Pastorais
Cuidado com a oração que definha a alma

13 de setembro de 2013

Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma.  Sl 106.15

 

O dicionário define a oração como uma prática comum nas diversas confissões religiosas. É vulgarmente designada como uma relação, uma conversa ou um ato de reconhecimento e louvor diante de um ser transcendente ou divino.

Para nós, protestantes, a oração é um meio que Deus estabeleceu com a finalidade de manter relação conosco. Adoração, confissão, louvor, intercessão, gratidão e petição são alguns dos seus conteúdos. Buscamos a vontade dele para nossas vidas e celebramos nossa comunhão com a trindade sempre que oramos. Deve ser feita em nome de Cristo, pois, na cruz ele proporcionou a possibilidade de falarmos com o Pai. Precisa ser direcionada pelo Espírito Santo para que promova a glória de Cristo. Oração é uma celebração de adoração e de envolvimento com o criador, sustentador, governador e salvador das nossas vidas.

Por outro lado, não são poucas as advertências na Escritura quanto ao cuidado necessário com a estrutura, intenção e propósito da oração. Não deve ser feita para autopromoção, visando os próprios interesses ou prazeres pessoais. O centro da oração não é a vontade do nosso coração enganoso que deseja apenas se nutrir de infindáveis vaidades.

O salmo 106 descreve acerca do paradoxo entre a suprema misericórdia do Senhor e a miséria humana. O povo de Israel estava preso no Egito e de maneira poderosa o Senhor os liberta para viver na abençoada terra prometida. Mas no caminho, manifesta ingratidão, idolatria, insatisfação, incompreensão, ansiedade e murmuração. Em determinado momento, movidos por uma incontrolável gula, Deus atende a oração deles, mas faz com que suas almas se definhem. Comentando este texto, o Dr Russell Shedd afirma que a petição feita contra a vontade de Deus se torna uma maldição. Quando nossos pedidos são recheados de intransigência, ignorância e desobediência, podemos insistir para que Deus nos conceda determinadas coisas que destoam da sua santa e imaculada vontade, expressa claramente na Bíblia. Cuidado! O Senhor às vezes nos dá o que erroneamente pedimos com o propósito de disciplinar e manifestar sua ira pela nossa petição encharcada de desejos carnais.  A gula e o medo de achar que Deus não os sustentaria, fez com que o Senhor atendesse ao pedido do povo no deserto, porém, mandou sobre eles uma doença terrível.

Não pense que a oração é o combustível para alimentar prazeres pessoais. Não use-a como um meio de inflar a desastrada e inconseqüente natureza caída que tanto nos impulsiona para caminhos distantes da presença do nosso Senhor. Devemos, sim, orar como Cristo ensinou, buscando sempre a vontade do nosso Deus, que é boa, perfeita e agradável. Apresentamos nossos pedidos e descansamos, lembrando que ele é bondoso, atencioso e misericordioso, atendendo-nos da sua maneira no tempo estabelecido pela sua soberania.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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