Pastorais
SER OU FAZER

13 de novembro de 2020

Historicamente o ocidente tende a laçar sua maior ênfase ao fazer, e o Oriente ao ser. O que somos sempre pareceu mais importante para o oriental; o ocidental sempre está querendo fixar-se no que fazemos. Um exalta o verbo ser; o outro, o verbo fazer.

Fosse perfeita a natureza humana, não haveria discrepância entre ser e fazer. O homem não decaído simplesmente viveria de dentro, sem dar a isso um pensamento sequer. Suas ações seriam a verdadeira expressão d seu ser interior.

Contudo, com a natureza sendo o que é, as coisas não são simples assim. O pecado introduziu confusão moral e a vida ficou complicada e difícil. Aqueles elementos do nosso íntimo cujo propósito era trabalhar juntos em inconsciente harmonia, muitas vezes ficam isolados uns dos outros total ou parcialmente e tendem a tornar-se positivamente hostis uns aos outros. Por esta razão é extremamente difícil conseguir simetria de caráter.

Da profunda confusão interna surge o antagonismo entre ser e fazer, e o verbo a que damos nossa ênfase coloca-nos numa das duas categorias: somos ser-edores ou faz-edores, uma ou outra coisa. Em nossa sociedade civilizada moderna a ênfase recai quase totalmente no fazer.
Nós cristãos não podemos fugir a essa questão. Devemos descobrir onde Deus lança a ênfase e acercar-nos do esquema divino. E isto não deve ser demasiado difícil, visto que temos diante de nós as Sagradas Escrituras com toda a sua riqueza de instruções espirituais, e para interpretar essas Escrituras teremos o próprio Espírito que as inspirou.

Devemos iniciar a necessária reforma desafiando a validade espiritual do externalismo. Deve-se demonstrar que o que um homem é, é mais importante do que o que ele faz. Enquanto a qualidade moral de qualquer ato é conferida pela condição do coração, pode haver um mundo de atividade religiosa que provem, não de dentro, mas de fora, e que parece ter pouco ou nenhum conteúdo moral. Esse comportamento religioso é imitativo ou reflexo. Brota do generalizado culto da comoção e não possui nenhuma vida interior veraz.

A mensagem “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27) precisa ser restabelecida na igreja. Precisamos mostrar a uma geração de cristãos agitados, quase frenéticos, que o poder está no centro da vida. Velocidade e barulho são evidências de fraqueza, não de força. A eternidade é silenciosa; o tempo é ruidoso. A nossa preocupação com o tempo é triste evidência da nossa básica falta de fé. O desejo de sermos dramaticamente ativos é provado nosso infantilismo religioso; é um tipo de exibicionismo comum no jardim da infância.

A.W. Tozer



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DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

6 de novembro de 2020

A vida e todos os seus desdobramentos exige uma explicação. A inquietante mente humana envereda por caminhos científicos, filosóficos e religiosos em busca de incontáveis respostas. Como completar o quebra-cabeça existencial? De que forma encontrar sentido? Por que o ser humano age e reage dessa ou daquela forma? Tudo parece tão simples e óbvio e, de repente, tão complexo e misterioso.

As universidades, os laboratórios e os governos podem identificar distorções, produzir soluções e responder muitos dilemas que causam desconforto. Este processo é legitimo e importante, no entanto, a momentânea sensação de alívio e progresso logo é sequestrada por outra onda de tormento, disfunção, crise e insegurança.

Os registros históricos demonstram que este mundo é extremamente desajustado e todas as tentativas de melhorá-lo são fugazes. O homem se apega facilmente às muitas soluções ilusórias e pueris para tentar eliminar profundos males que causam danos individuais, familiares, sociais e ambientais. A fartura de diagnósticos acerca da entranhada miséria humana está exposta em toda parte.

A partir desta auto percepção de impotência, é possível chegar à conclusão de Schopenhauer: “a vida é uma queda perpétua em direção à morte”. De acordo com o rei Salomão, todos os movimentos humanos são feitos em direção ao vazio. É razoável deduzir, então, que as densas trevas da jornada causam pavor nos transitam nesta atmosfera de desamparo e incertezas. Por outro lado, os regulares exercícios de negação da realidade podem contribuir para a crença de que tudo isso é um exagero.

Os questionamentos, medos e incômodos denunciam o deslocamento e o desconforto humano. O homem é um deslocado e intruso que não consegue acessar um sentido que justifique os labores e sofrimentos diários deste mundo. Neste momento, ocorre uma busca ao mistério, aos elementos que extrapolam a razão. Mas essa tentativa pode ser insuficiente e bloqueada pela limitação e corrosão interior.

A conclusão óbvia é: um ser em deterioração e destinado a morte não pode encontrar vida verdadeira por si mesmo! Por isso, somente Jesus é capaz de oferecer a solução eficaz. Apenas Cristo oferece uma solução proporcional ao tamanho do problema humano. O Deus encarnado morre numa cruz, ressuscita e concede vida eterna a todos que creem nele: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados.”(Ef 2.1).

A partir desta perspectiva, as experiências difíceis neste mundo são encaradas como momentos transitórios diante da vida eterna reservada aos fiéis. Através de Cristo, o quebra-cabeça existencial é montado, o sentido é encontrado, afinal, o mistério é revelado: “desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo” (Ef 1.9).

Ao homem, resta admitir a própria incapacidade de promover alegria, paz e amor fundamentados na verdade, render-se ao senhorio de Cristo e confessar que: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” Esta é a verdade que explica a vida e todos os seus desdobramentos.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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O AMOR PELA PALAVRA NA VIDA DOS REFORMADORES

31 de outubro de 2020

Celebramos ontem 31 de outubro, mais um aniversário da Reforma Protestante. A igreja protestante tem ao longo destes mais de 500 anos de história realizado uma obra magnífica pela graça de Deus e para a glória de Deus. Obviamente, como uma comunidade de crianças, adolescentes, jovens, homens e mulheres já na idade adulta, a igreja protestante errou e ainda comete muitos erros, no entanto eles são bem menores do que a beleza e a maravilhosa obra que tem realizado ao longo dos anos.

O movimento protestante significou um retorno a Palavra de Deus como Palavra de Deus. Se na Igreja Católica Apostólica Romana a tradição está acima da Bíblia (Catecismo da Igreja Católica, Capítulo II artigo 2), na Igreja Protestante a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, por ser Palavra de Deus, inspirada, inerrante e infalível. Assim, o amor que Deus manifesta em Sua revelação é por nós discernido à luz da ação do Espírito Santo, que nos faz crer, compreender e adorar a Jesus Cristo.

O teólogo Gerald Bilkes ao escrever sobre “Calvino e a Palavra de Deus”, cita o reformador como exemplo de amor a Palavra, quando lembra a oração no Comentário de Daniel que João Calvino escreveu:
“Conceda, Deus Todo-Poderoso, como diária e pessoalmente te dignas de nos dar a luz da doutrina celeste, que nos acheguemos à tua escola com verdadeira humildade e modéstia. Que a nossa mansidão seja verdadeiramente manifesta; que possamos receber o que procede dos teus lábios, e que a tua majestade seja notável entre nós. Que possamos provar de bondade manifestada a nós em tua palavra, e que sejamos capazes de nos alegrar em ti como nosso Pai; que possamos nunca temer a tua presença, mas desfrutemos do teu doce testemunho da tua graça paternal e favor. Possa a tua palavra ser mais preciosa a nós do que o ouro e os tesouros do mundo, e, nesse ínterim, que possamos nos alimentar da tua doçura, até que alcancemos a plena saciedade que está reservada para nós no céu através de Cristo, nosso Senhor. Amém” (Calvino para Hoje, p.46)

Que as próximas gerações recebam este mesmo legado que recebemos, de uma igreja protestante que ama o Deus da Palavra e a Palavra de Deus. Como nos ensina o Salmo 119.105 “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho”(NVI). Como nos ensinou os Reformadores; Sola Scriptura (Somente a Escritura).

Que Deus nos abençoe!
Rev Leonardo Sahium



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MAIS UM ANO QUE ELE NOS ABENÇOOU

23 de outubro de 2020

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,

que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual

nas regiões celestiais em Cristo,”
Ef 1.3a

Desde o mês de março estamos enfrentando essa pandemia. Nossa igreja ficou cerca de 4 meses sem abrir suas portas, apenas com a transmissão de cultos via plataformas digitais. Foi, e está sendo, um tempo de grandes desafios e lutas. Mas o que hoje podemos perceber é que Deus tem sustentado nossa igreja. Deus se fez presente em nosso meio. Deus, verdadeiramente, nos abençoou.

Nossa querida e saudosa irmã Zilda Cormack, falecida em 2015, ao compor o hino oficial de aniversário de nossa igreja, certamente não tinha em mente os desafios que teríamos hoje. Mesmo assim, inspirada pelo Senhor, compõe essa canção que reflete duas das muitas marcas que nossa igreja da Gávea sempre teve, desde seu plantio, há 53 anos: Alegria e contentamento.

Alegria faz parte do Fruto do Espírito. É característica do cristão ser alegre, mesmo em tempos de lutas e aflições. Tg 1.2 afirma: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações,”. É muito comum nos alegrarmos simplesmente em vermos uns aos outros. Isso se dá porque nos amamos, porque nos sentimos bem aqui. Porque Cristo é quem nos une, verdadeiramente, como irmãos.

Nossa alegria é uma alegria reverente. Entendemos que estamos aqui, trazidos pelo Senhor, para prestar-lhe culto, e por isso precisamos ter toda a reverência para com Ele e com o momento de culto público. Nem por isso, precisamos ser fechados e sisudos. Ser alegre não significa ser desrespeitoso, nem tampouco irreverente.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos Filipenses, afirma: “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4.11). Talvez você não saiba, mas ele sofreu, ao longo de seu ministério, uma série de perseguições, chegando a ser preso em algumas ocasiões. Mesmo assim, esse homem afirma que aprendeu a viver contente, ou seja, ele desenvolveu contentamento. Não tenho dúvidas de que a alegria e o contentamento caminham juntos.

Por isso, ao olharmos para trás, em tudo aquilo que já passamos nesses 53 anos de vida, só temos motivos para louvar ao nosso Deus. Se hoje somos uma igreja que prega a verdade bíblica com fidelidade, alegre e contente, é porque Cristo Jesus se fez e se faz presente em nosso meio. Ele é o centro, o cabeça, o líder, o supremo pastor desse lugar.

Portanto, nosso dever é buscar, constantemente, a alegria e o contentamento, que só o Santo Espírito pode nos dar. Ser igreja é pertencer ao povo mais feliz da terra. É fazer parte de uma aliança que nasceu no coração do próprio Deus. Uma aliança muito cara, muito preciosa, através do sangue do Seu próprio Filho, Jesus Cristo. Fomos comprados por esse sangue precioso, e não há alegria maior do que essa: a nossa salvação.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev Guilherme Jayme Travassos Esperança



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CONSAGRAÇÃO COMPLETA

16 de outubro de 2020

O ateniense Sócrates (469-399 a.C.) é reconhecido como um dos maiores filósofos ocidentais. A elevada produção de perguntas acompanhada por uma busca inquietante de respostas produziu o rebuscado método dialético. A frase “Só sei que nada sei” é atribuída a Sócrates. De acordo com Rebeca Fuks, talvez ele não tenha proferido exatamente estas palavras, mas este conteúdo é compatível com as ideias que propagava. O objetivo não é desestimular o pensamento, mas ressaltar que o exercício intenso da cognição aguçará a percepção do universo desconhecido e inacessível.

Ao expor sobre a vaidade da sabedoria, Salomão argumenta que, assim como a luz é mais proveitosa que as trevas, a sabedoria também se sobrepõe à insensatez. No entanto, o tempo é capaz de ofuscar o brilho da sabedoria e tornar esquecida toda produção acadêmica de um indivíduo: “Ah, morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto”. (Ec 2.17). Enquanto a morte não cumpre o papel de “igualar” sábios e tolos, a sabedoria segue em vantagem. Por isso, assim como Sócrates, os verdadeiros intelectuais e cientistas precisam reconhecer que nada sabem diante de inalcançáveis mistérios.

Se a orientação acima está focada no trato com o intelecto, o que dizer dos religiosos que se utilizam dos elementos espirituais para acariciar seus egos inflados? Como lidar com os que se aproveitam da sombra da cruz para construir seus próprios castelos? Jesus foi implacável com os líderes religiosos que se utilizavam dos ensinos bíblicos para a autopromoção. Em Mateus 23, o Senhor adverte os escribas e fariseus por elaborarem uma narrativa teológica com o objetivo de elevá-los sobre os demais.

Os verdadeiros discípulos de Cristo são convidados pelo mestre a negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Lc 9.23). De acordo com Hendriksen, negar-se a si mesmo significa “afastar-se não só dos pensamentos e hábitos claramente pecaminosos, mas inclusive da confiança nas ideias ´religiosas´ que não podem harmonizar-se com a confiança em Cristo.” Os seguidores de Cristo são convocados não apenas para destronar o “eu”, mas também para mortificar a própria carne, afinal, fomos sepultados com Cristo na morte pelo batismo (Rm 6.4). Ao comentar esse texto, Calvino escreve: “O batismo significa que, ao sermos mortos para nós mesmos, nos tornamos novas criaturas”.

A carne sempre vai reagir com urros e berros ao senhorio de Cristo e somente pelo poder do Espírito o cristão obtém a vitória. Por isso, o apóstolo Paulo escreve: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” (Gl 5.17). A vida cristã não exige uma humilhação intelectual com um fim em si mesma, mas ao contrário, o chamado ao discipulado requer uma consagração da mente, da vontade, da emoção, do corpo, enfim, de todo o ser ao único que concede vida eterna, Jesus Cristo.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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AMAR A IGREJA

10 de outubro de 2020

“Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela”
Efésios 5.25

Algumas vezes fico observando, calado, pensativo, quando ouço alguma entrevista, leio algum artigo ou vejo até pregadores dizendo que não amam mais a Igreja, amam apenas a Cristo, mas não a igreja. Em minha reflexão fico imaginando o que estas pessoas entendem como amor. O contexto deste texto de Efésios 5 é sobre o amor dentro de uma casa, na relação de cuidado, sacrifício e entrega entre o marido e a esposa. Quem ama, ama cuidar do que o outro ama, ou será que estou errado? Deixa te dar um exemplo. O marido ama um piano, você imagina a esposa que tanto ama seu marido, deixando o piano do lado de fora da casa, abandonado, sendo estragado pela chuva? Claro que não! Outro exemplo, a esposa ama certo quadro que está na sala, você acha que o marido irá cuidar dele ou também desprezará, derrubando, pisando em cima do quadro e deixando cair coisas em cima dele? Claro que não!

Jesus Cristo ama a igreja dele! Sempre amou e sempre amará! A Igreja é mais valiosa que qualquer objeto, afinal, a Igreja somos nós, pessoas por quem Ele morreu na cruz e ressuscitou! Como alguém pode amar a Cristo e não amar as pessoas que andam ao seu lado, que Jesus ama tanto?

Nossa Igreja Presbiteriana da Gávea é amada por Jesus Cristo! Ele mesmo planejou, mantém e preserva a nossa Igreja. O amor de Cristo é maravilhoso e Ele nos deu este lugar para amar. Existem milhões de igrejas, todas são amadas por Cristo! Mas Ele nos conduziu para este lugar específico, nos fez cruzar caminhos até chegarmos aqui, e nos fez sentir Sua presença, amor e cuidado. Aqui, nós oramos, cantamos, celebramos nossa comunhão como irmãos de fé e somos instruídos na Palavra. Aqui nós dedicamos, investimos, realizamos boas obras e a missão de levar o evangelho ao mundo. Deus seja louvado!

Quando olhamos para nossa história, como igreja local, descobrimos os grandes exemplos de homens e mulheres que amaram e ainda amam esta Igreja, porque amam a Cristo e tudo que nosso Senhor ama!

Parabéns Igreja Presbiteriana da Gávea! Que Deus nos mantenha firmes neste amor até a consumação dos séculos, pela graça de Deus e para glória de Deus!

Que Deus nos abençoe.

Rev. Leonardo Sahium



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ORE PELA IGREJA PERSEGUIDA

3 de outubro de 2020

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”. Mt 5.10

No último dia 13 de setembro ocorreu o “Domingo da Igreja Perseguida”. Nessa ocasião o alvo das orações se deu em favor de cristãos ex-muçulmanos, que enfrentam constante perseguição religiosa. Mesmo nesse tempo de pandemia em que vivemos, esses nossos irmãos sofrem por simplesmente crerem em Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas, assim como nós.

No site portasabertas.org você pode acessar a lista dos 50 países que mais perseguem os cristãos, mostrando que, em 2020, ainda temos casos de pessoas que pagam, as vezes, com a própria vida, pela causa de Cristo.

Em 10º lugar está a Índia. Quando pensamos nesse país, imaginamos que seja aberto a outras religiões, uma vez ser um país tão sincrético e tão plural, mas não é bem isso que ocorre se você for um cristão. Nesse país, o nacionalismo religioso é o maior motivo para a perseguição dos cristãos. Um exemplo, contado por Marco Cruz do ministério Portas Abertas é o de famílias que, nesse período de pandemia, dependem do governo para sua própria subsistência. Como na Índia ainda ocorre o chamado sistema de “castas”, há sempre um líder comunitário, geralmente em vilas e aldeias, que é, ao mesmo tempo, autoridade política e religiosa. Com isso, quando o governo envia mantimentos para as regiões carentes, esse líder é o responsável por distribuir essa ajuda entre os seus liderados. E quando há uma família, ou mesmo um lar onde alguém seja cristão, esse líder simplesmente não faz chegar a ajuda nessa casa. Isso é muito triste, porque a perseguição aos nossos irmãos nem sempre é aberta, mas ocorre de forma velada.

Atualmente, Coreia do Norte, Afeganistão e Somália são, respectivamente, os primeiros países em perseguição aos cristãos, no mundo. Se na Coréia do Norte o motivo para a perseguição é a opressão comunista e pós-comunista, no Afeganistão e na Somália essa perseguição se dá pelo chamado “antagonismo étnico”. Nele, as comunidades e famílias cristãs são forçadas a aderir padrões estabelecidos por tribos ou grupos étnicos, o que sempre resulta em uma combinação de opressão e violência. O portal portasabertas.org conta a história de Pierre, da República Centro-Africana. O pai dele era um alto sacerdote do deus local, Dakwe, e ele teria o mesmo destino. Porém, tudo mudou após sua esposa conhecer a Cristo.

Orar pela igreja perseguida é orar por nossos irmãos em Cristo. Homens e mulheres que, diferentemente de nós, não tem a liberdade de se reunir para prestar culto a Deus. Irmãos que não possuem livre acesso a bíblia, como nós temos. Com isso, orar pelo discipulado dessas pessoas é igualmente importante, para que o Senhor faça chegar a Sua Palavra nessas aldeias e vilas, tão atingidas pela cultura animistas (em especial no continente africano).

Meu desejo é que você, ao colocar a igreja perseguida em sua oração, não se esqueça que hoje somos livres para prestar culto a Deus, livres para lermos a Escritura Sagrada, livres para acessarmos o ambiente virtual e acompanharmos toda programação de nossa igreja. Isso é benção. É fruto da graça e do amor do Senhor. Valorize isso. Não se deixe engolir pela rotina, pelo cansaço ou mesmo pela “zona de conforto”. Oséias 6.3 nos orienta: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR”.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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CORAÇÃO QUEBRANTADO

25 de setembro de 2020

O homem é, naturalmente, inclinado a confiar em suas próprias capacidades. Com esta atitude ele enche-se de uma segurança carnal e envereda pelo caminho da altivez e do orgulho contra Deus (Pv 21.4). Neste caso, sua prosperidade pode auxiliar no processo de arrogância como escreve Davi no Salmo 30.6: “Eu dizia na minha prosperidade: não vacilarei jamais”.

Deus conhece o coração do homem e sabe que o mesmo é enganoso e corrupto (Jr 17.9). Por isso, muitas vezes, ele permite a adversidade para manter seus filhos no caminho da humildade, pois, como ensina Tiago, “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6b).

A adversidade faz com que o homem reconheça o quão frágil e vulnerável é a sua própria natureza. Calvino ensina que, para que o homem admita sua fraqueza e limitação, Deus permite as tribulações sobre ele: “Neste caso, é necessário passar pela experiência da aflição. Portanto, ele nos aflige com humilhação, pobreza, perda de entes queridos, enfermidades, ou outras provações”.

Por conhecer a natureza humana e sua tendência à soberba, Deus permitiu que Satanás colocasse um “espinho na carne” do apóstolo Paulo para que ele não se exaltasse diante da extraordinária grandeza das revelações de Deus. Quanto a esse assunto, John Stott diz: “Ele (o sofrimento) também desenvolve a humildade, como na ocasião em que o espinho na carne de Paulo teve o propósito de impedir que ele se tornasse orgulhoso”.

Nenhum exemplo de humildade diante das adversidades pode ser igualado ao de Jesus. Ele sofreu os maiores absurdos, mas não pecou devido à sua sublime humildade silenciosa: “[…] pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente […]” (I Pe 2.23). Mesmo diante da exagerada agressão física e verbal, e do seu injustificado assassínio, ele não revidou. Através da sua vida, Cristo ensina seus seguidores a se comportarem com humildade diante das tribulações.

O sofrimento humano é fundamental para o quebrantamento espiritual. Quando existe bonança, tranquilidade e prosperidade, o coração tende à soberba e a altivez, dispensando a graça e o cuidado de Deus. Cristo é o modelo de humildade, resignação e submissão à ordem do Pai, e estas qualificações foram evidenciadas com veemência no seu terrível sofrimento.

Este é um dos propósitos do sofrimento na vida do crente, produzir a legítima humildade que provém do Espírito Santo. Desta forma, o crente é conduzido à mesma atitude de fraqueza e dependência de Deus relatada por Paulo: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Co 12.10).

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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QUE CONVERSA REVELADORA

19 de setembro de 2020

“Eu sei, respondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier,

nos anunciará todas as coisas. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo”

João 4.25,26

Muitas vezes somos como aquelas crianças que fazem mil perguntas ao mesmo tempo: Onde? Como? Quem? Para que? Por que? Esta curiosidade inesgotável sempre manifesta o desejo pela resposta rápida, afinal, queremos vencer a nossa ansiedade. À medida que crescemos percebemos que as perguntas continuam ali, em nossa mente. Queremos respostas! Somos pessoas que através dos anos fazemos perguntas mais complexas e continuamos desejosos pelas respostas da vida. Desejamos conhecer o que será do nosso futuro; onde iremos morar? Que profissão escolher? Com quem me casar? Como será minha viagem? Minha saúde vai bem?

Jesus está conversando com uma mulher samaritana ao lado de uma fonte onde ela retirava água para beber. Jesus percebe a sede espiritual daquela mulher e se revela como o Messias esperado, o Salvador do mundo. Ela sai daquela conversa, conta a novidade, e muitos foram até Jesus e creram em Cristo. Hoje, você pelo Espírito Santo tem a resposta mais importante em suas mãos. Ela pode saciar a sede espiritual de muitos. Devemos fazer como aquela mulher de Samaria, precisamos compartilhar nosso encontro com Cristo.

Neste tempo de tantas incertezas sobre o futuro, Cristo é nossa segurança, Ele é a nossa paz. Deus se revela ao longo da Bíblia, e nestas páginas inspiradas podemos encontrar inúmeras respostas, e também aprender a descansar naquelas questões que não são tão evidentes, mas que aprendemos a deixa-las aos pés da cruz de Cristo em oração.

 Através da Palavra de Deus, percebemos quantas vezes Ele atendeu as orações de Seu povo e respondeu as dúvidas de seus corações. Ele é Deus presente, que se relaciona conosco através do Espírito Santo, somos privilegiados por termos pela graça este livre acesso ao Senhor através da oração e aprendermos dele ao estudarmos a Bíblia.

Hoje é tempo de termos nossa conversa reveladora com o Senhor, orando, meditando na Palavra e percebendo o privilégio deste momento especial de comunhão com Jesus Cristo.

Que Deus nos abençoe!

Rev.  Leonardo Sahium



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AMANDO A CIDADE

11 de setembro de 2020

“E houve grande alegria naquela cidade”

Atos 8.8

O cristão é alguém que pertence a dois reinos: Ao mesmo tempo em que habita na terra, sabe que pertence ao céu. A maioria da população no Brasil vive em cidades. Dados recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmam que o Brasil possui uma taxa de urbanização superior a 85%. Estimativas mostram que, até 2050 esse número pode aumentar para 93%. Serão, aproximadamente, 237 milhões de pessoas morando em cidades no país, na metade deste século. Em 2008, pela primeira vez na história, mais da metade da população mundial passou a habitar em cidades.

Com isso, ao mesmo tempo em que há esse exponencial crescimento, as pessoas passaram a desenvolver uma série de males, mazelas, preocupações e anseios. Quando observamos a mensagem do Evangelho, percebemos que ela é direcionada a todas as pessoas, independente de onde habitam. Naturalmente, essas pessoas tem seus anseios, dificuldades, traumas. O autor Davi Lago, em artigo recente, elenca quatro grandes valores que norteiam os habitantes das cidades brasileiras contemporâneas.

  1. Consumismo: Hoje em dia, grande parte das famílias vive o sonho de adquirir a casa própria, o carro zero, os smartphones da atualidade, roupas de marca, viagens diversas… O consumismo traz a percepção de que a vitória financeira trará libertação, bem-estar e realização. Como consequência disso, surgem movimentos que distorcem os ensinos bíblicos, como a “teologia da prosperidade”, que estabelece “barganhas” com Deus. No ramo do empreendedorismo, o consumismo pode ser como que um caminho para a realização pessoal.
  2. Tédio: A rotina de trabalho é vista como um mal necessário: Muitos trabalhadores urbanos percebem sua rotina de trabalho como um mal necessário. O emprego é entendido como algo a ser tolerado simplesmente porque viabilizará o recurso financeiro e não como uma vocação. É grande o número de aposentadorias por invalidez, decorrentes de depressão e outras síndromes psicológicas.
  3. Sábado e domingo como dias de trabalho extra: o domingo se tornou um dia para recuperar o tempo perdido. Hoje as atividades pessoais, familiares e da casa ficam para o fim de semana. Isso faz do sábado e do domingo o período para colocar as tarefas em dia: fazer compras, pagar contas, realizar reparos na casa e dormir. O déficit de sono acumulado tem feito com que, aos finais de semana, as pessoas busquem recuperar esse tempo perdido para iniciar a nova semana descansados.
  4. Individualismo: As grandes cidades testemunham uma onda de “corrosão e dissolução” dos laços comunitários. As cidades estão cheias de casas construídas para proteger seus habitantes, e não para integrá-los nas comunidades às quais pertencem. Antigamente, as cidades medievais tinham sistemas de segurança para defender seus habitantes de um inimigo externo. Hoje, esses sistemas servem para dividir e manter separados seus próprios habitantes, para defender uns dos outros. 

Diante disso tudo, precisamos, como verdadeiros cristãos, reafirmar nosso amor por nossas cidades. O evangelho de Cristo é a esperança para todas essas mazelas que nossa sociedade vive submersa. Ele traz uma nova compreensão da vida, do trabalho, das amizades e de cada aspecto da existência. A partir do Evangelho, eu percebo que sou pecador e que preciso de salvação, de segurança, de proteção, de um caminho. Jesus é o caminho. Ele é o Evangelho. Por isso, ore, conheça e ame nossa cidade, como testemunha fiel do Senhor Jesus. Habitamos em uma cidade caída. Ainda não estamos na Nova Jerusalém. Pense que o Senhor te colocou nessa cidade, nesse tempo em que vivemos, não por acaso. Aproveite as oportunidades e seja um instrumento das Boas-Novas. Fale de Cristo e de seu amor.

Que Deus te abençoe e use para Sua glória.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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