Pastorais
PARA NOS TRAZER À FÉ E NOS MANTER FIÉIS

27 de setembro de 2019

A Bíblia fala de uma “antiga aliança” e de uma “nova aliança”. O termo “aliança” se refere a um contrato solene entre duas partes, que leva obrigações para ambos os lados e é reforçado por um juramento. Na Bíblia, as alianças que Deus faz com o homem são iniciadas pelo próprio Deus. Ele é quem coloca os termos. Suas obrigações são determinadas por seus próprios propósitos.

A “antiga aliança” se refere ao contrato estabelecido com Israel na lei de Moisés. Sua fraqueza é que não foi acompanhada de uma transformação espiritual. Assim, não foi obedecida e não leva à vida. Foi escrita com letras sobre pedra, não pelo Espírito sobre o coração. Os profetas prometeram “uma nova aliança” que seria diferente: “não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2Co 3.6).

A nova aliança é radicalmente mais efetiva do que a antiga aliança. Foi fundamentada sobre o sofrimento e morte de Jesus. “Ele é o Medidor da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados” (Hb 9.15). Jesus disse que seu sangue era “o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos” (Mc 14.24). Isso significa que o sangue de Jesus comprou o poder e as promessas da nova aliança. É supremamente eficaz porque Cristo morreu para realizar isso.

Quais são, então, os termos da aliança que ele assegurou infalivelmente por seu sangue? O profeta Jeremias descreve alguns deles: “firmarei nova aliança… esta é a aliança que firmarei… lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei… perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jr 31. 31 – 34). O sofrimento e morte de Cristo garantem a transformação interior das pessoas (a lei escrita no coração) e o perdão de seus pecados.

Para garantir que essa aliança não falhará, Cristo toma a iniciativa de criar a fé e assegurar a fidelidade de seu povo. Ele traz à existência um novo povo que guarda a aliança, porque a lei não está apenas escrita em pedra, mas no coração. Em contraste com a “letra” na pedra, diz ele, o “Espírito dá vida” (2Co 3.6). “Estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos” (Ef 2.5). Essa é a vida espiritual que nos capacita a ver e crer na glória de Cristo. Esse milagre cria um povo da nova aliança. É certo e verdadeiro, porque Cristo o comprou com seu próprio sangue.

O milagre não está apenas na criação de nossa fé, mas na segurança de nossa fidelidade. “Farei com eles aliança eterna… porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim” (Jr 32.40). Quando Cristo morreu, garantiu para seu povo não apenas um novo coração como também nova segurança. Ele não permitirá que se desviem dele. Ele os guardará. Eles hão de perseverar. O sangue da aliança o garante.

Texto extraído do livro A Paixão de Cristo – John Piper

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