Em 3 de junho de 2017 | Pastorais

Já dizia o poeta “profeta” José Datrino, uma personalidade urbana carioca que deixou vários “escritos” pela cidade. Infelizmente nossa sociedade tem ido de mal a pior e parece que “deletou” esta palavra do vocabulário. Quando olhamos ao redor, percebemos o quão truculentas as relações humanas tem se tornado. Pessoas batendo boca em caixa de supermercado por causa de lugar numa fila, discutindo no trânsito por conta de uma fechada, partindo para a agressão física por causa de uma diferença no futebol. Irmãos, para onde estamos caminhando? Até nós, cristãos professos, nos envolvemos em circunstâncias que depois acabam por nos causar vergonha. Como somos frágeis diante das provocações.

Na carta de Paulo aos Filipenses somos exortados pelo apóstolo a termos uma atitude contrária ao modo “normal” como as pessoas reagem ao serem provocadas: “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.” (Fp 4:5)

Esta palavra traduzida por “moderação” pode nos passar uma ideia simplista de equilíbrio, mas um exame mais acurado de seu uso nas Escrituras nos traz uma perspectiva que vai um pouco além. Se olharmos essas ocorrências (At 24:4; 1 Tm 3:3; Tt 3:2; Tg 3:17; 1Pe 2:8) encontramos algumas outras traduções como clemência, cordialidade, gentileza, indulgencia. Segundo o comentarista Ralph Martin, a melhor tradução para este caso de Fp 4:5 seria a palavra “benignidade”. No contexto aqui, a palavra traz a noção de um espírito pronto para abrir mão da retaliação quando somos ameaçados ou provocados por causa de nossa fé. É uma exortação para que não fiquemos demasiadamente preocupados com nossos próprios interesses diante das hostilidades de uma sociedade sem Deus. Nossa moderação é nossa disposição amável e honesta para com as outras pessoas a despeito de suas faltas. Uma disposição confiada no fato de que o Senhor está perto e virá defender nossas causas. O verso é uma chamada à paciência. João Calvino comenta o verso dizendo que esta palavra denota a atitude de suportar de forma calma, com estabilidade emocional, todas as adversidades, não se deixando incomodar por injúrias e nem de se importunar pelas tribulações que batem à porta.

Que exortação difícil, irmãos! Gostando ou não, somos chamados a uma vida de equilíbrio que passa por esta atitude de exercitarmos a paciência um para com o outro. Da próxima vez que fecharem você no transito ou lhe injuriarem por qualquer razão, lembre-se: Calma! Perto está o Senhor!

Que Deus nos ajude!
Rev Antonio Alvim Dusi Filho

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