Pastorais
Cristo, o Centro

19 de outubro de 2012

Jesus instrui-nos com um mandamento de afirmação e outro de negação: “Não acumulem para vocês tesouros na terra”; em vez disso, “acumulem para vocês tesouros nos céus” (Mateus 6. 19-20). Os “tesouros” em questão aqui não são apenas os bens materiais de grande valor, mas tudo aquilo em que depositamos nossa confiança e a que nos apegamos mais profundamente. Por exemplo, quando pequenos, meus filhos possuíam seus tesouros particulares. Quando eu tinha a oportunidade de ver alguns daqueles objetos de estimação, ficava espantado, pois se resumiam a pequenas pedras brilhantes, pedaços de madeira nos formatos mais estranhos e certa quantidade de tiras de borracha, mas para eles eram cobiçadas preciosidades. Jesus adverte-nos a esse respeito: não importa quais sejam nossos tesouros na terra, devemos cuidar para não nos agarrar a eles com muita força, porque com certeza irão nos desapontar e tirar de nós a chance de viver, no Reino de Deus, a vida de liberdade e poder que tanto desejamos. Jesus sabe que o ser humano tem uma necessidade quase compulsiva de obter garantias para si por meio de bens terrenos, mas nos aconselha a não fazermos isso, apresentando três razões pelas quais não devemos acumular tesouros na terra, mas armazenar tesouros nos céus.

A primeira dessas razões é que este mundo é muito inconstante (Mt. 6.19-20). Simplesmente não há lugar seguro. Talvez nosso tesouro não seja ameaçado por traças ou ferrugem, mas poderá ser destruído ou subtraído de outras formas – numa situação de inflação alta, por exemplo. Jesus insiste em fazer-nos entender que, se descuidarmos da segurança de nosso tesouro, ele irá nos levar à ruína.

A segunda razão apontada por Jesus é o fato de que tudo que estabelecermos como nosso tesouro irá dominar toda a nossa vida: “onde estiver o seu tesouro, aí também estará o vosso coração” (Mt. 6.21). Ele não está dizendo que nosso coração poderá estar onde estiver nosso tesouro, mas que estará lá.

A terceira razão apresentada por Cristo para não acumularmos tesouros na terra, e sim no céu, é que a provisão já está garantida. As aves do céu e os lírios do campo são testemunhas de uma disposição no Reino de Deus que assegura a provisão adequada a tudo e a todos. A provisão de Deus ajusta-se perfeitamente à nossa necessidade, tal como acontece com os animais e as plantas.

 

Richard Foster, em seu livro A Liberdade da simplicidade.

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