Pastorais
DEUS TE ESPERA NO JARDIM

4 de junho de 2016

A sociedade experimenta uma overdose de comunicação virtual. O uso de aplicativos como o WhatsApp, que contabilizou recentemente a quantia de 1 bilhão de usuários no mundo e 100 milhões apenas no Brasil, é o responsável por esta mudança de comportamento. Todos estão atentos ao sinal que informa a chegada de uma nova mensagem. É alguém no grupo da família desejando um bom dia, o amigo divulgando piadas políticas ou o chefe marcando uma importante reunião. Se as conversas no WhatsApp estão escassas, não tem problema, o Facebook trás uma galeria de acontecimentos para manter qualquer pessoa entretida por um tempo indeterminado. Cansado de conversas e curtidas no Facebook, chega a hora dos desafiadores jogos que instigam a superação. Depois dos jogos, nada melhor do que ver um seriado no Netflix. Não duvide da capacidade daqueles que conseguem fazer tudo ao mesmo tempo!

A utilização adequada e moderada destes meios pode ser benéfica e útil para trabalhos, estudos, entretenimentos e relacionamentos com familiares e amigos. No entanto, existe o risco da compulsão pela conectividade, a ânsia para descolar do real e fazer a vida girar em torno do virtual. É o desejo desenfreado de encontrar sentido no outro, naquilo que é externo e que de alguma forma corresponde e promove satisfação. Existe um império de propostas para manter as pessoas conectadas a elementos que são efêmeros, superficiais e descartáveis. Há uma poderosa indústria do inútil e supérfluo alimentando uma geração vazia e entediada.

O silêncio, a solitude e a introspecção são termos agressivos para uma geração que está sempre acessando algo para impedir o encontro consigo. Os olhares focam em telas e teclados e o convite para mergulhar na própria alma é desconfortante e amedrontador. A mente está condicionada para se suprir de um turbilhão de informações e o rompimento com este ciclo é quase uma tortura. Esta fuga de si mesmo não é um mal apenas desta era, afinal, em todos os períodos da história o homem resistiu o encontro com a sua angustiante realidade interna.

Para os redimidos em Cristo Jesus, o coração se tornou a residência do Espírito Deus (Rm 8.9) e por isso, os momentos de desconexão direcionados à oração e a meditação na Palavra não são caminhadas em direção aos assombrosos escombros da alma deteriorada pelo pecado, mas um passeio pelo jardim de Deus, afinal a graça salvadora trouxe luz onde havia trevas, vida onde reinava a morte, alegria num lugar de tristeza. Diante de tantas vozes e conexões, os cristãos precisam buscar o silêncio e convidar Deus para um encontro íntimo, sincero e profundo, longe dos ruídos externos que visam apenas a distração. Priorize a comunicação com o Senhor e perceba o quanto as demais conexões são secundárias e muitas vezes, desnecessárias.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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