Pastorais
Cidadãos da eternidade

17 de janeiro de 2013

O tempo é realmente implacável para todos, indiscriminadamente. O desenvolvimento tecnológico causa uma impressão de que as coisas se tornaram mais ágeis, no entanto, é quase unânime o lamento pela falta de tempo. Mesmo cercados por instrumentos que têm o propósito de acelerar nossas ações, promovendo crédito de tempo, a impressão é que o efeito é exatamente contrário, pois estamos sendo sugados por uma máquina temporal impiedosa.

Precisamos manter o foco nas prioridades da vida para que o periférico não nos roube o tempo que a cada dia se torna mais precioso. Existe uma poderosa e persistente força maligna que propõe rotular as verdades eternas de Deus como coisas banais e tornar as banalidades desta era como algo imprescindível para existência. Os cristãos não estão imunes a esta inversão de valores e por isso precisam da capacitação do Espírito Santo para concentrar todos os esforços do tempo presente nas coisas do alto, naquilo que tem efeito para toda eternidade.

Jesus Cristo ensinou no sermão do monte que os tesouros adquiridos pelos homens enquanto vivem neste mundo, com o passar do tempo, terão como destino a traça e a ferrugem (Mt 6.19.21). Por isso, nosso coração precisa estar centrado na eternidade, absorvendo a escala de valores dos céus, inundando do que é incorruptível e despindo de tudo aquilo que corrói com o tempo. Foi este ensino do Mestre que orientou C. S. Lewis na confecção da sua célebre frase: “tudo que não é eterno é eternamente inútil”.

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O evangelho nos convida a viver o tempo numa perspectiva que extrapola o cronos (aqui e agora) e invade a eternidade. Os desejos, sonhos e projetos não visam primordialmente a satisfação pessoal e momentânea, mas a glória de Deus. Os bens não são acumulados para promoção de vaidade e orgulho, mas para serem utilizados na expansão do Seu Reino na terra. A educação dos filhos não tem a finalidade de apresentar uma família estável e equilibrada aos outros, mas transmitir a herança da fé no Eterno. A relação conjugal não tem como finalidade última a satisfação do casal, mas o cultivo do Fruto do Espírito. Uma vez que todos os setores da vida apontam para eternidade, entendemos o que o apóstolo Paulo quis dizer quando escreveu: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” Cl 3.17

A vida cristã faz sentido à medida que nossas relações, compromissos e princípios morais são padronizados pelas normas eternas. Afinal, Cristo veio ao mundo, morreu e ressuscitou para nos conceder vida eterna (Jo 3.16). Aqui não é nosso lugar, somos cidadãos da eternidade e precisamos torná-la mais palpável a cada dia.

Rev. Alexandre Sena

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