Pastorais
A CHEGADA AO NOVO LAR

10 de julho de 2020

A mudança de residência possui etapas que somente os envolvidos conseguem dimensionar. O processo de desmonte, embalo e carregamento dos objetos simboliza o rompimento de inúmeras vivências e a nova casa gera uma série de expectativas. O transporte dos móveis e utensílios sinaliza a transição entre o passado e o futuro. Este percurso, às vezes, produz reflexões mais profundas que a simples segurança dos pertences da família. A vida está mudando de direção e o movimento de desconexão com o passado e vínculo com o futuro é um convite para transformações.

Assim como no deslocamento de uma mudança, a pandemia se instala como um divisor de duas etapas. Para que a ilustração se identifique ainda mais com a realidade, a sociedade está com todos os seus pertences no baú do caminhão que, ora quebra uma roda, ora acaba o combustível. Inúmeras colisões acontecem no percurso, no entanto, ninguém pode descer devido às ameaças externas provocadas pelo novo vírus.

Diante deste cenário, a confiança no governo soberano de Deus é fundamental. A fé naquele que dirige os rumos da história com retidão, equidade e justiça tranquiliza os corações que, por vezes, se sentem inquietos, inseguros e amedrontados. O abalo das estruturas globais está sob o controle absoluto do Deus criador, governador e sustentador do universo.

O juízo sobre a terra com o dilúvio (Gn 6-9) e a confusão de línguas para impedir a construção da torre de Babel (Gn 11.1-9) retratam o governo de Deus em momentos transicionais para a humanidade. A destruição de Sodoma e Gomorra (Gn 19.23-29) e a plena administração divina sobre as dez pragas para libertar seu povo (Ex 7-12) expressam, categoricamente, que nada foge à autoridade do Senhor.

Os males que afetam a terra se originaram na desobediência dos primeiros pais. O rompimento com Deus produziu a morte e todos os seus derivados (Gn 3.15-24). No entanto, o Senhor não perde um milímetro sequer da sua soberania. Ele reina sobre tudo e sobre todos e a terra que merecia apenas a maldição e a morte experimenta a bondade, o cuidado, o sustento e as benesses de um Deus que derrama graça sobre justos e injustos (Mt 5.45). Se não fosse a misericórdia do Senhor, a terra já teria sido consumida (Lm 3.22).

O mundo está em transição e a sensação é que tudo está fora do lugar. A expectativa de uma realidade pós-pandêmica cresce a cada dia. A Bíblia nos ensina que males como o coronavírus apenas ilustram o desconforto da jornada nessa terra. Este mundo jaz no maligno (1 Jo 5.19), o planeta geme sob maldição e aguarda a redenção (Rm 8. 20-22).

A expectativa deve arder não apenas pelo fim da pandemia, mas, especialmente, pela chegada à morada eterna. Esse isolamento é um trailer dos dias nesta terra e nos faz lembrar da transitoriedade e da peregrinação até o destino final, ou seja, o lar celestial. Mais que um mundo pós pandemia, somos convidados a almejar uma terra pós pecado, sofrimento e morte. Os discípulos de Cristo são nutridos pela ardente expectativa da chegada à casa do Pai. O lugar onde Deus, os anjos e todos os seus filhos habitarão eternamente em paz, segurança e amor.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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