cristo na igreja, a salvação somente pela graça, a autoridade das Escrituras, o sacerdócio dos fieis, o direito dos sacerdotes ao casamento, a proibição do uso de imagens e relíquias e o ataque ao primado do papa e à missa. O acolhimento destes princípios pelas autoridades fez de Zurique o primeiro estado protestante por iniciativa magistral.

Após as mudanças chanceladas pelo Conselho de Zurique, os monastérios foram transformados em hospitais, o uso de imagens e as missas foram eliminados dos templos e apenas o batismo e a santa ceia foram adotados como sacramentos. A Bíblia Sagrada foi traduzida para a língua do povo.

Os ensinamentos zwinglianos se espalharam por inúmeros cantões da Suiça e exigiu a formação de um sínodo das igrejas evangélicas reformadas no país. De acordo com Earle E. Cairns, embora Calvino tenha se tornado o herói da fé reformada, a igreja não pode esquecer o papel de Zwinglio, erudito, democrático e sincero, na libertação da Suíça das garras do papa; apesar de mais liberal que Lutero, foi tão corajoso quanto o grande reformador.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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PARA QUE PUDÉSSEMOS PERTENCER A ELE

16 de agosto de 2017

A questão última não é quem é você, mas de quem é você. Claro, muitas pessoas pensam que não são escravas de ninguém. Sonham com uma total independência. Como uma água-viva levada pelas marés acha que é livre porque não está presa ao casco de um navio. Mas Jesus tinha uma palavra para pessoas que pensavam assim: “… conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres? Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.32-34).

A Bíblia não dá crédito a seres humanos caídos que pensam ser regidos por si mesmos. Não existe autonomia num mundo caído. “… desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça?… quando éreis escravos do pecado, estáveis isentos em relação à justiça… Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus… (Rm 6. 16, 20, 22).

Na maioria das vezes, somos livres para fazer o que queremos. Mas não somos livres para desejar o que devemos. Para isso carecemos de um novo poder baseado em uma compra divina. O poder é de Deus. É por essa razão que a Bíblia diz: “graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração” (Rm 6.17). Deus é quem “concede não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (2Tm 2.25,26).

A compra que libera esse poder é a morte de Cristo. “Não sabeis que não sois de vós mesmos?…fostes comprados por preço” (1Co 6.19,20). Qual o preço que Cristo pagou por aqueles que nele confiam? “… comprou com seu próprio sangue” (At 20.28).

Agora somos verdadeiramente livres. Não para sermos autônomos, mas para desejar o que é bom. Toda uma nova forma de vida se abre diante de nós quando a morte de Cristo se torna a morte de nossa velha natureza. Em lugar de regras, fica o relacionamento com o Cristo vivo. A liberdade de produzir frutos substitui a escravidão da lei. “Vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus” (Rm 7.4).

Cristo sofreu e morreu para que fôssemos libertos da lei e do pecado e pertencêssemos a ele. É aqui que a obediência deixa de ser um fardo e se torna em liberdade para frutificar. Lembre-se: você não pertence a si mesmo. De quem será? Se for de Cristo, venha e pertença!

John Piper



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GUILHERME FAREL E OS 500 ANOS DA REFORMA

9 de agosto de 2017

Guilherme Farel (1489-1565) foi um dos fundadores da Igreja Reformada na Suíça. Ele se tornou pastor em Genebra no ano de 1532 e o impacto do seu ministério foi capaz de produzir um estado teocrático. As transformações sociais ocorridas em Genebra decorriam das experiências que as pessoas tinham com a exposição bíblica. À medida que a mensagem do evangelho era anunciada e as pessoas se curvavam ao senhorio de Cristo, o impacto na vida comunitária era evidenciado.

O reformador João Calvino se deslocava de Ferrara para Estrasburgo e em decorrência de uma guerra ele teve que mudar a rota e passar por Genebra. O historiador Justo Gonzalez informa que Calvino não pretendia permanecer por muitos dias em Genebra, no entanto, alguém avisou Farel que o autor das Institutas estava na cidade. Eles se encontraram e através de uma série de argumentos, Farel tentou persuadir Calvino a ajuda-lo com o progresso do evangelho em Genebra. Calvino o escutou atentamente, mas disse que precisava concluir alguns estudos e por isso não tinha condições de ajuda-lo nos trabalhos em Genebra.

O historiador Justo Gonzalez também informa que Farel após esgotar toda a sua argumentação para a permanência de Calvino, ele apela ao Senhor de ambos e com voz estridente diz para o jovem teólogo: “Deus amaldiçoe teu descanso e a tranquilidade que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda”. Diante desta imprecação, Calvino escreve o seguinte: “essas palavras me espantaram e me quebrantaram e desisti da viagem que tinha pretendido”. Esta circunstância inaugura o trabalho de João Calvino como reformador em Genebra.

Calvino, aproximadamente, quinze anos mais jovem do que Farel, inicia como colaborador nos trabalhos da igreja em Genebra, no entanto, sua habilidade teológica, seu conhecimento e zelo pela Reforma contribuem para que assuma a liderança. À medida que os princípios reformados se instalavam através da liderança destes pastores, Calvino insistia que os impenitentes deveriam ser excluídos da igreja. Farel, por outro lado, acolheu uma postura menos rigorosa e emparelhada com os interesses da burguesia da cidade. Calvino segue para Estrasburgo e Farel permanece em Genebra.

Apesar de algumas perspectivas diferentes, principalmente sobre a eucaristia, Farel e Calvino foram instrumentos de Deus para testemunhar que a fé em Cristo transforma completamente uma sociedade. Por isso a importância de anunciar o evangelho, plantar igrejas e expor a Palavra, afinal, este é o caminho para uma sociedade justa.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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JOÃO CALVINO E OS 500 ANOS DA REFORMA

2 de agosto de 2017

Deus tem um propósito para nossas vidas e toda nossa história de vida vai se desenrolando dentro deste projeto divino. João Calvino nasceu na França em 10 de julho de 1509. Quando Lutero escreveu suas 95 teses, Calvino era uma criança de apenas 8 anos de idade. A Reforma já avançava pela Europa, trazendo grandes mudanças e João Calvino crescia nos ambientes acadêmicos, estudando direito. No entanto, em todo o processo de formação acadêmica deste jovem, havia a boa mão de Deus preparando este homem para que se tornasse “o Teólogo da Reforma”. Aos 23 anos, Calvino concluiu seu doutorado em direito, mas seus estudos na teologia foram além, afinal, ele se converte nesta época e a teologia agora é sua grande paixão.

Todo o seu amor pelos estudos é agora dirigido para a Palavra de Deus e ele começa a escrever e pregar. A sua grande obra são as Institutas da Religião Cristã. Calvino nunca se encontrou pessoalmente com Martinho Lutero, mas sua contribuição chegou ao conhecimento do reformador alemão.

Quando João Calvino aceitou o convite de seu amigo, Guilherme Farell, para ser o pregador da igreja na cidade de Genebra, não havia presença protestante relevante naquela comunidade. A cidade era conhecida como um dos centros urbanos mais sujos de todo o continente. João Calvino chega e inicia o seu ministério de pregador com ênfase na exposição da Palavra de Deus, e assim, as pessoas da cidade começaram a mudar. Mas tudo aconteceu debaixo de muita luta e crítica a Calvino, culminando com sua expulsão da cidade. Afinal, ele era acusado de querer transformar tudo e todos, desejando sempre organizar cada detalhe, para que não apenas a igreja, mas a cidade fosse transformada para a glória de Deus.

Depois de quase três anos em Estrasburgo, Calvino é convidado para retornar para o pastorado da Igreja em Genebra. Seu retorno marca um novo momento de desenvolvimento de sua teologia e influência na cidade. Genebra cresce, transforma e se solidifica como o berço da teologia reformada mundial. Calvino ensina sua igreja, dá conselhos valiosos aos líderes políticos da cidade e investe em missões. O Rio de Janeiro recebe 1555 missionários enviados pelo próprio Calvino para que uma igreja reformada fosse plantada em nossa cidade. Infelizmente, estes missionários foram expulsos do Rio de Janeiro, mas deixaram seu exemplo de amor a Deus.

João Calvino morreu em Genebra em 27 de maio de 1564, deixando inúmeros livros escritos e um legado que até hoje é reconhecido e valorizado por todos aqueles que amam o estudo da Palavra de Deus.

Neste ano de celebração dos 500 anos da Reforma Protestante devemos agradecer a Deus por testemunhos como o de Calvino que nos fazem crer que Deus pode usar pessoas comuns para transformar cidades para glória de nosso Senhor.

Que Deus nos abençoe.
Rev. Leonardo Sahium



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SOLA FIDE – Justificados pela Fé – Martinho Lutero (1483-1546)

28 de julho de 2017

Lutero foi um monge agostiniano alemão, que diante da crise moral da Igreja Católica Apostólica Romana, levantou-se para promover uma reforma religiosa. Nascido em 1483, em Eisleben na Saxônia, foi muito jovem cursar a Universidade de Magdeburgo onde estudou Humanas. Iniciou seus estudos de Teologia no monastério agostiniano local. Posteriormente, frequentou a Universidade de Erfurt onde conviveu com frades agostinianos que discutiam com frequência o tema do perdão de pecados e justificação. Lutero, após muito meditar na verdade da “Justificação pela fé somente”, e confortado pelo testemunho interior do Espírito Santo, entendeu esta doutrina que tantas vezes fora afirmada nos textos do apóstolo Paulo.

Em 1508, já Doutor em Teologia pela Universidade de Wittenberg, tornou-se professor de estudos bíblicos, e passou a compartilhar com outros acadêmicos e alunos sua posição quanto à justificação pela fé. Sua devoção ao estudo da Bíblia consolidava em seu coração o princípio do Sola Spriptura (Somente a Escritura). O contexto eclesiástico da época de Lutero era marcado por um período de trevas espirituais. A igreja da idade média (Católica Romana) valorizava tradições, superstições variadas e a venda de indulgências como forma de se obter o perdão de Cristo. A igreja havia aprisionado o evangelho em um complexo sistema de sacerdotes e sacramentos. Era fortemente constituída de conventos e monastérios, e tinha em grande parte do seu clero um baixo padrão de vida espiritual e moral. A venda de indulgências era usada para sustentar o alto padrão de vida do papado em Roma, além de financiar a construção da Basílica de São Pedro.

Lutero, incomodado com tudo isso, em 31 de Outubro de 1517 publicou suas 95 teses contra vários temas sustentados pela igreja, afirmando a justificação pela fé somente e rejeitando o absurdo da venda de indulgências. Também levantou-se contra a infalibilidade do Papa. Afixou este documento no templo contíguo ao castelo de Wittenberg e assim iniciou um tempo de grandes mudanças, porém marcado por perseguição pessoal por parte da alta cúpula da Igreja Romana. Lutero contou com o apoio de vários nobres e acadêmicos. Foi baseado nesta verdade, justificação pela fé, que Lutero enfrentou corajosamente toda uma estrutura eclesiástica corrompida, tendo seu maior embate em 1521 na Assembléia de Worms, onde defendeu sua posição perante o imperador e todos os Estados da Alemanha. Lutero manteve-se firme na verdade das Escrituras, produzindo estudos e artigos, e por conta disso foi condenado ao isolamento pelo Papa de então. Viveu até os 63 anos.

Coragem e firmeza na fé em Cristo marcaram a vida deste reformador. Que ela nos inspire ao testemunho de nossa fé em meio a uma sociedade tão distante de Deus.

Soli Deo Gloria.

Rev. Antônio Alvim Dusi Filho



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500 ANOS DA REFORMA – FOGO E MARTÍRIO DE JOÃO HUSS

16 de julho de 2017

Neste ano de comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante, ao revisitarmos a história, podemos constatar o quanto custou a busca por um cristianismo puro e coerente – o sangue de muitos mártires. O real contexto da palavra do apóstolo Paulo aos Filipenses quando disse: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). O contexto do testemunho da fé levado às últimas consequências. João Huss (ou Jan Hus) foi um dos pré-reformadores que viveram este contexto.

Huss, nascido em 1370 numa família de camponeses, foi ordenado sacerdote em 1401, e logo avançou nos estudos obtendo mestrado e doutorado pela Universidade de Praga, onde posteriormente tornou-se reitor. Impactado pelas idéias de Wycliff (da Inglaterra), Huss levantou-se na Capela de Belém em Praga (então região da Boêmia, hoje República Tcheca), requerendo uma reforma na igreja. Ele combateu a venda de indulgências (influenciando Lutero 100 anos mais tarde), defendeu que Cristo era o cabeça da igreja e não o Papa, e que todos os convertidos eram membros da igreja, e não apenas o clero. O princípio da Sola Scriptura (Somente a Escritura) ardia no coração de Huss que dizia: “desejo me apegar, crer, e afirmar tudo o que estiver nela contido, enquanto houver fôlego em mim”.

Em 1412, como herege, Huss foi excomungado pelo Papa João XXIII. Em sua defesa, dizia Huss: “Não, eu nunca preguei qualquer doutrina de tendência para o mal, e o que ensinei com os meus lábios agora selo com o meu sangue.” Em Novembro de 1414 Huss compareceu, sob a promessa de proteção e salvo-conduto, perante o Conselho de Constança para expor suas idéias, porém nunca foi ouvido. Ficou encarcerado por meses ali, até que em 6 de Julho de 1415 foi levado à fogueira como herege. Enquanto as chamas o engoliam, ouviam-no recitando os Salmos e orando “Senhor Jesus, é por ti que eu pacientemente suporto esta morte cruel. Oro para que tenhas misericórdia dos meus inimigos”.

O movimento dos Hussitas (de João Huss) impactou profundamente os Boêmios em Praga, os quais recusaram-se a se submeter ao Sacro Império Romano, bem como à Igreja em Roma. Desses nasceu o movimento dos Irmãos Unidos (Unitas Fratum) que posteriormente fundou o movimento dos Irmãos Morávios, que vieram a ser usados por Deus na conversão de John e Charles Wesley.

Irmãos, a fé em Cristo pode nos levar a passar pelo martírio. Que diante de tantos exemplos de reformadores estejamos prontos a sofrer pelo evangelho, como bem disse o apóstolo João: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2:10) Que Deus nos ajude.
Rev. Antônio Alvim Dusi Filho



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500 ANOS DA REFORMA – WYCLIFF, O PRIMEIRO REFORMADOR

7 de julho de 2017

Este ano celebramos os 500 anos da Reforma Protestante. Neste espaço iremos pensar alguns aspectos deste evento que mudou a história da humanidade. Cada artigo irá abordar um aspecto. Hoje vamos pensar no processo histórico desta Reforma e o que isto nos ensina sobre a ação de Deus.

Nenhuma história nasce do nada, os fatos históricos são o resultado de um processo, muitas vezes planejado e executado com muito cuidado e esmero. Outras vezes a história é resultado de um processo que deu errado, outras vertentes surgiram pelo caminho e as pessoas foram consertando e realizando algo durante a caminhada. Mas em todo tempo, percebemos o governo soberano de Deus.

John Wycliff (1330-1384) pode ser chamado de o primeiro reformador. Ele viveu no final do Século XIV, portanto, bem antes de Lutero. Em 1371, Wycliff deixa a Universidade de Oxford, lugar onde era famoso por sua lógica e erudição. Em seus estudos bíblicos, Wycliff desenvolveu um importante caminho teológico sobre a doutrina do senhorio de Cristo e também sobre a Santa Ceia. Em 1380, o reitor da Universidade de Oxford convocou uma assembléia para discutir os ensinos de Wycliff. Foi por inspiração de Wycliff que a Bíblia foi traduzida para o inglês (1384), logo depois da sua morte (GONZALEZ, 1986).

Os humanistas seculares tinham o lema ad fontes, “de volta às fontes”, ou seja, as obras da antiguidade clássica greco-romana. Os reformadores fizeram o mesmo com a Bíblia, a fonte por excelência da tradição cristã, o registro da ação providencial redentora de Deus na vida do mundo. Desde o início, homens como Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio e João Calvino afirmaram o princípio da autoridade suprema das escrituras em matéria de fé e prática (Sola Scriptura), e passaram a reavaliar toda sua herança religiosa à luz desse critério. (MATOS, 2005).

Wycliff combateu a autoridade do Papa, deu importância a Bíblia como a Palavra de Deus que deveria ser lida pelo povo, criticou a doutrina Católica Romana sobre Santa Ceia, oração aos mortos, culto com imagens, e também criticou o celibato. Desta forma ele entra para a história da Igreja como primeiro reformador.

Concluímos, portanto, que nossa história está repleta de pessoas que enfrentaram grandes lutas e desafios para defender o que hoje acreditamos com muita facilidade. O amor a Palavra de Deus como Escritura Sagrada que está acima de qualquer autoridade humana, este é o grande legado de Wycliff para todos nós hoje. Olhar para aquilo que foi defendido, muitas vezes, com o custo da própria vida, nos faz pensar o quanto estamos de fato defendendo nossa fé cristã com o mesmo amor e motivação.

Que Deus nos abençoe para que possamos no futuro deixar uma história de amor a Palavra de Deus revelada.

Deus nos abençoe!

Rev. Leonardo Sahium



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O CORPO EM SERVIÇO

28 de junho de 2017

O progresso de qualquer instituição depende do compromisso e da busca pela excelência das pessoas que estão comprometidas com o projeto em comum. Uma equipe de cirurgiões, uma orquestra musical ou um time de futebol alcançam a precisão quando cada integrante percebe com clareza a sua função e procura desempenha-la com eficiência.

O chamado de Deus para fazer parte do seu povo implica em uma postura de serviço. Quando Jesus veio ao mundo ele deixou claro que o servir uns aos outros é uma marca dos seus discípulos (Mt 23.11). Ele é o único Senhor da igreja e todas as obras realizadas precisam ser para a sua glória (I Co 10.31). As práticas dos seguidores de Cristo agradarão a Ele se estiverem de acordo com os postulados estabelecidos.

Muitos líderes religiosos na época de Cristo eram marcados por uma agenda repleta de compromissos pessoais e sociais. No entanto, o objetivo principal era a autopromoção (Mt 23.13-29). As obras são eficazes quando o foco é a glória de Deus e, para isso, é necessário o tratamento do Espírito Santo nos corações. A submissão ao Espírito de Deus por meio da meditação na Palavra e da vida de oração produzirá os frutos que alegrarão a Deus.

O apóstolo Paulo ensina que cada crente precisa descobrir o seu papel e a sua função na igreja. A saúde eclesiástica depende do compromisso dos membros. Por isso, o apóstolo usa a figura de um corpo para exemplificar a importância e a singularidade de cada membro (I Co 12.27). Uma parte está conectada a outra e o funcionamento adequado depende do comprometimento de todos. A agilidade, a fluência e a eficiência da igreja dependem do compromisso daqueles que foram inseridos no Corpo através do sangue de Cristo.

A saúde da igreja da Gávea nos últimos 50 anos resulta do envolvimento de homens e mulheres que entenderam a importância do serviço e se envolveram com o Reino de Deus para impactar o bairro, a cidade, o país e partes do mundo. Esta história precisa continuar e os que compõem o rol de membros são responsáveis pela execução do serviço que o Espírito Santo separou para cada um. Descubra a sua função no corpo, e sirva com alegria e gratidão ao Senhor da igreja.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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COMO ANDA A SUA FÉ?

25 de junho de 2017

Você já deve ter ouvido aquela música do famoso Gilberto Gil que diz “Andá com fé eu vou; que a fé não costuma faiá”. Pois é, eu tenho a mania de, quando ouço uma música, analisá-la e tentar dialogar com ela ou com seu autor. No caso dessa em particular eu fico sempre tentado a perguntar: vem cá, Gil, diga aí! Andar com fé em quê? Como assim essa fé não costuma falhar? Não preciso de muitas respostas neste caso, pois a própria música esclarece, ainda que de forma vazia, ou até meio surreal, que a tal fé “tá na mulher, tá na cobra coral, num pedaço de pão, na maré, na lâmina do punhal, na luz, na escuridão…” Eu gosto do Gil, mas é curioso observarmos como a arte, refém de uma cosmovisão sem Deus, totalmente desconectada do Eterno, fruto de uma relação rompida no Eden, expressa a essência de uma sociedade que virou as costas para o Criador. “Não há Deus”, diz o insensato em seu coração. (Sl 14:1). As pessoas não sabem em quê ou em quem depositar a sua fé. A música é muito clara. Hoje, se perguntarmos nas ruas sobre a importância de termos fé, ouviremos respostas como: “é importante andar com fé em nós mesmos”, “o importante é ter fé em alguma coisa, não importa no quê”, “sim, é fundamental crermos no sobrenatural, nos orixás, nos espíritos de luz”, “claro que precisamos ter fé, ter pensamento positivo”, “temos que acreditar no cara lá de cima”, “eu sempre acendo uma vela para o meu santo”.

Nossa cosmovisão cristã nos traz outra perspectiva sobre fé. “Somente a Fé” (Sola Fide) é um dos princípios basilares exaltados pela Reforma Protestante há 500 anos atrás. Esta Fé tem uma origem e é direcionada a uma pessoa. Não é fé no vazio, nas coisas ou na ciência. É Fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Redentor. Somos salvos pela Fé, e pela Fé somente (Ef 2: 8). Nossa redenção não provém de esforços pessoais ou mérito próprio. É a Fé no sacrifício substitutivo (vicário) de Cristo que nos faz homens e mulheres reconciliados com Deus (Rm 5: 10). É Fé nos méritos de Cristo que tomou nosso lugar na cruz. Fé que nos faz entender que somos totalmente depravados antes de sermos alcançados pelo Evangelho (Rm 3: 23); que nossa condição era a de “mortos em delitos e pecados” (Ef 2: 1). Fé que o próprio Deus imputa em nossos corações porque Ele mesmo nos amou antes da fundação do mundo, e nos escolheu nEle para sermos seus filhos (Ef 1: 4). A Fé nos remete a Cruz onde nossos pecados foram expurgados! A Fé nos aponta para a eternidade!

Em nosso culto a Deus cantamos “Eu vou seguir com fé, com meu Deus eu vou para a Rocha mais alta que eu”. Esta é a Fé que nos move além, Fé em Deus. Seguimos os passos de Abraão, o pai da Fé. Somos filhos de Abraão, filhos da promessa. Abraão depositou sua Fé em Deus que é Rocha e Refúgio. Abraão creu que seria bênção para todas as famílias da terra, e isto lhe foi imputado para justiça (Gl 3: 6). Pela Fé experimentamos a Justiça de Deus. Somos declarados como justos diante dEle (Gl 2: 16).

Meus irmãos, que possamos andar em Fé, na verdadeira Fé que não falha.

Deus nos abençoe.
Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



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