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MARAVILHAS DA TUA LEI.

Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei.” Salmo 119.18

O Salmo 119 é um escrito muito rico para nossa meditação. Nele, o salmista se utiliza de formas muito peculiares para que seu leitor possa, não somente lê-lo, mas decorá-lo. É comum ao judeu, até os dias de hoje, ler a Torá de forma cantada, facilitando assim a sua memorização. Este extenso salmo didático ou sapiencial é o mais perfeito dos salmos chamados “acrósticos”. É formado por vinte e duas estrofes, de acordo com o número de letras do alfabeto hebraico, e cada estrofe, por sua vez, é composta de oito versos, que começam sempre com a letra correspondente à estrofe. Uma obra de arte.

O tema principal desse belo salmo não é outra coisa senão a própria Lei de Deus. O salmista exalta a Lei do Senhor, Seus preceitos, Seus mandamentos, de forma que, ao lermos o salmo, em suas estrofes tão ricas, somos desafiados a um apego maior a Palavra de Deus.

E quando chegamos na porção do Salmo 119, que vai do verso 17 ao verso 24, o salmista ora ao Senhor, pedindo que lhe seja generoso, para que viva e observe a palavra de Deus (v.17) . É uma súplica que dificilmente fazemos. Não é orar ao Senhor para observar a Sua Palavra simplesmente. É um apelo para que o seu viver seja em observância, em consonância com aquilo que Deus requer, em Sua Palavra. É muito profundo. Viver nossas vidas, observando a Lei de Deus, é se deparar com os nossos próprios pecados e não relativiza-los, nem mesmo transferi-los para outros, assim como fez Adão no paraíso, colocando a culpa, em última instância, em Deus (“A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi”. Gn3.12).

Em seguida, o salmista profere essa oração tão bela, que consta no v. 18 do Salmo 119: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei”. Sabe o que o salmista nos afirma, com essa oração? Que ele sabe muito bem que, se dependesse dele, jamais teria capacidade de entendimento e de compreensão da Palavra de Deus. E isso não ocorre porque essa Palavra seja de difícil entendimento, ou por utilizar linguagem adversa da que estamos acostumados. E isso não ocorre porque essa Palavra seja de difícil entendimento, ou por utilizar linguagem adversa da que estamos acostumados. Isso se dá porque a nossa natureza pecaminosa nos deixa como que cegos. Precisamos da iluminação do Santo Espírito, do descortinar divino para entender que essa Palavra, santa, inerrante e infalível, é a própria Palavra de Deus.

Em sua oração, o salmista vai além, e não pede somente para contemplar a lei de Deus. Ele quer contemplar as maravilhas advindas dessa lei. Ele sabe que beber dessa fonte é um privilégio, uma alegria e um momento muito especial. Ele sabe que há um tesouro ali. E dessa palavra brotam maravilhas, que enchem o coração do crente de temor ao Senhor, de esperança, de alegria, de fé, de bondade, de mansidão, de domínio próprio, de longanimidade… São tantas maravilhas, tantas riquezas advindas da Palavra do Senhor, que o salmista simplesmente pede: Senhor, abra meus olhos, pois preciso ir além, não só ver, mas contemplar a beleza da Tua lei.

Da mesma forma que fez o salmista, assim devemos nós fazer. Contemplar as maravilhas da lei de Deus só acontece àqueles que tiveram seu entendimento clareado, seu olhar descortinado, seus olhos abertos. Se isso já ocorreu com você, veja em seu coração o motivo de você não conseguir contemplar as maravilhas da lei de Deus. O que será que tem te impedido de se deleitar nessa Palavra, fonte de bênçãos para o cristão? É marca do crente o apego à Palavra do Senhor. E se você ainda tem o seu entendimento entenebrecido, ore ao Senhor pedindo que Ele desvende os seus olhos para que você, aí sim, possa contemplar as maravilhas de Sua lei. Mas não se acomode. Mil e uma coisas surgirão no seu dia, te fazendo deixar de lado o seu tempo devocional de leitura e oração. Insista. Persista. Ore.

Sabe qual é a maior das maravilhas? Cristo Jesus, nosso Salvador. É tudo sobre ele.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança

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