Pastorais
ESPERAR NA INCERTEZA

5 de junho de 2020

“fiz calar e sossegar a minha alma” Salmo 131.2

No livro “Pensar Bem nos Faz Bem!”, o professor e filósofo Mario Sérgio Cortela descreve os momentos de incertezas. Ele diz: “Num mundo de velocidade, de transformação, nós temos um nível muito alto de incertezas em nossa vida. A incerteza está presente na nossa história pessoal, na história coletiva, mas ela não pode nos vencer. A maneira mais adequada quando temos um caminho que desejamos e precisamos seguir, é persistir diante da incerteza. A incerteza é, muitas vezes, transitória. Claro, quem vive na incerteza não consegue dar passo algum, mas não admitir que as incertezas estão em nossa vida é uma atitude de quem fica sempre aguardando a completa certeza para dar o passo seguinte.”

Davi ao escrever este Salmo 131 nos ensina como enfrentarmos momentos de incertezas. A primeira coisa que ele faz é se dirigir ao SENHOR em oração. Prioridades primeiro! Buscar a presença de Deus em oração, leitura da Palavra e na comunhão com a Igreja, é a base de qualquer agenda cristã saudável.

O coração de Davi é exposto já nas primeiras palavras: “SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando a procura de grandes coisas, nem coisas maravilhosas demais para mim”. O salmo nos ensina a ter um coração voltado para os valores mais essenciais da vida, começando pela humildade.

É muito importante perceber que nosso coração tem uma forte tendência ao pecado, a busca da auto-suficiência, do reconhecimento público de nossa capacidade e força. Coisas que enaltecem nosso “eu” e constituem uma armadilha chamada soberba. A soberba precede a queda!
Nas incertezas precisamos aprender a falar com Deus, abrir nosso coração, avaliar nossa reais intenções e descansar na poderosa providencia de Deus.
Davi encerra o salmo dizendo: “espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre” (Sl 131.3).

Este tempo de pandemia, com tantas incertezas, devemos descansar nosso coração naquilo que é mais verdadeiro e absoluto. Deus nos ama, a tal ponto, que morreu por nós na cruz do calvário para nos perdoar e ressuscitou ao terceiro dia para nos garantir a vida eterna. Esperar, confiar e descansar em Deus é o caminho para vencer as incertezas!

Que Deus nos abençoe e proteja!

Rev Leonardo Sahium



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MODOS DE VIVER A VIDA CRISTÃ

29 de maio de 2020

No livro “Comunidade Verdadeira”, o autor Jerry Bridges nos traz um retrato do que seriam quatro modos de se viver a vida cristã.
O primeiro modo seria viver a vida cristã inteiramente por nossa própria força, calcados em nossos próprios esforços. Nesse modo de vida, ao invés de depositarmos a nossa segurança no Deus que a tudo governa, que é soberano, colocamos em nós mesmos. Nossa vida espiritual será cheia de fracassos, frustações e, certamente, desenvolveremos relacionamentos insatisfatórios com outras pessoas. Em João 15.5, Jesus nos diz: “Sem mim nada podeis fazer”. Essa afirmação nos dá a certeza de que o nosso simples respirar diário depende do Senhor Jesus. Se pensamos que podemos fazer algo baseado em nossa própria força, em nossa saúde, em nosso poder financeiro, certamente, uma hora ou outra, nos frustraremos.
O segundo modo de viver a vida cristã seria como que uma reação ao primeiro modo. Se de um lado temos aquele que se utiliza do esforço próprio, por outro lado, temos aquele que resolve não fazer mais nada. É a pessoa que “entrega tudo ao Senhor”, com o discurso de que Deus viva Sua vida por meio de nós. Dizem que qualquer esforço da nossa parte para viver a vida cristã é “da carne”. Esse tipo extremado de viver a vida cristã também é perigoso, porque na verdade o que se tem aqui é uma acomodação da vida, quando o indivíduo atribui tudo a Deus, podendo chegar ao extremo de transferir para Deus a responsabilidade de seus próprios pecados.
O terceiro modo é a abordagem “Senhor, me ajude”. Sua principal característica é uma dependência “parcial” do Senhor. É o indivíduo que pensa poder viver a vida cristã por si mesmo até determinado ponto, mas que precisa da ajuda do Senhor “depois” desse ponto. Essa pessoa entende que há uma espécie de depósito de bondade, força, sabedoria implícitos em seu próprio corpo, que ele usa para as coisas “comuns, ordinárias” do dia-a-dia. Essa parece ser, hoje, a abordagem mais comum entre os cristãos sinceros. Pessoas que oram, pedindo a ajuda de Deus no início do dia, mas que, a partir desse momento, seguem em frente, como se tudo dependesse deles, a menos que se deparem com uma situação de crise real.
A quarta abordagem à vida cristã é da permanência em Cristo. O crente que a pratica sabe que a abordagem do esforço próprio e a do “entregar e deixar com Deus” são inúteis. Também já aprendeu que precisa da ajuda de Deus não só a partir de determinado ponto, mas em cada aspecto da vida. Ele não ora pedindo ajuda apenas durante as crises ou tempos de estresse. Sua oração, na verdade, é assim: “Senhor, capacita-me o dia todo, pois sem ti nada posso fazer”. Em Filipenses 4.13, o apóstolo Paulo escreve: “tudo posso naquele que me fortalece”. No contexto dessa carta, Paulo tinha o desafio da alegria em meio a circunstâncias instáveis. O apóstolo foi capaz de enfrentar o desafio com a total capacitação da parte de Deus.
John Owen expressou essa atitude de plena dependência de Cristo, parafraseando Gálatas 2.20: “A vida espiritual que tenho não é minha. Não a induzi, tampouco posso mantê-la. Ela é obra única e exclusiva de Cristo. Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Minha vida inteira é só dele”.
Que tenhamos esse quarto modo de viver a vida cristã. Uma vida em total dependência de Deus, que não se acomoda nem se desespera (ficar sem esperança) com as circunstâncias, mas que tem a segurança de fazer parte do rebanho do pastor do Salmo 23: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes…”
Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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ROTA DE FUGA

23 de maio de 2020

A tentativa de conectar o passado recente com um futuro incerto talvez seja um dos exercícios mentais mais praticados pela população mundial. Este período transicional impacta a existência humana e propõe uma redefinição dos caminhos que tinham traços de obviedade. Apesar das diferenças culturais, ideológicas, éticas, financeiras e religiosas, havia algum nível de previsibilidade. Os nichos estavam estabelecidos, as contradições e polarizações eram justificadas pela dinâmica do “jogo” democrático.

De repente, surge a sensação de que o planeta está suspenso, pausado e com um destino incerto. As orientações sobre o amanhã estão fragilizadas.

Existe uma insegurança na construção de um argumento consistente e coerente. A incerteza se agiganta diante das mais preparadas mentes que buscam diagnosticar o presente e sugerir possibilidades futuras. O que se impõe é uma sociedade estática, em choque e perplexa diante deste cenário desconhecido. A insistente tentativa de controlar todas as variáveis para a produção de um planeta seguro e estável foi nocauteada.

A busca pelo refino e sofisticação existencial balizados em elementos como revolução tecnológica, reinvindicação de direitos, globalização e consumo de bens e experiências é abruptamente interrompida. O projeto de nutrir o ser humano com distrações, entretenimentos e assuntos menos relevantes caminha para um esgotamento. Uma engrenagem principal e da qual as demais dependem está ameaçada, ou seja, a sobrevivência.

Os profissionais de saúde e os pesquisadores promovem uma força tarefa sem precedentes na história recente para vencer um vírus que reapresenta a humanidade uma antiga inimiga: a morte. Ela sempre desempenhou o seu papel, mesmo diante dos esforços globais para esconde-la. No entanto, a pandemia abre as cortinas do palco da vida real e revela aquela que expõe a fragilidade e a limitação humana. O medo e o desespero tomam a plateia que percebe o avanço da “atriz” pelos corredores do teatro Terra. O pavor aumenta quando os expectadores descobrem que não é uma mera encenação e todas as portas estão trancadas!

Eis que surge aquele que sempre ofereceu a única rota de fuga para esse homem desesperado: Jesus Cristo. Ele venceu a morte para dar vida a todos que creem no seu nome. Por isso, Paulo escreve à igreja em Corinto. “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (I Co 15.55-57).

Talvez, a tentativa de esconder a realidade da morte decorra do esforço de negar a necessidade de um salvador. Quem sabe o assombro diante dela no momento, seja uma oportunidade para responder ao doce convite de Jesus que diz: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). O único que pode oferecer vida eterna é Jesus. Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá”. (Jo 11.25).

A igreja está em oração para que os pesquisadores e cientistas descubram a vacina e o melhor medicamento contra o COVID 19. Esta solução irá produzir alívio e também a retomada do percurso ordinário. No entanto, a principal missão da igreja é anunciar que Cristo ressuscitou e, por isso, concede a rota de fuga para a eternidade a todos que creem nele. Esta sempre será a mais importante mensagem de esperança para a humanidade!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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PRECISAMOS DO QUE É FUNDAMENTAL

15 de maio de 2020

Neste tempo de pandemia as necessidades mais básicas são um luxo. Por exemplo, ter comida em casa, energia elétrica, água e saúde acima de tudo. Como gostaríamos de voltar a circular, trabalhar e nos divertir na rua, nas praças e na praia. Em uma pesquisa divulgada pelo canal CNN Brasil, perguntaram: “qual o primeiro lugar que você deseja ir depois do isolamento?” A resposta que ficou em primeiro lugar foi: “desejo ir para a Igreja”. Que alegria saber desta necessidade fundamental. Sim, existem necessidades básicas, mas existe uma necessidade que é fundamental, e uso este termo associando ao fundamento de todas as coisas, Deus. Nossa relação com o Senhor, sua Palavra e nossa comunhão na Igreja são elementos desta pedra fundamental de nossa existência.

O Salmo 105 nos convida ao retorno do fundamental. Este salmo provavelmente foi escrito por Davi em um momento sério na vida de Israel, quando a Arca da Aliança foi levada para Jerusalém (2 Sm 6.12-19). A Arca da Aliança simbolizava a presença de Deus, o ápice da manifestação litúrgica de adoração. Portanto, neste texto vemos a busca pelo que é fundamental em momentos nacionais.

Davi então nos convida para atitudes simples mas importantíssimas para nosso relacionamento com Deus e consequente paz interior. Salmo 105.1 inicia dizendo: “Rendei graças ao SENHOR, invocai o seu nome, fazei conhecidos, entre os povos, os seus feitos”. Observe que existe uma lógica; “rendei, invocai, fazei”. A primeira palavra é uma confissão de autoridade, somente Deus é digno que lhe rendamos louvor. Depois uma relação de confissão de fé que pode ser vista por outras pessoas que estão ao nosso redor. Invocar é uma prática de culto. E por fim uma missão “fazei conhecidos, entre os povos, os seus feitos”. Deus nos chama para falar de nossa fé (Rendei) e prática (Invocai), para todos aqueles que ainda não conhecem seu poder e majestade (Fazei).

Como fazer isso? O Salmo 105.2 ensina: “Cantai-lhe, cantai-lhe salmos” (salmos significam testemunhos). E então ele explica: “narrai todas as suas maravilhas”. Percebam que “narrar” é algo que se conta para outra pessoa, com a intenção clara de fazer com que o ouvinte “visualize” o que aconteceu.

No versículo 5 o salmista diz que devemos nos lembrar das maravilhas que Deus já fez entre nós. Voltar nosso coração e mente para buscar as memórias das respostas de orações que elevamos a Deus. Ele sempre ouve as nossas orações e responde com graça e misericórdia. Afinal, no versículo 8, deste Salmo 105, a Bíblia afirma que Deus sempre se lembra de Sua aliança com seu povo.

Portanto, neste tempo de pandemia, vamos voltar nossos planos ao que é fundamental, nossa comunhão com Deus. Ele vai nos guiar, Ele não se esquece de sua aliança conosco, Ele é soberano e está sempre ao nosso lado.

Deus nos abençoe.
Rev. Leonardo Sahium



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Um dia das mães diferente

9 de maio de 2020

Esse período de pandemia em que vivemos está nos fazendo refletir sobre uma série de questões. Pensar no tempo e nas conversas que tínhamos uns com os outros nos lembra que, cada momento é muito precioso, e devemos valorizá-lo.

Essa pandemia também nos obrigou a lidar com uma questão muito preciosa aos olhos de Deus, que é o relacionamento. O Deus relacional, o Deus pessoal, que se importa conosco, que tem prazer em relacionar-se com os Seus, nos revela, em Isaías 66.13 o seguinte: “Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém vós sereis consolados”

É maravilhoso saber que o Deus de todo o universo, criador dos céus e da terra se compara a uma mãe, para expressar o amor, o abrigo, o aconchego que devemos ter Nele. Esse é um dos poucos versos da bíblia onde Deus é comparado a uma mãe. Nos mostra a profunda preocupação e cuidado de Deus por Seus filhos.

Quando Deus nos dá coragem, esperança, disposição, Ele não o faz à distância, de forma impessoal, mas o faz como uma mãe, que conhece seus filhos, que se dedica a eles e que tem prazer em consolá-los. Essa é uma expressão do envolvimento íntimo e pessoal de um Deus amoroso, com Seu povo.

O texto de Isaías nos mostra, ao observarmos na língua original, que esse filho a ser consolado pela mãe não é uma criança, mas já alguém adulto. Isso claramente nos aponta que as carências desse filho não são somente físicas, mas, principalmente, de ordem espiritual. Carências de alguém que, mesmo adulto, sabe bem que tem consolo em meio às lutas e enfrentamentos do dia-a-dia.

Outro ponto de destaque nesse versículo é que, por três vezes, o autor nos fala acerca do consolo, mostrando que, de fato, Deus é quem nos consola. Esse consolo é trabalhado por Isaías 61.2 – “a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram” – e, mais tarde, pelo próprio Senhor Jesus, em Mateus 5.4 – “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”.

Portanto, nesse dia das mães, que o Deus de toda a terra, o Deus do universo, seja para você abrigo, conforto, guarida, segurança, paz, esperança, salvação… consolo! Você que é mãe, não tenha outro padrão de maternidade do que aquele que o próprio Deus nos revelou em Sua Palavra. E você que é filho, de igual forma, busque o padrão do amor de Cristo para o relacionamento com sua mãe, independentemente das circunstâncias. Caso haja entre você e sua mãe alguma questão a ser resolvida, resolva. Se for preciso algum pedido de perdão, peça. Se for preciso arrependimento, se arrependa. Lembre-se que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Amor incondicional, ou seja, que não tem variação de tempo nem de circunstância. 

Minha sincera oração é que o Senhor abençoe a todas as mães de nossa igreja. Que Ele as capacite, dando sabedoria e discernimento. E que você, filho, ame sua mãe, aproveite esse momento para ligar, para sorrir, para se alegrar com ela.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

     Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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A PÓS-VERDADE AGRAVA A PANDEMIA

2 de maio de 2020

A pandemia extrapola a área da saúde e atinge outros campos como economia, educação, família, igreja e lazer. A chegada do Coronavírus desestabiliza também uma sociedade com profundas raízes no terreno da pós-verdade. Esta corrente filosófica implode as argumentações racionais e “empodera” as opiniões. É um termo usado para definir conteúdos desalinhados com os fatos, mas que atende a determinados interesses.

A ciência é frontalmente atacada pela pós-verdade. O descompromisso com a verdade objetiva, possibilita uma produção acadêmica subserviente aos valores pessoais e/ou ideológicos. A imparcialidade científica é ameaçada, afinal, a pressão para corresponder a interesses outros pode enviesar os resultados. O conteúdo desconectado com a realidade é legitimado a partir do momento que sustenta a opinião e o interesse de determinados grupos.

Na pós-verdade, primeiro é apresentado o resultado da tese e, posteriormente, organiza-se um emaranhado de argumentos desconexos e desprovidos de lógica para justificar, muitas vezes, o que é injustificável. O contra-argumento é ofensivo, produz rupturas nos relacionamentos e rivalidades incuráveis. Para Christian Dunker, na pós-verdade, a verdade é coadjuvante e sem potência transformadora.

A internet possibilita a incontrolável proliferação dessas pós-verdades. Os conteúdos mais variados são lançados na plataforma virtual e núcleos afins formados para defender as respectivas posições. Os campos de batalha são montados e uma guerra insana, apaixonada, inconsequente e interminável superaquece as redes sociais. Os posts carregam recortes que permitem várias interpretações do fato e, desta forma, a verdade se dissolve. A grande mídia não está imune e também pode se sujeitar às narrativas formadas por recortes convenientes.

A pós-verdade resgata a essência das seitas, onde qualquer questionamento abala todo o sistema nervoso do devoto. O vínculo afetivo com a “divindade” bloqueia a percepção quanto à realidade. A emoção que deveria ser canalizada para relacionamentos nobres como família e amigos é investida em tensões virtuais que não são dignas de tão elevada estima. Infelizmente, alguns “deuses” descobriram o poder e a influência que possuem.

Pelo menos dois mil anos atestam a estabilidade e a credibilidade das Escrituras. Por isso, é denominada Palavra de Deus, afinal, vem do alto céus e não se submete às contradições filosóficas que marcam as épocas. A Bíblia é a verdade divina revelada aos homens e orienta os crentes para uma vida na verdade. Enquanto a pós-verdade se propaga no escuro e na dúvida, a Palavra de Deus sempre se apresenta como luz que dissipa as trevas: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos” (Sl 119.105).

Na pós-verdade, qualquer um pode dizer “e conhecereis a verdade”, no entanto, a verdade que liberta é acessada apenas por aqueles que são restaurados por Cristo. Antes de João 8.32, Jesus diz: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos” (Jo 8.31). Os seguidores de Jesus não podem se submeter ao jogo promíscuo da pós-verdade, pelo contrário, permanecem na verdade: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt 5.37). Desta forma, a obscuridade da pós-verdade tem a sua origem no império das trevas e os que foram chamados para ser a luz do mundo precisam manter distancia dela.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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A PANDEMIA É NOSSA DIÁSPORA TECNOLÓGICA

24 de abril de 2020

“Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria. Alguns homens piedosos sepultaram Estevão e fizeram grande pranto sobre ele. Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere. Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra. Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo” (Atos 8.1-5).

Esta semana escrevi um texto onde criei o termo “diáspora tecnológica”. Segue aqui um resumo desta minha percepção.

O termo diáspora vem da palavra grega (διασπορά), que também pode ser traduzido por “dispersão”. Esta palavra é usada para explicar a saída de um povo, de seu lugar de habitação, por ter sido forçado por circunstâncias, políticas, econômicas e sociais. O que observamos é que a diáspora em Atos foi um fator usado por Deus para a expansão do evangelho em todo o mundo. A igreja não criou um projeto de evangelização mundial, ele simplesmente aconteceu como resultado da perseguição.

A pandemia do COVID-19 levou a igreja à diáspora tecnológica. Assim como a perseguição contra os cristãos em Atos 8, a pandemia não foi uma opção da igreja, mas foi imposta por circunstâncias que impeliram a igreja de Cristo ao enfrentamento de uma nova realidade. Igrejas fecharam, os grupos não podem se reunir nem mesmo em seus lares. O que antes foi uma imposição do Império Romano, hoje é uma imposição de isolamento pela preservação da saúde pública.

Assim como a perseguição contra os cristãos exigiu deles uma saída de sua zona de conforto, nós também enfrentamos agora o fim da nossa rotina usual, nos deslocando como igreja para fora dos nossos muros físicos e exigindo de cada igreja a diáspora tecnológica. Expor sua igreja nas redes sociais antes da pandemia era uma opção, mas agora se tornou uma obrigação. Fomos expulsos do confortável universo privado e inseridos nos desafios da exposição pública. Neste ambiente descobrimos suas crises e oportunidades.

Assim como a pax romana criou a rota de expansão, no primeiro século, facilitando as viagens por todo Império Romano, assim também a internet é nossa estrada para todas as nações.

Da mesma forma, quando muitos pensam hoje que a pandemia fechou as igrejas, na verdade, ela se tornou uma das maiores oportunidades para a igreja levar o evangelho aos ouvidos do mundo todo, pois, agora, de maneira evidente estes ouvidos se tornaram mais atentos à mensagem da vida eterna em Jesus Cristo.

Portanto, este é o momento, esta é a nossa diáspora tecnológica, estas são as nossas ferramentas. Todas as igrejas estão agora usando a tecnologia para levar a mensagem do evangelho com o maior alcance possível, e isso é uma grande bênção!

Que Deus nos abençoe.
Rev. Leonardo Sahium



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O CULTO INDIVIDUAL

17 de abril de 2020

Em minha última pastoral, de 29/03, escrevi acerca do “Culto Doméstico”, esperançoso que você tenha colocado em prática aqueles breves ensinos que compartilhei. Hoje quero trazer à sua reflexão outro tipo de culto, o chamado “Culto Individual”.

Nos tempos em que vivemos, é importante analisarmos como tem sido, até aqui, a nossa comunhão com o Senhor, visto que estamos impedidos de nos congregar em igreja. Em tempos difíceis como o que vivemos, podemos ter dois caminhos a seguir: Um caminho é o do desespero, de falta de fé e insegurança com o porvir. Outro caminho, que eu quero aqui te incentivar a seguir, é o caminho da esperança, da fé, da confiança no Senhor, sabendo que Ele é quem cuida do nosso futuro.

Para seguir esse segundo caminho, é importante entender que a nossa espiritualidade deve ser exercida e exercitada por nós mesmos. Por mais óbvio que isso possa parecer, muitos tem depositado a sua espiritualidade em pessoas, ou mesmo em instituições. Já há, inclusive, um nome para isso: “Terceirização da Fé”. Isso se dá quando o indivíduo, de fato, terceiriza, delega a sua espiritualidade para outros, ou mesmo a espiritualidade de sua família. Não defendo aqui uma ideia de “desigrejados”, mas defendo que a própria Palavra de Deus nos assegura que somos “reino de sacerdotes”, tanto no Antigo Testamento (Êxodo 19.6), quanto no Novo Testamento (1 Pe 2.9; Ap 1.6). É o que os reformadores, no século XVI, chamarem de “Sacerdócio Universal dos Crentes”. Essa doutrina nos orienta que somos um povo, chamado pelo próprio Deus, para adorá-lo, servi-lo, glorifica-lo, por nós mesmos. Cristo Jesus rasgou o véu de cima abaixo, nos dando agora livre acesso ao trono da graça de Deus (Hb 4.16).

Nesse sentido, quero lhe dar algumas orientações que podem colaborar com a sua prática do Culto Individual:
1-  Separe um lugar específico da sua casa para esse momento. Tenha em mente que será um exercício e, para tanto, é preciso disciplina e dedicação. Reserve uma poltrona, ou mesmo uma mesa e uma cadeira, em um ambiente silencioso. Sei que nem todos conseguirão esse ambiente “esterilizado”, mas acredite, vale a pena tentar e se esforçar para que ele ocorra.
2-  Tenha um material de estudos: Uma boa Bíblia de estudos (Genebra, Herança Reformada, Shedd, NAA), lápis, borracha um bloco de anotações. Deixe o seu celular em outro cômodo. Distrações para esses momentos aparecerão aos montes. Procure se concentrar naquilo que você se propôs a fazer.
3-  Estipule um horário: Dentro da sua rotina diária, tenha um horário destacado para a sua devocional. Não comece achando que você conseguirá ficar 1 hora, ininterruptamente, nessa prática. Comece aos poucos. 15 minutos diários podem ser suficientes, se você dedicar-se com atenção e zelo.
4-  Tenha um plano de leitura diário da Bíblia: Em nosso boletim, semanalmente, publicamos os textos para sua leitura diária devocional. Mesmo que você comece agora, não tem problema. Repetimos, anualmente, esse plano diário de leitura bíblica. Em nosso aplicativo de celular você tem acesso ao boletim. Aproveite a tecnologia à seu favor
5-  Ore: Não subestime a oração. Vivemos tempos em que o ser-humano tem percebido a sua fragilidade, e a oração nos coloca no lugar que devemos estar: aos pés do nosso Senhor Jesus Cristo. Ore no início e no fim. Escreva os seus pedidos, seus agradecimentos, suas confissões. Escrever nos ajuda a centrar nossos pensamentos, além de nos fazer ter um diário de oração, para que, daqui um tempo, possamos recorrer e perceber o que Deus já fez em nossas vidas.

Minha sincera oração é que o Senhor te ajude nessa caminhada. Você não está sozinho. O Senhor é contigo.

Ouça essa canção: https://open.spotify.com/track/3YzFhIRvzOD59RctVa30Nk . (Cristo Ajudará, interpretada por Diego Venâncio)

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.
Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança



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ONDE ESTÁ DEUS, AGORA?

11 de abril de 2020

O ateísmo prático se estabelece a partir do momento em que a crença na existência divina se desconecta da cognição, da emoção e da vontade. Em decorrência de uma herança cultural, o indivíduo afirma que Deus existe, mas isso não interfere nos hábitos, valores e escolhas do cotidiano. Uma relação impessoal, superficial e descomprometida com o sagrado.

Uma sociedade secularizada é composta por ateus convictos e práticos. Diante de uma tragédia, catástrofe ou calamidade, o primeiro grupo tenta limitar as explicações dos fenômenos e eventos de maneira racional e objetiva. O segundo grupo, pode iniciar um processo de questionamento da bondade de divina por causa da desordem instaurada.

Como questionar as ações daquele que é ignorado e tratado com tanta indiferença? Quais motivos sustentam a revolta contra aquele que faz a vida transbordar de maravilhas? É confortável para homens individualistas e autocentrados transferir para Deus a responsabilidade das próprias mazelas.

A terra está tomada pela maldade. A corrupção, o engano, a injustiça e a miséria contaminam o mundo. O restrito acesso a estes conteúdos já nos produz tanta indignação, imagina quando o Deus santíssimo se depara com todos os crimes da humanidade! Como Ele deveria reagir ao descaso debochado com os seus princípios? Por que se manteria indiferente diante de uma religiosidade hipócrita e que diz aberrações em seu nome?

A opção pela morte e pela jornada de sofrimento foi do homem. Os primeiros pais usaram da liberdade para trilhar um caminho sem Deus. Toda tragédia individual, familiar e social está enraizada nesta escolha. No entanto, o Deus amoroso enche a terra da sua bondade: “Ele ama a justiça e o direito; a terra está cheia da bondade do SENHOR.” Salmos 33:5. É pela misericórdia do Senhor que os homens não foram consumidos (Lamentações 3.22,23).

Aos ateus convictos e práticos, aos agnósticos e aos culturalmente religiosos que desejam saber onde Deus está neste momento, precisam antes olhar para a cruz e para o túmulo. O filho único de Deus foi enviado a esta terra amaldiçoada para experimentar das amarguras dos viventes. Enquanto desenvolveu seu ministério, curou os enfermos, ressuscitou os mortos, multiplicou os pães e revelou sua profunda e incondicional compaixão. No entanto, os religiosos e políticos do seu tempo se sentiram desconfortáveis com a sua presença e o crucificaram.

A morte de Cristo na cruz era o plano divino para trazer salvação ao homem cansado de um mundo perverso e cruel. O sacrifício do filho de Deus perdoa os pecados e concede vida eterna a todos que creem nele. Ele não está na cruz porque foi levado ao túmulo. Então, neste momento, Deus está sepultado num túmulo? Não, pois, Ele ressuscitou! Ele venceu a morte e, por isso, concede vida eterna a todo aquele que nEle crê. Onde está Deus, agora? Está assentando no trono, reinando sobre terra e céus (Apocalipse 5.13). Ele está nos corações dos seus filhos concedendo-lhes paz, amor e alegria, mesmo em tempo de tribulação (Gálatas 5.22). Ele está preservando a vida e orientando os homens na busca pela solução dos seus males. O problema da morte, porém, somente Ele pode resolver. Onde está Deus, agora? Ele está dizendo: “Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados que eu lhes darei descanso” (Mateus 11.28). Feliz Páscoa!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena



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Ceia do Senhor deve ser “on line”?

3 de abril de 2020

Obviamente o objetivo desta pastoral não é desenvolver o tema de maneira exaustiva, mas apenas fornecer uma base bíblica, histórica e teológica para um posicionamento de nossa Igreja Presbiteriana da Gávea.

No Antigo Testamento encontramos duas palavras na língua hebraica para designar Igreja, e nos dois casos (qahal e edhah) estas palavras indicam “encontrar-se ou reunir-se num local indicado”. No Novo Testamento encontramos duas palavras para Igreja na língua grega (ekklesia e synagoge) que significam “chamar para fora, convocar e reunir-se”.

Na Reforma Protestante, “Calvino e os teólogos reformados estavam de acordo com Lutero quanto à confissão de que a Igreja é essencialmente uma communio sanctorum, uma comunhão dos santos.” (BERKHOF, 1990).

A Ceia do Senhor foi instituída pelo próprio Senhor Jesus Cristo, quando estabeleceu na Igreja dois sacramentos (sacro = santo + mandamento = ordem). O primeiro sacramento é o batismo e o segundo a Ceia do Senhor. No Antigo Testamento (antiga aliança) a circuncisão (individual) era o ato de entrada visível na comunidade da fé. A circuncisão era realizada apenas uma vez, na criança filha de pais crentes. A páscoa (coletiva) era a celebração contínua (realizada várias vezes) em ocasião específica, quando o povo se reunia para adorar a Deus, lembrando se sua saída da escravidão do Egito para a terra prometida. No Novo Testamento a circuncisão é agora celebrada com uma nova forma, o batismo (individual). A refeição da Páscoa é agora a Ceia do Senhor (coletiva). Jesus nos insere na Nova Aliança (Mt 26.26-30; Mt 28.18-20).

Para participar da Ceia do Senhor, é necessário um vínculo de fé, compreendendo exatamente a relação entre o símbolo e a coisa significada, caso contrario a pessoa trará juízo para si (1 Co. 11.28-30).  A Bíblia é clara sobre a necessidade de estarmos “reunidos no mesmo lugar” (1 Co. 11.20) e chama atenção para o fato de cada um comer antecipadamente a sua própria Ceia como um erro (1 Co. 11.21).  Nas Confissões de fé ao longo da história da Igreja a Ceia do Senhor sempre foi entendida como um momento especial de unidade de todos no mesmo lugar, “na congregação do povo de Deus” (Confissão Belga, 1562, artigo 35). O Catecismo de Heidelberg (1563) nos lembra que a Ceia do Senhor é a manifestação da “comunhão do Corpo” e que o cristão pela graça está “unido cada vez mais ao santo corpo de Cristo”.  Os Cânones de Dort (1618-1619) afirma que os apóstolos e mestres, “não descuidaram de manter o povo, pelas santas admoestações do evangelho sob a ministração da Palavra, dos Sacramentos e da disciplina”.   A Confissão de Fé de Westminster (1647) no Capítulo XXIX afirma que a Ceia do Senhor deve ser ministrada “tão somente aos que se acharem presentes na congregação” (Mc 14.22-24; At 20.7; 1 Co 11.20).

Sendo assim, concordo com o teólogo Dr. Scott Swain; “Por enquanto, o caminho para participar da Ceia do Senhor está fechado para todos nós. Por enquanto, não somos chamados para festejar, mas para jejuar. O que leva ao que acredito ser a resposta pastoral apropriada em nossa atual crise. Em situações de perda como essa, precisamos aprender a lamentar, e devemos ensinar o povo de Deus a lamentar, algo bastante difícil para aqueles (como eu) que estão acostumados à gratificação instantânea.” (https://coalizaopeloevangelho.org/article/devemos-transmitir-a-ceia-do-senhor-online/).

Por último, se a Igreja abre esta oportunidade “on line”, ela estará “validando” a mesma prática para o futuro, pós-pandemia, ou seja, as pessoas poderão realizar os sacramentos em suas casas, deixando assim, a beleza da comunhão dos santos (Hb 10), negando o propósito do sacramento e nossa história confessional.

Oremos, para que Deus nos dê em breve a alegria de nos reunirmos, no mesmo lugar, na Casa de Deus e celebrarmos juntos a Ceia do Senhor, cheios de alegria e fé.

Rev. Dr. Leonardo Sahium



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