Pastorais
É MUITO PARA A RAZÃO

27 de abril de 2017

Ao se atentar para os inúmeros aspectos da vida, é possível perceber quantas maravilhas fogem da possibilidade de explicação. A começar pela capacidade cognitiva de observação. Nenhum outro ser na terra é capaz de compreender a si mesmo e ao universo de maneira tão elaborada e minuciosa.

Os batimentos cardíacos sinalizam que a vida pulsa. O sono possui o poder de assentar os conteúdos de um dia intenso e produzir o renovo para as novas batalhas. A alma silenciosa insiste na convicção de que existe um sentido além e especial. No entanto, muitos relutam na tentativa de reduzir tudo às explicações lógicas. Como limitar o amor às regras da razão? Como explicar a irracionalidade da razão? O homem é complexo demais para ser desvendado por ele mesmo. Elaborado demais para condensar-se aos limites da lógica.

Quando a observação extrapola para os elementos externos do corpo e da alma, a perplexidade diante do mistério não diminui. As flores, as estações, os rios, os animais, os mares e todos os demais elementos da natureza revelam as incontáveis variedades com suas singularidades. Estes elementos rejeitam com veemência qualquer teoria que lhes atribua o acaso como pai. Como podem os mais inteligentes da criação chegar a tal conclusão? Que desejo incontrolável de reduzir a grandeza do universo ao tamanho de um cérebro deteriorável!

Ao olhar para os céus, o homem é nocauteado pela infinita imensidão e também pelas incalculáveis estrelas que estão sistematicamente organizadas e posicionadas por meio de um ajuste de altíssima precisão. Que explosão é esta capaz de deixar o universo tão ordeiro, sincrônico e belo? Quanta produção intelectual para tentar iludir elementos tão básicos do entendimento, como bom senso, por exemplo! Quanto esforço para não admitir a existência de um Criador!

O corpo, a alma, o planeta e o universo sinalizam a todo o momento e a todos os homens que há um Deus. Por isso, o apóstolo Paulo afirma que todos se tornam indesculpáveis diante dele: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” Rm 1.20.

A criação evoca a existência de um Ser com uma supra inteligência, capaz de decifrar todos os seus enigmas e mistérios. Um Deus que conhece e governa o objeto criado. O rei Davi, estupefato diante das obras de Deus, escreve: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139.14). Os que reconhecem este Deus somam ao salmista em gratidão e adoração diante de tantas maravilhas estampadas dentro e fora de cada um.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

Share