Pastorais
O FIO DE OURO

23 de agosto de 2019

Vivemos numa cidade complexa marcada por violência e opressão. Nesse contexto é bem possível que você conheça alguém que já tenha passado pela tensão de ter sua própria casa arrombada, furtada ou saqueada. Esse tipo de episódio nos assusta, não é mesmo? Mas agora imagine uma situação um pouco pior: alguém ter sua casa invadida, queimada e destruída. Ou ainda pior: não só a casa, mas o bairro e a cidade queimada e destruída, sem ter onde se abrigar. E para completar a desgraça, e ainda maior tristeza, além de ver sua própria igreja em ruínas, ser conduzido para outro país debaixo de um regime de escravidão. Se você conseguiu imaginar, você ao menos pintou em sua mente o quadro vivido pelos israelitas na experiência do exílio babilônico. Nesta tela, porém, há uma costura com fio de ouro.

O exílio na Babilônia trouxe tremenda aflição ao povo de Deus. No entanto, conforme exaustivamente predito pelos profetas, foi a forma que Deus usou para tratar seu povo de modo a trazê-lo de volta a uma relação de aliança consigo. Israel se afastara do Deus da Aliança e de seus preceitos, seguindo a religião, a ética e a cultura dos povos circunvizinhos a Israel. Deus sacudiu seu povo de modo a fazê-los refletir sobre seu caminho idólatra. Usou para isso o exílio que se desenvolveu entre os séculos VI e V a.C.. Cumprido o tempo estabelecido (cerca de 70 anos), Deus, aquele que governa a história, despertou os imperadores Ciro, Dario, Assuero e Artaxerxes para promoverem e apoiarem o retorno do povo judeu às suas casas, sua cidade Jerusalém e seu Templo. Levantou líderes que conduziram o povo neste processo: Zorobabel para os guiar no retorno a Jerusalém e na reconstrução do Templo; Esdras para promover o avivamento e retorno à Lei de Moisés; por fim, Neemias para conduzi-los na reconstrução dos muros da cidade, finalizando assim o processo de restauração de sua identidade e da renovação da Aliança com Javé.

Ao lermos toda essa história relatada nos livros de Esdras, Neemias, Ester, e nos profetas Aggeu, Zacarias e Malaquias, aprendemos que todo esse processo foi costurado por Deus com um fio de ouro – a vinda de Cristo o Messias. “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.” (Zc 9:9). Deus usou a experiência no cativeiro para reestabelecer a fé no coração do seu povo, restaurar-lhes o serviço no Templo de modo a retomarem o sacrifício e reaviva-los na Lei e na devoção. Tudo isso para que viesse a Plenitude dos Tempos – quando Deus enviaria seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei. (Gl 4:4)

Queridos irmãos, tudo converge para Cristo. Não há outra história por detrás da história. Cristo é o pano de fundo, o enredo, a cena. Ele é o sustentador de todas as coisas, a razão da vida, o fio de ouro que costura a história. Creia nisso e você experimentará uma outra dimensão da vida.

Deus o abençoe.

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho

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