Pastorais
O QUE A VIDA TEM DE MELHOR

19 de fevereiro de 2018

Terminar o dia e ter a sensação de que as horas não foram suficientes para cumprir tudo o que era importante. Por vezes, os pensamentos caminham em direção ao turbilhão de coisas que estão pelo caminho para serem realizadas. Quantas tentativas de por a casa em ordem? Quantos inícios de ano marcados por uma disciplina de fôlego curto? Uma verdadeira impotência para transformar os dominadores hábitos que estão profundamente enraizados. Parece que a vontade está escravizada e destinada a fluir pelo seu caminho rotineiro e natural. Qualquer mudança exigirá um consumo de energia não disponível no momento. Tudo parece trilhar por uma permanente mesmice com pequenas variações!

Já faz tempo que a sociedade reclama da falta de tempo! No entanto, após a criação de diversos canais de comunicação virtual, percebe-se que havia estoque de tempo armazenado em algum lugar. Nas redes sociais, muitos encontram espaço na agenda diária para perguntar e responder, curtir e compartilhar, elogiar e criticar, defender e atacar. Um mundo sedutor e atraente que envolve por horas os mesmos que não conseguem estabelecer tempo para as prioridades. O desperdício da vida pode acontecer não somente através do investimento nas frivolidades virtuais, mas também nas inúmeras fontes estéreis da existência humana.

O livro de Eclesiastes trata acerca do perigo de uma vida tão vazia e efêmera como uma bolha de sabão. O rei Salomão usa a palavra vaidade para expressar esta condição: “Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol”. A jornada humana pode ser estabelecida como um constante investimento em coisas infrutíferas e sem valor. No seu livro, Não jogue a sua vida fora, John Piper escreve que em algum momento as pessoas terão que responder se a vida realmente valeu à pena.

A Palavra de Deus oferece todos os princípios necessários para uma vida útil, produtiva, abençoada e com propósito. No próprio livro de Eclesiastes, Salomão ensina que o temor e a obediência ao Senhor formam a base de todo o processo (Ec 12.13). Jesus ensina que a obediência precisa ser desenvolvida como resposta ao amor a Deus sobre todas as coisas (Mc 12.33). Não é possível amar, temer e obedecer sem conhecer. Desta forma, para conhece-Lo, é necessário construir um relacionamento íntimo através da meditação na Palavra e da oração. A execução destas disciplinas espirituais exige tempo de uma geração tão habituada e envolvida às distrações do universo virtual e real.

A conexão íntima com Deus através dos exercícios espirituais exige uma desconexão do barulho ensurdecedor que tem como objetivo enfraquecer este relacionamento. Por isso, o próprio Senhor Jesus ensinou: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.6). Transforme os seus hábitos, desconecte-se, priorize os exercícios espirituais e usufrua do que a vida tem de melhor que é a companhia do próprio Deus!
Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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