Pastorais
AMANDO A CIDADE

11 de setembro de 2020

“E houve grande alegria naquela cidade” Atos 8.8

O cristão é alguém que pertence a dois reinos: Ao mesmo tempo em que habita na terra, sabe que pertence ao céu. A maioria da população no Brasil vive em cidades. Dados recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmam que o Brasil possui uma taxa de urbanização superior a 85%. Estimativas mostram que, até 2050 esse número pode aumentar para 93%. Serão, aproximadamente, 237 milhões de pessoas morando em cidades no país, na metade deste século. Em 2008, pela primeira vez na história, mais da metade da população mundial passou a habitar em cidades.

Com isso, ao mesmo tempo em que há esse exponencial crescimento, as pessoas passaram a desenvolver uma série de males, mazelas, preocupações e anseios. Quando observamos a mensagem do Evangelho, percebemos que ela é direcionada a todas as pessoas, independente de onde habitam. Naturalmente, essas pessoas tem seus anseios, dificuldades, traumas. O autor Davi Lago, em artigo recente, elenca quatro grandes valores que norteiam os habitantes das cidades brasileiras contemporâneas.

  1. Consumismo: Hoje em dia, grande parte das famílias vive o sonho de adquirir a casa própria, o carro zero, os smartphones da atualidade, roupas de marca, viagens diversas… O consumismo traz a percepção de que a vitória financeira trará libertação, bem-estar e realização. Como consequência disso, surgem movimentos que distorcem os ensinos bíblicos, como a “teologia da prosperidade”, que estabelece “barganhas” com Deus. No ramo do empreendedorismo, o consumismo pode ser como que um caminho para a realização pessoal.
  2. Tédio: A rotina de trabalho é vista como um mal necessário: Muitos trabalhadores urbanos percebem sua rotina de trabalho como um mal necessário. O emprego é entendido como algo a ser tolerado simplesmente porque viabilizará o recurso financeiro e não como uma vocação. É grande o número de aposentadorias por invalidez, decorrentes de depressão e outras síndromes psicológicas.
  3. Sábado e domingo como dias de trabalho extra: o domingo se tornou um dia para recuperar o tempo perdido. Hoje as atividades pessoais, familiares e da casa ficam para o fim de semana. Isso faz do sábado e do domingo o período para colocar as tarefas em dia: fazer compras, pagar contas, realizar reparos na casa e dormir. O déficit de sono acumulado tem feito com que, aos finais de semana, as pessoas busquem recuperar esse tempo perdido para iniciar a nova semana descansados.
  4. Individualismo: As grandes cidades testemunham uma onda de “corrosão e dissolução” dos laços comunitários. As cidades estão cheias de casas construídas para proteger seus habitantes, e não para integrá-los nas comunidades às quais pertencem. Antigamente, as cidades medievais tinham sistemas de segurança para defender seus habitantes de um inimigo externo. Hoje, esses sistemas servem para dividir e manter separados seus próprios habitantes, para defender uns dos outros. 

Diante disso tudo, precisamos, como verdadeiros cristãos, reafirmar nosso amor por nossas cidades. O evangelho de Cristo é a esperança para todas essas mazelas que nossa sociedade vive submersa. Ele traz uma nova compreensão da vida, do trabalho, das amizades e de cada aspecto da existência. A partir do Evangelho, eu percebo que sou pecador e que preciso de salvação, de segurança, de proteção, de um caminho. Jesus é o caminho. Ele é o Evangelho. Por isso, ore, conheça e ame nossa cidade, como testemunha fiel do Senhor Jesus. Habitamos em uma cidade caída. Ainda não estamos na Nova Jerusalém. Pense que o Senhor te colocou nessa cidade, nesse tempo em que vivemos, não por acaso. Aproveite as oportunidades e seja um instrumento das Boas-Novas. Fale de Cristo e de seu amor.

Que Deus te abençoe e use para Sua glória.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança

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