Em 23 de agosto de 2017 | Pastorais

Após as 95 teses de Lutero fixadas na capela Wittenberg, a Reforma Protestante se espalhou da Alemanha para diversos países da Europa. Os valores e princípios fundamentados nas Sagradas Escrituras aqueceram milhares de corações que estavam adaptados a uma religiosidade fria e vazia. A salvação pela graça, independente de qualquer boa obra humana para ser adquirida, produzia alento e esperança àqueles que já estavam exaustos de uma espiritualidade que impunha um jugo baseado na meritocracia.

Ulrich Zwinglio foi um dos responsáveis pela propagação da Palavra de Deus na suíça. Ele nasceu em 1484 no cantão suíço de Sankt Gallen, era filho de um juiz e fazendeiro da cidade. Zwinglio se formou em artes pela Universidade de Basileia e em seguida se tornou pároco de Glarus. Em 1516, ele se mudou para a cidade de Einsiendeln, onde teve a oportunidade de ler todo o Novo Testamento em latim. A partir desta experiência, Zwinglio se tornou um expositor bíblico e escreveu: “Dirigido pela Palavra e pelo Espírito de Deus, vi a necessidade de deixar de lado todos os ensinamentos humanos e aprender a doutrina de Deus diretamente de sua Palavra”.

Em 1º de janeiro de 1518, Zwinglio foi reconhecido na Catedral de Zurique como o sacerdote do povo. O papa Adriano VI, então, o proíbe de pregar e exige que o consistório de Zurique o condene como herege. No entanto, com o apoio do Conselho de Zurique, Zwinglio propôs as suas teses enfatizando a supremacia de Cristo na igreja, a salvação somente pela graça, a autoridade das Escrituras, o sacerdócio dos fieis, o direito dos sacerdotes ao casamento, a proibição do uso de imagens e relíquias e o ataque ao primado do papa e à missa. O acolhimento destes princípios pelas autoridades fez de Zurique o primeiro estado protestante por iniciativa magistral.

Após as mudanças chanceladas pelo Conselho de Zurique, os monastérios foram transformados em hospitais, o uso de imagens e as missas foram eliminados dos templos e apenas o batismo e a santa ceia foram adotados como sacramentos. A Bíblia Sagrada foi traduzida para a língua do povo.

Os ensinamentos zwinglianos se espalharam por inúmeros cantões da Suiça e exigiu a formação de um sínodo das igrejas evangélicas reformadas no país. De acordo com Earle E. Cairns, embora Calvino tenha se tornado o herói da fé reformada, a igreja não pode esquecer o papel de Zwinglio, erudito, democrático e sincero, na libertação da Suíça das garras do papa; apesar de mais liberal que Lutero, foi tão corajoso quanto o grande reformador.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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