Em 25 de junho de 2017 | Pastorais

Você já deve ter ouvido aquela música do famoso Gilberto Gil que diz “Andá com fé eu vou; que a fé não costuma faiá”. Pois é, eu tenho a mania de, quando ouço uma música, analisá-la e tentar dialogar com ela ou com seu autor. No caso dessa em particular eu fico sempre tentado a perguntar: vem cá, Gil, diga aí! Andar com fé em quê? Como assim essa fé não costuma falhar? Não preciso de muitas respostas neste caso, pois a própria música esclarece, ainda que de forma vazia, ou até meio surreal, que a tal fé “tá na mulher, tá na cobra coral, num pedaço de pão, na maré, na lâmina do punhal, na luz, na escuridão…” Eu gosto do Gil, mas é curioso observarmos como a arte, refém de uma cosmovisão sem Deus, totalmente desconectada do Eterno, fruto de uma relação rompida no Eden, expressa a essência de uma sociedade que virou as costas para o Criador. “Não há Deus”, diz o insensato em seu coração. (Sl 14:1). As pessoas não sabem em quê ou em quem depositar a sua fé. A música é muito clara. Hoje, se perguntarmos nas ruas sobre a importância de termos fé, ouviremos respostas como: “é importante andar com fé em nós mesmos”, “o importante é ter fé em alguma coisa, não importa no quê”, “sim, é fundamental crermos no sobrenatural, nos orixás, nos espíritos de luz”, “claro que precisamos ter fé, ter pensamento positivo”, “temos que acreditar no cara lá de cima”, “eu sempre acendo uma vela para o meu santo”.

Nossa cosmovisão cristã nos traz outra perspectiva sobre fé. “Somente a Fé” (Sola Fide) é um dos princípios basilares exaltados pela Reforma Protestante há 500 anos atrás. Esta Fé tem uma origem e é direcionada a uma pessoa. Não é fé no vazio, nas coisas ou na ciência. É Fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Redentor. Somos salvos pela Fé, e pela Fé somente (Ef 2: 8). Nossa redenção não provém de esforços pessoais ou mérito próprio. É a Fé no sacrifício substitutivo (vicário) de Cristo que nos faz homens e mulheres reconciliados com Deus (Rm 5: 10). É Fé nos méritos de Cristo que tomou nosso lugar na cruz. Fé que nos faz entender que somos totalmente depravados antes de sermos alcançados pelo Evangelho (Rm 3: 23); que nossa condição era a de “mortos em delitos e pecados” (Ef 2: 1). Fé que o próprio Deus imputa em nossos corações porque Ele mesmo nos amou antes da fundação do mundo, e nos escolheu nEle para sermos seus filhos (Ef 1: 4). A Fé nos remete a Cruz onde nossos pecados foram expurgados! A Fé nos aponta para a eternidade!

Em nosso culto a Deus cantamos “Eu vou seguir com fé, com meu Deus eu vou para a Rocha mais alta que eu”. Esta é a Fé que nos move além, Fé em Deus. Seguimos os passos de Abraão, o pai da Fé. Somos filhos de Abraão, filhos da promessa. Abraão depositou sua Fé em Deus que é Rocha e Refúgio. Abraão creu que seria bênção para todas as famílias da terra, e isto lhe foi imputado para justiça (Gl 3: 6). Pela Fé experimentamos a Justiça de Deus. Somos declarados como justos diante dEle (Gl 2: 16).

Meus irmãos, que possamos andar em Fé, na verdadeira Fé que não falha.

Deus nos abençoe.
Rev. Antonio Alvim Dusi Filho

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