Pastorais
MODOS DE VIVER A VIDA CRISTÃ

29 de maio de 2020

No livro “Comunidade Verdadeira”, o autor Jerry Bridges nos traz um retrato do que seriam quatro modos de se viver a vida cristã.
O primeiro modo seria viver a vida cristã inteiramente por nossa própria força, calcados em nossos próprios esforços. Nesse modo de vida, ao invés de depositarmos a nossa segurança no Deus que a tudo governa, que é soberano, colocamos em nós mesmos. Nossa vida espiritual será cheia de fracassos, frustações e, certamente, desenvolveremos relacionamentos insatisfatórios com outras pessoas. Em João 15.5, Jesus nos diz: “Sem mim nada podeis fazer”. Essa afirmação nos dá a certeza de que o nosso simples respirar diário depende do Senhor Jesus. Se pensamos que podemos fazer algo baseado em nossa própria força, em nossa saúde, em nosso poder financeiro, certamente, uma hora ou outra, nos frustraremos.
O segundo modo de viver a vida cristã seria como que uma reação ao primeiro modo. Se de um lado temos aquele que se utiliza do esforço próprio, por outro lado, temos aquele que resolve não fazer mais nada. É a pessoa que “entrega tudo ao Senhor”, com o discurso de que Deus viva Sua vida por meio de nós. Dizem que qualquer esforço da nossa parte para viver a vida cristã é “da carne”. Esse tipo extremado de viver a vida cristã também é perigoso, porque na verdade o que se tem aqui é uma acomodação da vida, quando o indivíduo atribui tudo a Deus, podendo chegar ao extremo de transferir para Deus a responsabilidade de seus próprios pecados.
O terceiro modo é a abordagem “Senhor, me ajude”. Sua principal característica é uma dependência “parcial” do Senhor. É o indivíduo que pensa poder viver a vida cristã por si mesmo até determinado ponto, mas que precisa da ajuda do Senhor “depois” desse ponto. Essa pessoa entende que há uma espécie de depósito de bondade, força, sabedoria implícitos em seu próprio corpo, que ele usa para as coisas “comuns, ordinárias” do dia-a-dia. Essa parece ser, hoje, a abordagem mais comum entre os cristãos sinceros. Pessoas que oram, pedindo a ajuda de Deus no início do dia, mas que, a partir desse momento, seguem em frente, como se tudo dependesse deles, a menos que se deparem com uma situação de crise real.
A quarta abordagem à vida cristã é da permanência em Cristo. O crente que a pratica sabe que a abordagem do esforço próprio e a do “entregar e deixar com Deus” são inúteis. Também já aprendeu que precisa da ajuda de Deus não só a partir de determinado ponto, mas em cada aspecto da vida. Ele não ora pedindo ajuda apenas durante as crises ou tempos de estresse. Sua oração, na verdade, é assim: “Senhor, capacita-me o dia todo, pois sem ti nada posso fazer”. Em Filipenses 4.13, o apóstolo Paulo escreve: “tudo posso naquele que me fortalece”. No contexto dessa carta, Paulo tinha o desafio da alegria em meio a circunstâncias instáveis. O apóstolo foi capaz de enfrentar o desafio com a total capacitação da parte de Deus.
John Owen expressou essa atitude de plena dependência de Cristo, parafraseando Gálatas 2.20: “A vida espiritual que tenho não é minha. Não a induzi, tampouco posso mantê-la. Ela é obra única e exclusiva de Cristo. Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Minha vida inteira é só dele”.
Que tenhamos esse quarto modo de viver a vida cristã. Uma vida em total dependência de Deus, que não se acomoda nem se desespera (ficar sem esperança) com as circunstâncias, mas que tem a segurança de fazer parte do rebanho do pastor do Salmo 23: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes…”
Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança

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