Pastorais
CORAÇÃO QUEBRANTADO

25 de setembro de 2020

O homem é, naturalmente, inclinado a confiar em suas próprias capacidades. Com esta atitude ele enche-se de uma segurança carnal e envereda pelo caminho da altivez e do orgulho contra Deus (Pv 21.4). Neste caso, sua prosperidade pode auxiliar no processo de arrogância como escreve Davi no Salmo 30.6: “Eu dizia na minha prosperidade: não vacilarei jamais”.

Deus conhece o coração do homem e sabe que o mesmo é enganoso e corrupto (Jr 17.9). Por isso, muitas vezes, ele permite a adversidade para manter seus filhos no caminho da humildade, pois, como ensina Tiago, “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6b).

A adversidade faz com que o homem reconheça o quão frágil e vulnerável é a sua própria natureza. Calvino ensina que, para que o homem admita sua fraqueza e limitação, Deus permite as tribulações sobre ele: “Neste caso, é necessário passar pela experiência da aflição. Portanto, ele nos aflige com humilhação, pobreza, perda de entes queridos, enfermidades, ou outras provações”.

Por conhecer a natureza humana e sua tendência à soberba, Deus permitiu que Satanás colocasse um “espinho na carne” do apóstolo Paulo para que ele não se exaltasse diante da extraordinária grandeza das revelações de Deus. Quanto a esse assunto, John Stott diz: “Ele (o sofrimento) também desenvolve a humildade, como na ocasião em que o espinho na carne de Paulo teve o propósito de impedir que ele se tornasse orgulhoso”.

Nenhum exemplo de humildade diante das adversidades pode ser igualado ao de Jesus. Ele sofreu os maiores absurdos, mas não pecou devido à sua sublime humildade silenciosa: “[…] pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente […]” (I Pe 2.23). Mesmo diante da exagerada agressão física e verbal, e do seu injustificado assassínio, ele não revidou. Através da sua vida, Cristo ensina seus seguidores a se comportarem com humildade diante das tribulações.

O sofrimento humano é fundamental para o quebrantamento espiritual. Quando existe bonança, tranquilidade e prosperidade, o coração tende à soberba e a altivez, dispensando a graça e o cuidado de Deus. Cristo é o modelo de humildade, resignação e submissão à ordem do Pai, e estas qualificações foram evidenciadas com veemência no seu terrível sofrimento.

Este é um dos propósitos do sofrimento na vida do crente, produzir a legítima humildade que provém do Espírito Santo. Desta forma, o crente é conduzido à mesma atitude de fraqueza e dependência de Deus relatada por Paulo: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Co 12.10).

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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