Pastorais
GRATIDÃO PERMANENTE

22 de novembro de 2019

Os filhos são estimulados pelos pais desde os primeiros anos de vida a agradecer por tudo que ganham. É educado falar “muito obrigado” nas interações e este hábito precisa ser reforçado em casa, no trabalho, na escola e em todos os lugares. Em 17 de janeiro de 2015, Lívia Breves e Meilna Dalboni publicaram no jornal O Globo uma matéria sobre a febre do #gratidão nas redes sociais. Famosos incentivaram o uso da hashtag que ultrapassou 430 mil posts no Brasil e mais de 4 milhões na versão em inglês (#grateful). Uma curiosidade destacada no texto é que a palavra gratidão tem uma conotação mais religiosa que obrigado.

O risco de expressar gratidão apenas para cumprir um padrão familiar de educação ou um modismo virtual é iminente. A gratidão diante de momentos prazerosos, circunstâncias especiais, presentes inesperados e conquistas relevantes é um sentimento comum à maioria das pessoas. No entanto, na perspectiva cristã, a gratidão não se estabelece apenas por meio de um processo superficial e automático como resposta aos eventos positivos. A Bíblia mostra que o estabelecimento da gratidão verdadeira acontece através da íntima relação com Deus e com os seus mandamentos. Por isso, ao tratar do tema é importante observar alguns importantes conceitos teológicos que o cerca.

Ao escrever à igreja em Colossos, o apóstolo Paulo diz: “…e sede agradecidos”. A partir desta orientação é possível deduzir que a gratidão não é uma condição provisória, momentânea e circunstancial, mas permanente. O cristão precisa ter a alma constantemente agradecida, independente das circunstâncias. A causa desta condição é o amor de Deus revelado em Jesus. O coração que estava putrefato pelo pecado, foi lavado pelo sangue de Cristo. O império da morte deu lugar ao reino de vida. As trevas foram expulsas pela poderosa luz. A salvação de Deus revelada ao coração do homem, então, produz uma fonte inesgotável de profunda gratidão.

Por isso, o apóstolo Paulo também repreende com veemência a murmuração (I Co 10.10). Israel sofreu duras consequências divinas em decorrência da ingratidão. O descontentamento repetitivo e duradouro está em descompasso com as boas novas de salvação e também com a confiança em Deus. A insatisfação revela que a espiritualidade está desfocada e as preocupações deste mundo estão ocupando o centro da vida. A ansiedade pode comunicar a descrença no Deus soberano que governa sobre todas as coisas e promete cuidar dos seus filhos.

O raciocínio dos discípulos de Cristo acontece da seguinte forma: “Eu merecia a morte como consequência pelos pecados, desta forma, tudo o que produz vida é fruto da graça e do amor de Deus.” Um cristão grato, não depende das circunstâncias para se alegrar, afinal, ele sabe que já recebeu infinitamente mais do que merecia (Fp 4.11). O dia de Ações de Graças está se aproximando e com ele o convite para uma vida de gratidão permanente!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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