Pastorais
2012 e 2013 começaram a conversar

27 de dezembro de 2012

2012 acordou diferente. Ele sabia o quanto era difícil se despedir de seus 366 dias que moraram com ele durante o tempo todo. Mas como é natural da vida, eis que se aproximava o momento em que ele daria o último beijo, o último olhar em todos os seus dias.

Sim, cada um era diferente do outro. Assim como os filhos, os dias tinham histórias, temperamentos e personalidades distintos. Mas cada um deles era inesquecível na sua maneira. Haviam os mais divertidos, os tristes, os tediosos, os estressados. E ainda assim todos faziam parte daquela família louca e única chamada ANO.

Mesmo sendo tão diferentes, eles tinha algo em comum. Viviam todos para o Senhor do Tempo. Foram ensinados assim, afinal eles só nasceram porque a misericórdia d’Ele tinha se renovado (Lm.3.22-23). Mesmo assim, houve dias que O questionaram bastante. Mas o que era lindo naquela família é que um dia ensinava a outro dia. A ligação é entre eles era muito forte. “Paciência” – dizia o dia mais velho. E assim, tempos mais tarde aqueles dias mais rebeldes compreendiam que o Senhor do Tempo era sábio e soberano em suas decisões. Eles nem sempre entendiam tudo, mas aprenderam a descansar e a resignificar sua história.

Mas 2013 chegava para ocupar seu lugar e com eles novos dias iriam nascer. Havia um clima de festa na casa com a chegada desse novo morador. 2012 tinha sido ótimo, mas existia a expectativa do novo. Acreditavam que ele traria esperança, paz, quilos a menos, mais exercícios e muitas outras promessas que 2013 mesmo nunca fez. A grande verdade é que o morador iria mudar, mas a casa era a mesma.

2012 e 2013 conversaram durante um bom tempo.  Ambos queriam mudanças para aquele lugar. Sabiam que não era apenas uma questão de um novo morador, dos novos dias que iriam nascer, mas de uma nova arrumação daquela casa.

12 e 13 já começaram divergindo. Para o mais velho, o quarto tinha de ser pintado de azul para trazer mais calma aos dias que iriam ficar ali. 2013 discordou. “Já chega de tranquilidade!” A parede do quarto tinha que ser vermelha! A casa precisava de paixão.

Depois de horas negociando sobre cada detalhe, cansaram. Era muito o que decidir e os gostos eram diferentes. Não haveria consenso sobre a arrumação. Foi aí que ambos decidiram perguntar para o dono da casa. Quem melhor que Ele poderia arrumar, falar das cores, dos lugares se não o proprietário: o Senhor do Tempo?

Foram horas de conversa com Ele. E como era gostoso bater papo com o Dono. Era um sujeito próximo, caprichoso, detalhista e com um coração enorme. Eles se empolgaram após ouvi-lO falar. Ninguém mais do que Ele queria ver tudo diferente! E depois de horas conversando 12 e 13 entenderam que seria impossível fazerem tudo sozinhos. “Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (João 15.5) – disse o Dono da casa.

Na despedida de 2012, ele mesmo percebeu que suas decisões poderiam ter sido melhores se ele perguntasse ao Dono. É bem verdade que ele havia alugado aquela propriedade e era também responsável por ela. Mas era só com o jeitinho do Senhor do Tempo que aquela casa funcionaria bem.

2013 era novo, mas chegava mais experiente. Ele aprendeu com seu amigo que uma casa nova do jeito do Dono era o caminho para que a família ANO fosse mais feliz.

Que Deus te abençoe

Rev. Felipe Telles Ferreira

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