Pastorais
EGOLATRIA

31 de agosto de 2019

A vontade do ser humano já se manifesta nos primeiros dias de vida. À medida que cresce, a criança descobre que nem todos os seus desejos serão atendidos. Surgem, então, as birras e os choros sem lágrimas como ferramentas para alcançar o propósito desejado. Este jogo com os pais é recorrente e pode se tornar um poderoso instrumento de manipulação. Os pais não podem se esquecer de que o estabelecimento de limites é uma regra importante para quem ama.

A sociedade também institui normas de conduta para manter a ordem. Independente de crédulo ou religião existem leis sociais que restringem a liberdade do indivíduo. Na vida comunitária, não é possível agir de acordo com os impulsos e os desejos desenfreados, pois, este cenário produziria o caos e a barbárie. Surge, então, a primeira pergunta: quais leis determinam o limite da vontade humana?
A maioria dos países ocidentais organizou as suas constituições de acordo com os postulados do cristianismo. Através da paganização, do desprezo pelo sagrado e da relativização dos conceitos, as crenças e os valores divinos foram brutalmente afrontados. De acordo com os movimentos pós-cristãos, as regras precisam ser flexibilizadas e despidas dos pressupostos religiosos para atender as novas fronteiras morais. Diante desta realidade, a segunda pergunta é: qual vontade prevalecerá?

Se as regras que direcionam a vontade e a ética humana não são estabelecidas por Deus, é natural que as multifaces do paganismo dominem os poderes e os poderosos da terra. Uma sociedade fragmentada e regida por vontades que se colidem a todo o momento produz conflitos crescentes que tendem a gerar o caos. Se não é a minha vontade, é a de quem? De todo mundo ou de ninguém? Quando a vontade própria se torna um ídolo, cada indivíduo deseja ser um deus e cada coração um altar. O cenário atual é de uma egolatria endêmica.

Por isso, a Bíblia se coloca mais uma vez na história como a Palavra de Deus que ilumina o cenário, revela o estrago e aponta a direção para a restauração. O estrondoso amor de Deus continua atraindo homens e mulheres para experimentar uma vontade que é extraordinariamente superior. Os discípulos de Cristo foram chamados para se submeter à vontade de Deus: “faça-se a tua vontade” (Mt 6.10). Os convertidos, inevitavelmente, buscarão a vontade de Deus: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” O próprio Cristo se submeteu à vontade do Pai: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.”

Enquanto as pessoas se digladiam para viver, defender e impor a própria vontade, os crentes em Cristo buscam a vontade do criador e sustentador de todas as coisas. Ele é o Pai celestial que sabe o que é melhor para os seus filhos. Por isso, o apóstolo Paulo escreveu à igreja em Roma: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” Rm 12.2. O combate à egolatria acontece quando a vontade de Deus prevalece na mente e nos corações dos seus filhos.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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