Pastorais
EM TEMPOS DE GUERRA

12 de junho de 2020

Essa pandemia pode produzir efeitos comparados a uma guerra mundial. Os profissionais da saúde lutam, incansavelmente, para defender seus iguais de um inimigo cruel. Por outro lado, assim como nas guerras, as decisões políticas são contraditórias e polêmicas. As articulações e decisões dos palácios e tribunais roubam a cena enquanto o inflamado “bombardeio viral” contra a vida acontece. Os civis estarrecidos e exaustos se sentem acuados, indefesos e desnorteados devido a ausência de diretriz e alinhamento das autoridades. A pressão aumenta com a paralisia econômica que afeta, principalmente, os menos favorecidos.

Assim como numa guerra, a imprensa cumpre seu papel, mas dificilmente consegue manter a imparcialidade. As narrativas atendem a um interesse, muitas vezes, previamente pautado. A eclosão de comentaristas nas plataformas virtuais aquece, exponencialmente, os noticiários e apresenta um outro cenário bélico e altamente letal. A sanidade mental, emocional e espiritual podem ser seriamente comprometidas nesta área repleta de minas virtuais.

Em momentos assim, é importante aprender com o passado. A segunda guerra mundial terminou em 1945 e o Ocidente precisava ser reconstruído. A indústria encontra, neste período, uma excelente oportunidade para produzir bens duráveis em grande escala. Os eletrodomésticos e automóveis promoveram a alegria das famílias mais abastadas. Enquanto a produção aquecia, a fé se esfriava. O projeto era um mundo sem Deus, secularizado, autônomo e humanista. Estes valores corroeram a espiritualidade de muitas nações.

Após 75 anos, o Coronavírus nocauteia a humanidade e redefine os rumos da história. A população que está em isolamento (parcial ou total) também terá um mundo para ser reconstruído. Assim como a indústria no pós-guerra, a realidade virtual vai definir uma nova dimensão nas interações sociais e nos valores humanos. A educação, a economia, a igreja, a família, enfim, todos os setores serão, amplamente, afetados pela tecnologia. A impressão é que as plataformas virtuais já estavam preparadas para acolher “calorosamente” a todos neste momento.

Diante deste cenário, a igreja deve entender, à luz das Sagradas Escrituras, quais os desafios, abordagens, adaptações e processos contribuirão para o eficiente cumprimento da sua missão. O povo da luz vai adiante para apontar o caminho à multidão que retorna estraçalhada do campo de batalha, afinal, “vós sois a luz do mundo”. O mundo está abalado, desestruturado e amedrontado. O papel da igreja é anunciar o Cristo que dá água ao sedento (Jo 4.10), produz paz ao coração atribulado (Fp 4.7), derrama esperança sobre o desesperado (Rm 5.5), acalma o aflito (Sl 34.6) e acolhe o perdido (Lc.15.32).

Jesus salva os que construíram exuberantes castelos sobre a instabilidade do terreno arenoso (Mt 7.24-27). É tempo da igreja anunciar a Rocha firme e eterna a uma sociedade aterrorizada com a sua fragilidade. O rei Davi ensina que somente em Deus a verdadeira segurança é acessada: “O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte.” (Sl 18.2).

Em tempos de guerra, o medo aflora, as discussões se intensificam, a limitação é escancarada, as dúvidas e crises aumentam. Em tempos de guerra, aqueles que descobriram quão instáveis e vacilantes são as estruturas desta vida, são convidados a conhecer o filho de Deus que morreu e ressuscitou para conduzir os que creem na realidade eterna. Em tempos de guerra, o ser humano é convidado a conhecer o único que concede a verdadeira paz.

Os que estão atentos aos movimentos globais se preparam para uma relocação adequada neste cenário inédito. Os produtores de soluções estão a todo vapor, driblando os obstáculos e promovendo soluções em diversas áreas. A igreja com a poderosa mensagem do Cristo ressurreto não pode ficar inerte e apática com tantos feridos (no corpo e na alma) ao seu redor.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

Share