Pastorais
Os Foliões e a Alegria

7 de fevereiro de 2018

Há muitos anos, numa terra bem distante, nascia o primeiro Folião! Obra perfeita do Autor de todas as Alegrias. Vivia o Folião cheio de satisfação na alma, pois a Alegria do Autor permeava sua vida e todas as obras de arte criadas. O Folião passeava pelas avenidas, ruas e becos festejando todos os dias. Ele e sua companheira, a Foliã, viviam uma vida plena de Alegrias. A Alegria deles era desfrutar de tudo o que o Autor lhes proporcionava. Gozavam de uma vida vibrante e contagiante.

Num dia comum, durante um dos seus passeios pela Festa da Alegria, ouviram uma voz suave e doce vinda de um beco escuro. Esta voz os chamava para uma conversa. Ao se aproximarem do beco, um tanto quanto reticentes, tudo o que conseguiam vislumbrar em meio à escuridão eram dois olhos brilhantes e firmes, que os cativaram de imediato. A doce voz lhes propunha uma nova experiência de alegria, uma folia, nunca antes vivida. Uma folia que lhes faria tão criativos e plenos como o Autor. A despeito de todos os avisos dados pelo Autor para que não se entregassem à outras folias, eles entusiasmados e curiosos, decidiram ouvir o conselho daquela voz agradável. Experimentaram a tal folia proposta pelos olhos brilhantes. Desde este momento em diante, o Folião e a Foliã, cheios daquela nova folia, não mais experimentavam as alegrias da Festa da Alegria. Andavam errantes, de avenidas em avenidas, de becos em becos, insaciáveis, procurando cada vez mais outras folias que lhes pudessem preencher o vazio da alma. A intimidade com essa nova folia era tal que tornou-se a roupa oficial dos Foliões. Essa folia, porém nada tinha da Alegria do Autor, e causara um sentimento de solidão, uma ruptura completa no relacionamento entre o Autor e os Foliões. Os Foliões não mais ouviam a voz do Autor.

Desde essa época, multidões inumeráveis de Foliões, parentes daqueles primeiros, têm andado desesperadamente à procura de uma folia que lhes possa preencher a existência. Se entregam de corpo e alma à folia do álcool e das drogas, do sexo e da lascívia, do dinheiro e do prazer, ouvindo em cada beco, em cada rua por onde passam os aplausos daquele cujos olhos brilham a cada nova folia proposta.

Numa bela manhã, após vários dias de festa da folia, o Autor decidiu visitar os Foliões. Apresentou-se entre eles como um Folião igual a todos os demais, mas vestido de uma Alegria que desde o princípio jamais se vira em qualquer das festas. Uma Alegria que só se testemunhara na Festa da Alegria. Uma Alegria que inexplicavelmente trazia uma sensação de plenitude e reconciliação. O Autor, vestido de Alegria, caminhou por avenidas, ruas e becos, chamando de volta aqueles Foliões para que se vestissem novamente da Alegria que Ele trazia. Muitos ouviram a voz do Autor, e se vestiram daquela verdadeira Alegria. Nunca mais se sentiram sós, vazios e sem paz.

Que você seja um desses que se vestiu da Alegria de Cristo, o Autor.

Deus te abençoe.

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho

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