Em 6 de maio de 2017 | Notícias

Por Jorge Antonio Barros*

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Até o final da década de 60, os cultos evangélicos apresentavam apenas as músicas de seus hinários, que têm composições do século XIX. Em 1968, nascia o Vencedores por Cristo, grupo musical que revolucionou o louvor nas igrejas evangélicas brasileiras. Prestes a completar 50 anos, o grupo Vencedores por Cristo se apresenta neste domingo, dia 7 de maio, no Rio, para comemorar o cinquentenário da Igreja Presbiteriana da Gávea. O templo fica na Rua dos Oitis 63, na Gávea, bairro da Zona Sul do Rio. A banda tocará nos cultos das 11h30m e 19h.
Vencedores por Cristo, que faz parte da missão com o mesmo nome, é uma banda eclética que embala pelo menos quatro gerações de evangélicos, com uma música de qualidade indiscutível, e diversidade de ritmos, que vai do pop à MPB, e do baião até a soul music.

— Nosso compromisso principal é com um louvor a Deus, fruto de nossa experiência pessoal com Cristo – explica o líder do grupo, o vocalista Alexandre Abreu, paulistano de 37 anos, designer gráfico, e desde os 18 na banda que está em sua 63ª formação.

A banda hoje é formada por Crislene Belatto (vocal), Elisângela Cordeiro (vocal), Fábio Cordeiro (contrabaixo), Matos Elias (teclados), Pedro Santos (bateria) e André Peloso (guitarra). O trabalho mais recente, o CD “Gratidão”, faz um retrospecto de experiências de louvor em Portugal. O grupo se apresenta em igrejas evangélicas de todo o país e fez muito sucesso no Consciência Cristã, que reuniu cerca de cem mil pessoas em Campina Grande (PB), no ano passado.

Quando a banda foi criada com a missão Vencedores por Cristo, pelo pastor e missionário americano Jaime Kemp, no agitado ano de 1968, o uso da bateria e da guitarra elétrica em igrejas provocou escândalo nos meios evangélicos mais conservadores. A guitarra é o braço do rock, cujo pai é o diabo, diziam os escandalizados. Alguns deles viam os Vencedores por Cristo como transviados e rebeldes. A reação começou a cair por terra com o lançamento do primeiro LP do grupo, “Fale do amor”, de 1971. A partir de então, foi praticamente impossível conter a aprovação do louvor do grupo, encantando nove em cada dez jovens evangélicos, mesmo aqueles que só iam à igreja usando terno e gravata. O Vencedores derrotava a mesmice, apresentando música de qualidade e com mensagem bíblica contextualizada aos questionamentos da juventude.

— O Vencedores por Cristo mudou a face do louvor nas igrejas evangélicas brasileiras. Não que a gente não gostasse dos hinos tradicionais. Mas uma música autenticamente brasileira, contemporânea, foi um instrumento poderoso para a evangelização – afirma o fundador do grupo, pastor Jaime Kemp, 77 anos, 50 dos quais como missionário no Brasil.

Ao fundar a missão, em São Paulo, Kemp tinha uma visão: capacitar e discipular jovens para que atuassem como evangelizadores em suas igrejas locais, por meio da música. E o louvor não ficou mais limitado pelas paredes dos templos. O grupo foi pioneiro na apresentação de música cristã fora dos cultos, nas praças e penitenciárias, com ritmos jamais ouvidos nas igrejas – como samba e bossa-nova.

— Sofremos como pioneiros, mas valeu a pena – relembra Jaime Kemp.

O Vencedores por Cristo influenciou gerações de músicos cristãos, incluindo católicos, e foi o estopim de uma revolução que levou a chamada música gospel a ser o que é hoje, um dos principais ativos do mercado evangélico brasileiro. Apesar disso, a banda paulista conseguiu manter suas raízes, sem se contaminar pelos aspectos negativos do mercado. “Nos anos 2000 tentamos entrar nas rádios, mas percebemos que nossa vocação não era comercial”, observa Ussayr Verotti, presidente da Missão Vencedores por Cristo, que produz seus próprios discos e ano passado chegou às plataformas digitais, seguindo a tendência do mercado musical.

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*Jorge Antonio Barros é jornalista, membro da Igreja Presbiteriana da Gávea e ouve os Vencedores por Cristo desde a adolescência.