Em 28 de janeiro de 2017 | Pastorais

Queridos irmãos, em nossos dias a teologia da prosperidade tem atrapalhado muitos cristãos. É decepção atrás de decepção. O curioso é que não é um movimento tão novo quanto parece. Na realidade nasceu na cabeça de um americano do Séc. XIX (1867), Essek Willian Kenyon, que chegou a ser pastor batista, metodista e pentecostal, e que adotara algumas ideias de seitas cristão-metafísicas americanas voltadas ao poder da mente, a inexistência de doenças nos crentes, e ao poder do pensamento positivo. No Séc. XX estas ideias foram propagadas por seu discípulo Kenneth Haggin que sofrera várias enfermidades quando jovem, que havia vivenciado a pobreza, mas que aos 16 anos disse ter recebido uma revelação quando lia Mc 11.23,24 (a fé capaz de lançar montes ao mar), entendendo que tudo se pode obter de Deus desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário. Isto é a essência da “Confissão Positiva” que é à base da teologia da prosperidade. Segundo esta visão, basta que o cristão assuma sua autoridade espiritual e reivindique as bênçãos espirituais por estar liberto da maldição da lei. Segundo ela também, os crentes não tem que experimentar mais a pobreza, a doença, o sofrimento, e tem direitos adquiridos de terem bens, carro novo, casa nova, vida de luxo, etc. É obvio que esta não pode ser uma a interpretação correta da palavra de Jesus.
Sabemos que em outros textos Jesus nos prometeu algo bem diferente. Se quiséssemos segui-lo deveríamos antes tomar nossa cruz. Se quiséssemos segui-lo deveríamos estar cientes de que seríamos perseguidos em Seu nome. Deveríamos estar cientes de que no mundo teríamos aflições. Deveríamos estar cientes de que o mundo nos odiaria. Não se trata, irmãos, de sermos pessimistas quanto ao evangelho, mas sim honestos com a perspectiva do real convite de Cristo: dar-se pelo outro. Ele nos capacitou para termos fé, e fé tamanha como aquela que seria até capaz de mover montes. Mas isto é linguagem figurada. Ele nos deu fé para crermos no Seu poder libertador, curador e redentor. Fé para crer que Ele seria o provedor de tudo o que necessitamos e de que em Suas mãos estaríamos seguros. Cuidado, irmãos, com as expectativas equivocadas que criamos a respeito de nossa relação com Cristo. A frustração é filha direta da expectativa. Jesus nos prometeu vida plena Nele, mas lembre-se, através da cruz. Sem cruz não há cristianismo.
Que ao invés de coisas materiais possamos ter ecoando no coração aquele hino que diz: “Sim, na Cruz, Sim, na Cruz, Sempre me Glorio, e por fim descansarei calmo além do rio”.
Que Deus nos ajude.
Rev. Antonio Alvim Dusi Filho

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