Pastorais
ESCÂNDALO E LOUCURA

14 de março de 2020

“Nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.” 1 Coríntios 1.23,24

A pessoa de Jesus Cristo é surpreendente! Nosso Deus criador e sustentador de todas as coisas, se fez carne e habitou entre suas criaturas, vivendo como qualquer um de nós, andando, comendo e bebendo a nossa comida. Morreu a nossa morte e ressuscitou para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida e vida eterna.

Em anos anteriores à vinda de Jesus Cristo, muitos falsos messias apareceram em Israel. Sob o domínio de outros povos, os judeus tinham uma santa ansiedade pela chegada do messias. O teólogo Dr. Otto Borchet escreve: “Sob a pressão, primeiro da dominação iduméia, e depois romana, os olhos de todo o Israel estavam dirigidos quase fixamente em direção ao futuro, esperando, como sob encantamento, o Libertador, o Messias. “És tu aquele que estava para vir, ou havemos de esperar outro?” pergunta João Batista ( Mt 11.3). Até a mulher de Samaria declara: “eu sei que há de vir o Messias” (Jo 4.25). Irmão se regozija com irmão: “achamos o Messias!” ( Jo 1.41). Os fariseus estão prontos para discutir a questão: “Que pensais vós do Cristo? De quem é filho?” (Mt 22.42), e homens notáveis entre o povo reconhecem ansiosamente: “Quando vier o Cristo, fará, porventura, maiores sinais do que este homem tem feito?” e então confessam ousadamente: “Ele é o Cristo”( João 7.31,41). (BORCHET,1990).

Mas por outro lado, haviam os críticos que não criam na vinda do Messias. O historiador francês, Henri Daniel-Rops, escreveu: “Não faltavam, entretanto os céticos, aqueles que zombavam das histórias populares que contavam como, quando viesse o Messias, não haveria mais necessidade nem mesmo de colher o trigo ou as uvas a fim de ter fartura perpétua de trigo e vinho, e que os grãos nas espigas teriam o tamanho dos rins de um boi. “Quando o Messias vier”: era uma expressão popular correspondente à nossa: “os porcos terão asas”. (DANIEL-ROPS, 2008).

Quando Paulo escreveu esta carta aos Coríntios ele sabia das expectativas frustradas de vários grupos, entre vários povos diferentes, com relação a pessoa de Cristo. A vida, mensagem e obra de Jesus Cristo, nunca foi uma unanimidade! A Palavra de Deus nos diz que, somente pela ação graciosa e sobrenatural do Espírito Santo em nossos corações, podemos compreender e crer na pessoa e obra de Jesus Cristo (Jo 16.8-11; Rm 10.13-15).

Portanto, precisamos aprender com a história, muitos olham para Jesus com escândalo ou loucura, mas nós cremos no Senhor Jesus Cristo como o Messias que veio para nos salvar, porque o Espírito Santo de Deus nos regenerou e nos deu vida e vida em abundância. Esta é a nossa experiência de fé, de poder e de sabedoria de Deus!
Que Deus nos abençoe.
Rev. Leonardo Sahium



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NAVEGAÇÃO VIRTUAL SEGURA

5 de março de 2020

A prensa tipográfica criada na idade média por Gutenberg promoveu um maior acesso à informação num período em que este recurso era restrito a poucos. No início do século XX, o rádio inaugurou a comunicação de massa e, em seguida, a TV se apresentou como a fascinante fonte de informação e entretenimento.

Pesquisar o conteúdo acima com o celular nas mãos e conectado à rede wi-fi comprova a mais recente revolução da informação. Hoje, todos podem publicar o que pensa, expor nas redes sociais conteúdos com poucos regulamentos ou critérios. Em nenhum outro momento da história, tanto material foi publicado e tanta opinião emitida. Não é possível interagir com todos os temas e a seleção do material ocorre de acordo com o interesse individual.

Diante deste cenário, muitos se tornam expectadores e outros se envolvem com afinco tanto nas publicações como nas discussões. É importante destacar que alguns se distanciam deste universo virtual por entender que os prejuízos são maiores que os benefícios. A impressão é que os humanos estão nas fases iniciais do trato com as redes sociais e um processo de ajustes ainda precisa acontecer.

Os discípulos de Cristo devem seguir as orientações bíblicas para navegar neste oceano de informação. Em primeiro lugar, cuidado com a dependência digital. A nomofobia é a síndrome dos que tem medo de ficar sem o celular (off line). O apóstolo Paulo escreve: “Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” 1 Co 6.12b. A saúde espiritual depende da disciplina e da eficiência na administração dos acessos virtuais, pois eles não podem dominar a vida do cristão.

Em segundo lugar, siga a orientação de Paulo a Timóteo: “Dá testemunho solene a todos perante Deus, para que evitem contendas de palavras que para nada aproveitam, exceto para a subversão dos ouvintes.” (2 Tm 2.14). Quais contendas virtuais, realmente, valem à pena? Muito poucas, por isso, evite confrontos desnecessários e inócuos. Há uma enorme quantidade de palavras sendo ditas e escritas apenas para promover a desordem e o caos.
Em terceiro lugar, o apóstolo Paulo também ensina a evitar os falatórios inúteis (2Tm 2.16). Muitos conteúdos na internet valorizam as vaidades abordadas pelo sábio Salomão e reverberam a futilidade de uma existência que ignora Deus. Não corra atrás do vento, gastando o tempo com futilidades que em nada contribuem para a santificação.

E, por fim, utilize as suas redes sociais, publique textos, fotos e vídeos que seguem os critérios de Filipenses 4.8: Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Fp 4.8). E que todos vejam estes adjetivos nas postagens daqueles que amam e seguem a Cristo!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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BUSCANDO A VONTADE DE DEUS

29 de fevereiro de 2020

Faze-me, SENHOR, conhecer os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas.
Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação,
em quem eu espero todo o dia. Sl 25: 4-5

É comum, principalmente em ambientes evangélicos, nos depararmos com pessoas que dizem buscar a vontade de Deus para as suas vidas. Pessoas que querem ouvir a voz de Deus em decisões como: Qual faculdade cursar? Qual profissão seguir? Quem é a pessoa com quem devo me casar? O problema desses questionamentos não está no questionamento em si, mas quando pensamos que, se por um lado fazer a vontade de Deus é seguir tal escolha, se eu sigo por outro caminho, deixo de fazer a vontade de Deus.

Por vezes escutamos pessoas falando “Deus tem um plano maravilhoso para a sua vida”. Ele tem mesmo, mas qual o plano maravilhoso que Deus nos permite saber? Em Rm. 8:28 lê-se: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Qual o plano? Nos conformar a imagem de Seu filho (Rm. 8:29). Porém, esse plano maravilhoso não conforta. O que essas pessoas querem saber, normalmente? Querem saber se o emprego que ela perdeu, Deus dará um melhor, por exemplo. E ainda usam a frase: “Onde Deus fecha uma porta, Ele abre uma janela”. Ou então: “Vem algo novo, fique tranquilo. Chuva de Bênçãos”. Nós colocamos Deus no meio destas frases, e dizemos: “Deus vai realizar seus planos, seus sonhos”. Quando, na verdade, muitos de nossos sonhos não vêm das Escrituras Sagradas, nem sequer são lícitos.

Rev. Heber Campos Jr., em seu livro “Tomando Decisões Segundo a Vontade de Deus”, coloca quatro caminhos onde podemos obter sabedoria para lidar com essas situações que, por vezes, nos angustiam: O Caminho da Reflexão, O Caminho do Aconselhamento, O Caminho da Suspeita e O Caminho da Espera.

O Caminho da Reflexão passa por uma leitura diária da Palavra de Deus, de forma a meditar em tudo o que se lê. Não caia na armadilha de achar que a direção de Deus virá somente por meios extraordinários. O Caminho do Aconselhamento é quando entendemos que a sabedoria não é só alcançada por nossa própria investigação da Bíblia. Ela também chega até nós por intermédio da orientação de outros. Aprenda a aceitar conselhos.

O Caminho da Suspeita é quando aprendemos a suspeitar de nós mesmos. Até os crentes possuem emoções com bases egoístas, auto-engrandecedoras, as quais não devem ser tomadas como direção. E por fim o Caminho da Espera, que nos mostra a bondade do Senhor para os que esperam Nele (Lm. 3.25-26). Não tome uma decisão que não provenha de fé, pois isso é pecaminoso (Rm. 14.23).

Que Deus te abençoe e te dê a paz.
Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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GLOCAL

21 de fevereiro de 2020

Você provavelmente não ouviu esta expressão muitas vezes, ou talvez seja a primeira vez que esteja em contato com esta palavra que na verdade é a soma de Global + Local = Glocal. Usamos esta expressão para designar uma igreja que tem uma visão Global, que acredita que devemos proclamar o evangelho de Jesus Cristo em todas as tribos, povos e línguas. Uma igreja que vive olhando para fora de seus muros, vendo as necessidades de sua rua, bairro, cidade, estado, país e mundo. Ao perceber as mais diversas necessidades, busca compreender, interagir e agir de forma cristã, levando o evangelho com as boas obras.

A segunda parte da expressão Glocal, tem relação com a realidade local da igreja. São muitas áreas diferentes que compõe o mosaico eclesiástico em uma comunidade local. Temos a responsabilidade de levar o evangelho com toda sua inteireza aos corações e mentes das crianças, dos pré-adolescentes, adolescentes, jovens, adultos solteiros, adultos casados, aqueles que tem filhos pequenos, outros que já tem filhos grandes, observando as realidades e dinâmica de vida de cada pessoa. Uma igreja local, possui prédio, salas de aulas, cozinha, depósitos, banheiros, secretaria, garagem e toda uma estrutura física que necessita de cuidado.

Uma igreja local deve se preocupar com treinamento de liderança, grupos musicais e coral. Obviamente existem os pastores, missionários, funcionários e outro número de pessoas que trabalham e dedicam sua vida para que a obra de Deus seja realizada com qualidade.
Quando pensamos na Igreja como Glocal, devemos nos perguntar, quais são os prejuízos e benefícios de uma comunidade que enfrenta este desafio como organismo e organização?

Quando uma igreja perde sua dimensão Global, ela fica olhando apenas para dentro de suas paredes e se esquece da missão que Jesus Cristo deu a Igreja: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Desta forma a igreja deixa de cumprir o que o Supremo Pastor Jesus requer dela e neste desvio de função ela morre lentamente. Os membros de uma igreja assim serão sempre contrários a expansão do Reino de Deus e trabalharão para que a Igreja local seja mais parecida com um clube religioso. Por outro lado, quando a Igreja perde sua dimensão local, fica olhando apenas para fora e deixa de cumprir aquilo que a Bíblia ensina; “procura conhecer o estado das tuas ovelhas e cuida dos teus rebanhos” (Pv 27.23).

A igreja somos nós e precisamos viver nesta comunidade de maneira bíblia e saudável. Quando a realidade se manifesta Glocal, então começamos a viver de forma equilibrada e podemos nos sentir seguros na missão de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
Neste tempo de desequilíbrio em tantos lugares, falta de clareza eclesiológica em muitas igrejas, que Deus nos mantenha como uma Igreja saudável, equilibrada, que sabe olhar para fora, campo missionário, mas que também sabe olhar, agir e abençoar dentro de seus muros.

Que Deus nos abençoe.
Rev. Leonardo Sahium



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OS ATRIBUTOS DA IGREJA VERDADEIRA

13 de fevereiro de 2020

Temos trabalhado sobre algumas características da igreja. Já falamos sobre as marcas da Igreja verdadeira, bem como os seus atributos. Nessa pastoral trataremos dos últimos três atributos da igreja verdadeira: Apostolicidade, Indefectibilidade e Infalibilidade. Já falamos acerca da Unidade, Santidade e Catolicidade na pastoral do dia 26.01.2020.

O primeiro atributo é a Apostolicidade. Diferentemente do entendimento da igreja Católica Romana, percebeu-se que não é a sucessão de lugares ou mesmo de pessoas que garantem a pureza de doutrina da igreja. Na verdade, o que torna uma igreja verdadeiramente apostólica é a sucessão de doutrina, ou seja, uma igreja que preserva aquilo que os apóstolos e profetas falaram acerca do Senhor Jesus, como Efésios 2:20-22 nos orienta: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito”. Se uma igreja deixa-se levar por outra doutrina que não a Palavra de Deus, ela perde sua característica de igreja verdadeira do Senhor. Infelizmente, isso não é difícil de se perceber, quando observamos denominações “anexando” relatos, livros, ideologias à Palavra do Senhor, ou mesmo pregações que são tudo (autoajuda, coach, terapias…), menos exposições bíblicas. Por isso, que esse atributo é tão importante. Tem muito em comum com aquilo que os reformadores chamaram de Sola Scriptura, ou seja, somente as Escrituras. Como uma resposta a movimentos que estavam deixando de lado a Palavra do Senhor, nasce o Sola Scriptura com o objetivo dessa preservação da sã doutrina, e retorno às Sagradas Escrituras, de forma pura e plena.

Finalmente, encerrando essa série de atributos da igreja, há também os atributos da indefectibilidade e infalibilidade. Jesus prometeu à igreja que os portões do inferno não prevalecerão contra ela e que ele a preservará até o fim do mundo (Mt 16.18;28.20; Ef 4.11-13; 1 Tm 3.15). A promessa de Jesus é, de fato, uma garantia de que sempre haverá um ajuntamento de crentes sobre a terra, mas não implica, necessariamente, que uma igreja, em um determinado país, continuará sempre a existir. Sabemos de relatos de igrejas perseguidas e que deixaram de existir em determinadas localidades. Por exemplo, certas igrejas em certos países na Ásia Menor, desapareceram, em que pese terem sido plantadas por homens como o Ap. Paulo, Timóteo, Ap. Pedro… Mesmo assim, a igreja do Senhor, em toda a terra, continuará de pé, orando pelos irmãos da igreja perseguida, assim como fazemos hoje. Herman Bavinck escreve, acerca desses dois últimos atributos: “De fato, existe uma infalibilidade da igreja que também é alegremente reconhecida pelos protestantes, mas essa infalibilidade pertence à igreja como a reunião de todos os crentes e consiste no fato de que Cristo, como rei de sua igreja, deseja que, sobre a terra, sempre exista um ajuntamento de crentes, por menos e mais inexpressivo que seja, que confessa seu nome e encontra nele toda a sua salvação”.

Você confessa o nome de Cristo como seu Senhor e Salvador? Tem depositado Nele toda a sua confiança, segurança, esperança e salvação? Somos esse ajuntamento de crentes. Somos o próprio corpo de Cristo nesse lugar. Nosso dever é prezar sempre pela pureza e santidade da igreja, e isso passa, principalmente, por aquilo que temos feito em nossas vidas, uma vez que nós somos a igreja. Se temos dado a devida glória ao Senhor, ou se a nós mesmos. Se temos tido uma vida de santidade em Sua presença, ou se vivemos apenas de aparência no domingo. Faça essa análise, através da própria Palavra de Deus e confesse seus pecados ao Pai.

Que Deus te abençoe e guarde!
Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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O PAPEL DA IGREJA NUM MUNDO DETERIORADO

6 de fevereiro de 2020

O ano de 2020 inicia com as recordações trágicas de janeiro de 2019 e também com adversidades lastimáveis. Os temporais em Minas Gerais e no Espírito Santo já provocaram a morte de dezenas de brasileiros e deixaram milhares de desabrigados. O vírus coronavirus se espalha e preanuncia que detê-lo não será uma tarefa fácil. A cidade do Rio de Janeiro experimenta o dissabor de uma água contaminada que atinge, indiscriminadamente, todos os seus moradores.

Estas tragédias são adicionadas à miséria que assola, maltrata e vilipendia cotidianamente grande parte da população brasileira. São milhões de desempregados, outros tantos sem acesso à saúde e mais uma multidão que não adquire ensino de qualidade. Um país com quase metade da sua população sem rede de esgoto reflete o descaso histórico com os menos favorecidos. Estes dados, muitas vezes, são inutilmente discutidos em salas climatizadas, bares requintados e anunciados na inerte mídia social.

A igreja de Cristo não foi chamada apenas para fazer parte do grupo de críticos que observa, opina e espera a ação de governantes e ONGs, abstendo-se de qualquer engajamento real e prático.  Após a narrativa do sermão do monte, o evangelista Mateus escreve: “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.” (Mt 9.36). O ministério de Cristo aponta o caminho para discípulos que desejam viver como o mestre diante dos maltratados, famintos e perdidos.

O primeiro ensino é acerca da visão. Quando a igreja se torna ensimesmada e tenta viver o céu num mundo em chamas está sendo negligente com o seu papel. É preciso observar o cenário e se atentar para a realidade do mundo caído. Em segundo lugar, Jesus apresenta uma reação que envolve mente e coração. O texto diz que ele se compadeceu, ou seja, o sofrimento “dos milhares” o afetou profundamente. A igreja é o recipiente para a manifestação do amor divino ao mundo trágico. A sensibilidade da igreja não pode estar em descompasso com a compaixão de Cristo.  Por último, é preciso agir assertivamente e, para isso, os movimentos precisam acompanhar as pegadas de Cristo.

Jesus caminhou na direção de homens e mulheres, ricos e pobres, adultos e crianças, piedosos e possessos, santos e pecadores. Ele alimentou o faminto, curou o enfermo, expulsou o demônio, consolou o que chorava, ressuscitou o morto e, principalmente, anunciou a salvação que produz a esperança da vida eterna. Cristo amou incansavelmente durante o seu ministério e o ápice deste amor foi manifestado com o sacrifício vicário. Ele ressuscitou e comissionou a igreja para continuar a tarefa de pregar as boas novas e socorrer os necessitados, assim como ele mesmo fez. Por isso, a igreja precisa manter-se firme na missão de espalhar o amor, a compaixão e a salvação de Cristo neste mundo petrificado, insensível e enfermo.

      Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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DE DEUS NÃO SE ZOMBA

30 de janeiro de 2020

É muito triste afirmar o que está cada vez mais evidente no Brasil: “Muitos pastores e igrejas estão pregando um outro evangelho”. Surgem perguntas a partir desta afirmação. A primeira pergunta: “quem?”. A segunda pergunta: “por quê?”. A terceira: “Quais as consequências?”.

Quem proclama que Deus é amor e, portanto o amor é Deus, proclama um evangelho onde um atributo “amor”, se torna uma pessoa “Deus”, de maneira isolada de seus outros atributos, tais como: justiça, misericórdia, santidade, graça, bondade, onipresença, onisciência, onipotência, etc. Deus é amor, isso é bíblico, mas Ele não é só amor! Ele também é justiça, Ele fica indignado com a injustiça, com a mentira, com a falsa pregação do Seu Evangelho.

Quem proclama que a graça de Deus aceita tudo e todos, mesmo com seus pecados sem arrependimento e fé, proclama um outro evangelho. Na teologia chamamos isso de “universalismo da salvação”, que é diferente da proclamação da “salvação universal”. A Salvação universal é quando a Igreja afirma que nós devemos levar o evangelho ao mundo todo, ou seja, devemos pregar o Evangelho a toda tribo, povo e nação, pois, a salvação não está restrita apenas a uma nação. O “universalismo da salvação” é quando alguém prega um evangelho que aceita tudo e todos. Em nome da graça, a justiça e a santidade que Deus exige de seus filhos e filhas é esquecida. A mensagem de Jesus fica fragmentada, fazendo de Cristo um Deus sem princípios definidos e claros, afinal em nome do amor e da graça barata se aceita tudo. Isso é um falso evangelho! Existe ainda um outro grupo que vive o outro extremo, o legalismo, lendo o Antigo Testamento como norma “de conduta legal e absoluta” para os dias de hoje. E por fim, o grupo que prega um evangelho social, onde o “amor” ao próximo deve ser manifestado no campo da guerra político-partidária, onde “os fins justificam os meios”, e as ONG’s se multiplicam, desejando assim substituir a Igreja, no discurso falido de quem não entendeu o que é Igreja de Cristo.

A segunda pergunta: “Por quê?”. Existem muitos pregadores que não estudaram a Palavra de Deus, não se formaram em um seminário, desconhecem as línguas originais da Bíblia, a teologia bíblica, exegética, sistemática e histórica. Alguns são inocentes, tem bom coração, mas erram por desconhecer o estudo da teologia. Alguns estudaram parcialmente, mas não aprofundaram seus conhecimentos, assim erram com a convicção de quem se acha certo. Outros estudaram, mas cederam aos valores do mundo, para agradar a sociedade, um grupo de “formadores de opinião”, amam a mídia e se entregaram a vaidade com uma arrogância inacreditável. Usam de uma boa retórica para induzir outros ao erro e vivem cercados de bajuladores que batem palmas para tudo que dizem, e em nome da liberdade de Cristo, vivem a libertinagem do sucesso e do dinheiro.

Quais as consequências deste falso evangelho? Distanciamento de Deus, morte espiritual, falsa alegria, tristeza interior e vazio existencial!

A Bíblia diz: “se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.” (Gl 1.8) Lembre-se: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear isso também ceifará” (Gl 6.7)

Que Deus nos guarde e nos abençoe!

Rev Leonardo Sahium



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AS MARCAS DA IGREJA VERDADEIRA

11 de janeiro de 2020

Vivemos tempos de muita confusão. Ao mesmo tempo em que algumas pessoas afirmam não existir verdade absoluta, elas mesmas pregam que a verdade delas é absoluta, e não há nada nem ninguém que possa questioná-las, nem mesmo confrontá-las com outro tipo de discurso. Nesse sentido, é importante estarmos sempre prontos para responder a todo aquele que nos pedir razão da nossa esperança (1Pe 3.15). Ao observarmos a nossa volta, muitos estão estereotipando o que seria uma igreja, com rótulos e discursos que não condizem com a realidade. Com isso, torna-se importante para o crente saber quais são as marcas de uma igreja verdadeira.

A primeira marca da igreja verdadeira é a pura ministração da Palavra de Deus. Herman Bavinck afirma que, por meio da Palavra, Cristo regenera (Tg 1.18; 1Pe 1.23), gera fé (Rm 10.14; 1Co 4.15), purifica e santifica a igreja (Jo 15.3; Ef 5.26). Aqueles que foram regenerados e renovados pela Palavra de Deus, são chamados a confessar a Cristo (Mt 10.32; Rm 10.9), ouvir sua voz (Jo 10.27), cumprir Sua Palavra (Jo 8.31,32; 14.23) e se afastar daqueles que não seguem essa doutrina (Gl. 1.8; Tt 3.10; 2Jo 9). Como escreveu Calvino, a Palavra é, verdadeiramente, a alma da igreja.

A segunda marca da igreja verdadeira é a correta ministração dos sacramentos (ceia do Senhor e batismo). Os sacramentos extraem o seu conteúdo da própria Palavra de Deus, por isso não se pode separá-los. Berkhoff afirma que a ministração dos sacramentos é tal como que uma pregação visível da Palavra de Deus. Passagens que corroboram esse entendimento são Mt 28.19; Mc 16.15, 16; At 2.42; 1 Co 11.23-30.

A terceira marca da igreja verdadeira é o fiel exercício da disciplina. Vivemos tempos em que disciplinar virou sinônimo de retrocesso, de legalismo, etc., mas não é isso que observamos na Palavra do Senhor, inclusive pelo fato do nosso Deus nos disciplinar (Dt 8.5). Isso ocorre, conforme nos escreve Berkhoff, para a manutenção da pureza da doutrina e salvaguardar a santidade dos sacramentos. A Palavra de Deus insiste na adequada disciplina: Mt 18.18; 1Co 5.1-5, 13; 14.33, 40; Ap 2.14, 15, 20.

Que você tenha um coração grato a Deus por fazer parte de uma igreja genuína e verdadeira. Uma igreja que prega a Cristo, como disse Paulo em 1Co 1.23: “mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios”. Não somos uma igreja perfeita, mas somos uma igreja que busca, na Palavra de Deus, a excelência em Cristo Jesus.

Que Deus te abençoe!

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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O ETERNO NO ÚTERO

22 de dezembro de 2019

O natal pode ser contado sob inúmeras perspectivas. É possível descrever o nascimento de Cristo a partir do ponto de vista de Maria, de José, dos magos, dos pastores, dos anjos e de Herodes. As profecias e tipologias no Antigo Testamento apresentam os detalhes consistentes do plano divino para o maior advento da história.

A chegada de Cristo na plenitude dos tempos revela o amor divino pelos seus filhos. Este processo dependeu de um movimento celestial humanamente incalculável. A encarnação de Cristo foi um caminho de intenso esvaziamento desde o início.

O Deus eterno se sujeitou ao útero de uma mulher e ao limitado corpo humano. O Criador se torna criatura, o Infinito toma forma finita, o Soberano ocupa a posição de servo, o Originador de toda a vida se submete à sentença de morte. A vinda do Messias manifesta a beleza e a singularidade do divino humano.

Tanto o nascimento como o desenvolvimento de Cristo foram marcados por profundo desconforto. O próprio Deus se sujeita ao tempo e ao espaço criados por ele. Para explicar este acontecimento, o apóstolo Paulo escreve aos filipenses: “…antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana” (Fp 2.7).

Este era o único caminho possível para o resgate do homem perdido. A luz dissipou as trevas, a vida se impôs sobre a morte e a esperança expulsou o desespero. Natal diz respeito ao nascimento daquele que veio ao mundo para sofrer, morrer e conceder vida aos que creem no seu nome. Jesus ressuscitou e, por isso, a sua missão foi plenamente cumprida.

Aquele que vive de eternidade em eternidade (Sl 90.2), foi gerado no útero de uma mulher (Mt 1.18) para que a salvação chegasse ao ser humano. Assim acontece o nascimento de Cristo na perspectiva do amor divino. Por que Deus amou…, deu o seu único filho (Jo 3.16). Que este amor aqueça os nossos corações durante as festividades natalinas e em todos os momentos da jornada.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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POR QUE CREIO? PORQUE CREIO!

13 de dezembro de 2019

Por que creio? Com angustia n´alma face ao inexplicável;
Por que creio? Uma vida vivida sem saber o imponderável;
Por que creio? Um vazio pleno, coração escuro, sem rumo e sem tato;
Por que creio? Esforçando-me em vão, sem controlar fato por fato.

Por que creio? Se não há como silenciar por tal historia registrada;
Por que creio? Num quiasmo intencional toda raça foi desviada!
Por que creio? Perdição se fez presente, rebeldia desgraçada…
Por que creio? Se a quem amo perderei, vida breve e expirada.

Por que creio? Se está escrito que o amor manifestou-se em carne e osso;
Por que creio? Um profeta? Arruaceiro? Charlatão? Quem sabe um louco?
Por que creio? Se uma resposta honesta, sua vida demanda de cada douto;
Por que creio? Ou Cristo é um mito, ou é Emanuel, o Deus conosco.

Por que creio? Se nem um louco, à cruz, iria por um amigo ou por um outro?
Por que creio? Se sua morte expiou toda culpa humana e mais um pouco?
Por que creio? Se assim agiu a resgatar a humanidade de suas mazelas?
Por que creio? Se seu sangue vertido é eficaz em todas as eras?

Porque creio, não necessito mais explicar o inexplicável;
Porque creio, descanso sempre em Suas mãos em face ao certo e imponderável;
Porque creio, me sinto pleno da existência , vida que encontrou sentido;
Porque creio, espero vê-lo face a face, e eternamente usufruí-lo.

Porque creio, lhe digo, vale a pena meu amigo refletir e experimentar;
Porque creio, insisto, sua vida carece de um novo brilho, de um novo despertar;
Porque creio, lhe aviso, de braços abertos está Ele sempre, por sua alma a velar;
Porque creio, confirmo, Ele o ama e o aguarda, por que a Ele não se entregar?

Rev. Antonio Alvim Dusi Filho



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