Pastorais
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

6 de novembro de 2020

A vida e todos os seus desdobramentos exige uma explicação. A inquietante mente humana envereda por caminhos científicos, filosóficos e religiosos em busca de incontáveis respostas. Como completar o quebra-cabeça existencial? De que forma encontrar sentido? Por que o ser humano age e reage dessa ou daquela forma? Tudo parece tão simples e óbvio e, de repente, tão complexo e misterioso.

As universidades, os laboratórios e os governos podem identificar distorções, produzir soluções e responder muitos dilemas que causam desconforto. Este processo é legitimo e importante, no entanto, a momentânea sensação de alívio e progresso logo é sequestrada por outra onda de tormento, disfunção, crise e insegurança.

Os registros históricos demonstram que este mundo é extremamente desajustado e todas as tentativas de melhorá-lo são fugazes. O homem se apega facilmente às muitas soluções ilusórias e pueris para tentar eliminar profundos males que causam danos individuais, familiares, sociais e ambientais. A fartura de diagnósticos acerca da entranhada miséria humana está exposta em toda parte.

A partir desta auto percepção de impotência, é possível chegar à conclusão de Schopenhauer: “a vida é uma queda perpétua em direção à morte”. De acordo com o rei Salomão, todos os movimentos humanos são feitos em direção ao vazio. É razoável deduzir, então, que as densas trevas da jornada causam pavor nos transitam nesta atmosfera de desamparo e incertezas. Por outro lado, os regulares exercícios de negação da realidade podem contribuir para a crença de que tudo isso é um exagero.

Os questionamentos, medos e incômodos denunciam o deslocamento e o desconforto humano. O homem é um deslocado e intruso que não consegue acessar um sentido que justifique os labores e sofrimentos diários deste mundo. Neste momento, ocorre uma busca ao mistério, aos elementos que extrapolam a razão. Mas essa tentativa pode ser insuficiente e bloqueada pela limitação e corrosão interior.

A conclusão óbvia é: um ser em deterioração e destinado a morte não pode encontrar vida verdadeira por si mesmo! Por isso, somente Jesus é capaz de oferecer a solução eficaz. Apenas Cristo oferece uma solução proporcional ao tamanho do problema humano. O Deus encarnado morre numa cruz, ressuscita e concede vida eterna a todos que creem nele: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados.”(Ef 2.1).

A partir desta perspectiva, as experiências difíceis neste mundo são encaradas como momentos transitórios diante da vida eterna reservada aos fiéis. Através de Cristo, o quebra-cabeça existencial é montado, o sentido é encontrado, afinal, o mistério é revelado: “desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo” (Ef 1.9).

Ao homem, resta admitir a própria incapacidade de promover alegria, paz e amor fundamentados na verdade, render-se ao senhorio de Cristo e confessar que: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” Esta é a verdade que explica a vida e todos os seus desdobramentos.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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