A FAMÍLIA DA FÉ NO SOFRIMENTO

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” Efésios 1.3

Quando enfrentamos momentos de sofrimento o amparo da família é fundamental. Como é bonito ver a unidade de uma família saudável, tanto nos momentos festivos quanto nos tempos de sofrimento. Obviamente, nem todas as famílias são unidas e saudáveis, mas vamos pensar aqui apenas nas que são saudáveis, mesmo que sejam imperfeitas.
Quando alguém da família precisa de uma atenção especial, é impressionante ver agendas sendo adaptadas às necessidades de quem precisa. Horários são compartilhados, novas prioridades são estabelecidas e todos juntos buscam o bem comum.

Aquele que é objeto desta atenção, amor e cuidado, sempre dorme com um sorriso escondido no rosto, na certeza de que está sob os olhares amorosos de quem se ama e é amado. Ao vencer os desafios, percebe-se que a celebração é coletiva, todos sabem que foi uma conquista do amor, da esperança e da fé.

Jesus Cristo ampliou nossa percepção de família. A Bíblia vai nos ensinar que Jesus nos apresentou Deus como Pai (Mt. 6.9) e nós somos pela fé em Cristo, inseridos neste novo contexto familiar, da família da fé (Gl 6.10). Passamos a chamar uns aos outros de irmãos e irmãs em Cristo. Somos frequentes na Casa do Pai (Igreja) e temos até filhos e filhas na fé (1 Tm 1.18).

Como ensina o reconhecido professor de teologia sistemática, John Frame: “O senhorio de Deus é a perspectiva normativa, que enfatiza a autoridade de Deus como o cabeça da aliança. Sua realeza é a perspectiva situacional, que identifica Deus como aquele que vai atrás dos propósitos da sua história redentiva. Sua paternidade é a perspectiva existencial, seu relacionamento íntimo e pessoal com cada um do seu povo” (John Frame, Teologia Sistemática, Ed Cultura Cristã, p. 159)

Deus é Pai, deseja um relacionamento pessoal com cada um de nós. Somos inseridos nesta família pela graça de Deus. Quando somos chamados pela obra maravilhosa do Espírito Santo, percebemos que em nosso coração tudo muda. Somos transformados na família da fé. No meio do sofrimento vemos irmãos e irmãs de fé, clamando uns pelos outros, abrindo suas agendas, ajudando de várias maneiras, mas nunca desamparando um dos membros desta família amada. O Deus Pai recebe centenas, e até milhares de orações em favor de quem está sofrendo, pois, existe uma mobilização, visível e invisível. A família luta unida e vence pela graça de Deus!

Estamos vivendo tempos difíceis, mas também somos testemunhas dos atos que evidenciam este amor, unidade e generosidade da família da fé.

Que Deus nos guarde e abençoe!
Rev Leonardo Sahium

A IMORTALIDADE

O primeiro mês de 2021 já caminha para o fim, o programa de vacinação começa e um misto de esperança e cansaço marca os 10 meses de um redemoinho descontrolado que tirou tudo do lugar. A jornada continua, muitas dúvidas permanecem, os cautelosos mantêm as precauções e os inconsequentes se aglomeram, indiscriminadamente. A toxidade política atinge um nível abissal e as narrativas polarizadas desprezam o princípio da razoabilidade.

A pandemia e os incontáveis temas que a orbitam podem paralisar a capacidade de avaliar o momento a partir da Palavra de Deus. Os crentes em Jesus estão habituados aos textos bíblicos que tratam da fragilidade humana, do sofrimento e da morte. Os solavancos provocados pelas circunstâncias atuais não se desconectam das inúmeras provações e adversidades que os personagens bíblicos enfrentaram.

Por outro lado, uma geração “evitacionista” que não poupou esforços, recursos e discursos para ignorar ou esconder estes temas precisa encará-los face a face. Ao tratar especificamente da morte, Eleny Vassão diz que a partir da contaminação no século XVIII, a morte deixou de acontecer no ambiente familiar para se tornar um ato solitário nos hospitais. No entanto, os hospitais enfatizam cura e vida, por isso, também não estabelecem um ambiente propício para o morrer.

A Bíblia sempre tratou deste desconfortável assunto de maneira incisiva e direta, afinal, era a consequência da desobediência dos primeiros pais (Gênesis 2.17). Este versículo trata da morte espiritual e também física que afeta todos os homens.

O rompimento com Deus provoca uma desordem completa no universo e enche a terra do insuportável odor da morte (Romanos 8). Por mais que circos, parques, poetas e atores promovam momentos de entretenimento, a realidade cruel e silenciosa da morte atinge sorrateiramente a todos.

Somente os que cansaram dos enganos deste mundo e compreenderam o estrago da morte podem acessar a solução que Cristo oferece. A filosofia ou as demais religiões podem divagar em tentativas de explicações subjetivas para os males que atingem os seres humanos. A Bíblia apresenta Cristo, sua vida, morte e ressurreição para anunciar Aquele que esmagou o inimigo que tira a paz dos homens, ou seja, a morte.

Ao escrever para Timóteo, o apóstolo Paulo diz que a graça de Deus foi dada “e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho” (2 Timóteo 1.10). O apóstolo João escreve: “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida” (1 João 3:14). Os discípulos do Cristo ressurreto sabem quem e o que os aguarda após a morte, por isso, Paulo diz que o viver é Cristo e o morrer é lucro (Filipenses 1.21).

Neste momento onde tantos estão apavorados com a morte, a igreja de Cristo é convocada para pregar a vida eterna. É tempo de anunciar o poderoso evangelho que traz esperança aos corações escravizados pelos enganos deste mundo. Numa época em que a morte se apresenta com imponência e poder, a igreja precisa anunciar Jesus Cristo, aquele que venceu a morte com a sua crucificação e ressurreição. É tempo de anunciar a vida que Cristo concede aos que crerem no seu nome!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

MARAVILHAS DA TUA LEI.

Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei.” Salmo 119.18

O Salmo 119 é um escrito muito rico para nossa meditação. Nele, o salmista se utiliza de formas muito peculiares para que seu leitor possa, não somente lê-lo, mas decorá-lo. É comum ao judeu, até os dias de hoje, ler a Torá de forma cantada, facilitando assim a sua memorização. Este extenso salmo didático ou sapiencial é o mais perfeito dos salmos chamados “acrósticos”. É formado por vinte e duas estrofes, de acordo com o número de letras do alfabeto hebraico, e cada estrofe, por sua vez, é composta de oito versos, que começam sempre com a letra correspondente à estrofe. Uma obra de arte.

O tema principal desse belo salmo não é outra coisa senão a própria Lei de Deus. O salmista exalta a Lei do Senhor, Seus preceitos, Seus mandamentos, de forma que, ao lermos o salmo, em suas estrofes tão ricas, somos desafiados a um apego maior a Palavra de Deus.

E quando chegamos na porção do Salmo 119, que vai do verso 17 ao verso 24, o salmista ora ao Senhor, pedindo que lhe seja generoso, para que viva e observe a palavra de Deus (v.17) . É uma súplica que dificilmente fazemos. Não é orar ao Senhor para observar a Sua Palavra simplesmente. É um apelo para que o seu viver seja em observância, em consonância com aquilo que Deus requer, em Sua Palavra. É muito profundo. Viver nossas vidas, observando a Lei de Deus, é se deparar com os nossos próprios pecados e não relativiza-los, nem mesmo transferi-los para outros, assim como fez Adão no paraíso, colocando a culpa, em última instância, em Deus (“A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi”. Gn3.12).

Em seguida, o salmista profere essa oração tão bela, que consta no v. 18 do Salmo 119: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei”. Sabe o que o salmista nos afirma, com essa oração? Que ele sabe muito bem que, se dependesse dele, jamais teria capacidade de entendimento e de compreensão da Palavra de Deus. E isso não ocorre porque essa Palavra seja de difícil entendimento, ou por utilizar linguagem adversa da que estamos acostumados. E isso não ocorre porque essa Palavra seja de difícil entendimento, ou por utilizar linguagem adversa da que estamos acostumados. Isso se dá porque a nossa natureza pecaminosa nos deixa como que cegos. Precisamos da iluminação do Santo Espírito, do descortinar divino para entender que essa Palavra, santa, inerrante e infalível, é a própria Palavra de Deus.

Em sua oração, o salmista vai além, e não pede somente para contemplar a lei de Deus. Ele quer contemplar as maravilhas advindas dessa lei. Ele sabe que beber dessa fonte é um privilégio, uma alegria e um momento muito especial. Ele sabe que há um tesouro ali. E dessa palavra brotam maravilhas, que enchem o coração do crente de temor ao Senhor, de esperança, de alegria, de fé, de bondade, de mansidão, de domínio próprio, de longanimidade… São tantas maravilhas, tantas riquezas advindas da Palavra do Senhor, que o salmista simplesmente pede: Senhor, abra meus olhos, pois preciso ir além, não só ver, mas contemplar a beleza da Tua lei.

Da mesma forma que fez o salmista, assim devemos nós fazer. Contemplar as maravilhas da lei de Deus só acontece àqueles que tiveram seu entendimento clareado, seu olhar descortinado, seus olhos abertos. Se isso já ocorreu com você, veja em seu coração o motivo de você não conseguir contemplar as maravilhas da lei de Deus. O que será que tem te impedido de se deleitar nessa Palavra, fonte de bênçãos para o cristão? É marca do crente o apego à Palavra do Senhor. E se você ainda tem o seu entendimento entenebrecido, ore ao Senhor pedindo que Ele desvende os seus olhos para que você, aí sim, possa contemplar as maravilhas de Sua lei. Mas não se acomode. Mil e uma coisas surgirão no seu dia, te fazendo deixar de lado o seu tempo devocional de leitura e oração. Insista. Persista. Ore.

Sabe qual é a maior das maravilhas? Cristo Jesus, nosso Salvador. É tudo sobre ele.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança

O FOCO PARA 2021

O ano novo se inicia e as famosas metas eternamente inconclusas são retomadas. No entanto, existem algumas peculiaridades nas festividades deste ano. O voto de felicitações pelo novo ciclo ecoou discretamente. A confiança que nutre a expectativa de dias melhores esteve atordoada pela truculência global de 2020. A intensidade das cores e o brilho dos fogos que simbolizam a alegria e o otimismo da virada, diminuíram drasticamente! Na verdade, o mundo está pálido, fosco, desconfigurado e sem muitos motivos para sorrir. As celebrações foram discretas, muitos encontros familiares ocorreram apenas virtualmente e a mesa farta regada ao sorriso solto ficou deslocada diante do cenário com aparência de guerra.

A sociedade regada a músicas animadas e festas badaladas para minimizar a dor e o sofrimento do dia a dia está teoricamente impedida de recorrer a esta válvula de escape. O que resta é o encontro face a face com o vazio expresso em Eclesiastes, o pessimismo dos exilados na Babilônia e a frustração dos que tentaram construir Babel. Ao fechar a porta de 2020 cabisbaixos, amedrontados e inseguros, os seres humanos deveriam admitir a própria pequenez e fragilidade. As rotas que produziam uma felicidade momentânea e circunstancial estão bloqueadas e este cenário deveria produzir uma reflexão do quanto a existência é efêmera.

É importante destacar que se escancarou nesta tão sofrida nação a ganância, o descaso, a corrupção, a insensibilidade e o jogo de interesses de muitos diante de uma situação tão caótica. Por outro lado, seria injusto deixar de enfatizar o trabalho incansável de cientistas e pesquisadores, o zelo e a resiliência dos profissionais de saúde e a solidariedade de indivíduos, empresas e instituições. Provavelmente, estes heróis anônimos não serão destacados pelos poderes constituídos e nem mesmo pelos importantes canais de imprensa que estão mais interessados na própria sobrevivência.

A experiência de 2020 é apenas a confirmação do que as Escrituras enfatizam em todas as suas páginas. O mundo que ignora Deus e constrói seus belos, imponentes, estruturados e sofisticados castelos sobre a areia, sucumbe com o sopro de um vírus. É provável que em 2021 esta tempestade universal seja minimizada com vacinas e a humanidade retome os projetos de mega construções sobre a areia. O recomeço de uma frustrante jornada que conduz a lugar algum.

Por outro lado, a igreja militante segue com as marcas no corpo e na alma, finca as suas bases sobre a Rocha e avança, por vezes, exausta! Porém, esta igreja tem plena convicção que nem vírus, nem enfermidade e nenhuma outra adversidade pode nos separar do amor de Cristo. “37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. 38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, 39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” Rm 8.37-39. Em 2021, mantenha o foco, apegue-se ao Eterno e a todos os seus valores, siga firme e creia que, em Cristo, a igreja militante também é triunfante, afinal, somos mais que vencedores!

Feliz 2021!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

O ÚLTIMO DOMINGO DO ANO

“Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio” Eclesiastes 7.8a

Chegamos ao último domingo do ano de 2020. Que ano, meus irmãos! Ano que tivemos de encarar novas e tristes realidades. O distanciamento social, uso de novas tecnologias e uma maior atenção quanto ao nosso asseio e higiene foram marcantes nesse ano. Se até março tínhamos em mente uma série de projetos para o ano, a partir da chegada do vírus em nosso país, fomos obrigados a alterar, adiar ou mesmo cancelar esses sonhos.

Mas a bíblia nos ensina lições preciosas, até para momentos como este que vivemos. Não por acaso, nós pastores temos mantido no ar uma live semanal, abordando aquilo que a Palavra de Deus tem para nós hoje. E algumas dessas lições encontram-se no livro de Eclesiastes, escrito pelo rei Salomão, filho de Davi.

No capítulo 7, a partir do verso 1º, Salomão vai apontar para aquelas coisas que são mais duradouras do que a alegria do rico. Uma boa reputação (“nome”) tem uma influência (como o aroma do perfume) que vai além do próprio tempo de vida do indivíduo. O dia da morte de um homem também tem uma influência duradoura, pois depois disso sua vida pode ser apresentada como exemplo, se assim o seu nome o mereceu.

O segundo provérbio, no versículo 2, não é muito diferente daquilo que nosso Senhor disse no Sermão do Monte: “Bem-aventurados os que choram” (Mt 5.4). A aflição e a tristeza produzem um amadurecimento em alguns, enquanto em outros a tendência é endurecê-los e deixá-los mais amargos. Estar diante da enfermidade ou da morte tende a nos trazer rapidamente para as questões realmente cruciais da vida.

De igual modo, o terceiro provérbio, nos versículos 3–4, ensina que há uma lição a ser aprendida com a tristeza, e um trabalho a ser realizado por ela, na vida daqueles que temem a Deus.

Chegando no verso 7, aprendemos principalmente que é melhor esperar pelo tempo de Deus do que ser impaciente. “Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio”. Mas essa frase parece não fazer sentido para nós, nesse fim de ano. O ano de 2020 começou, aparentemente, de uma forma melhor do que termina. Mas não é esse tipo de fim que Salomão aqui faz referência. Em toda a sua sabedoria, Salomão nos fala acerca das ansiedades, dos medos e temores do porvir.

O ano de 2020 pode ter trazido a você sérias dificuldades, seja na área financeira, seja quanto a sua saúde, ou mesmo de algum familiar ou amigo. Mas o que aprendemos com a Palavra do Senhor é que o povo de Deus não precisa se preocupar com o aparente fim das coisas. Digo aparente, porque estamos nesse mundo como peregrinos, visto que o nosso lar é celestial, é eterno. E lá, não teremos mais com o que nos preocupar. Nossos medos e ansiedades ficarão aqui, nesse mundo. Conosco levaremos o desejo de adorar ao nosso Deus, sem que o pecado nos cegue, nos limite e nos atemorize.

Portanto, ao entrar em 2021, mesmo que, aparentemente, as perspectivas não sejam as mais favoráveis, não se esqueça que “o fim das coisas é melhor que o seu princípio”. Tenha em mente que fazer parte do povo de Deus é um privilégio, e devemos ser gratos ao Senhor pelo nosso resgatador, Cristo Jesus. Ele prometeu que vai voltar, nos deu a vida eterna, e hoje somos o povo que deve espalhar as boas novas de esperança, de alegria, mesmo o mundo do jeito que está. Não temos mais o que temer.

Que você tenha um ano de 2021 abençoado, entendendo que lutas e dificuldades virão. Mas com a consciência de que o pastor do Salmo 23 te acompanha em todos esses momentos.

Que Deus te sustente, abençoe e guarde sempre.

Rev. Guilherme Jayme Travassos Esperança