Em 10 de novembro de 2017 | Pastorais

Nos últimos 40 anos, a igreja evangélica se espalhou por todo território nacional. As denominações se multiplicam a cada posicionamento discordante de um líder ou em decorrência de disputas pelo poder. A verdade é que em nome de Deus muitos grupos surgem para alimentar seus próprios interesses e caprichos. Querem uma igreja centrada na satisfação do indivíduo como se estivessem tratando com clientes.

O risco da igreja se tornar antropocêntrica é iminente e sedutor. A utilização da satisfação pessoal para avaliar os elementos do culto e estabelecer escala de valores religiosos pode encontrar raízes na idolatria do coração. Muitas vezes, é mais fácil, cômodo e confortável definir a qualidade de uma igreja pelo nível de conforto que ela produz ao indivíduo e sua família.

O evangelho não se submete a esta plataforma comercial de busca pela plena satisfação do consumidor. As estruturas do cristianismo não se sustentam sobre as bases de uma religiosidade que causa coceira aos ouvidos, massageia o ego e infla a vontade humana. Os verdadeiros discípulos de Cristo não se acomodam confortavelmente a este formato. Pelo contrário, eles entendem que a verdadeira fé cristã é um convite para destronar o eu e elevar Cristo como Senhor absoluto do coração.

O discípulo de Cristo é convidado para o desconforto espiritual, pois está em constante conflito com a própria vontade e precisa reajustar todas as áreas para viver segundo os princípios de Deus. Jesus ensinou que este reposicionamento de valores pode promover alguns aborrecimentos: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” Lc 14.26.

O discipulado envolve agradar e amar a Cristo sobre todas as coisas e pessoas. Esta atitude pode aborrecer não apenas os que estão ao redor, mas também ao próprio indivíduo. O estabelecimento da vontade soberana de Cristo produz tanto inquietações pessoais como também nas interações. Conforme afirmou Pedro e os demais apóstolos, “antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” At 5.21.

O discipulado deve produzir uma vívida consciência de que tudo pertence ao Senhor Jesus. Ele é o proprietário da igreja e todos estão submetidos à sua soberana vontade: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” Lc 14.33. Uma igreja saudável é composta por discípulos submetidos a Cristo e não por indivíduos que farejam o melhor lugar para satisfazer os seus anseios pessoais.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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