Pastorais
É FUNDAMENTAL CUMPRIR A MISSÃO

5 de maio de 2019

Um dos grandes personagens do Antigo Testamento foi Moisés. A importância de sua vida, que ecoa através dos tempos, transcende até mesmo a fé judaico-cristã. Moisés foi O líder! Foi escolhido por Deus para conduzir o povo de Israel em sua jornada até Canaã. Depois de viver 40 anos na casa do Faraó do Egito, deixou tudo para trás e fugiu para o deserto como consequência de uma infeliz experiência de homicídio, quando assassinou um egípcio (At 7:23-24). Passou outros 40 anos como peregrino na terra de Midiã. E foi aos 80 anos que Moisés recebeu o grande projeto de sua vida, diante de um arbusto em chamas que não se consumia. Deus, Javé, o comissionou como o grande libertador de Israel (Ex 3:1-10). Moisés tentou esquivar-se da missão, alegando algum tipo de gagueira, ou até mesmo incompetência. A tarefa não foi fácil, irmãos: estima-se que cerca de dois milhões de pessoas saíram do Egito sob sua liderança.

Gostaria de pensar nesta rápida reflexão sobre as dificuldades enfrentadas por Moisés. Passar quarenta anos no deserto liderando um povo de dura cerviz, teimoso, incrédulo, em condições extremas, sejam climáticas ou humanitárias, atravessando guerras de toda sorte, deve ter sido muito ruim. Mas creio que talvez o mais difícil de tudo tenha sido viver os 40 anos nesta missão sabendo desde o início que ele mesmo não entraria na terra prometida. Tente “calçar as sandálias” de Moisés por um momento. Imagine empenhar sua vida, energia e recursos em um projeto do qual você não experimentaria o resultado final. Deus fez Moisés subir ao monte Nebo e contemplar à distância, do alto dos seus 120 anos (Dt 34:4-7) a terra que o Senhor prometera a Abraão, Isaque e Jacó. Contemplou, porém não desfrutou. Mas mesmo assim Moisés cumpriu sua missão, pois sabia quem o havia chamado. No fim de sua missão declarou: “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto.” (Dt 32:4)

Guardadas as devidas proporções, todos nós vivenciamos várias missões ao longo da vida. Deus tem nos chamado a servi-lo neste mundo, sem garantias de que experimentaremos o resultado final dos nossos esforços e propósitos. As missões são diversas: abraçar uma profissão; construir uma família; plantar uma igreja; fundar uma empresa; gastar-se em favor do próximo. E nem sempre desfrutaremos ou veremos o resultado final. Devemos, a exemplo de Moisés, realizar nossa missão sem esmorecer, com os olhos firmados naquele que nos chamou, Cristo, sem esperar dele a recompensa de desfrutarmos do resultado final. Que venha do Senhor a porção que Ele tem para cada um de nós. Não desanime! Avante!

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho

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