Pastorais
A tragédia no Sul do Brasil

21 de fevereiro de 2013

É impossível ficar indiferente a tudo o que aconteceu em Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. O incêndio que trouxe tantas mortes fez o Brasil e o mundo sofrerem especialmente diante de tantos questionamentos sobre como a tragédia poderia ter sido evitada.

Hoje só podemos lamentar e torcer sim que a justiça aja de forma eficaz e que a partir desse acontecido, possam-se criar leis mais rígidas em prol da segurança em eventos e uma fiscalização que consiga estar presente de maneira mais regular.

Mas diante de um fato tão trágico, é ruim ler alguns comentários e perceber atitudes pra lá de insensíveis diante do cenário. “Quem mandou estarem em uma boate”; “Isso é para aprender a não zombarem de Deus” e tantas outras frases semelhantes são ditas e escritas que infelizmente vieram da mente de cristãos.

Deus nos ensina a olhar para momentos como esse com misericórdia e não com a arrogância farisaica. É para chorar com os que choram (Romanos 12.15) e não para pisar nos que choram! A dor em si já é intensa demais para necessitar de um diabólico empurrão.

Mas é interessante analisar o que está por detrás de frases como essas. Se uma pessoa vê o incêndio como um castigo para os pecadores, ela não estaria se isentando de ser um? Porque se formos usar a lógica da retribuição, estaríamos TODOS condenados a alguma tragédia hoje! Como diz o salmista: “Se tu, Soberano Senhor, registrasses os pecados, quem escaparia?” Salmos 130:3. A Bíblia diz que “…não há um só justo na terra, ninguém que pratique o bem e nunca peque”Eclesiastes 7:20

Jesus presenciou uma fatalidade semelhante na sua época. Uma torre havia desabado e provocado a morte de algumas pessoas. Sabendo do coração julgador das pessoas ele disse: “Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”Lucas 13.4-5

Não, as pessoas que morreram na boate em Santa Maria não eram mais ímpias do que nós! Somos todos iguais perante a Deus: pecadores carentes da sua graça! O que Jesus nos convida é a refletir sobre os NOSSOS pecados e não sobre o dos outros.

Já reparou que volta e meia, nos pegamos no meio de um sermão, pensando: “Ah, se fulano estivesse aqui. Ele estava precisando escutar isso!”. Quando é assim, normalmente a palavra tem a ver com alguma repreensão dura e por isso pensamos que o OUTRO tem que escutar. Mas e nós? Já estamos tão santos que não precisamos que a transformação que vem do Espírito nos atinja também?

Seja solidário no meio dessa tragédia. Ore pelas famílias que perderam seus filhos, parentes e amigos. Ore com amor e compaixão para que eles encontrem o consolo de Deus nesse momento tão difícil e que assim possam experimentar que “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” Salmo 46.1.

Mas, como Jesus ensinou no texto de Lucas, olhe também para a fragilidade da sua vida e da necessidade de estar sempre andando com Deus. Não somos menos pecadores, mas porque estamos vivos, temos a oportunidade hoje de viver em arrependimento e fé, debaixo da maravilhosa graça de Deus.

Que Deus nos abençoe

writing a narrative essay

Rev. Felipe Telles Ferreira

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