Pastorais
Bibliofobia

25 de abril de 2013

É do conhecimento de todos que uma das bandeiras hasteadas pela democracia é a liberdade de pensamento, conforme preceitua a Constituição Federal de 1988 no Art. , inc. IV: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;”. Baseado nesta premissa legal, muitos formadores de opinião como educadores, políticos, religiosos, pesquisadores, jornalistas e artistas sentem-se à vontade para publicar textos, fornecer entrevistas, produzir filmes, ministrar palestras, dar aulas e contribuir de alguma forma para o progresso social, cultural e econômico do país. E com certeza, muitos deles desenvolvem suas funções com seriedade, profissionalismo e respeito para com o diferente e divergente.

Desde que não descumpram as leis estabelecidas para manter a ordem e não prejudiquem os demais cidadãos, os brasileiros podem pensar o que quiser e expor o que bem entender, afinal, o estado é laico. Ninguém deve ser coagido a se submeter aos postulados éticos das inúmeras religiões que aqui se estabeleceram. Todos são livres para expressar suas ideias. Não há qualquer obrigatoriedade em seguir este ou aquele posicionamento filosófico. Enfim, somos livres para ir e vir, pensar e agir.

Sendo assim, não deveria causar qualquer estranheza a afirmação de que há espaço, nesta pátria amada, para os protestantes, que surgiram na Reforma do século XVI. Estes tem a Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática, a Palavra de Deus revelada aos homens, que ensina a amar ao próximo, mas também a Deus sobre todas as coisas. Esse amor ao Senhor é manifestado quando seus mandamentos são obedecidos. Livro que também chama todos os homens de pecadores e apresenta Jesus Cristo, o Filho de Deus como único caminho, verdade e vida que os livra da sentença eterna quando creem em seu nome.

Para os protestantes, o que a Bíblia diz ser pecado, é pecado, mesmo que venham as pressões sociais, o escárnio da mídia e as entrevistas de famosos afirmando o contrário. O Brasil não é um país denominado protestante e por isso, não precisa adotar os postulados morais bíblicos. No entanto, também não há força constitucional, política, social e cultural que faça com que os protestantes pensem de outra forma. Pelo contrário, a Constituição Federal estabelece a liberdade de crença no Art. , inc. VI: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”. Sendo assim, qualquer opinião que retalie, discrimine e desrespeite o pensamento protestante, pode ser denominado “bibliofobia”.

 

Rev. Alexandre Sena

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