Pastorais
MAIS UM ANO QUE ELE NOS ABENÇOOU

23 de outubro de 2020

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,

que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual

nas regiões celestiais em Cristo,”
Ef 1.3a

Desde o mês de março estamos enfrentando essa pandemia. Nossa igreja ficou cerca de 4 meses sem abrir suas portas, apenas com a transmissão de cultos via plataformas digitais. Foi, e está sendo, um tempo de grandes desafios e lutas. Mas o que hoje podemos perceber é que Deus tem sustentado nossa igreja. Deus se fez presente em nosso meio. Deus, verdadeiramente, nos abençoou.

Nossa querida e saudosa irmã Zilda Cormack, falecida em 2015, ao compor o hino oficial de aniversário de nossa igreja, certamente não tinha em mente os desafios que teríamos hoje. Mesmo assim, inspirada pelo Senhor, compõe essa canção que reflete duas das muitas marcas que nossa igreja da Gávea sempre teve, desde seu plantio, há 53 anos: Alegria e contentamento.

Alegria faz parte do Fruto do Espírito. É característica do cristão ser alegre, mesmo em tempos de lutas e aflições. Tg 1.2 afirma: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações,”. É muito comum nos alegrarmos simplesmente em vermos uns aos outros. Isso se dá porque nos amamos, porque nos sentimos bem aqui. Porque Cristo é quem nos une, verdadeiramente, como irmãos.

Nossa alegria é uma alegria reverente. Entendemos que estamos aqui, trazidos pelo Senhor, para prestar-lhe culto, e por isso precisamos ter toda a reverência para com Ele e com o momento de culto público. Nem por isso, precisamos ser fechados e sisudos. Ser alegre não significa ser desrespeitoso, nem tampouco irreverente.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos Filipenses, afirma: “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4.11). Talvez você não saiba, mas ele sofreu, ao longo de seu ministério, uma série de perseguições, chegando a ser preso em algumas ocasiões. Mesmo assim, esse homem afirma que aprendeu a viver contente, ou seja, ele desenvolveu contentamento. Não tenho dúvidas de que a alegria e o contentamento caminham juntos.

Por isso, ao olharmos para trás, em tudo aquilo que já passamos nesses 53 anos de vida, só temos motivos para louvar ao nosso Deus. Se hoje somos uma igreja que prega a verdade bíblica com fidelidade, alegre e contente, é porque Cristo Jesus se fez e se faz presente em nosso meio. Ele é o centro, o cabeça, o líder, o supremo pastor desse lugar.

Portanto, nosso dever é buscar, constantemente, a alegria e o contentamento, que só o Santo Espírito pode nos dar. Ser igreja é pertencer ao povo mais feliz da terra. É fazer parte de uma aliança que nasceu no coração do próprio Deus. Uma aliança muito cara, muito preciosa, através do sangue do Seu próprio Filho, Jesus Cristo. Fomos comprados por esse sangue precioso, e não há alegria maior do que essa: a nossa salvação.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev Guilherme Jayme Travassos Esperança



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CONSAGRAÇÃO COMPLETA

16 de outubro de 2020

O ateniense Sócrates (469-399 a.C.) é reconhecido como um dos maiores filósofos ocidentais. A elevada produção de perguntas acompanhada por uma busca inquietante de respostas produziu o rebuscado método dialético. A frase “Só sei que nada sei” é atribuída a Sócrates. De acordo com Rebeca Fuks, talvez ele não tenha proferido exatamente estas palavras, mas este conteúdo é compatível com as ideias que propagava. O objetivo não é desestimular o pensamento, mas ressaltar que o exercício intenso da cognição aguçará a percepção do universo desconhecido e inacessível.

Ao expor sobre a vaidade da sabedoria, Salomão argumenta que, assim como a luz é mais proveitosa que as trevas, a sabedoria também se sobrepõe à insensatez. No entanto, o tempo é capaz de ofuscar o brilho da sabedoria e tornar esquecida toda produção acadêmica de um indivíduo: “Ah, morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto”. (Ec 2.17). Enquanto a morte não cumpre o papel de “igualar” sábios e tolos, a sabedoria segue em vantagem. Por isso, assim como Sócrates, os verdadeiros intelectuais e cientistas precisam reconhecer que nada sabem diante de inalcançáveis mistérios.

Se a orientação acima está focada no trato com o intelecto, o que dizer dos religiosos que se utilizam dos elementos espirituais para acariciar seus egos inflados? Como lidar com os que se aproveitam da sombra da cruz para construir seus próprios castelos? Jesus foi implacável com os líderes religiosos que se utilizavam dos ensinos bíblicos para a autopromoção. Em Mateus 23, o Senhor adverte os escribas e fariseus por elaborarem uma narrativa teológica com o objetivo de elevá-los sobre os demais.

Os verdadeiros discípulos de Cristo são convidados pelo mestre a negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Lc 9.23). De acordo com Hendriksen, negar-se a si mesmo significa “afastar-se não só dos pensamentos e hábitos claramente pecaminosos, mas inclusive da confiança nas ideias ´religiosas´ que não podem harmonizar-se com a confiança em Cristo.” Os seguidores de Cristo são convocados não apenas para destronar o “eu”, mas também para mortificar a própria carne, afinal, fomos sepultados com Cristo na morte pelo batismo (Rm 6.4). Ao comentar esse texto, Calvino escreve: “O batismo significa que, ao sermos mortos para nós mesmos, nos tornamos novas criaturas”.

A carne sempre vai reagir com urros e berros ao senhorio de Cristo e somente pelo poder do Espírito o cristão obtém a vitória. Por isso, o apóstolo Paulo escreve: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” (Gl 5.17). A vida cristã não exige uma humilhação intelectual com um fim em si mesma, mas ao contrário, o chamado ao discipulado requer uma consagração da mente, da vontade, da emoção, do corpo, enfim, de todo o ser ao único que concede vida eterna, Jesus Cristo.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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AMAR A IGREJA

10 de outubro de 2020

“Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela”
Efésios 5.25

Algumas vezes fico observando, calado, pensativo, quando ouço alguma entrevista, leio algum artigo ou vejo até pregadores dizendo que não amam mais a Igreja, amam apenas a Cristo, mas não a igreja. Em minha reflexão fico imaginando o que estas pessoas entendem como amor. O contexto deste texto de Efésios 5 é sobre o amor dentro de uma casa, na relação de cuidado, sacrifício e entrega entre o marido e a esposa. Quem ama, ama cuidar do que o outro ama, ou será que estou errado? Deixa te dar um exemplo. O marido ama um piano, você imagina a esposa que tanto ama seu marido, deixando o piano do lado de fora da casa, abandonado, sendo estragado pela chuva? Claro que não! Outro exemplo, a esposa ama certo quadro que está na sala, você acha que o marido irá cuidar dele ou também desprezará, derrubando, pisando em cima do quadro e deixando cair coisas em cima dele? Claro que não!

Jesus Cristo ama a igreja dele! Sempre amou e sempre amará! A Igreja é mais valiosa que qualquer objeto, afinal, a Igreja somos nós, pessoas por quem Ele morreu na cruz e ressuscitou! Como alguém pode amar a Cristo e não amar as pessoas que andam ao seu lado, que Jesus ama tanto?

Nossa Igreja Presbiteriana da Gávea é amada por Jesus Cristo! Ele mesmo planejou, mantém e preserva a nossa Igreja. O amor de Cristo é maravilhoso e Ele nos deu este lugar para amar. Existem milhões de igrejas, todas são amadas por Cristo! Mas Ele nos conduziu para este lugar específico, nos fez cruzar caminhos até chegarmos aqui, e nos fez sentir Sua presença, amor e cuidado. Aqui, nós oramos, cantamos, celebramos nossa comunhão como irmãos de fé e somos instruídos na Palavra. Aqui nós dedicamos, investimos, realizamos boas obras e a missão de levar o evangelho ao mundo. Deus seja louvado!

Quando olhamos para nossa história, como igreja local, descobrimos os grandes exemplos de homens e mulheres que amaram e ainda amam esta Igreja, porque amam a Cristo e tudo que nosso Senhor ama!

Parabéns Igreja Presbiteriana da Gávea! Que Deus nos mantenha firmes neste amor até a consumação dos séculos, pela graça de Deus e para glória de Deus!

Que Deus nos abençoe.

Rev. Leonardo Sahium



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ORE PELA IGREJA PERSEGUIDA

3 de outubro de 2020

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”. Mt 5.10

No último dia 13 de setembro ocorreu o “Domingo da Igreja Perseguida”. Nessa ocasião o alvo das orações se deu em favor de cristãos ex-muçulmanos, que enfrentam constante perseguição religiosa. Mesmo nesse tempo de pandemia em que vivemos, esses nossos irmãos sofrem por simplesmente crerem em Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas, assim como nós.

No site portasabertas.org você pode acessar a lista dos 50 países que mais perseguem os cristãos, mostrando que, em 2020, ainda temos casos de pessoas que pagam, as vezes, com a própria vida, pela causa de Cristo.

Em 10º lugar está a Índia. Quando pensamos nesse país, imaginamos que seja aberto a outras religiões, uma vez ser um país tão sincrético e tão plural, mas não é bem isso que ocorre se você for um cristão. Nesse país, o nacionalismo religioso é o maior motivo para a perseguição dos cristãos. Um exemplo, contado por Marco Cruz do ministério Portas Abertas é o de famílias que, nesse período de pandemia, dependem do governo para sua própria subsistência. Como na Índia ainda ocorre o chamado sistema de “castas”, há sempre um líder comunitário, geralmente em vilas e aldeias, que é, ao mesmo tempo, autoridade política e religiosa. Com isso, quando o governo envia mantimentos para as regiões carentes, esse líder é o responsável por distribuir essa ajuda entre os seus liderados. E quando há uma família, ou mesmo um lar onde alguém seja cristão, esse líder simplesmente não faz chegar a ajuda nessa casa. Isso é muito triste, porque a perseguição aos nossos irmãos nem sempre é aberta, mas ocorre de forma velada.

Atualmente, Coreia do Norte, Afeganistão e Somália são, respectivamente, os primeiros países em perseguição aos cristãos, no mundo. Se na Coréia do Norte o motivo para a perseguição é a opressão comunista e pós-comunista, no Afeganistão e na Somália essa perseguição se dá pelo chamado “antagonismo étnico”. Nele, as comunidades e famílias cristãs são forçadas a aderir padrões estabelecidos por tribos ou grupos étnicos, o que sempre resulta em uma combinação de opressão e violência. O portal portasabertas.org conta a história de Pierre, da República Centro-Africana. O pai dele era um alto sacerdote do deus local, Dakwe, e ele teria o mesmo destino. Porém, tudo mudou após sua esposa conhecer a Cristo.

Orar pela igreja perseguida é orar por nossos irmãos em Cristo. Homens e mulheres que, diferentemente de nós, não tem a liberdade de se reunir para prestar culto a Deus. Irmãos que não possuem livre acesso a bíblia, como nós temos. Com isso, orar pelo discipulado dessas pessoas é igualmente importante, para que o Senhor faça chegar a Sua Palavra nessas aldeias e vilas, tão atingidas pela cultura animistas (em especial no continente africano).

Meu desejo é que você, ao colocar a igreja perseguida em sua oração, não se esqueça que hoje somos livres para prestar culto a Deus, livres para lermos a Escritura Sagrada, livres para acessarmos o ambiente virtual e acompanharmos toda programação de nossa igreja. Isso é benção. É fruto da graça e do amor do Senhor. Valorize isso. Não se deixe engolir pela rotina, pelo cansaço ou mesmo pela “zona de conforto”. Oséias 6.3 nos orienta: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR”.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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CORAÇÃO QUEBRANTADO

25 de setembro de 2020

O homem é, naturalmente, inclinado a confiar em suas próprias capacidades. Com esta atitude ele enche-se de uma segurança carnal e envereda pelo caminho da altivez e do orgulho contra Deus (Pv 21.4). Neste caso, sua prosperidade pode auxiliar no processo de arrogância como escreve Davi no Salmo 30.6: “Eu dizia na minha prosperidade: não vacilarei jamais”.

Deus conhece o coração do homem e sabe que o mesmo é enganoso e corrupto (Jr 17.9). Por isso, muitas vezes, ele permite a adversidade para manter seus filhos no caminho da humildade, pois, como ensina Tiago, “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6b).

A adversidade faz com que o homem reconheça o quão frágil e vulnerável é a sua própria natureza. Calvino ensina que, para que o homem admita sua fraqueza e limitação, Deus permite as tribulações sobre ele: “Neste caso, é necessário passar pela experiência da aflição. Portanto, ele nos aflige com humilhação, pobreza, perda de entes queridos, enfermidades, ou outras provações”.

Por conhecer a natureza humana e sua tendência à soberba, Deus permitiu que Satanás colocasse um “espinho na carne” do apóstolo Paulo para que ele não se exaltasse diante da extraordinária grandeza das revelações de Deus. Quanto a esse assunto, John Stott diz: “Ele (o sofrimento) também desenvolve a humildade, como na ocasião em que o espinho na carne de Paulo teve o propósito de impedir que ele se tornasse orgulhoso”.

Nenhum exemplo de humildade diante das adversidades pode ser igualado ao de Jesus. Ele sofreu os maiores absurdos, mas não pecou devido à sua sublime humildade silenciosa: “[…] pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente […]” (I Pe 2.23). Mesmo diante da exagerada agressão física e verbal, e do seu injustificado assassínio, ele não revidou. Através da sua vida, Cristo ensina seus seguidores a se comportarem com humildade diante das tribulações.

O sofrimento humano é fundamental para o quebrantamento espiritual. Quando existe bonança, tranquilidade e prosperidade, o coração tende à soberba e a altivez, dispensando a graça e o cuidado de Deus. Cristo é o modelo de humildade, resignação e submissão à ordem do Pai, e estas qualificações foram evidenciadas com veemência no seu terrível sofrimento.

Este é um dos propósitos do sofrimento na vida do crente, produzir a legítima humildade que provém do Espírito Santo. Desta forma, o crente é conduzido à mesma atitude de fraqueza e dependência de Deus relatada por Paulo: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Co 12.10).

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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QUE CONVERSA REVELADORA

19 de setembro de 2020

“Eu sei, respondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier,

nos anunciará todas as coisas. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo”

João 4.25,26

Muitas vezes somos como aquelas crianças que fazem mil perguntas ao mesmo tempo: Onde? Como? Quem? Para que? Por que? Esta curiosidade inesgotável sempre manifesta o desejo pela resposta rápida, afinal, queremos vencer a nossa ansiedade. À medida que crescemos percebemos que as perguntas continuam ali, em nossa mente. Queremos respostas! Somos pessoas que através dos anos fazemos perguntas mais complexas e continuamos desejosos pelas respostas da vida. Desejamos conhecer o que será do nosso futuro; onde iremos morar? Que profissão escolher? Com quem me casar? Como será minha viagem? Minha saúde vai bem?

Jesus está conversando com uma mulher samaritana ao lado de uma fonte onde ela retirava água para beber. Jesus percebe a sede espiritual daquela mulher e se revela como o Messias esperado, o Salvador do mundo. Ela sai daquela conversa, conta a novidade, e muitos foram até Jesus e creram em Cristo. Hoje, você pelo Espírito Santo tem a resposta mais importante em suas mãos. Ela pode saciar a sede espiritual de muitos. Devemos fazer como aquela mulher de Samaria, precisamos compartilhar nosso encontro com Cristo.

Neste tempo de tantas incertezas sobre o futuro, Cristo é nossa segurança, Ele é a nossa paz. Deus se revela ao longo da Bíblia, e nestas páginas inspiradas podemos encontrar inúmeras respostas, e também aprender a descansar naquelas questões que não são tão evidentes, mas que aprendemos a deixa-las aos pés da cruz de Cristo em oração.

 Através da Palavra de Deus, percebemos quantas vezes Ele atendeu as orações de Seu povo e respondeu as dúvidas de seus corações. Ele é Deus presente, que se relaciona conosco através do Espírito Santo, somos privilegiados por termos pela graça este livre acesso ao Senhor através da oração e aprendermos dele ao estudarmos a Bíblia.

Hoje é tempo de termos nossa conversa reveladora com o Senhor, orando, meditando na Palavra e percebendo o privilégio deste momento especial de comunhão com Jesus Cristo.

Que Deus nos abençoe!

Rev.  Leonardo Sahium



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AMANDO A CIDADE

11 de setembro de 2020

“E houve grande alegria naquela cidade”

Atos 8.8

O cristão é alguém que pertence a dois reinos: Ao mesmo tempo em que habita na terra, sabe que pertence ao céu. A maioria da população no Brasil vive em cidades. Dados recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmam que o Brasil possui uma taxa de urbanização superior a 85%. Estimativas mostram que, até 2050 esse número pode aumentar para 93%. Serão, aproximadamente, 237 milhões de pessoas morando em cidades no país, na metade deste século. Em 2008, pela primeira vez na história, mais da metade da população mundial passou a habitar em cidades.

Com isso, ao mesmo tempo em que há esse exponencial crescimento, as pessoas passaram a desenvolver uma série de males, mazelas, preocupações e anseios. Quando observamos a mensagem do Evangelho, percebemos que ela é direcionada a todas as pessoas, independente de onde habitam. Naturalmente, essas pessoas tem seus anseios, dificuldades, traumas. O autor Davi Lago, em artigo recente, elenca quatro grandes valores que norteiam os habitantes das cidades brasileiras contemporâneas.

  1. Consumismo: Hoje em dia, grande parte das famílias vive o sonho de adquirir a casa própria, o carro zero, os smartphones da atualidade, roupas de marca, viagens diversas… O consumismo traz a percepção de que a vitória financeira trará libertação, bem-estar e realização. Como consequência disso, surgem movimentos que distorcem os ensinos bíblicos, como a “teologia da prosperidade”, que estabelece “barganhas” com Deus. No ramo do empreendedorismo, o consumismo pode ser como que um caminho para a realização pessoal.
  2. Tédio: A rotina de trabalho é vista como um mal necessário: Muitos trabalhadores urbanos percebem sua rotina de trabalho como um mal necessário. O emprego é entendido como algo a ser tolerado simplesmente porque viabilizará o recurso financeiro e não como uma vocação. É grande o número de aposentadorias por invalidez, decorrentes de depressão e outras síndromes psicológicas.
  3. Sábado e domingo como dias de trabalho extra: o domingo se tornou um dia para recuperar o tempo perdido. Hoje as atividades pessoais, familiares e da casa ficam para o fim de semana. Isso faz do sábado e do domingo o período para colocar as tarefas em dia: fazer compras, pagar contas, realizar reparos na casa e dormir. O déficit de sono acumulado tem feito com que, aos finais de semana, as pessoas busquem recuperar esse tempo perdido para iniciar a nova semana descansados.
  4. Individualismo: As grandes cidades testemunham uma onda de “corrosão e dissolução” dos laços comunitários. As cidades estão cheias de casas construídas para proteger seus habitantes, e não para integrá-los nas comunidades às quais pertencem. Antigamente, as cidades medievais tinham sistemas de segurança para defender seus habitantes de um inimigo externo. Hoje, esses sistemas servem para dividir e manter separados seus próprios habitantes, para defender uns dos outros. 

Diante disso tudo, precisamos, como verdadeiros cristãos, reafirmar nosso amor por nossas cidades. O evangelho de Cristo é a esperança para todas essas mazelas que nossa sociedade vive submersa. Ele traz uma nova compreensão da vida, do trabalho, das amizades e de cada aspecto da existência. A partir do Evangelho, eu percebo que sou pecador e que preciso de salvação, de segurança, de proteção, de um caminho. Jesus é o caminho. Ele é o Evangelho. Por isso, ore, conheça e ame nossa cidade, como testemunha fiel do Senhor Jesus. Habitamos em uma cidade caída. Ainda não estamos na Nova Jerusalém. Pense que o Senhor te colocou nessa cidade, nesse tempo em que vivemos, não por acaso. Aproveite as oportunidades e seja um instrumento das Boas-Novas. Fale de Cristo e de seu amor.

Que Deus te abençoe e use para Sua glória.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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LIBERDADE PARA AMAR

4 de setembro de 2020

Uma das maravilhas da fé cristã é a profundidade e a consistência do conceito de liberdade. A expiação de Cristo retira qualquer dívida do homem para com Deus e concede salvação a todo aquele que crê. Este processo não exige retribuição ou qualquer outra forma de compensação por uma razão simples: o homem não tem condições de pagar! A liberdade em Cristo repousa na teologia da graça, ou seja, o favor imerecido de Deus aos que experimentaram a redenção.

A dinâmica espiritual em que o fiel faz algo para receber um benefício em troca está fundamentada numa barganha mesquinha e frustrante. O raciocínio é monetário pois, o indivíduo acumula créditos com suas boas obras para sacar oportunamente como dádivas divinas. Se as preces não são atendidas, Deus é, velada ou explicitamente, acusado de mau pagador.
Paulo escreve aos gálatas que qualquer obra, seja obediência à lei ou circuncisão com o propósito de “contribuir” para a redenção, ignora a graça divina e produz escravidão: “Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor” Gl 5:6. Aos efésios, o apóstolo afirma: “8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie.”

A estrutura da fé cristã está alicerçada no amor incondicional de Deus. Este princípio é fundamental para a compreensão de liberdade. O discípulo de Cristo está livre tanto do peso condenatório do pecado como da opressora e ineficiente penitência pela salvação divina. O amor gracioso que liberta é um convite estendido a todo cansado e oprimido (Mt 11.28).

Após experimentar este amor libertador que afeta mente, emoção e vontade, o discípulo de Cristo é convidado a viver de acordo com a lei divina e também a produzir boas obras. No entanto, já pertence à família celestial, já é cidadão do Reino e este exercício é uma consequência prazerosa de quem procura amar a Deus sobre todas as coisas. A obediência não é para salvação, mas, o resultado da mesma.

A estrutura libertadora do amor de Deus deve regular todas as interações dos seus filhos. Por isso, Cristo ensina a amar a Deus sobre todas as coisas (Lc.10.27) e uns aos outros da mesma forma que Ele nos amou (Jo15.12). O amor de Deus que liberta o seu povo é o mesmo amor que produzirá relações saudáveis na família, na igreja e no trabalho.

Os relacionamentos que geram aprisionamento, sentimento de dívida, maus-tratos e que subestimam e desprezam o próximo não estão enraizados no amor que vem de Deus. O apóstolo Pedro escreve sobre a importância de tratar a todos com honra: “Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.” Viver o amor que liberta é possível apenas quando nutridos pelo Criador.

O amor que nasce do próprio coração está contaminado pelo egoísmo, pela conveniência e pelo sentimento de que todos estão devendo algo. A célebre frase é insuportavelmente alimentada: “Quando precisou, eu ajudei! Agora!?”. O amor que liberta tem as suas ações depositadas diante do altar de Deus, afinal, somente Ele é digno de toda honra, glória e louvor!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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JESUS TEM UMA MENSAGEM PARA VOCÊ

28 de agosto de 2020

“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo,
e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”
Atos 1.8

As últimas palavras de Jesus foram estas que estão registradas em Atos, logo, elas estão revestidas de especial cuidado, pois, Jesus deixou aqui revelado a nossa missão com uma promessa. O poder de Deus veio sobre a Igreja, através do Espírito Santo, uma obra totalmente divina, dentro da sua graça, misericórdia e autoridade temporal exclusiva. Ninguém poderia determinar o tempo, a forma, e o lugar onde aconteceria a realização desta promessa, somente Deus poderia fazê-lo. E de fato, a promessa se cumpriu, o Espírito Santo desceu sobre a Igreja reunida no pentecostes, mais uma vez, nosso Deus fiel, cumpriu a sua promessa.

Por outro lado, com a promessa, também recebemos uma mensagem de salvação, que Cristo nosso Salvador nos entregou para compartilhar com todas as pessoas em todos os lugares. Ser testemunha de Cristo, é viver a vida cristã de tal modo que nosso testemunho flua naturalmente, e desta forma, as pessoas que convivem conosco possam desejar conhecer esta paz, alegria e fé que inunda o nosso viver. Mas também deve existir em nós a intencionalidade missionária, ou seja, o desejo de se compartilhar a mensagem do evangelho de Jesus Cristo para aqueles que nem conhecemos direito, usando as mídias disponíveis, apoiando e participando de ações evangelísticas para expansão do evangelho.

Jesus Cristo nos deu esta missão e no poder do Espírito Santo somos capacitados para levar aos corações, a única palavra de salvação. Deus não chamou apenas alguns cristãos para esta missão, ele chamou todos nós! Temos dons diferentes para servir em áreas específicas no Reino de Deus, mas ser uma pessoa que leva o testemunho de sua fé ultrapassa os limites dos dons específicos, é um privilégio de todo cristão. Paulo, Pedro, Tiago, João, Maria, Isabel, Áquila, Priscila e tantos outros homens e mulheres na Bíblia entenderam isso e viveram dessa forma. Quando olhamos para a história da Igreja, descobrimos milhares de outros exemplos de homens e mulheres, jovens e até crianças que através de seu testemunho impactaram vidas para a glória de Deus.

Agosto é o mês das missões na Igreja Presbiteriana do Brasil, mas isso não significa que é um mês voltado apenas para um grupo que se dedica integralmente para evangelizar em outro país. Agosto é o nosso mês, afinal, somos todos missionários de Cristo, em nossas casas, trabalho, escola ou universidade. Somos pessoas que entenderam que todos precisam ouvir: “Jesus tem uma mensagem para você”.

Que Deus nos abençoe.

Rev Leonardo Sahium



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UM POUCO MAIS SOBRE O DESERTO DE ELIAS

21 de agosto de 2020

“Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.”

1Reis 19.4b

Domingo passado, à noite, preguei sobre esse momento do profeta Elias, quando ele chega a pedir ao Senhor que lhe tire a vida. Concluímos que o profeta estava em um estado de colapso emocional, e que o anjo do Senhor, que tratou dele na caverna, é para nós como Cristo, que trata de nossas mais profundas angústias, medos e temores. Caso você não tenha assistido, recomendo que veja em nossos canais do Youtube e Facebook.

Elias fugiu justamente porque foi ameaçado de morte por Jezabel, esposa de Acabe, uma vez que seus profetas e seu ídolo haviam sido derrotados por Elias, no Monte Carmelo. Ante a pública humilhação, ela resolve enviar uma carta ameaçadora a Elias. O mesmo Elias que havia derrotado os profetas de Baal no capítulo 18, é o Elias que se mostra apavorado nesse capítulo 19.

No livro “Quando os problemas aparecem”, o autor nos traz alguns pontos interessantes, que podem ter influenciado Elias a chegar a esse extremo de angústia e sofrimento em sua alma.

Primeiro fator é a fadiga – Elias estava exausto. Havia corrido quase 30 Kms até Jezreel, depois mais 144 Kms até Berseba. Quando finalmente chegou ao Monte Horebe, lugar de término de sua viagem (1Reis 19.8), já havia percorrido incríveis 480Kms. Por mais atlético que fosse, Elias estava, sem dúvida, muito cansado. Uma pessoa cansada é uma pessoa vulnerável.

Segundo, o isolamento – É muito difícil para o cristão viver fora da comunhão dos santos. Estamos percebendo isso no tempo em que estamos de isolamento social por razões sanitárias. No entanto, Elias esteve quase totalmente sozinho por três anos. E agora, novamente, se vê sozinho nesse período de deserto.

Terceiro, a oposição espiritual – Elias havia permanecido de pé sozinho contra os profetas de Baal. Mesmo vencendo, ele sofre oposição de Jezabel. Assim, o profeta ficou sob ataque espiritual direto.

Quarto, os ritmos normais da emoção humana – Elias acaba de experimentar um ponto alto espiritual, a experiência máxima no cume da montanha. Ele testemunhou os poderosos feitos de Deus no fogo do monte Carmelo. Mas depois desceu e deprimiu-se, frágil e esgotado.

Muitos fatores contribuíram para esse estado em que Elias se encontrou. Se você estiver enfrentando um estágio semelhante ao de Elias, saiba que o quanto antes você identificar suas causas, melhor será. Se nossos corpos estão desmoronando, temos de comer refeições saudáveis, equilibradas e, se necessário, receber cuidados médicos apropriados. Se estivermos isolados, precisamos nos envolver mais com a igreja, conversando e mantendo contato com nossos irmãos. Se estivermos sob ataque espiritual, devemos orar pedindo proteção espiritual. Se estivermos carregados de culpa, devemos confessar nossos pecados a Deus e uns aos outros.

Apesar de serem soluções objetivas, elas ainda sim são limitadas. Elias, assim como nós, precisava de um Salvador. Jesus Cristo é o Salvador de que precisamos, que nos chama a descansarmos nele, que nos diz que sem ele nada podemos fazer, e que nos fala: a minha graça te basta.
Que você busque ao Senhor e encontre nele o descanso e o sustento de que tanto precisa.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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