Pastorais
O JOGO NÃO ACABOU!

14 de agosto de 2020

Apesar da possibilidade de contestação quanto à precisão dos números, os dados oficiais informam que a pandemia do coronavírus já matou mais de 100 mil pessoas no Brasil. De acordo com um levantamento realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos EUA, mais de 730 mil pessoas no mundo perderam suas vidas pelo mesmo motivo. Estes números revelam o luto e a dor de milhares de famílias que pranteiam a partida dos seus entes queridos vencidos por um vírus, muitas vezes, implacável, cruel e mortal. Não é possível ignorar a dor acrescida em muitos pela impossibilidade de sepultar seus parentes e amigos.

Por mais que haja um esforço pessoal, familiar e social para blindar a realidade dos fatos, o momento é trágico e inacabado. A pandemia segue seu percurso e mesmo os mais otimistas não podem prever com segurança a ligeira passagem da densa nuvem. A tempestade ainda está presente e as pessoas precisam se manter protegidas, afinal, não são poucas as vezes que um time perde porque absorve a vitória antes do término do jogo. Na dúvida, proteja-se, se possível, continue em casa, evite ao máximo o contato com pessoas do grupo de risco, ou seja, mantenha a concentração e a vigilância que o momento exige.

O isolamento social pode produzir exaustão e, às vezes, a necessidade de espairecer, caminhar ao ar livre e arejar a mente. Nestes momentos, cumpra todo o protocolo para a autopreservação e também para o cuidado com os demais. Uma frase dita pelo meu sogro se aplica muito bem aos dias atuais: “se corre o risco de errar, melhor que seja pelo excesso de zelo do que pelo desmazelo.” A igreja foi chamada para ser luz do mundo, sal da terra e diante de um período crítico e delicado é necessário calcular bem as palavras, opiniões e decisões que irão afetar a si mesmo e aos outros. Tudo precisa ser feito visando a glória de Deus e o amor ao próximo. É importante não ter tanta segurança acerca de um tema (COVID 19) envolto de incertezas e contradições.

Ao expor o propósito de Provérbios, o autor deixa claro que a prudência é um tema central no livro: “para dar aos simples prudência e aos jovens, conhecimento e bom siso”. Salomão utiliza três palavras hebraicas que são traduzidas como prudência. Estes termos expressam a necessidade de agir com precisão, astúcia, esperteza, percepção e persuasão (Pv 1.5; 8.5;8.12; 9.9-19; 15.5; 16.16; 19.25). O Senhor diz através do profeta Isaías que a prudência seria uma característica do Messias: “Eis que o meu servo procederá com prudência”. O ministério de Jesus revela o quanto ele observava com cautela, discernimento e atenção a realidade para responder com entendimento e assertividade cada uma das situações.

Enquanto os números expressarem que a situação não está controlada, enquanto a solução definitiva não for oferecida, enquanto a aglomeração for uma ameaça, seja prudente! Não celebre uma vitória que ainda não aconteceu e não acredite numa segurança mágica que não existe. O desejo pelo término da guerra não diminui os ataques do inimigo. Os dados podem ser contraditórios, mas os que estão nos leitos e aqueles que tiveram suas vidas ceifadas revelam uma realidade ainda difícil. Que o Espírito de Deus derrame paciência, perseverança, discernimento e prudência sobre a igreja para que a mesma tenha acesso à vitória quando o juiz sinalizar que o jogo acabou!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



Share
REEDITANDO: CEIA DO SENHOR DEVE SER “ON LINE”?

7 de agosto de 2020

Voltaremos ao assunto que muitos continuam em dúvida. Afinal, podemos participar de uma Ceia do Senhor on Line? Reeditamos aqui, nossa decisão para ajudar a orientar a família da fé.

Na Reforma Protestante, “Calvino e os teólogos reformados estavam de acordo com Lutero quanto à confissão de que a Igreja é essencialmente uma communio sanctorum, uma comunhão dos santos.” (BERKHOF, 1990).

A Ceia do Senhor foi instituída pelo próprio Senhor Jesus Cristo, quando estabeleceu na Igreja dois sacramentos (sacro = santo + mandamento = ordem). O primeiro sacramento é o batismo e o segundo a Ceia do Senhor. No Antigo Testamento (antiga aliança) a circuncisão (individual) era o ato de entrada visível na comunidade da fé. A circuncisão era realizada apenas uma vez, na criança filha de pais crentes. A páscoa (coletiva) era a celebração contínua (realizada várias vezes) em ocasião específica, quando o povo se reunia para adorar a Deus, lembrando se sua saída da escravidão do Egito para a terra prometida. No Novo Testamento a circuncisão é agora celebrada com uma nova forma, o batismo (individual). A refeição da Páscoa é agora a Ceia do Senhor (coletiva). Jesus nos insere na Nova Aliança (Mt 26.26-30; Mt 28.18-20).

Para participar da Ceia do Senhor, é necessário um vínculo de fé, compreendendo exatamente a relação entre o símbolo e a coisa significada, caso contrário a pessoa trará juízo para si (1 Co. 11.28-30). A Bíblia é clara sobre a necessidade de estarmos “reunidos no mesmo lugar” (1 Co. 11.20) e chama atenção para o fato de cada um comer antecipadamente a sua própria Ceia como um erro (1 Co.11.21). Nas Confissões de fé ao longo da história da Igreja a Ceia do Senhor sempre foi entendida como um momento especial de unidade de todos no mesmo lugar, “na congregação do povo de Deus” (Confissão Belga, 1562, artigo 35). O Catecismo de Heidelberg (1563) nos lembra que a Ceia do Senhor é a manifestação da “comunhão do Corpo” e que o cristão pela graça está “unido cada vez mais ao santo corpo de Cristo”. Os Cânones de Dort (1618-1619) afirma que os apóstolos e mestres, “não descuidaram de manter o povo, pelas santas admoestações do evangelho sob a ministração da Palavra, dos Sacramentos e da disciplina”. A Confissão de Fé de Westminster (1647) no Capítulo XXIX afirma que a Ceia do Senhor deve ser ministrada “tão somente aos que se acharem presentes na congregação” (Mc 14.22-24; At 20.7; 1 Co 11.20).

Sendo assim, concordo com o teólogo Dr. Scott Swain; “Por enquanto, o caminho para participar da Ceia do Senhor está fechado para todos nós. Por enquanto, não somos chamados para festejar, mas para jejuar. O que leva ao que acredito ser a resposta pastoral apropriada em nossa atual crise. Em situações de perda como essa, precisamos aprender a lamentar, e devemos ensinar o povo de Deus a lamentar, algo bastante difícil para aqueles (como eu) que estão acostumados à gratificação instantânea.”
(https://coalizaopeloevangelho.org/article/devemos-transmitir-a-ceia-do-senhor-online/)

Por último, se a Igreja abre esta oportunidade “on line”, ela estará “validando” a mesma prática para o futuro, pós-pandemia, ou seja, as pessoas poderão realizar os sacramentos em suas casas, deixando assim, a beleza da comunhão dos santos (Hb 10), negando o propósito do sacramento e nossa história confessional.
Oremos, para que Deus nos dê em breve a alegria de nos reunirmos, todos os membros, no mesmo lugar, na Casa de Deus e celebrarmos juntos a Ceia do Senhor, cheios de alegria e fé.

Rev Dr Leonardo Sahium



Share
A importância da Adoração Comunitária

31 de julho de 2020

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns;
antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”.
Hb 10.25

Hoje é um dia histórico para a nossa igreja. Em 53 anos de vida, nunca ficamos tanto tempo sem nos reunir. Nosso último culto presencial foi em 15 de março. Ou seja, por mais de 4 meses, ficamos impedidos, por razões sanitárias, de prestar o culto público a Deus. Participar da comunhão, da adoração comunitária, realmente nos fez falta…ou não?!?!

É importante sondarmos o nosso coração para percebermos se há em nós algum sentimento de comodismo, de estagnação, ou se realmente desejamos retornar ao culto público. Não quero aqui condenar àqueles irmãos que não poderão vir à igreja por uma série de fatores que, sabemos, são absolutamente plausíveis, tratando-se do tempo de pandemia em que vivemos. Mas, como seres-humanos, pecadores e falíveis que somos, é comum entrarmos em uma espécie de “zona de conforto”, nos deixando esfriar: esfriar nossa fé, esfriar nossa comunhão com o Senhor, esfriar nossa adoração…

Nesse sentido, quero aqui elencar alguns benefícios da adoração em comunidade, extraídos do livro “Verdadeiros Adoradores”, da Ed. Vida Nova, que podem nos ajudar nessa reflexão tão importante.

1. Relembrar e detalhar o Evangelho – Essa é uma prática muito comum no Antigo Testamento. Nele, e em especial no livro dos Salmos, lemos sobre Deus libertando o seu povo da escravidão do Egito. No Novo Testamento, celebramos a libertação que Cristo nos deu da escravidão do pecado. Jesus nos deixou a Ceia do Senhor, para nos lembrar constantemente de sua morte quando nos reunimos. Em nossas liturgias de culto, você sempre notará o momento de adoração a Deus e o de confissão de pecados, com a certeza do perdão, por intermédio da morte vicária de Cristo. Isso tudo é também para nos lembrar do evangelho. O Evangelho é uma fonte inesgotável de encorajamento, consolo e motivação para a alma cansada. Esse é o motivo de nos reunirmos para trazê-lo à memória.

2. Receber juntos a Palavra de Deus – Do começo ao fim da Bíblia, Deus sempre reuniu Seu povo para lhe falar por intermédio de Sua Palavra. Quando a igreja se reúne cheia de expectativa em um local para ouvir a Palavra de Deus, esse é um acontecimento singular. O Espírito trabalha em nossos corações para convencer, consolar, iluminar e exortar. Somos fortalecidos individualmente e como corpo. É uma grande benção poder ouvir um sermão reunidos como igreja.

3. Cuidado e serviço mútuos – O autor aos Hebreus afirma que nos reunimos a fim de “nos estimular uns aos outros ao amor e às boas obras”. Somos todos estimulados quando nos beneficiamos dos diferentes pontos fortes, dons e habilidades que Deus deu a cada um dos membros de nossa igreja. Todos nós precisamos ser estimulados regularmente. Cada um de nós possui um dom para servir ao Senhor. Nossos cultos oferecem uma riqueza de oportunidades, para recebermos e expressarmos a graça de Deus.

4. Demonstrando nossa unidade no Evangelho – A igreja espalhada durante a semana continua sendo a igreja. No entanto, nossa reunião é uma demonstração física e um lembrete de nossa distinção do mundo e de nossa união no Evangelho. Mostramos que fomos separados do mundo e unidos a Deus. O Senhor é glorificado, semanalmente, quando pessoas tão diferentes, se reúnem, unidas pelo mesmo Evangelho.

Quando o salmista afirma: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR” (Sl122.1), não é por acaso. Que alegria é retornar a casa do Senhor, desfrutando de tudo isso que falamos e muito mais. Aproveite esse tempo, valorize esse momento e, principalmente, seja grato a Deus porque até aqui Ele tem nos sustentado.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.
Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



Share
O PARADOXO DO RETORNO

25 de julho de 2020

Os movimentos para o retorno do culto público provocam uma avalanche de sentimentos contraditórios. Por um lado, a alegria de reencontrar irmãos queridos que durante meses estiveram distantes e privados desta benção instituída por Deus. A celebração eucarística, a exposição bíblica e o louvor comunitário produzem jubilosas expectativas. Por outro lado, imaginar que as crianças e os irmãos do grupo de risco não acompanharão o movimento inicial de retomada dos cultos presenciais produz um desconforto profundo e doloroso.

Desde os primórdios da igreja, o convite é para que todos congreguem e busquem a unidade estabelecida a partir da fé em Cristo. A liberação para alguns e a restrição para outros não faz parte do caminho natural e original da igreja. Somente uma imposição legal decorrente de um momento histórico crítico e ameaçador pode produzir esse desarranjo. Por isso, obviamente, pastores que zelam pelo rebanho de Cristo seguirão as leis vigentes e orientarão os membros do grupo de risco e as crianças a permanecerem com as celebrações virtuais.

A Bíblia orienta os cristãos a enfrentar momentos como esse. O autor do salmo 42 está distante do templo e o texto revela o quanto a sua alma está abatida. As lembranças detalhadas são regadas por lágrimas que encharcam um coração sedento por Deus. No Antigo Testamento, o templo representava a presença de Deus entre o povo. Hoje, a igreja tem o Espírito Santo habitando em cada discípulo de Cristo. Entretanto, a procissão dominical à casa de Deus, os gritos de alegria no louvor e a multidão em festa acontecem apenas através do santo ajuntamento.

No verso 5 do capítulo 42, o salmista ensina a postura quando impossibilitados da celebração comunitária: 1) Espera em Deus – o desconforto presente não foge ao controle do Senhor e a espera paciente e alegre revela confiança e fé; 2) …pois ainda o louvarei – a esperança do reencontro para adorar em comunidade precisam aquecer os corações, pois isso, cuidado com o risco do esfriamento espiritual; 3) …meu auxílio e Deus meu – o pronome possessivo no final do verso merece destaque. A igreja é propriedade de Deus e o cuidado paternal sempre estará à disposição dos seus filhos. Por isso, espere confiantemente no Senhor e aguarde pacientemente pelo dia em que estaremos todos juntos para celebrar a fé com louvor e gritos de alegria.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



Share
A PRUDÊNCIA É AMIGA DA VITÓRIA

18 de julho de 2020

“Com medidas de prudência farás a guerra;
na multidão de conselheiros está a vitória.”
Provérbios 24.6

Estamos em um tempo de guerra contra um vírus, um terrível inimigo invisível, que não escolhe nação, é traiçoeiro e mortal. Somos todos soldados nesta guerra, logo, precisamos atentar para aquilo que a Palavra de Deus nos orienta. Prudência é a palavra de ordem, vitória é nosso objetivo!

O Conselho da Igreja Presbiteriana da Gávea tem buscado sabedoria em Deus para tomar suas decisões e alcançar vitória nesta pandemia. Nosso conselho vem realizando várias reuniões de oração e ao mesmo tempo tem buscado informações na imprensa e com vários irmãos que são profissionais de saúde e estão na linha de frente de combate ao corona vírus.

Nossa Junta Diaconal receberá o apoio de jovens e também de irmãos e irmãs do ministério REDE, para recebermos nossos membros nos cultos presenciais, a partir de 02 de agosto, com o mesmo carinho, atenção e alegria de sempre. Nossos funcionários estão recebendo orientação e treinamento para este “novo normal”. Contratamos uma empresa para realizar a sanitização semanal de nossa Igreja. Compramos equipamentos de proteção individual (EPI) para nossos funcionários da zeladoria.

O ministério de administração comprou álcool em gel, totens de higienização, tapetes para higienizar os calçados, termómetros digitais para aferir a temperatura de todos que entrarão na Igreja, luvas e máscaras descartáveis para a diaconia e funcionários, também realizou a marcação para distanciamento social já na entrada da Igreja. Os bancos estarão separados dentro das medidas estabelecidas, tendo assim nosso culto presencial com o máximo de 20 % da capacidade de assentos. Em cada lugar haverá um cálice com vinho e pão devidamente lacrados para que os irmãos possam se servir durante a Ceia do Senhor.

Todos os nossos cultos continuarão sendo transmitidos, ao vivo, em nossas redes sociais pela internet. Apenas os cultos de 9h e 11:30h serão presenciais neste primeiro momento, respeitando as orientações para que estejam presentes apenas pessoas maiores de 12 anos e menores de 60 anos e que não pertençam a nenhum grupo de risco. Não haverá cumprimentos entre os irmãos e teremos apenas um pastor em cada culto, que não estará à porta para receber cumprimentos. Para garantir sua participação nos cultos presenciais, a partir de 02 de agosto, será necessário agendar pelo aplicativo da Igreja ou telefonar na secretaria da Igreja na semana anterior ao culto. A Escola Bíblica Dominical, o culto das 19h e todas as outras reuniões de departamentos, atendimentos pastorais, Grupos Pequenos e Ministérios continuarão apenas on line.

Oramos para que este tempo de distanciamento acabe logo. Cremos que a prudência é amiga da vitória e que pela graça de Deus iremos vencer esta Guerra em nome de Jesus.

Que Deus nos abençoe e guarde.

Rev. Leonardo Sahium



Share
A CHEGADA AO NOVO LAR

10 de julho de 2020

A mudança de residência possui etapas que somente os envolvidos conseguem dimensionar. O processo de desmonte, embalo e carregamento dos objetos simboliza o rompimento de inúmeras vivências e a nova casa gera uma série de expectativas. O transporte dos móveis e utensílios sinaliza a transição entre o passado e o futuro. Este percurso, às vezes, produz reflexões mais profundas que a simples segurança dos pertences da família. A vida está mudando de direção e o movimento de desconexão com o passado e vínculo com o futuro é um convite para transformações.

Assim como no deslocamento de uma mudança, a pandemia se instala como um divisor de duas etapas. Para que a ilustração se identifique ainda mais com a realidade, a sociedade está com todos os seus pertences no baú do caminhão que, ora quebra uma roda, ora acaba o combustível. Inúmeras colisões acontecem no percurso, no entanto, ninguém pode descer devido às ameaças externas provocadas pelo novo vírus.

Diante deste cenário, a confiança no governo soberano de Deus é fundamental. A fé naquele que dirige os rumos da história com retidão, equidade e justiça tranquiliza os corações que, por vezes, se sentem inquietos, inseguros e amedrontados. O abalo das estruturas globais está sob o controle absoluto do Deus criador, governador e sustentador do universo.

O juízo sobre a terra com o dilúvio (Gn 6-9) e a confusão de línguas para impedir a construção da torre de Babel (Gn 11.1-9) retratam o governo de Deus em momentos transicionais para a humanidade. A destruição de Sodoma e Gomorra (Gn 19.23-29) e a plena administração divina sobre as dez pragas para libertar seu povo (Ex 7-12) expressam, categoricamente, que nada foge à autoridade do Senhor.

Os males que afetam a terra se originaram na desobediência dos primeiros pais. O rompimento com Deus produziu a morte e todos os seus derivados (Gn 3.15-24). No entanto, o Senhor não perde um milímetro sequer da sua soberania. Ele reina sobre tudo e sobre todos e a terra que merecia apenas a maldição e a morte experimenta a bondade, o cuidado, o sustento e as benesses de um Deus que derrama graça sobre justos e injustos (Mt 5.45). Se não fosse a misericórdia do Senhor, a terra já teria sido consumida (Lm 3.22).

O mundo está em transição e a sensação é que tudo está fora do lugar. A expectativa de uma realidade pós-pandêmica cresce a cada dia. A Bíblia nos ensina que males como o coronavírus apenas ilustram o desconforto da jornada nessa terra. Este mundo jaz no maligno (1 Jo 5.19), o planeta geme sob maldição e aguarda a redenção (Rm 8. 20-22).

A expectativa deve arder não apenas pelo fim da pandemia, mas, especialmente, pela chegada à morada eterna. Esse isolamento é um trailer dos dias nesta terra e nos faz lembrar da transitoriedade e da peregrinação até o destino final, ou seja, o lar celestial. Mais que um mundo pós pandemia, somos convidados a almejar uma terra pós pecado, sofrimento e morte. Os discípulos de Cristo são nutridos pela ardente expectativa da chegada à casa do Pai. O lugar onde Deus, os anjos e todos os seus filhos habitarão eternamente em paz, segurança e amor.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



Share
O DEUS QUE SE REVELA

4 de julho de 2020

“Mas vós, perguntou ele, quem dizeis que eu sou?
Então, falou Pedro e disse: És o Cristo de Deus”
Lc. 9. 20

Ao longo desses últimos meses, nós, pastores, temos feito “lives”, todas as terças e quintas-feiras, meditando sempre em algum livro da bíblia. Esses encontros têm sido muito abençoadores para nós, tanto no aspecto da comunhão, porque podemos interagir com os irmãos, mas também pelo aspecto do estudo da Palavra de Deus, uma vez que precisamos mergulhar no livro bíblico a ser trabalhado.

Um dos temas recorrentes, seja no Antigo quanto no Novo Testamento, é a respeito de quem Deus é. Sobre isso, J.I. Packer escreve, em seu livro “Fé Ativa”, quatro pontos acerca de como a bíblia retrata Deus.

Em primeiro lugar, Deus é santo, diferente e separado de nós. O termo santidade é utilizado pela bíblia para designar a natureza de Deus. Ele é totalmente puro, justo, fiel as suas promessas e propósitos. Esse aspecto é muito trabalhado no livro dos Salmos.

Em segundo lugar, Deus é gracioso. O termo Graça é característico do Novo Testamento, e significa “amor para com aquele que não tem encantos e aparentemente não se pode amar”. É um amor que, no ato de amar, se doa, não importando o custo, e resgata o necessitado, não importando quão indigno ele seja. A raça humana encontra-se arruinada e perdida, e Deus é o nosso resgatador, que nos redime, através de Cristo.

Em terceiro lugar, Deus é triuno. A palavra Trindade não está, exatamente, na bíblia, mas é utilizada pela igreja para expressar essa característica intrínseca de serem três pessoas em uma. É um termo técnico de algo demonstrado na bíblia. O Novo Testamento, em específico, nos revela claramente três pessoas divinas, atuando em conjunto para operar a obra da graça que salva os pecadores e dá origem à igreja. A primeira dela é o Pai, que tudo planejou; que enviou o Filho para tomar forma humana e morrer na cruz em lugar de seu povo, liberando, assim, cada um de seus integrandos do julgamento que os aguardava. A segunda pessoa é Jesus, o Filho, Deus encarnado, nosso Mediador, que por nós morreu, ressuscitou, reina e há de voltar. A terceira pessoa é o Espírito Santo, o executor, o agente que coopera com o Pai e o Filho na criação, na providência e na graça. É Ele quem nos atrai à fé em Cristo.

Em quarto lugar, Deus determina ideais e estabelece limites para o comportamento humano. Sua lei moral está expressa nos Dez Mandamentos, nos livros proféticos, no Sermão do Monte, e também em todos os outros ensinos de Jesus. A lei de Deus é santa, e reflete o caráter do Senhor. Quando a bíblia nos fala “sede santos porque eu sou santo”, significa amar e adorar em obediência a Deus. Agradar a Deus deve ser sempre o nosso objetivo. Quando agimos em desacordo com Sua lei, desprezando-O, ou mesmo a outros seres humanos, incorremos em pecado.

Esse é o Deus da bíblia, o Deus imutável que está sempre presente. O mesmo Deus que libertou o povo da escravidão do Egito é para nós hoje o nosso resgatador. Não pense que você caminha sozinho, ou mesmo que você é fruto do acaso. Nós cremos em um Deus de aliança e de promessas. Um Deus soberano e fiel. No primeiro século, aqueles poucos apóstolos, com seu testemunho e anúncio da Palavra, impactaram o mundo. Oremos para que mais pessoas conheçam desse Deus, e entreguem-se, verdadeiramente, a Ele, para glória do Seu nome.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.
Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



Share
O DIA DA CALAMIDADE

27 de junho de 2020

“Mas que fareis vós outros no dia do castigo, na calamidade que vem de longe?
A quem recorrereis para obter socorro e onde deixareis a vossa glória?”
Isaías 10.3

A Bíblia é muito atual! A Palavra de Deus é eterna, infalível, inspirada e inerrante! O Profeta Isaías escreveu no ano 700 antes de Cristo. Perceba como é atual o texto acima, veja como os detalhes contemplam nossas dúvidas, dores e valores desta sociedade atual. A pergunta retórica do profeta Isaías, deixa seu leitor desarmado; “Mas que fareis vós outros no dia do castigo, na calamidade que vem de longe?” Meu Deus, que texto atual! A calamidade que vem de longe, o desespero da sociedade, o inimigo inesperado, a força devastadora de uma triste realidade.

Deus ao longo da Bíblia fala sobre juízos temporários e juízo eterno. Os juízos temporários são aqueles que Deus usa para chamar o povo ao arrependimento por suas obras más. Neste mesmo capítulo de Isaías, vemos a seguinte descrição: “Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão, para negarem justiça aos pobres, para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo, a fim de despojarem as viúvas e roubarem os órfãos!” (Isaías 10.1,2) Deus avisa que o juízo virá sobre aqueles que são opressores sobre o povo. Em Ezequiel 13.14 encontramos a seguinte declaração de juízo de Deus: “Derribarei a parede que caiastes, darei com ela por terra, e o seu fundamento se descobrirá; quando cair, perecereis no meio dela e sabereis que eu sou o SENHOR”. Em Hebreus 10.31; “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”.

Não existe a possibilidade de fugir, não existe lugar seguro quando a calamidade chega! Esta sensação de insegurança cresce ainda mais quando se tenta encontrar a salvação no amparo de uma outra pessoa, ou instituição ou até mesmo em um deus falso. Por isso a pergunta se torna ainda mais desesperadora: “A quem recorrereis para obter socorro e onde deixareis a vossa glória?” (Isaías 10.3) Quem pode ajudar? Quem pode nos salvar?

Isaías mostra que a situação de calamidade precisa de um salvador, e assim, o mesmo Deus que levanta o juízo por causa do pecado, é aquele que virá trazendo a salvação. Portanto, somos salvos pela graça de Deus, do juízo temporário e do juízo eterno. No capítulo 11, Isaías anuncia a salvação; “do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de Conhecimento e de temor do SENHOR”. (Isaías 11.1,2). Em Lucas 4.21, Jesus se identifica com a profecia de Isaías ao dizer que Ele era o Messias prometido, o ungido para nossa salvação.

Sim, estamos vivendo calamidades, mas temos a quem recorrer, Ele é poderoso para nos livrar e guardar. Jesus Cristo é nosso salvador!

Que Deus nos abençoe e guarde!
Rev. Leonardo Sahium



Share
APRENDENDO A VIVER CONTENTE

19 de junho de 2020

“porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” Filipenses 4.11b

Existem pessoas que vivem em constante descontentamento. O tempo todo estão reclamando, nada está certo e trazem sempre uma palavra destrutiva. Seus relacionamentos são, geralmente, profissionais, ou mesmo ligados a interesses. As pessoas não desejam estar perto do descontente, porque sabem que o ambiente fica pesado, tenso e contaminado.

Por mais que esse seja apenas um exemplo, certamente você conhece alguém que seja assim. Talvez você mesmo seja assim, ou em algum momento desses nossos dias em quarentena, se viu com atitudes de descontentamento.

Ocorre que, ao olharmos para a Palavra de Deus, observamos que seus personagens já viveram tempos difíceis como os nossos. Na verdade, até piores. O apóstolo Paulo é um deles. Alguém que, antes, perseguia os cristãos, passa de perseguidor a perseguido. Precisou fugir diversas vezes. Em outras, apanhou quase até a morte. Foi preso outras tantas vezes. Se viu, em determinado momento, sozinho. Mesmo diante de tudo isso, ele escreve essa passagem belíssima, que transcrevo aqui: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece”. Fp 4.11-13.

Somente uma fé alicerçada em Cristo consegue enxergar a vida dessa maneira. O mundo não consegue entender como que nós, crentes em Cristo Jesus, continuamos a sorrir, a nos alegrar, a falar palavras doces e abençoadoras. Se existe um tempo em que as pessoas estão com os ânimos mais exaltados, vivendo “a flor da pele”, é o período que estamos enfrentando.

Já o contentamento é um aprendizado. É o que o apóstolo Paulo nos diz. Ele aprendeu a viver contente, seja na fartura, seja na fome. Da mesma forma, o nosso contentamento não pode estar nas coisas, naquilo que é perecível, mas deve estar em Deus. Quando o Senhor é, verdadeiramente, a razão de nossas vidas, passamos de murmuradores a crentes agradecidos. E Paulo sabia que essa força não vinha dele, mas quem o fortalecia era o próprio Deus. Assim devemos ser também. Entender que não conseguiremos nada sozinhos. Que não temos força, capacidade, discernimento, uma vez que somos falhos, pecadores e frágeis. Nossa esperança deve ser depositada naquele que não mente, que não muda, que é fiel, que cuida de nós e que nos ama, a ponto de enviar o Seu próprio filho para morrer em nosso lugar, apesar dos nossos pecados.

Portanto, faça essa autoanálise. Veja como está seu coração. Se você tem vivido dias de murmurações, de brigas, de dissenções, de confrontos. Aprenda, assim como fez o apóstolo Paulo, a viver contente, independentemente das circunstâncias. Esse aprendizado só virá para um coração que se quebranta na presença Daquele que pode, verdadeiramente, fortalecer a nossa fé.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



Share
EM TEMPOS DE GUERRA

12 de junho de 2020

Essa pandemia pode produzir efeitos comparados a uma guerra mundial. Os profissionais da saúde lutam, incansavelmente, para defender seus iguais de um inimigo cruel. Por outro lado, assim como nas guerras, as decisões políticas são contraditórias e polêmicas. As articulações e decisões dos palácios e tribunais roubam a cena enquanto o inflamado “bombardeio viral” contra a vida acontece. Os civis estarrecidos e exaustos se sentem acuados, indefesos e desnorteados devido a ausência de diretriz e alinhamento das autoridades. A pressão aumenta com a paralisia econômica que afeta, principalmente, os menos favorecidos.

Assim como numa guerra, a imprensa cumpre seu papel, mas dificilmente consegue manter a imparcialidade. As narrativas atendem a um interesse, muitas vezes, previamente pautado. A eclosão de comentaristas nas plataformas virtuais aquece, exponencialmente, os noticiários e apresenta um outro cenário bélico e altamente letal. A sanidade mental, emocional e espiritual podem ser seriamente comprometidas nesta área repleta de minas virtuais.

Em momentos assim, é importante aprender com o passado. A segunda guerra mundial terminou em 1945 e o Ocidente precisava ser reconstruído. A indústria encontra, neste período, uma excelente oportunidade para produzir bens duráveis em grande escala. Os eletrodomésticos e automóveis promoveram a alegria das famílias mais abastadas. Enquanto a produção aquecia, a fé se esfriava. O projeto era um mundo sem Deus, secularizado, autônomo e humanista. Estes valores corroeram a espiritualidade de muitas nações.

Após 75 anos, o Coronavírus nocauteia a humanidade e redefine os rumos da história. A população que está em isolamento (parcial ou total) também terá um mundo para ser reconstruído. Assim como a indústria no pós-guerra, a realidade virtual vai definir uma nova dimensão nas interações sociais e nos valores humanos. A educação, a economia, a igreja, a família, enfim, todos os setores serão, amplamente, afetados pela tecnologia. A impressão é que as plataformas virtuais já estavam preparadas para acolher “calorosamente” a todos neste momento.

Diante deste cenário, a igreja deve entender, à luz das Sagradas Escrituras, quais os desafios, abordagens, adaptações e processos contribuirão para o eficiente cumprimento da sua missão. O povo da luz vai adiante para apontar o caminho à multidão que retorna estraçalhada do campo de batalha, afinal, “vós sois a luz do mundo”. O mundo está abalado, desestruturado e amedrontado. O papel da igreja é anunciar o Cristo que dá água ao sedento (Jo 4.10), produz paz ao coração atribulado (Fp 4.7), derrama esperança sobre o desesperado (Rm 5.5), acalma o aflito (Sl 34.6) e acolhe o perdido (Lc.15.32).

Jesus salva os que construíram exuberantes castelos sobre a instabilidade do terreno arenoso (Mt 7.24-27). É tempo da igreja anunciar a Rocha firme e eterna a uma sociedade aterrorizada com a sua fragilidade. O rei Davi ensina que somente em Deus a verdadeira segurança é acessada: “O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte.” (Sl 18.2).

Em tempos de guerra, o medo aflora, as discussões se intensificam, a limitação é escancarada, as dúvidas e crises aumentam. Em tempos de guerra, aqueles que descobriram quão instáveis e vacilantes são as estruturas desta vida, são convidados a conhecer o filho de Deus que morreu e ressuscitou para conduzir os que creem na realidade eterna. Em tempos de guerra, o ser humano é convidado a conhecer o único que concede a verdadeira paz.

Os que estão atentos aos movimentos globais se preparam para uma relocação adequada neste cenário inédito. Os produtores de soluções estão a todo vapor, driblando os obstáculos e promovendo soluções em diversas áreas. A igreja com a poderosa mensagem do Cristo ressurreto não pode ficar inerte e apática com tantos feridos (no corpo e na alma) ao seu redor.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



Share