Pastorais
O REINO DE DEUS NO PRESENTE E NO FUTURO

8 de novembro de 2019

As referências do Senhor Jesus quanto ao Reino de Deus nos evangelhos ocupam lugar de destaque (Mt 4.17; Mc 1.15; Lc 4.43). Ao afirmar que, “[…] é chegado o Reino de Deus” (Lc 1.15), Jesus deixa claro que este assunto era do conhecimento dos seus ouvintes judeus, que aguardavam o cumprimento das profecias. Acerca deste assunto Geerhardus Vos comenta: “A expectativa do Reino de Deus torna-se equivalente à esperança messiânica de Israel”. No texto de Lucas 16.16, Jesus esclarece que João Batista é o profeta da história da redenção, pois, depois dele, começa a dispensação na qual o Reino de Deus não é mais tema de profecias, mas da pregação do evangelho; portanto, não é mais futuro e sim presente. No sermão do monte, o Senhor Jesus fala acerca desta realidade: “[…] buscai, pois, em primeiro lugar, o seu Reino e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

Outro texto que trata da realidade presente do reino de Deus é Mt. 12.28,29: “Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então o Reino de Deus é chegado a vós. Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhes os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa.” A expulsão de demônios foi um dos milagres mais exercitados por Jesus (Mc.1.28). Quando acusado pelos fariseus de expelir demônios, pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios (Mt 12.25), Cristo responde que tais atos eram provas de que o reino de Deus havia chegado. Este era um dos propósitos no ministério de Jesus; restringir o poder de Satanás na terra até o dia da consumação em que ele será completamente derrotado.

Na era atual o cidadão do reino de Deus continua com sua natureza caída, militando contra o Espírito de Deus, ou seja, moralmente ainda pratica males. Estes atos pecaminosos são vencidos gradualmente por meio da intimidade com Deus e da submissão à sua vontade. Porém, mesmo que o crente persista na busca da perfeição, como Cristo orienta no sermão do monte, (Mt.5.48), é impossível que a alcance nesta era. A libertação da natureza pecaminosa somente ocorrerá na era vindoura, onde impureza alguma entrará (Ap 21.27).

O reino de Deus na era vindoura será inaugurado com a segunda vinda de Cristo, quando o diabo e seus anjos serão, finalmente, e, totalmente, destruídos. O povo de Deus gozará da abençoada imortalidade da vida eterna formando uma sociedade redimida, isenta do mal e, consequentemente, com comunhão perfeita com Deus. Na realidade vindoura do Reino todos os males morais e físicos definitivamente desaparecerão, ou seja, seus cidadãos serão livres do pecado, da pobreza, da enfermidade e da guerra. É por esta razão que Paulo afirma em Romanos 8 que toda criação e todos os filhos de Deus gemem aguardando a inauguração desta era.

Ao retornar à era presente observa-se a evidente tensão do “já e ainda não”. Por um lado, Satanás já foi derrotado, porém, não eliminado. Ao mesmo tempo em que a Escritura ensina que o crente está vivo, assentado e reinando com Cristo, ela o adverte a revestir das armaduras do Senhor para lutar contra as obras da carne e contra os poderes espirituais do mal. No entanto, a esperança da segunda vinda de Cristo e a consumação plena do Reino de Deus produz a alegria nas lutas e adversidades no presente.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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