Pastorais
MARAVILHAS DA TUA LEI.

8 de janeiro de 2021

Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei.” Salmo 119.18

O Salmo 119 é um escrito muito rico para nossa meditação. Nele, o salmista se utiliza de formas muito peculiares para que seu leitor possa, não somente lê-lo, mas decorá-lo. É comum ao judeu, até os dias de hoje, ler a Torá de forma cantada, facilitando assim a sua memorização. Este extenso salmo didático ou sapiencial é o mais perfeito dos salmos chamados “acrósticos”. É formado por vinte e duas estrofes, de acordo com o número de letras do alfabeto hebraico, e cada estrofe, por sua vez, é composta de oito versos, que começam sempre com a letra correspondente à estrofe. Uma obra de arte.

O tema principal desse belo salmo não é outra coisa senão a própria Lei de Deus. O salmista exalta a Lei do Senhor, Seus preceitos, Seus mandamentos, de forma que, ao lermos o salmo, em suas estrofes tão ricas, somos desafiados a um apego maior a Palavra de Deus.

E quando chegamos na porção do Salmo 119, que vai do verso 17 ao verso 24, o salmista ora ao Senhor, pedindo que lhe seja generoso, para que viva e observe a palavra de Deus (v.17) . É uma súplica que dificilmente fazemos. Não é orar ao Senhor para observar a Sua Palavra simplesmente. É um apelo para que o seu viver seja em observância, em consonância com aquilo que Deus requer, em Sua Palavra. É muito profundo. Viver nossas vidas, observando a Lei de Deus, é se deparar com os nossos próprios pecados e não relativiza-los, nem mesmo transferi-los para outros, assim como fez Adão no paraíso, colocando a culpa, em última instância, em Deus (“A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi”. Gn3.12).

Em seguida, o salmista profere essa oração tão bela, que consta no v. 18 do Salmo 119: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei”. Sabe o que o salmista nos afirma, com essa oração? Que ele sabe muito bem que, se dependesse dele, jamais teria capacidade de entendimento e de compreensão da Palavra de Deus. E isso não ocorre porque essa Palavra seja de difícil entendimento, ou por utilizar linguagem adversa da que estamos acostumados. E isso não ocorre porque essa Palavra seja de difícil entendimento, ou por utilizar linguagem adversa da que estamos acostumados. Isso se dá porque a nossa natureza pecaminosa nos deixa como que cegos. Precisamos da iluminação do Santo Espírito, do descortinar divino para entender que essa Palavra, santa, inerrante e infalível, é a própria Palavra de Deus.

Em sua oração, o salmista vai além, e não pede somente para contemplar a lei de Deus. Ele quer contemplar as maravilhas advindas dessa lei. Ele sabe que beber dessa fonte é um privilégio, uma alegria e um momento muito especial. Ele sabe que há um tesouro ali. E dessa palavra brotam maravilhas, que enchem o coração do crente de temor ao Senhor, de esperança, de alegria, de fé, de bondade, de mansidão, de domínio próprio, de longanimidade… São tantas maravilhas, tantas riquezas advindas da Palavra do Senhor, que o salmista simplesmente pede: Senhor, abra meus olhos, pois preciso ir além, não só ver, mas contemplar a beleza da Tua lei.

Da mesma forma que fez o salmista, assim devemos nós fazer. Contemplar as maravilhas da lei de Deus só acontece àqueles que tiveram seu entendimento clareado, seu olhar descortinado, seus olhos abertos. Se isso já ocorreu com você, veja em seu coração o motivo de você não conseguir contemplar as maravilhas da lei de Deus. O que será que tem te impedido de se deleitar nessa Palavra, fonte de bênçãos para o cristão? É marca do crente o apego à Palavra do Senhor. E se você ainda tem o seu entendimento entenebrecido, ore ao Senhor pedindo que Ele desvende os seus olhos para que você, aí sim, possa contemplar as maravilhas de Sua lei. Mas não se acomode. Mil e uma coisas surgirão no seu dia, te fazendo deixar de lado o seu tempo devocional de leitura e oração. Insista. Persista. Ore.

Sabe qual é a maior das maravilhas? Cristo Jesus, nosso Salvador. É tudo sobre ele.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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O FOCO PARA 2021

2 de janeiro de 2021

O ano novo se inicia e as famosas metas eternamente inconclusas são retomadas. No entanto, existem algumas peculiaridades nas festividades deste ano. O voto de felicitações pelo novo ciclo ecoou discretamente. A confiança que nutre a expectativa de dias melhores esteve atordoada pela truculência global de 2020. A intensidade das cores e o brilho dos fogos que simbolizam a alegria e o otimismo da virada, diminuíram drasticamente! Na verdade, o mundo está pálido, fosco, desconfigurado e sem muitos motivos para sorrir. As celebrações foram discretas, muitos encontros familiares ocorreram apenas virtualmente e a mesa farta regada ao sorriso solto ficou deslocada diante do cenário com aparência de guerra.

A sociedade regada a músicas animadas e festas badaladas para minimizar a dor e o sofrimento do dia a dia está teoricamente impedida de recorrer a esta válvula de escape. O que resta é o encontro face a face com o vazio expresso em Eclesiastes, o pessimismo dos exilados na Babilônia e a frustração dos que tentaram construir Babel. Ao fechar a porta de 2020 cabisbaixos, amedrontados e inseguros, os seres humanos deveriam admitir a própria pequenez e fragilidade. As rotas que produziam uma felicidade momentânea e circunstancial estão bloqueadas e este cenário deveria produzir uma reflexão do quanto a existência é efêmera.

É importante destacar que se escancarou nesta tão sofrida nação a ganância, o descaso, a corrupção, a insensibilidade e o jogo de interesses de muitos diante de uma situação tão caótica. Por outro lado, seria injusto deixar de enfatizar o trabalho incansável de cientistas e pesquisadores, o zelo e a resiliência dos profissionais de saúde e a solidariedade de indivíduos, empresas e instituições. Provavelmente, estes heróis anônimos não serão destacados pelos poderes constituídos e nem mesmo pelos importantes canais de imprensa que estão mais interessados na própria sobrevivência.

A experiência de 2020 é apenas a confirmação do que as Escrituras enfatizam em todas as suas páginas. O mundo que ignora Deus e constrói seus belos, imponentes, estruturados e sofisticados castelos sobre a areia, sucumbe com o sopro de um vírus. É provável que em 2021 esta tempestade universal seja minimizada com vacinas e a humanidade retome os projetos de mega construções sobre a areia. O recomeço de uma frustrante jornada que conduz a lugar algum.

Por outro lado, a igreja militante segue com as marcas no corpo e na alma, finca as suas bases sobre a Rocha e avança, por vezes, exausta! Porém, esta igreja tem plena convicção que nem vírus, nem enfermidade e nenhuma outra adversidade pode nos separar do amor de Cristo. “37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. 38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, 39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” Rm 8.37-39. Em 2021, mantenha o foco, apegue-se ao Eterno e a todos os seus valores, siga firme e creia que, em Cristo, a igreja militante também é triunfante, afinal, somos mais que vencedores!

Feliz 2021!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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O ÚLTIMO DOMINGO DO ANO

26 de dezembro de 2020

“Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio” Eclesiastes 7.8a

Chegamos ao último domingo do ano de 2020. Que ano, meus irmãos! Ano que tivemos de encarar novas e tristes realidades. O distanciamento social, uso de novas tecnologias e uma maior atenção quanto ao nosso asseio e higiene foram marcantes nesse ano. Se até março tínhamos em mente uma série de projetos para o ano, a partir da chegada do vírus em nosso país, fomos obrigados a alterar, adiar ou mesmo cancelar esses sonhos.

Mas a bíblia nos ensina lições preciosas, até para momentos como este que vivemos. Não por acaso, nós pastores temos mantido no ar uma live semanal, abordando aquilo que a Palavra de Deus tem para nós hoje. E algumas dessas lições encontram-se no livro de Eclesiastes, escrito pelo rei Salomão, filho de Davi.    

No capítulo 7, a partir do verso 1º, Salomão vai apontar para aquelas coisas que são mais duradouras do que a alegria do rico. Uma boa reputação (“nome”) tem uma influência (como o aroma do perfume) que vai além do próprio tempo de vida do indivíduo. O dia da morte de um homem também tem uma influência duradoura, pois depois disso sua vida pode ser apresentada como exemplo, se assim o seu nome o mereceu.

O segundo provérbio, no versículo 2, não é muito diferente daquilo que nosso Senhor disse no Sermão do Monte: “Bem-aventurados os que choram” (Mt 5.4). A aflição e a tristeza produzem um amadurecimento em alguns, enquanto em outros a tendência é endurecê-los e deixá-los mais amargos. Estar diante da enfermidade ou da morte tende a nos trazer rapidamente para as questões realmente cruciais da vida.

De igual modo, o terceiro provérbio, nos versículos 3–4, ensina que há uma lição a ser aprendida com a tristeza, e um trabalho a ser realizado por ela, na vida daqueles que temem a Deus.

Chegando no verso 7, aprendemos principalmente que é melhor esperar pelo tempo de Deus do que ser impaciente. “Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio”. Mas essa frase parece não fazer sentido para nós, nesse fim de ano. O ano de 2020 começou, aparentemente, de uma forma melhor do que termina. Mas não é esse tipo de fim que Salomão aqui faz referência. Em toda a sua sabedoria, Salomão nos fala acerca das ansiedades, dos medos e temores do porvir.

O ano de 2020 pode ter trazido a você sérias dificuldades, seja na área financeira, seja quanto a sua saúde, ou mesmo de algum familiar ou amigo. Mas o que aprendemos com a Palavra do Senhor é que o povo de Deus não precisa se preocupar com o aparente fim das coisas. Digo aparente, porque estamos nesse mundo como peregrinos, visto que o nosso lar é celestial, é eterno. E lá, não teremos mais com o que nos preocupar. Nossos medos e ansiedades ficarão aqui, nesse mundo. Conosco levaremos o desejo de adorar ao nosso Deus, sem que o pecado nos cegue, nos limite e nos atemorize.

Portanto, ao entrar em 2021, mesmo que, aparentemente, as perspectivas não sejam as mais favoráveis, não se esqueça que “o fim das coisas é melhor que o seu princípio”. Tenha em mente que fazer parte do povo de Deus é um privilégio, e devemos ser gratos ao Senhor pelo nosso resgatador, Cristo Jesus. Ele prometeu que vai voltar, nos deu a vida eterna, e hoje somos o povo que deve espalhar as boas novas de esperança, de alegria, mesmo o mundo do jeito que está. Não temos mais o que temer.

Que você tenha um ano de 2021 abençoado, entendendo que lutas e dificuldades virão. Mas com a consciência de que o pastor do Salmo 23 te acompanha em todos esses momentos.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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NATAL, TEMPO DE DAR UM TEMPO!

18 de dezembro de 2020

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo
para todo propósito debaixo do céu” Eclesiastes 3.1

Este texto muito conhecido, descreve os diferentes momentos em nossas vidas, revelando tempos intercalados entre lutas e vitórias, alegrias e tristezas, sonhos e decepções.

Mas este texto nos ensina que precisamos aprender duas coisas muito básicas e fundamentais em nossa vida. A primeira é a arte de discernir o tempo. Saber quando é tempo de rir e quando é o tempo para chorar, quando é o tempo de plantar e de colher. Precisamos rogar a Deus sabedoria para aprendermos a discernir o tempo. Um dos sinais de imaturidade em uma pessoa é quando ela não sabe o tempo certo para determinadas coisas. Por exemplo, ela ri em um momento que exigia seriedade, ela fala quando deveria ter ficado calada e assim por diante. Portanto, ter sabedoria para discernir o tempo, a hora e o lugar para determinadas atitudes e palavras é sinal de maturidade.

Precisamos saber discernir o tempo para plantar, investir, estudar, namorar, sair com os amigos, desfrutar do descanso ou trabalhar com mais afinco. A qualidade de nossa vida amanhã será determinada pela maneira como nós discernimos o tempo hoje.

Outra coisa que o texto nos diz é que diante da mudança constante do tempo, precisamos aprender a administrar nosso tempo. Quanto tempo devemos investir em áreas específicas de nossa vida. Agendar um número excessivo de compromissos pode nos atrapalhar, tirar a alegria, gerar improdutividade, estresse, esgotamento e uma enorme frustração. Por outro lado, deixar passar as oportunidades de crescimento, viagens e estudos podem também gerar um enorme vazio existencial. Assim sendo, precisamos rogar a Deus sabedoria para administrar o tempo.

Quando fazer o que precisa ser feito? Quanto tempo podemos ou devemos investir em determinada tarefa? Como aproveitar melhor as nossas 24 horas diárias? Estas são perguntas que se respondidas na medida certa nos darão uma qualidade melhor de vida, pelo simples fato de termos aprendido a administrar nosso tempo.

Chegamos no Natal, é tempo de dar um tempo na correria, nas incertezas, nas telas e olhar para o alto e louvar a Deus. É Natal, tempo de agradecer a Deus pelas vitórias, por aprender com as derrotas, mas principalmente celebrar o nascimento de Jesus Cristo, que nasceu, viveu, morreu e ressuscitou por amor a cada um de seus filhos e filhas.

Natal, tempo de dar um tempo e simplesmente amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos! Feliz Natal!

Que Deus abençoe a todos.
Rev. Leonardo Sahium



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UM NATAL DIFERENTE

11 de dezembro de 2020

A chegada de um filho envolve grande expectativa e uma indizível alegria. Enquanto a gestação ocorre, os pais idealizam, projetam e imaginam como será o nascimento e o desenvolvimento da criança. A realidade envolve um intenso trabalho com mudanças profundas na rotina, no entanto, o amor e o encanto com o novo membro justificam todo o esforço.

A pandemia restringiu a participação presencial dos familiares durante este processo. Um dos primeiros desafios dos pais foi manter o bebê distante da interação com pessoas que o aguardavam ansiosamente. Muitas vovós, por exemplo, que sempre socorreram as mamães de primeira viagem tiveram que prestar os primeiros auxílios, apenas, virtualmente.

A partir de março de 2020, os aspectos que envolvem o nascimento de uma criança foram amplamente alterados. Uma blindagem que impedia o contato de pessoas com fortes vínculos afetivos precisou ser estabelecida para a saúde e proteção de todos. Os protocolos deveriam ser rigorosamente seguidos para que o descendente iniciasse a sua jornada com segurança.

O plano divino para o nascimento de Cristo também teve que cumprir uma série de protocolos, afinal, desde Gênesis 3.15 percebe-se que a chegada do Messias seria num contexto marcado por desconfortos e ameaças. As páginas dos evangelhos apresentam o quanto o nascimento de Cristo estava envolto em tensões.

O recenseamento obrigou a viagem de Maria e José de Nazaré para Belém (Lucas 2.2-4). Os dias da gestação se completaram enquanto eles estavam em trânsito e Jesus nasceu num lugar impróprio (Lucas 2.7). A chegada do Rei de Israel ameaçou o governo de Herodes e, por isso, ele desejou matar o recém-nascido. Ocorreu, então, a fuga de Jesus com os seus pais para o Egito (Mateus 2.13-18).

A pandemia traz para o centro das conversas sociais e familiares o quanto este mundo é ameaçador. Toda tentativa humana de estabelecer estruturas de proteção, segurança e estabilidade sucumbiram com um simples vírus. Os pais dos bebês que nasceram a partir de 2020 estabeleceram limitações, precauções e restrições que manifestavam o cuidado e o amor aos seus filhos diante de um mundo em desordem.

A encarnação do Salvador também foi marcada por limitações, precauções e restrições. O nascimento de Cristo envolvia desconfortos, distanciamentos e preocupações dos pais que tanto amavam o filho. A Bíblia revela que mesmo diante de todas as adversidades, Jesus cresceu, iniciou o próprio ministério e cumpriu a sua missão. A providência, o governo e a soberania divina guiou todos os seus passos neste mundo.

Os dias de instabilidade, insegurança e incertezas nos aproxima do verdadeiro Natal, afinal, estes elementos estavam presentes no nascimento de Cristo. No entanto, o Salvador veio do alto para garantir a todos os que creem que, somente através dEle, é possível encontrar a estabilidade, a segurança e a certeza das suas promessas, mesmo numa época tão ameaçadora. Esse ano, o Natal será diferente! Talvez isso nos ajude a compreender melhor o seu verdadeiro significado!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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“O DESAFIO DOS DOZE E NOSSO TAMBÉM”

5 de dezembro de 2020

“Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.” 1Co 1:27-29

Há alguns domingos iniciamos uma nova série de sermões, intitulada “O Desafio dos Doze”. Ao longo da série, abordamos um pouco da vida e ministério de cada um dos 12 apóstolos de Cristo. Inicialmente, os 12 apóstolos foram: Pedro, André, Tiago, João, Filipe, Natanael (Bartolomeu), Mateus, Tomé, Tiago menor, Simão (o zelote), Judas e Judas Iscariotes. Posteriormente, Matias entra para o colégio apostólico, no lugar de Judas, o traidor.

O que nos chama atenção nesses homens é que eram pessoas comuns, como eu e você. Acessíveis, com suas imperfeições e fraquezas. Homens que, provavelmente, teríamos muito gosto em sentar e escutar suas histórias de vida.
Isso nos mostra que eram, em tudo, homens perfeitamente comuns. Nenhum deles era conhecido como um exímio teólogo, um erudito, ou mesmo um grande estudioso. Na verdade, não se destacavam por seus talentos naturais nem por aptidões intelectuais. Mas, pelo contrário, todos eles estavam sujeitos aos mesmos erros e atitudes equivocadas que eu e você também estamos, com lapsos na fé e fracassos. Quem ilustra isso muito bem é o próprio apóstolo Pedro. Em Lucas 24:25, Jesus comentou que eles eram lentos para aprender e um tanto obtusos nas coisas espirituais.

Porém, depois da ascensão de Cristo, esses homens, com todos os seus defeitos e fraquezas, deram continuidade a um ministério que impactou a história. Esse mesmo ministério continua a nos influenciar até os dias de hoje. Homens comuns, mas que tornaram-se instrumentos para que a mensagem de Cristo fosse levada até os confins da terra.

Os apóstolos, encorajados pelo Cristo ressurreto, receberam poder do Espírito Santo, em Pentecostes, para seguir o ministério de anunciar as Boas Novas de salvação. Com ousadia e coragem, dedicaram-se a tarefa para a qual Jesus os havia chamado. O que se conclui é que, na verdade, dependia do Espírito Santo operar nos corações daqueles homens, para que a vontade de Cristo fosse cumprida. Esses homens foram instrumentos nas mãos de Deus, como eu e você também podemos ser hoje.

Isso nos traz algumas lições. Primeiro: não subestime os dons e talentos que Deus lhe deu. Por certo, nem todos são músicos, nem todos são mestres, nem todos são hospitaleiros etc. Mas Deus chamou pessoas para cada um desses e de muitos outros dons. Não pense que o seu dom é menor ou insignificante perto de outro. Valorize esse presente que o Senhor lhe proporcionou. Segundo: independente do seu dom, você tem o dever de anunciar o Evangelho. O dom, o talento devem ser usados para glória de Deus, para edificação do corpo, da igreja de Cristo. Com isso, nossa obrigação de “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda a criatura” ainda está de pé. Não pense que essa é obrigação apenas dos líderes da igreja, dos pastores, ou mesmo de seus pais ou pessoas mais velhas. Deus nos chama a servi-lo, e parte desse serviço é obedecer ao seu grande comissionamento (Mateus 28.16-20).

Se hoje estamos, em 2020, em nosso país, em nossa cidade, em nosso bairro, podendo cultuar a Deus, é porque, há 2000 anos atrás, esses homens anunciaram essa mensagem, e ela nos chegou, impactando para sempre o nosso viver.

Que nesses dias, quando nos preparamos para o Natal, você tenha em mente que Cristo é o centro, a mensagem, o Evangelho, a Boa Nova, a Salvação, que o mundo tanto precisa. Ele já veio, foi morto, mas ressuscitou, e prometeu que irá voltar. Confie nisso, creia de todo o coração, e anuncie essa maravilhosa verdade. Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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ANTES DA VACINA

27 de novembro de 2020

Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação…

tudo posso naquele que me fortalece. Fp 4.11,13

Essa pandemia pode ser incapaz de produzir grandes transformações nas mentes e nos corações daqueles que possuem seus corações embrutecidos e alienados do amor divino. A esperança de muitos é para que uma vacina segura solucione definitivamente. O desejo é seguir a rota de buscas por aquilo que satisfaz as vaidades e os caprichos existenciais. É como se a COVID 19 estivesse obstruindo o fluxo natural da caminhada e a eliminação dos efeitos que esse mal causa possibilitasse o retorno a uma realidade “normal”.

Por outro lado, o cansaço é unânime, as complicações são diversas e afetam indivíduos, famílias e sociedade. A mente já não consegue trabalhar numa perspectiva de longo prazo. Os projetos estão travados aguardando uma fase desanuviada e estável. Mesmo diante de tantas controvérsias acerca da pandemia, a expectativa pela interrupção é um anseio universal. Talvez, apenas aqueles que estão lucrando ou sendo beneficiados, se satisfazem com o caos generalizado que o planeta enfrenta.

O conjunto de crenças e valores determina o modus operandi, ou seja, a maneira de agir em situações de tensão, exaustão e sofrimento. A partir destes pressupostos, os discípulos de Cristo encontram na pandemia uma oportunidade para averiguar a estrutura da fé desenvolvida até o presente. O quanto os conteúdos internos proporcionam uma compreensão adequada diante de uma alteração tão impactante no curso da vida?

Os pensamentos e comportamentos neste momento específico de desajuste social dependem da fonte que nutre a alma. Por isso, antes da vacina segura e eficaz, o Senhor está permitindo um tempo de instabilidade e incertezas para que seus filhos avaliem com perícia onde suas vidas estão ancoradas. A fé está sendo provada e corre-se o risco de atravessar este tempo com displicência, distração e com os mesmos anseios que povoam as mentes secularizadas.

O governo divino é soberano sobre os problemas e soluções. Esta adversidade global e todas as outras são permitidas para que haja o desenvolvimento da confiança no Senhor. Enquanto não acontece o processo de conclusão da vacina, aproveite esse tempo para alinhar a mente e o coração à vontade divina. Antes da vacina, ajuste a sua espiritualidade, redefina as suas expectativas e aumente a intimidade com o Senhor. Este processo produz a alegria do Senhor, que independente do temporal revolto do lado de fora!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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5 BENEFÍCIOS QUE A PALAVRA DE DEUS PRODUZ EM SUA VIDA

20 de novembro de 2020

É de extrema importância estarmos dia a dia impregnados da Palavra de Deus. Devemos manter uma disciplina e rotina no conhecimento das Escrituras.

Aperfeiçoa – “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” 2 Timóteo 3.16-17. O efeito gradual e contínuo da leitura, estudo e meditação das Escrituras é o nosso aperfeiçoamento. Aperfeiçoar é a arte de trabalhar em um material bruto e refiná-lo com melhorias, lapidação e esmero. É isso que o ensino da Palavra de Deus faz conosco. Ele nos dá crescimento no conhecimento do caráter de Cristo, nos confronta em nossos pecados e corrige nossos pensamentos, emoções e ações. Educa-nos em nosso coração, para que nos tornemos perecidas com Cristo a fim de nos deixar preparados para uma vida que glorifica ao nosso Pai celestial. Não é pelas nossas próprias aptidões que somos transformados, mas pela graça que nos alcança. Como joias lapidadas, esmeradas, limpas das impurezas, tornamo-nos cada dia mais parecidos com Cristo, aperfeiçoados e perfeitos, prontos para servirmos ao Reino de nosso Senhor.

Limpa – “Vós já estais limpo pela Palavra que vos tenho falado.” João 15:3. A prática da limpeza é muito mais do que o aprendizado do uso do material e dos utensílios adequados, envolve hábito, rotina e uma sequência nas tarefas. Se nos importamos com a limpeza dos ambientes externos a nós e empregamos tempo para isso, muito mais deveríamos investir em nossa purificação espiritual. E como fazemos para limpar nossa mente, alma e coração? Será que é possível usarmos o mesmo modelo de limpeza de nossas casas para a morada do Espírito Santo em nós? A Palavra de Deus é o mais excelente material para a purificação de nossas almas e mentes. Temos que ter sabedoria e disposição para nos lançarmos na Palavra com todo empenho e usá-la com perícia. Você já mergulhou nas Escrituras com o propósito de ser purificado? Seja intencional na sua leitura bíblica na busca por purificação. Nosso Senhor trabalha em você enquanto você o busca (Jr 29.13) e ele mesmo vai ajudá-lo a aplicar, através do Espírito Santo, a Palavra em seu coração, renovando sua mente (Rm 12.2) para que não fique estagnado, conformado ao mundo e aos seus valores.

Santifica – “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” João 17.17. Quando Deus separou um povo para si, ele não escolheu o maior povo, nem o melhor povo, ele separou um povo que ele mesmo iria capacitar, preparar e santificar. Que privilégio! Se você foi escolhido para receber o dom da fé (Ef 2.8-9), alegre-se na sua salvação (Is 12.3 ) e glorifique ao nosso Pai com a sua vida, oferecendo a ele um culto racional: disponha-se e estude a Palavra, que é a Verdade que a santifica. A verdade da Palavra de Deus incutida em sua mente vai protegê-lo das ciladas do pai das mentiras e fará de você um cristão forte, preparado para a batalha contra os poderes do mal, aquele que não vemos, mas que sabemos que nos rodeia (1Pe 5.9).

Liberta – “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” João 8.32. Quando conhecemos a Palavra do Senhor dos Exércitos, ela nos liberta do cativeiro da submissão às mentiras. Quanto mais conhecemos a Verdade, mais queremos viver a Verdade.

Discerne os pensamentos e os propósitos do coração – “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” Hebreus 4.12. O apóstolo Paulo relata que ele faz o mal que não quer, no entanto não consegue fazer o bem que deseja (Rm 7.19-20). Nossa natureza caída luta ferozmente com o nosso espírito. Você conhece o mau que habita em você? Consegue prever suas reações no campo de batalha de seu coração, ou de sua mente, quando precisa reagir a alguma situação? Tudo em nós que é exposto à luz da Bíblia produz transformação para a santificação.

Leia a Palavra, deleite-se, renove-se.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança
(adaptado do texto de Renata Gandolfo)



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SER OU FAZER

13 de novembro de 2020

Historicamente o ocidente tende a laçar sua maior ênfase ao fazer, e o Oriente ao ser. O que somos sempre pareceu mais importante para o oriental; o ocidental sempre está querendo fixar-se no que fazemos. Um exalta o verbo ser; o outro, o verbo fazer.

Fosse perfeita a natureza humana, não haveria discrepância entre ser e fazer. O homem não decaído simplesmente viveria de dentro, sem dar a isso um pensamento sequer. Suas ações seriam a verdadeira expressão d seu ser interior.

Contudo, com a natureza sendo o que é, as coisas não são simples assim. O pecado introduziu confusão moral e a vida ficou complicada e difícil. Aqueles elementos do nosso íntimo cujo propósito era trabalhar juntos em inconsciente harmonia, muitas vezes ficam isolados uns dos outros total ou parcialmente e tendem a tornar-se positivamente hostis uns aos outros. Por esta razão é extremamente difícil conseguir simetria de caráter.

Da profunda confusão interna surge o antagonismo entre ser e fazer, e o verbo a que damos nossa ênfase coloca-nos numa das duas categorias: somos ser-edores ou faz-edores, uma ou outra coisa. Em nossa sociedade civilizada moderna a ênfase recai quase totalmente no fazer.
Nós cristãos não podemos fugir a essa questão. Devemos descobrir onde Deus lança a ênfase e acercar-nos do esquema divino. E isto não deve ser demasiado difícil, visto que temos diante de nós as Sagradas Escrituras com toda a sua riqueza de instruções espirituais, e para interpretar essas Escrituras teremos o próprio Espírito que as inspirou.

Devemos iniciar a necessária reforma desafiando a validade espiritual do externalismo. Deve-se demonstrar que o que um homem é, é mais importante do que o que ele faz. Enquanto a qualidade moral de qualquer ato é conferida pela condição do coração, pode haver um mundo de atividade religiosa que provem, não de dentro, mas de fora, e que parece ter pouco ou nenhum conteúdo moral. Esse comportamento religioso é imitativo ou reflexo. Brota do generalizado culto da comoção e não possui nenhuma vida interior veraz.

A mensagem “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27) precisa ser restabelecida na igreja. Precisamos mostrar a uma geração de cristãos agitados, quase frenéticos, que o poder está no centro da vida. Velocidade e barulho são evidências de fraqueza, não de força. A eternidade é silenciosa; o tempo é ruidoso. A nossa preocupação com o tempo é triste evidência da nossa básica falta de fé. O desejo de sermos dramaticamente ativos é provado nosso infantilismo religioso; é um tipo de exibicionismo comum no jardim da infância.

A.W. Tozer



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DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

6 de novembro de 2020

A vida e todos os seus desdobramentos exige uma explicação. A inquietante mente humana envereda por caminhos científicos, filosóficos e religiosos em busca de incontáveis respostas. Como completar o quebra-cabeça existencial? De que forma encontrar sentido? Por que o ser humano age e reage dessa ou daquela forma? Tudo parece tão simples e óbvio e, de repente, tão complexo e misterioso.

As universidades, os laboratórios e os governos podem identificar distorções, produzir soluções e responder muitos dilemas que causam desconforto. Este processo é legitimo e importante, no entanto, a momentânea sensação de alívio e progresso logo é sequestrada por outra onda de tormento, disfunção, crise e insegurança.

Os registros históricos demonstram que este mundo é extremamente desajustado e todas as tentativas de melhorá-lo são fugazes. O homem se apega facilmente às muitas soluções ilusórias e pueris para tentar eliminar profundos males que causam danos individuais, familiares, sociais e ambientais. A fartura de diagnósticos acerca da entranhada miséria humana está exposta em toda parte.

A partir desta auto percepção de impotência, é possível chegar à conclusão de Schopenhauer: “a vida é uma queda perpétua em direção à morte”. De acordo com o rei Salomão, todos os movimentos humanos são feitos em direção ao vazio. É razoável deduzir, então, que as densas trevas da jornada causam pavor nos transitam nesta atmosfera de desamparo e incertezas. Por outro lado, os regulares exercícios de negação da realidade podem contribuir para a crença de que tudo isso é um exagero.

Os questionamentos, medos e incômodos denunciam o deslocamento e o desconforto humano. O homem é um deslocado e intruso que não consegue acessar um sentido que justifique os labores e sofrimentos diários deste mundo. Neste momento, ocorre uma busca ao mistério, aos elementos que extrapolam a razão. Mas essa tentativa pode ser insuficiente e bloqueada pela limitação e corrosão interior.

A conclusão óbvia é: um ser em deterioração e destinado a morte não pode encontrar vida verdadeira por si mesmo! Por isso, somente Jesus é capaz de oferecer a solução eficaz. Apenas Cristo oferece uma solução proporcional ao tamanho do problema humano. O Deus encarnado morre numa cruz, ressuscita e concede vida eterna a todos que creem nele: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados.”(Ef 2.1).

A partir desta perspectiva, as experiências difíceis neste mundo são encaradas como momentos transitórios diante da vida eterna reservada aos fiéis. Através de Cristo, o quebra-cabeça existencial é montado, o sentido é encontrado, afinal, o mistério é revelado: “desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo” (Ef 1.9).

Ao homem, resta admitir a própria incapacidade de promover alegria, paz e amor fundamentados na verdade, render-se ao senhorio de Cristo e confessar que: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” Esta é a verdade que explica a vida e todos os seus desdobramentos.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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