Em 28 de julho de 2017 | Pastorais

Lutero foi um monge agostiniano alemão, que diante da crise moral da Igreja Católica Apostólica Romana, levantou-se para promover uma reforma religiosa. Nascido em 1483, em Eisleben na Saxônia, foi muito jovem cursar a Universidade de Magdeburgo onde estudou Humanas. Iniciou seus estudos de Teologia no monastério agostiniano local. Posteriormente, frequentou a Universidade de Erfurt onde conviveu com frades agostinianos que discutiam com frequência o tema do perdão de pecados e justificação. Lutero, após muito meditar na verdade da “Justificação pela fé somente”, e confortado pelo testemunho interior do Espírito Santo, entendeu esta doutrina que tantas vezes fora afirmada nos textos do apóstolo Paulo.

Em 1508, já Doutor em Teologia pela Universidade de Wittenberg, tornou-se professor de estudos bíblicos, e passou a compartilhar com outros acadêmicos e alunos sua posição quanto à justificação pela fé. Sua devoção ao estudo da Bíblia consolidava em seu coração o princípio do Sola Spriptura (Somente a Escritura). O contexto eclesiástico da época de Lutero era marcado por um período de trevas espirituais. A igreja da idade média (Católica Romana) valorizava tradições, superstições variadas e a venda de indulgências como forma de se obter o perdão de Cristo. A igreja havia aprisionado o evangelho em um complexo sistema de sacerdotes e sacramentos. Era fortemente constituída de conventos e monastérios, e tinha em grande parte do seu clero um baixo padrão de vida espiritual e moral. A venda de indulgências era usada para sustentar o alto padrão de vida do papado em Roma, além de financiar a construção da Basílica de São Pedro.

Lutero, incomodado com tudo isso, em 31 de Outubro de 1517 publicou suas 95 teses contra vários temas sustentados pela igreja, afirmando a justificação pela fé somente e rejeitando o absurdo da venda de indulgências. Também levantou-se contra a infalibilidade do Papa. Afixou este documento no templo contíguo ao castelo de Wittenberg e assim iniciou um tempo de grandes mudanças, porém marcado por perseguição pessoal por parte da alta cúpula da Igreja Romana. Lutero contou com o apoio de vários nobres e acadêmicos. Foi baseado nesta verdade, justificação pela fé, que Lutero enfrentou corajosamente toda uma estrutura eclesiástica corrompida, tendo seu maior embate em 1521 na Assembléia de Worms, onde defendeu sua posição perante o imperador e todos os Estados da Alemanha. Lutero manteve-se firme na verdade das Escrituras, produzindo estudos e artigos, e por conta disso foi condenado ao isolamento pelo Papa de então. Viveu até os 63 anos.

Coragem e firmeza na fé em Cristo marcaram a vida deste reformador. Que ela nos inspire ao testemunho de nossa fé em meio a uma sociedade tão distante de Deus.

Soli Deo Gloria.

Rev. Antônio Alvim Dusi Filho

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