Pastorais
EU SEI…EU NÃO SEI…

15 de Março de 2018

“Eu sei, replicou Marta, que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia” João 11.24

Marta se aproxima de Cristo, o momento é triste, Lázaro havia morrido há quatro dias. Havia no coração dela uma certeza, seu irmão haveria de um dia ressuscitar. Sua fé era convicta, seu coração estava consolado, mas suas palavras revelavam um pouco de frustração, afinal, segundo ela mesmo afirmou diante de Jesus: “Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão” (João 11.21). Maria, irmã de Marta, pensava da mesma forma (João 11.32). Elas disseram com toda certeza aquilo que seus corações havia aprendido através do ministério de Jesus, afinal, Ele tinha o poder de curar e ressuscitar pessoas, e sua fama espalhara por todos os lados.

Quando Jesus inicia sua conversa com Marta, e em determinado momentos Ele afirma: “Teu irmão há de ressurgir” (João 11.23), ela afirma com toda convicção: “Eu sei…”, mas sua certeza, seu conhecimento estava ainda longe daquilo que Cristo havia acabado de afirmar. Ele vai até o túmulo de Lázaro e ordena que seja removida a pedra. Marta novamente fala de suas certezas; “já cheira mal, porque já é de quatro dias”. Mas Jesus não quer pautar Seu ministério e Sua ação nas certezas de Marta, mas sim, em Seu projeto de vida para Lázaro e toda sua família.

Mudando um pouco o ambiente, encontramos um profeta chamado Zacarias, em um diálogo com o anjo, em momento de especial comunhão espiritual, o profeta diante das revelações de Deus, ao ser questionado se havia entendido, diz: “Eu não sei” (Zacarias 4.5). Nesta mesma conversa o profeta Zacarias responde novamente: “Eu não sei”. As revelações de Deus para o profeta estavam além de sua compreensão, e quando ele diz que “não sabe”, Deus manifesta Sua imensa graça e misericórdia e explica o significado de todas as coisas.

Voltemos para o diálogo de Jesus com Marta, onde encontramos aquela mulher afirmando o que sabia, dizendo claramente: “eu sei…”. Mas Jesus Cristo mostra naquele momento que o que ela sabia estava aquém dos projetos de Deus para ela e sua família. A misericórdia, o amor e a graça de Deus foram ali manifestados de maneira espetacular quando Jesus chama Lázaro para fora do túmulo, e naquele momento ele ressuscita!

Muitas vezes em nossas vidas afirmamos, assim como Marta: “eu sei…”, mas em outros momentos, somos como o profeta Zacarias dizendo: “eu não sei…”. Assim como Marta e Zacarias foram surpreendidos com o cuidado e a graça de Deus, ainda hoje da mesma forma, somos surpreendidos com as bênçãos de Deus derramadas sobre nós, além de nossas expectativas ou acima de nossa incapacidade de entender. Desta forma somos conduzidos sempre por este Deus cheio de paciência e bondade, como pai que ama seus filhos e filhas.

Que Deus nos abençoe!

Rev. Leonardo Sahium

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